
“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."
(Millôr Fernandes)
terça-feira, 17 de agosto de 2021
CONVENÇÃO 169. Bolsonaro estuda abandonar tratado sobre direitos indígenas e quilombolas a partir de setembro

segunda-feira, 16 de agosto de 2021
Corregedor do TSE determina que plataformas digitais suspendam repasses financeiros a páginas que propagam desinformação

"Major Curió": MPF oferece a décima denúncia por crimes de militares na repressão à guerrilha do Araguaia
FALTA RAZÃO E SOBRA CONFUSÃO, É A PEDAGOGIA COLONIAL
Segunda, 16 de agosto de 202
Pedro Augusto Pinho*
“Nunca falamos do nosso futuro: O Brasil de volta ao passado”.
“O que voltou em 2019/2020/2021 para o debate?”
“O PIB de 2020 voltando para o PIB do ano de 2007, aos orçamentos fictícios petistas, a corrupção institucional, o PAC, Minha Casa Minha Vida, Vale-Gás, Bolsa Família, CPMF, desoneração da folha de pagamento, a inflação, o AI5, a intervenção militar, calote da dívida, o voto impresso, mudança da política de preços da Petrobras, o getulismo – “o petróleo é nosso”, interferência nos preços da energia elétrica, volta dos ministérios, o mensalão e o petrolão, com as ressurreições de José Sarney, Fernando Collor, Rodrigo Pacheco, Eduardo Cunha, Arthur Lira, Ricardo Barros, Gilberto Kassab, Ciro Nogueira, Roberto Jefferson e Valdemar Costa Neto. Pesquisem as “capivaras” (fichas criminais) desses ilustres senhores”.
Com as palavras acima, tem início o artigo do liberal e economista Ricardo Bergamini, cujo título ele atribui a citação do notório entreguista Roberto de Oliveira Campos, “Por amor ao passado o Brasil perdeu o presente, e comprometeu o futuro”, distribuído por e-mail na quarta-feira, 11/08/2021.
Esta sopa de pedras, com muitas lançadas aos que tem efetivo mérito pelo Brasil que encontramos hoje, mas cometendo grandes injustiças e preconceitos típicos dos liberais, até com aquele que deu a vida pelo Brasil, neste mesmo agosto, em 1954: o estadista Getúlio Vargas.
Vamos evitar o debate sobre pessoas, característica de quem faltam ideias; mas não deixaremos de mostrar as incongruências e farsas, abundantes no discurso liberal.
Um estudo do poder no Brasil, e mesmo no ocidente euro estadunidense, mostrará que governos não liberais são exceções. Em nosso caso, considerando a posse portuguesa como início, identificamos, nos 521 anos desta Terra de Santa Cruz, e com extraordinária boa vontade, apenas 50 anos, menos de 10% de nossa identidade estatal, de governos que não aplicaram o liberalismo como política, principalmente a econômica. E isto nos deixou com a imensa falta de consciência, que apenas a instrução pública poderia preencher. Porém, até 14/11/1930, salvo o curto período de 19/04/1890 a 30/10/1891 (Ministério da Instrução Pública, Correios e Telégrafos), a educação pública jamais fora objeto da administração do Estado Brasileiro, quer colonial quer “independente”.
O que significa a instrução pública? A melhor resposta que se encontrou no Brasil foram os Centros Integrados de Educação Pública, os CIEPs, que todos os governos, autodenominados de esquerda, de centro ou de direita, contribuíram para demolição pedagógica e mesmo física, arquitetônica, após os governos de Leonel Brizola (15 de março de 1983 até 15 de março de 1987 e de 15 de março de 1991 até 2 de abril de 1994).
Por que tanta fúria, tão grande ódio, a um projeto educacional? Porque seria libertador. Porque haveria de sepultar a pedagogia colonial. E o que se pretendia com a pedagogia colonial? Manter a estrutura de poder liberal, mesmo com inclinações mais sociais alternando com as mais escravistas. É uma compreensão da alternância do poder que o Partido dos Trabalhadores (PT) propugna, sem que haja ruptura com o modelo colonizador.
O modelo colonizador foi muito claramente apresentado na Carta Régia de João III, em 29 de janeiro de 1549, que designa “Thomé de Souza Fidalgo de minha Casa, que mando por Governador Geral das ditas terras”, “o Doutor Pero Borges servirá segundo forma do Regimento que de mim leva por Ouvidor Geral”. E os demais cargos, criados no Governo-Geral, são o de Provedor-mor, responsável pela arrecadação dos impostos e pelo controle do orçamento da Colônia, e o de Capitão-mor para defesa da Colônia, seja contra ataques estrangeiros, seja contra indígenas.
Esta trinca — justiça (ou segurança interna), finanças (receita e orçamento público) e forças armadas contra terceiros e mesmo contra habitantes do Brasil — irá permanecer como a base estatal até a reforma administrativa decorrente da Revolução de 1930.
Observem caros leitores, que é uma estrutura colonial, que apenas tem o objetivo de cumprir ordens e projetos vindos de fora, do exterior. E, por conseguinte, não se cuida do desenvolvimento nacional em qualquer campo: econômico, social, educacional, político, intelectual, sanitário etc.
No período da União Ibérica — Portugal e Espanha (1581-1640) — tivemos a edição do Código ou Ordenações Filipinas (1603), que permaneceu até 1917, e cuja brilhante análise do professor e juiz Hugo Otavio Tavares Vieira reproduzimos parcialmente:
“Retrocedendo ao início do século XX, é importante frisar que mesmo o Código Civil brasileiro de 1916, famoso por ter adotado um conceito bastante individualista de propriedade, estabeleceu hipóteses de usucapião, em que terras não utilizadas pelo dono, mas que o fossem utilizadas por outrem por algum tempo, passariam ao posseiro (artigos 550-553). O problema, neste caso, foi muito mais judiciário e de direito processual que de direito material. O Código de Processo Civil de 1939 (artigos 454-456) continha um procedimento relativamente simples para as ações de usucapião. Mas a Justiça era então extremamente morosa, principalmente em processos relativos à zona rural. Por sua vez, o Código de Processo Civil atual (1973), nos artigos 941 a 945, prevê um procedimento bastante complexo para a obtenção da usucapião, mas que poderia chegar a bom termo na maioria dos casos não fosse à morosidade da Justiça, que ainda assola o país”.
“Tudo isso leva a um quadro fundiário que, até hoje, é cheio de fraudes e injustiças”.
“O Brasil é um dos maiores produtores agropecuários do mundo. Evoluiu enormemente desde o tempo colonial. Entretanto, quem conhece o campo e a praxe forense das ações fundiárias sabe que o desalento daquela carta ao avô de Dom João VI ainda ressoa no Brasil”.
E adiciona o professor Tavares Vieira:
“Tirando o português arcaico e os rebuscamentos, o espírito da coisa é nítido. Até mesmo para uma função menor, como a de meirinho, as Ordenações exigiam sangue nobre. Isso dá uma ideia do quanto os cargos públicos (que eram muitos, inúmeros…) acabavam sempre nas mãos dos nobres”.
“Mas não é isso que mais chama atenção. O que denuncia o elitismo doentio é o fato de que existia um meirinho especial para prender nobres. Em outras palavras, um criminoso nobre não podia ser preso, nem sequer tocado, por um pobre. O malandro nobre só podia ser preso por um funcionário de sua própria estirpe. Isso ia além de uma sociedade aristocrática. Era uma sociedade de castas”.
“Mas olhando um pouco para o Brasil de hoje, em que é tão difícil condenar alguém que tenha dinheiro. Se condenado, é tão difícil levá-lo à prisão. Se levado, é tão difícil mantê-lo nela. Se mantido, é quase impossível que não receba tratamento especial. Este nosso país é tão diferente daquela terra medieval em que foram escritas as Ordenações [pergunto]”.
“O elitismo contamina a sociedade de tal forma que o nobre, mesmo sem dinheiro, ainda se sente e é tratado com distinção. E nada disso é exclusividade portuguesa ou brasileira. Há registro de uma carta mandada por um nobre pobre à administração de Veneza, no século XV, em que ele se queixa de estar sem cargo fazia muito tempo. Sobre esse assunto, um estudioso da Veneza daquela época fez uma observação interessante: “É compreensível pois, que alguns nobres ricos construíssem casas para nelas abrigar gratuitamente seus pares pobres. A construção de tais casas, e mesmo de fileiras delas, figura em testamentos como obra de caridade”. (Hugo Otavio Tavares Vieira, “As Ordenações Filipinas: o DNA do Brasil”, Revista dos Tribunais, vol. 958, agosto 2015, destaques nossos).
Apoiada numa pluralidade de matizes teóricas, como a experiência constitucional da Espanha (1812) e da França (1814), bem como o pensamento político de Benjamin Constant, o modelo expresso na Constituição de 1824 resultou da tentativa de conciliar os princípios do liberalismo à manutenção da estrutura socioeconômica e da organização política do Estado monárquico e escravocrata que emergira da Independência. Em 1867, apenas 10% da população em idade escolar se matricularam nas escolas elementares, conforme o relatório Liberato Barroso (Conselheiro José Liberato Barroso, “A Instrucção Publica no Brasil”, B.L. Garnier Edictor, RJ, 1867).
A Constituição outorgada não apenas modelou a formação do Estado, como teve importante papel na garantia da estabilidade necessária à consolidação do regime monárquico. A modificação institucional, após a independência, ocorre apenas pela necessidade de manter relações com outros países: a Secretaria de Estado dos Negócios do Império, decreto de 13 de novembro de 1823.
A instrução sempre foi fundamentalmente privada, ou seja, elitista na frequência e na doutrinação. Se nos apontam algum caso diferente, é a exceção que confirma a regra. Jamais, fora da iniciativa do “Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova”, de 1932 (Era Vargas) e dos CIEPs, dos seguidores do nacional trabalhismo, Leonel Brizola e Darcy Ribeiro, houve empenho na alfabetização de todos os brasileiros. E do conhecimento crítico, e não da simples erudição dos salões burgueses com fumaças aristocráticas.
Em 1996 é aprovada a atual Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei 9.394): muda os nomes das etapas de ensino (Básico, Fundamental, Médio e Superior) e acrescenta um ano a mais ao Fundamental. Também exige formação superior para contratação de professores, o que acaba com a função do “curso normal” de formação pedagógica. Nos anos 2000, criam-se mecanismos de financiamento e se expandem os cursos privados de formação superior. O financismo chega ao ensino.
Hoje vivemos o pior dos mundos nesta sequência de “ministros” da educação (?) nomeados no atual governo.
Recordemos: em 1º de janeiro de 2019, Jair Messias designa o colombiano Ricardo Vélez Rodríguez, que durou pouco tempo. O currículo divulgado deste ministro diz que fez seus estudos básicos no Liceu de La Salle (Bogotá) e cursou o bacharelado em Humanidades no Instituto Tihamér Tóth, na mesma cidade. Licenciou-se em Filosofia pela Pontifícia Universidade Javeriana (Bogotá), em 1963. Entre 1965 e 1967, fez o curso de Teologia no Seminário Conciliar de Bogotá. Em 08/04/2019 foi substituído pelo paulista Abraham Bragança de Vasconcellos Weintraub que durou no cargo até 19 de junho de 2020.
Para um governo tutelado pelas finanças internacionais, certamente muito valeu a Abraham Weintraub ter sido executivo do mercado financeiro, com mais de vinte anos de experiência, e atuado como diretor do Banco Votorantim e como sócio na Quest Investimentos. Sua passagem foi marcada por polêmicas e agressões. Apenas como exemplo, na célebre reunião ministerial de 22 de maio de 2020, assim se expressou Weintraub a respeito dos Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF): “Eu, por mim, botava esses vagabundos todos na cadeia. Começando no STF”.
Estando em curso investigação pela Polícia Federal, e com possível fuga das responsabilidades com a justiça, em 18 de junho de 2020, Weintraub anunciou sua saída do Ministério da Educação, em vídeo, com o presidente Bolsonaro, por rede social. Em 20 de junho de 2020 foi publicada sua exoneração do cargo de Ministro e Antonio Paulo Vogel assumiu interinamente o MEC. Este fato já ocorreu com Abraham Weintraub em solo estadunidense.
Em 25 de junho de 2020 foi publicada a nomeação de Carlos Decotelli, que não chegou a tomar posse e sua nomeação foi tornada sem efeito. O cargo de ministro da educação ficou vago entre 20 de junho e 16 de julho de 2020.
O atual ministro, o paulista Milton Ribeiro, pastor presbiteriano e teólogo, foi nomeado em 16 de julho de 2020.
Durante uma pregação intitulada “A Vara da Disciplina”, proferida por Ribeiro em uma igreja Presbiteriana, em abril de 2016, Ribeiro defendeu o castigo físico para a educação de uma criança. Segundo ele, “essa ideia que muitos têm de que a criança é inocente é relativa”, que um bom resultado “não vai ser obtido por meios justos e métodos suaves” e que as crianças “devem sentir dor” (apud biografia no Wikipédia).
Em 2018, Ribeiro afirmou que o existencialismo (!?) estava sendo ensinado nas universidades, e que estava incentivando os alunos a terem relações sexuais desconsiderando quem é o parceiro (!?). Sua mais recente “boutade” é “universidades não são tão úteis à sociedade” (Portal G, em 10/08/2021). Nada mais adequado a quem comanda a educação no Brasil do que estas compreensões: filosófica e pedagógica (!).
Pois servem perfeitamente à desconstrução da nação, do Estado Nacional, da sociedade brasileira, como desejam os gestores de ativos, os liberais e neoliberais que por quase toda nossa história têm sido o verdadeiro poder no Brasil.
*Pedro Augusto Pinho, administrador aposentado.
Fonte: Site Pátria Latina
LIVE nesta segunda (16/8) às 19 horas: Disparada da Selic revela descolamento do Banco Central dos interesses do Brasil; é a ACD —Auditoria Cidadã da Dívida
Segunda, 16 de agosto de 2021
Da Auditoria Cidadã da Dívida —ACD
Segunda-feira, hoje (16/8), às 19h, a live da Auditoria Cidadã da Dívida vai tratar do nocivo impacto da elevação das taxas de juros para toda a economia brasileira, em especial nessa conjuntura de crise e pandemia. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil, elevou para 5,25% a taxa básica de juros (Selic) e já anuncia novas altas ainda em 2021.
A coordenadora nacional da ACD Maria Lucia Fattorelli vai explicar porque a justificativa usada pelo Banco Central para essa disparada da Selic é falsa, pois juros altos não servem para conter o tipo de inflação que existe no Brasil. Essa política monetária suicida mostra o descolamento do Banco central dos interesses do país, favorecendo bancos, os únicos que ganham com os juros altos, enquanto a economia real e a classe trabalhadora são empurradas para esse cenário de escassez e crise econômica em que nos encontramos.
As sementes suicidas
domingo, 15 de agosto de 2021
Janio Ferreira Soares: Pardais, secretários boçais e uma crônica de ouro
Domingo, 15 de agosto de 2021
Pardais, secretários boçais e uma crônica de ouro
Janio Ferreira Soares
Assim que amanhece, eles chegam vorazes como as nobres excelências em busca das benesses parlamentares. Falo dos pardais, essa espécie de Centrão das cumeeiras, que em franca maioria partem pra cima da ração sem nenhuma consideração pela minoria composta por ternas rolinhas, pacatos bem-te-vis e um simpático casal de cardeais, cuja mãe, carinhosamente alimentando um filhote pelo bico, toda hora é intimidada por um titeludo que parece ser da bancada evangélica, louco pra denunciar “essa vagabunda da cabeça vermelha corrompendo um de menor!”.
Falando nisso, o velho psiquiatra e criminologista italiano Cesare Lombroso ligou-me do além pra me parabenizar. É que mais uma vez adaptei sua tese pra tentar descobrir se diante de mim havia um boçal e, embora tenha demorado, acertei em cheio. Explico.
Leia a íntegra do artigo
A pérola e a coroa
Agosto
sábado, 14 de agosto de 2021
MUDANÇA RADICAL "Bolsonaro não tem condição" e "Moraes é um grande jurista": a guinada do discurso de Jefferson
Sábado, 14 de agosto de 2021

Ele não tem condição de governar. Um homem que vem pela via democrática para atentar contra a própria democracia... é complicado
Circo das motos, tanques à vista e Auxílio Brasil: a via direitista de Bolsonaro para 2022
Sábado, 14 de agosto de 2021
Tanques e fumaça em Brasília: à moda de república bananeira.
Do Blog Bahia em Pauta
ARTIGO DO DIA
Via Bolsonaro: Moto circo, tanques à vista e Auxilio Brasil
Vitor Hugo Soares
Com arcaicos e fumacentos tanques de guerra, da Marinha, desfilando em Brasília, dia 10 de agosto, foi derrotada e arquivada, na Câmara, a proposta de emenda constitucional (PEC), da tentativa de retorno, nas eleições que se aproximam, ao “voto impresso” de vergonhosa memória, em disputas eleitorais com digitais históricas de corrupção e fraudes escabrosas, em passado recente. Com estas e outras manobras – mal ou bem sucedidas – o governo Bolsonaro e sua tropa de choque de apoio (o Centrão de Ciro Nogueira à frente) delineia a estratégia da campanha do atual ocupante do Palácio da Alvorada, para continuar por lá mais quatro anos, depois de 2022. Esquema montado sobre três pilares principais de sustentação: o circo das motociatas, em substituição aos proibidos showmícios, para animar palanques no País; a imposição do temor, às oposições, através da ostensiva exibição de tanques, baionetas caladas e coturnos militares em desfile nas ruas, e a promessa de pão amanteigado nas casas de eleitores de bolsões mais carentes, com alguns trocados a mais e mudança do nome do Bolsa Família (marca da esquerda petista) para Auxilio Brasil (ao jeito e gosto da direita bolsonarista).
RÉQUIEM PELO BRASIL
Pedro Augusto Pinho*
Monteiro Lobato (1882-1948). José Bento Renato Monteiro Lobato foi o escritor da minha infância e de toda minha vida. Na livraria Civilização Brasileira, no centro da cidade do Rio de Janeiro, havia na parede, com destaque, sua frase:
“Um País Se Faz Com Homens e Livros”. Nunca esqueci a Marquesa de Rabicó, das histórias do Sítio do Pica-Pau Amarelo, e desta frase que me ficou gravada desde a adolescência.
O Brasil está se desfazendo. Em artigo recente (02/08/2021), para o Portal Pátria Latina - Foram-se as Riquezas e o Estado, É a Vez do Território Brasileiro - escrevi: “nós mesmos, com nossa alienação, com a mesquinhez do interesse pessoal e imediato, vendo na política só uma falha de caráter e não a mais importante ação humana, com afirmou o Papa Francisco, entregamos nossas riquezas, nosso Estado Nacional e nosso território, afastando a Questão Nacional, que deveria ser a principal preocupação da existência do Brasil, do debate político”.
E o governo dos capitais apátridas, gerenciado por Jair Messias, está promovendo a alienação de parte importante de nosso território, a que guarda a memória dos grandes feitos brasileiros.
No jornal Folha de S.Paulo, sábado, 14/08/2021, à página A20 lê-se: “Guedes põe prédio icônico do Rio em feirão de imóveis”, com subtítulo: “Símbolo da arquitetura moderna, Palácio Capanema vai a leilão”.
O Palácio Capanema, como se lê na matéria de Catia Seabra, é “definido pelo próprio Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) como símbolo da arquitetura moderna brasileira”. E, adiante, explicita: “nas páginas do Iphan, o Capanema é descrito como fruto de encontro de nomes como Lucio Costa, Oscar Niemeyer, Affonso Eduardo Reidy, Carlos Leão, Ernany de Vasconcelos e Jorge Machado Moreira, sob a consultoria de Le Corbusier”. E a estas glória da cultura brasileira se somaram: Burle Marx, Cândido Portinari, Bruno Giorgi, Adriana Janacópulus, Celso Antônio e Jacques Lipchitz, responsáveis pela integração ao monumento nacional as obras de arte de suas pinturas, esculturas, paisagismo.
Este incrível acervo cultural será vendido por metro quadrado. Talvez as 62,3 toneladas de ouro que o Banco Central comprou entre maio e julho deste ano sejam para venda futura, em leilão de sucatas, promovido por estas mesmas autoridades, responsáveis (?) pelo desenvolvimento econômico do Brasil. Tristes ironias nos pregam a história. No mesmo jornal é noticiado o lançamento do livro “Os Homens do Cofre - O que Pensavam os Ministros da Fazenda do Brasil Republicano (1889-1985)”, uma coletânea organizada por Ivan Colangelo Salomão para editora Unesp. Pode não ter sido a intenção do organizador, mas o fim do pensamento em 1985 é muito significativo.
O Brasil das desregulações, privatizações, do domínio dos capitais estrangeiros dos paraísos fiscais começa, efetivamente, com a nova república. E esta alienação do Brasil só faz crescer, atingindo um momento que só acreditamos porque estamos vendo e registrando: o domínio dos capitais apátridas onde os marginais, aqueles que têm origem em drogas, contrabandos, ilicitudes de toda ordem, também dão as cartas.
E vender obra de arte por metro quadrado é bem o que se espera do secretário da cultura que vai à Bienal de Veneza, que homenageia Lina Bo Bardi (1914-1992), a primeira mulher com cidadania brasileira a receber o Leão de Ouro pelo conjunto de obras, na 17ª Biennale di Venezia, deixando-nos obras notáveis como o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand - o MASP, e o SESC Pompeia, sem saber de quem se tratava (!). Óbvio, ele considerava uma viagem para andar em gôndolas, a custa dos impostos que pagamos, afinal a Secretaria Especial da Cultura (Secult) é órgão do Ministério do Turismo.
Ou, talvez, atendendo ao ministro da educação que, em 2018, afiançou estar o existencialismo sendo ensinado nas universidades, o que incentivava os alunos a terem relações sexuais desconsiderando quem é o parceiro (!) (?). Que tem a mais recente “boutade” com esta pérola humanista: “universidades não são tão úteis à sociedade” (Portal G, em 10/08/2021).
Destes letrados e cultos gerentes do ensino e da cultura no Brasil de hoje podemos esperar que as alienações se dirijam não apenas aos minérios, às reservas de petróleo, a empresas estratégicas como os Correios e a Eletrobrás, mas a nosso patrimônio imaterial, nossa cultura.
É esperado, portanto, que a obra de Lucio Costa, Niemeyer, Reidy, Bruno Giorgi, Portinari seja transformada no entulho de onde surgirão 50 andares do prédio informatizado, onde os escritórios dos gestores de ativos estarão comodamente instalados.
Parodiando Emília, a Marquesa de Rabicó, após Dona Benta ter narrado a história de Cómodo, o imperador romano que governou de 180 a 192; que coisa mais incômoda ser governado por quem tem apreço a tal comodidade!
*Pedro Augusto Pinho, administrador aposentado.
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O Blog Gama Livre sugere a leitura também da matéria: Palácio Gustavo Capanema é marco divisório na história da arquitetura do país
O maníaco dos mosquitos
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sexta-feira, 13 de agosto de 2021
Sindical contra os Atos da Mesa Diretora da CLDF n° 57 e 59, os ATOS DA MORTE; Se cuida aí e fique esperto! Ele está por perto! Essa Porra Mata!
Sexta, 13 de agosto de 2021
MPDF requer circuito de câmeras funcionando em unidades de internação socioeducativas; coibir casos de agressões e oferecer melhores condições de trabalho
Sexta, 13 de agosto de 2021
Em ação civil pública, MPDFT pede que todos os espaços de internação de adolescentes possam ser monitorados por equipamentos eletrônicos em tempo real
A 2ª Promotoria de Justiça de Execução de Medidas Socioeducativas ajuizou ação civil pública para obrigar o Distrito Federal a instalar e colocar em funcionamento circuitos de vigilância interna por câmeras, em até 120 dias, em todas as unidades de internação de adolescentes que cumprem medida socioeducativa. O objetivo da medida é coibir possíveis casos de agressões, além de oferecer melhores condições de trabalho para os servidores que atuam nesses locais.
O MPDFT constatou, após inspecionar e pedir informações, que diversas unidades estão com o circuito interno de vigilância inoperante por falta de equipamentos ou de manutenção.
O golpe frustrado e o golpe que avança
Por
Roberto Amaral
Nossas forças, por assim dizer, armadas não estão preparadas para a defesa nacional. Além de desequipadas para o enfrentamento a qualquer ameaça externa digna de respeito (pois 75% dos gastos da Defesa são consumidos com salários, aposentadorias e pensões paras filhas de oficiais), suas operações dependem da supervisão do Pentágono, que as condiciona, mediante o monopólio do fornecimento de armas e munições (sempre de segunda linha ou obsoletas), e as controla do ponto de vista político-ideológico, sempre na contramão de nossas necessidades.
A carência, porém, se transforma em potência, quando se trata da defesa do statu quo.
No Império, os militares se fizeram fiadores da ordem escravocrata herdada da Colônia; na Primeira República atuaram como gendarmes do latifúndio, e é de sua responsabilidade única o massacre de Canudos, com o assassinato de milhares de camponeses famélicos que no inóspito semiárido nordestino, corridos de todos os rincões do chamado polígono das secas, simplesmente lutavam por terra para nela plantar, e com seu fruto matar a fome ancestral. Na modernidade, as forças armadas tomaram a si a segurança do capital monopolista, desapartado do interesse nacional, sócio de uma burguesia desenraizada da nação, porém presa aos pregões da City e de Wall Street. A nação não poderia prevalecer em uma história de dependência, econômica e ideológica aos impérios dominantes: Portugal, Inglaterra e EUA. Sustentáculo desse regime iníquo, as forças armadas se transformaram, na República, em instrumento de intranquilidade institucional, tantas foram suas intervenções, golpes de estado e ditaduras que promoveram, em nome de um monárquico “poder moderador” de que se dizem portadoras, para melhor exercer inaceitável curatela sobre a nação e suas opções políticas.
Para atender ora ao latifúndio, ora aos ganhos de uma burguesia apátrida, ora aos interesses da geopolítica do imperialismo, os generais, recém-chegados de seus cursos de formação nas escolas de guerra dos EUA, tomaram partido numa Guerra Fria que não nos dizia respeito e, consumida esta, continuaram atuando como braço do Pentágono. Essa devoção ideológica periodicamente reavivada explica o papel nada republicano dos fardados, interferindo desabusadamente na vida política do país. Nenhum desses eventos, que entulham a vida republicana, teve como leitmotiv o interesse nacional. Agiram sempre por procuração, a serviço da geopolítica do grande irmão do norte associado internamente ao grande capital e à alienação de uma burguesia cujos interesses jamais comungaram com os interesses do país e de seu povo.
Sem história própria por preservar, os militares desempenham o papel de abnegados servidores do sistema.
Ao tempo da Guerra Fria o mundo foi artificialmente dividido, cortado ao meio em gumes como uma laranja. Ou se era pró-americano, ou se era antiamericano, e todo antiamericano, ou nacionalista, era necessariamente um comunista: este era o discurso da dominação que a pobreza ideológica (e uma miríade de interesses) nos fez adotar e, em face dele, tomar o partido dos EUA. O mundo caminhou, veio a queda do muro de Berlim, veio e se foi a ditadura instalada em 1964, veio a debacle da URSS; no entanto, persiste o alinhamento e subserviência aos interesses de Washington, que o capitão parvo e pulha trouxe da caserna para a presidência da república. Assim, depois dos quase 13 nos de política externa ativa e altiva, nos transformamos em eleitores de cabresto dos EUA na ONU, votando com o Departamento de Estado e contra os interesses da periferia do capitalismo. Voltamos a ser aliados incondicionais dos EUA na OEA, envilecido instrumento de intervenção nas democracias latino-americanas; sem apoio em qualquer razão, hostilizamos a China, nosso principal parceiro comercial, hostilizamos os países árabes, consumidores de nossas commodities, hostilizamos a Rússia, a Venezuela e Cuba, hostilizamos a Bolívia, já hostilizámos a Argentina e brevemente estaremos hostilizando o Peru. Essa mesma lógica presidiu o golpe de Estado contra Dilma Rousseff, a consequente ascensão do governo títere de Michel Temer, e ainda garante, hoje, contra o sentimento nacional, o desastre bolsonariano e o ódio fardado a Lula e ao que o PT representa, ou o que a cúpula militar, no seu simplismo binário, supõe que representa. O preço dessa idiossincrasia potencializada por má-fé e crassa disposição à subalternidade, é a tragédia nacional de nossos dias.
Essas reflexões me ocorrem ao acompanhar o patético desfile de nossas relíquias bélicas, denotativas da importância que os EUA, nossos fornecedores de armas, equipamentos, munições e ideias dedicam ao seu aliado incondicional: um dos “tanques”, que a verve do brasileiro logo batizou de “maria fumaça”, era inofensiva peça dos anos 70 do século passado, e diz a crônica especializada que peças ainda mais velhas compunham o brancaleônico comboio. Com
O inusitado espalhou temores.
Eram, em princípio, justas aos receios dos parlamentares. Se os exercícios da marinha (pela primeira vez incorporando tropas do exército e da aeronáutica) se repetem desde 1988, jamais haviam sido precedidos do desfilo grotesco com o qual foram anunciados; se, por alegadas razões administrativas, as operações militares anunciadas para o campo de instrução de Formosa-GO estavam programadas há muito tempo, e por isso não podiam ou não deveriam ser adiadas, nada porém justificava a manutenção da parada militar na Praça dos Três Poderes engendrada como pretexto para entregar ao presidente um convite, o qual, se as intenções dos almirantes fossem sinceras, podia ser transmitido por meio de mero telefonema, ou formalizado mediante despacho de rotina, ou ainda simplesmente levado em mão ao palácio do planalto por um estafeta engalanado. Inquestionavelmente, a patuscada tinha por objeto ameaçar o processo democrático, e, nesse sentido, foi um fiasco. Serviu apenas para pôr em maior evidência as limitações de fogo de uma força sucateada, e a irresponsabilidade de seus comandantes. O desfile de nossa impotência bélica fez ainda mais flagelada a imagem das forças armadas, que, assim, revelaram ao mundo a incapacidade de cumprir com sua real destinação constitucional, a defesa da soberania nacional.
A montanha pariu um rato.
Mas, antes do fiasco, provocou mal-estar entre os poderes desarmados, ante os partidos e junto à imprensa que, desta feita, faz cara feia aos arreganhos golpistas. A crônica política, porém, não se dera conta de que a ameaça de golpe se esvaía em sua desnecessidade.
Sem precisar do acicate da espada, brandida em tantos episódios de nossa história, o congresso brasileiro vem, desde 2016, violando o pacto de que resultou a Constituição Cidadã de 1988. Agora mesmo, a câmara dos deputados volta a ceifar direitos trabalhistas mediante uma “minirreforma” que contou com o silencio da imprensa e a anomia do movimento sindical, ao aprovar medida provisória que permite a contratação de jovens sem vínculo trabalhista, sem férias, sem FGTS ou 13º salário, reduz o valor da hora extra de algumas categorias e - eis a cereja do bolo! - dificulta o combate ao trabalho escravo. Assim, prescindindo dos tanques, mas não do apoio dos fardados, avança o golpe progressivo, esse em que padecemos, “suave”, sem, ainda, lançar mão, porque presentemente desnecessário, da ruptura da ordem jurídico-legal-formal, mas valendo-se de reformas constitucionais levadas a cabo a toque de caixa por um congresso sem legitimidade constituinte. Não se conclua, porém, que o capitão e seus áulicos fardados tenham arquivado os intentos desestabilizadores, que mais se exacerbarão na medida em que ficar ainda mais claro o fim das esperanças de reeleição (e dela decorrente da impunidade penal) com a qual o mau capitão sonha desde que tomou posse.
Bolsonaro jamais se interessou por voto impresso; seu pleito visava e visa, tão simplesmente, a uma tentativa de desestabilizar o processo eleitoral, para que possa, nos últimos estertores, mais questionar a legitimidade da eleição do próximo presidente da república. O projeto, pretendendo esconder um segredo de polichinelo, padece de qualquer originalidade, pois é a transcrição das artimanhas com as quais seu êmulo, o defenestrado presidente Trump, intentou embaralhar sua sucessão. O golpe clássico não deu certo na matriz, e já é pólvora molhada entre nós.
Roberto Amaral é escritor e ex-ministro de Ciência e Tecnologia
quinta-feira, 12 de agosto de 2021
Reforma trabalhista: Com votos de deputados brasilienses, Câmara retira direitos trabalhistas
MPDFT oficia órgãos responsáveis por operação contra pessoas em situação de rua no SCS; ato estatal desumano e violador
Quinta, 12 de agosto de 2021
“Esse tipo de atuação estatal é desumana e violadora do vetor máximo da República Federativa do Brasil, a dignidade da pessoa humana..."
O Núcleo de Direitos Humanos (NDH) do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), por meio do Núcleo de Enfrentamento à Discriminação (NED), expediu, na primeira semana de agosto, ofícios com questionamentos sobre a ação conjunta de órgãos públicos do DF que resultou, em 19, 20 e 28 de julho, no recolhimento de pertences e documentos de pessoas em situação de rua em vários locais no DF como no Setor Comercial Sul, na L3 Sul, na Rodoviária do Plano Piloto e em Taguatinga, próximo à Praça do Relógio.
Atletos e Atletas
Agosto













