“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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terça-feira, 9 de julho de 2024

Os sóis que a noite esconde

 Os sóis que a noite esconde


No ano de 1909, nasceu Vitalino no Nordeste do Brasil.

E a terra seca, onde nada cresce, foi terra molhada, para que brotassem seus filhos de barro.

No começo foram brinquedos, que suas mãos modelaram para que acompanhassem sua infância.

E o passo do tempo transformou os brinquedos em pequenas esculturas, tigres e caçadores, lavradores com suas enxadas escavando a terra dura, os guerreiros do deserto alçando fuzis, as caravanas dos retirantes expulsos pela seca, os violeiros, as bailadoras, os namorados, as procissões, os santos...

E assim os dedos mágicos de Vitalino contaram a tragédia e a festa de sua gente.

Eduardo Galeano, no livro ‘Os filhos dos dias’. 2ª edição, 2012, página 221. L&PM Editores.

terça-feira, 23 de abril de 2024

A fama é pura lorota

 Abril

23
A fama é pura lorota
Hoje, Dia do Livro, bem que vale a pena recordar que a história da literatura é um paradoxo incessante.
Qual é o episódio mais popular da Bíblia? Adão e Eva mordendo a maçã. Só que na Bíblia, esse episódio não aparece.
Platão nunca escreveu sua famosa frase:
Só os mortos viram como a guerra termina.
Dom Quixote de la Mancha nunca disse:
Os cães ladram e a caravana passa.
Não foi dita nem escrita por Voltaire a sua frase mais conhecida:
Não estou de acordo com o que dizes, mas defenderei até a morte teu direito de dizer.
George Friedrich Hegel nunca escreveu:
Cinzenta é a teoria, e verde a árvore da via.
Sherlock Holmes jamais disse:
Elementar, meu caro Watson.
Em nenhum de seus livros, nem panfletos, Lênin escreveu:
Os fins justificam os meios.
Bertolt Brecht não foi o autor do mais celebrado dos seus poemas:
Primeiro levaram os comunistas/ mas não me importei/porque eu não era comunista...
Jorge Luis Borges não foi o autor do mais difundido de seus poemas:
Se pudesse viver novamente minha vida/ trataria de cometer mais erros...
Eduardo Galeano, no livro Os filhos dos dias (Um calendário histórico sobre a humanidade), Editora L&PM, 2012, página 137.

segunda-feira, 22 de abril de 2024

Dia da Terra

Abril 22
Dia da Terra
Certa vez, Einstein disse:
— Se as abelhas desaparecessem, quantos anos de vida sobrariam para a terra? Quatro, cinco? Sem as abelhas não há polinização, sem polinização não há plantas, nem animais, nem gente.
Ele falou isso numa roda de amigos.
Os amigos riram.
Ele, não.
E agora acontece que existem cada vez menos abelhas no mundo.
E hoje, Dia da Terra, vale a pena lembrar que isso não acontece por vontade divina nem maldição diabólica, e sim
por causa do assassinato dos bosques nativos e da proliferação dos bosques industriais,
por causa dos cultivos de exportação, que proíbem a diversidade da flora,
por causa dos venenos que matam as pragas enquanto matam a vida natural,
por causa dos fertilizantes químicos que fertilizam o dinheiro e esterilizam o solo,
e por causa das radiações de alguns aparelhos que a publicidade impõe à sociedade de consumo.
                  Eduardo Galeano, no livro Os filhos dos dias (Um calendário histórico sobre a humanidade), Editora L&PM, 2012, página 136.

domingo, 21 de abril de 2024

O indignado

 Abril

21

O indignado

Aconteceu na Espanha, num povoado de La Rioja, no anoitecer de hoje do ano de 2011, durante a procissão da Semana Santa.
Uma multidão acompanhava, calada, o passar de Jesus Cristo e dos soldados romanos que despejavam chicotadas em cima dele.
E uma voz rompeu o silêncio.
Montado nos ombros de seu  pai, Marcos Rabasco gritou para o açoitado:
— Se defenda! Se defenda!
Marcos tinha dois anos, quatro meses e vinte e um dias de idade.

Eduardo Galeano, no livro ‘Os filhos dos dias’. 2ª edição, pág. 135, ano de 2012. L&PM Editores.

sexta-feira, 19 de abril de 2024

Os filhos das nuvens

  Abril

19

Os filhos das nuvens

Em 1987, o reino do Marrocos terminou a construção do muro que atravessa o deserto do Saara, de norte a sul, em terras que não lhe pertencem.

Esse é o muro mais extenso do mundo, superado apenas pela antiga muralha da China. Ao longo do muro, milhares de soldados marroquinos fecham a passagem dos saaráuis rumo a sua pátria usurpada.

Várias vezes, todas em vão, as Nações Unidas confirmaram o direito de autodeterminação do povo saaráui e apoiaram um blebiscito: que a população do Saara ocidental decida seu destino.

Mas o reino do Marrocos se negou e continua se negando. Essa negativa equivale a uma confissão. Negando o direito ao voto, o Marrocos confessa que roubou um país.

Há quarenta anos, os saaráuis esperam. Estão condenados à pena de angústia perpétua e de perpétua nostalgia. Eles se chamam filhos das nuvens, porque perseguem desde sempre a chuva. Também perseguem a justiça, mais esquiva que a água no deserto.

 (Eduardo Galeano, no livro ‘Os filhos dos dias’ que é ‘Um calendário histórico sobre a humanidade’. 2ª edição, L&PM Editores, página 133)

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Mariem Hassan (31 de maio de 1958—22 de agosto de 2015). Enfermeira, compositora e cantora. Nacionalidade saharaui

Mariem Hassan (Sahara Ocidental) — Azzagafa "Shouka"


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MARIEM HASSAN — Rahy El Aaiún Egdat



Leia também:

Novembro
9
Num dia como hoje, em 1989, morreu o muro de Berlim.
Mas outros muros nasceram para que os invadidos não invadam os invasores.
para que os africanos não recuperem os salários que seus escravos jamais receberam,
para que os palestinos não regressem à pátria que roubaram deles,
para que os saaráuis não entrem em sua terra usurpada,
para que os mexicanos não pisem o imenso mapa que comeram deles,
No ano de 2005, o homem-bala mais famoso nos circos do mundo, David Smith, protestou, à sua maneira, contra a humilhante muralha que separa o México dos Estados Unidos. Um enorme canhão o disparou, e das alturas do ar David conseguiu cair, são e salvo, no lado proibido da fronteira.
Ele nasceu nos Estados Unidos, mas foi mexicano enquanto seu voo durou.
Eduardo Galeano, no livro ‘Os filhos dos dias’,
L&PM Editores, 2ª edição, folha 355.

sexta-feira, 12 de abril de 2024

A fabricação do culpado

 Abril

12

A fabricação do culpado

Num dia como o de hoje do ano 33, dia a mais, dia a menos, Jesus de Nazaré morreu na cruz.

Seus juízes o condenaram por incitação à idolatria, blasfêmia e superstição abominável.

Alguns séculos depois, os índios das Américas e os hereges da Europa foram condenados por estes mesmos crimes, exatamente os mesmos, e em nome de Jesus de Nazaré foram castigados com açoite, forca ou fogo.

Eduardo Galeano, no livro ‘Os Filhos dos dias’,
2ª edição, 2012, pág. 126, L&PM Editores

terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

Dia da Justiça Social — Fevereiro 20

Fevereiro

20

Dia da Justiça Social

   No final do século XIX, Juan Pio Acosta morava na fronteira uruguaia com o Brasil.

   Seu trabalho o obrigava a ir e vir, de povoado em povoado, através daquelas solidões.

   Viajava numa carroça puxada a cavalos, junto a oito passageiros de primeira, segunda e terceira classe.

   Juan Pío comprava sempre passagem de terceira, que era a mais barata. 

   Nunca entendeu porque havia preços diferentes. Todos viajavam da msma forma, oque pagavam mais e os que pagavam menos: apertados uns contra os outros, mordendo pó, sacudidos pelo incessante sacolejar. 

   Nunca entendeu, até que num dia de invesrno a carroça encalhou no barro. E então o manda-chuva ordenou:

   — Os da primeira classe, que fiquem onde estão!

  — Os de segunda, que desçam!

 — E os de terceira, que empurrem!


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(Eduardo Galeano, no livro Os Filhos dos Dias,
2ª Edição, 2012, pág. 68, L&PM Editores)

domingo, 21 de maio de 2023

Dia da Diversidade Cultural

Maio

21

Dia da Diversidade Cultural

Em 1906, um pigmeu caçado na selva do Congo chegou ao zoológico do Bronx, em Nova York.
Foi chamado de Ota Benga, e foi exibido ao público, numa jaula, junto com um orangotango e quatro chimpanzés. Os especialistas explicavam ao público que aquele humanóide podia ser o elo perdido, e para confirmar essa suspeita o mostravam brincando com seus irmãos peludos.
Algum tempo depois, o pigmeu foi resgatado pela caridade cristã.
Fez-se o que foi possível, mas não teve jeito. Ota Benga se negava a ser salvo. Não falava, quebrava os pratos na mesa, batia em quem quisesse tocar nele, era incapaz de fazer qualquer trabalho, ficava mudo no coro da igreja e mordia quem queria se fotografar com ele.
   No final do inverno de 1916, depois de dez anos de domesticação, Ota Benga sentou-se na frente do fogo, se despiu, queimou a roupa que era obrigado a vestir e apontou para o coração a pistola que havia roubado.


Eduardo Galeano em "O Filho dos Dias",
2ª edição, 2012, página 167, L&PM Editores



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Ota Benga

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Veja também: 

Você conhece a história do Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial?

sexta-feira, 12 de maio de 2023

Os sismógrafos vivos

 Maio

12

Os sismógrafos vivos

      No ano de 2008, um terremoto feroz sacudiu a China.

     Fazia dezenove séculos que o sismógrafo tinha sido inventado na China, mas nenhum sismógrafo avisou o que ia acontecer.

      Quem avisou foram os animais. Os cientistas não prestaram a menor atenção a eles. Dias antes da catástrofe, multidões de sapos enlouquecidos desandaram a correr rumo a lugar nenhum, e a toda velocidade atravessaram as ruas de Miauzhu e de outras cidades, enquanto no zoológico de Wuhan os elefantes e as zebras atacavam as barras das jaulas e os tigres rugiam e os pavões gritavam.

                                         Eduardo Galeano, no livro Os filhos dos dias
(Um calendário histórico sobre a humanidade), L&PM Editores, 2012, pág. 158
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domingo, 7 de maio de 2023

Os estraga-prazeres

Maio

7

Os estraga-prazeres

       Em 1954, os rebeldes vietnamitas propiciaram uma tremenda sova aos militares franceses em seu invulnerável quartel de Dien Bien Phu. E depois de um século de conquistas coloniais, a gloriosa França teve de sumir correndo do Vietnã.
      Depois foi a vez dos Estados Unidos. Nem vendo dava para crer: a primeira potência do mundo e de todo o espaço sideral também sofreu a humilhação da derrota nesse país minúsculo, mal-armado, povoado por pouca gente e por gente pobre.
      Um camponês, de lento caminhar, de palavras escassas, encabeçou essas duas façanhas.
      Ele se chamava Ho Chi Minh, era chamado de Tio Ho.
      Tio Ho se parecia pouco aos chefes de outras revoluções.
     Em certa ocasião, um militante voltou de uma aldeia e informou a ele que não havia maneira de organizar aquela gente.
     — São uns budistas atrasados, que passam o dia inteiro meditando.
     — Pois volte lá e medite - mandou Tio Ho.

                                       Eduardo Galeano, no livro Os filhos dos dias (Um calendário histórico sobre a humanidade), L&PM Editores, 2012, página 153.

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Ho Chi Minh

Clique na imagem abaixo e veja a localização/tamanho de Estados Unidos, França e Vietnã

sábado, 15 de abril de 2023

As pinturas negras

Abril
15

As pinturas negras

Em 1828, Francisco de Goya morreu no desterro.

Acossado pela Inquisição, tinha partido para a França.

Em sua agonia, Goya evocou, entre algumas palavras incompreensíveis, sua querida casa dos arredores de Madri, nas margens do rio Manzanares. Lá havia ficado o melhor dele, o mais seu, pintado nas paredes.

Depois da sua morte, essa casa foi vendida e revendida, com pinturas e tudo, até que as obras, desprendidas das paredes, passaram para a tela. Foram oferecidas, em vão, na Exposição Internacional de Paris. Ninguém se interessou em ver, e muito menos em comprar, essas ferozes profecias do século seguinte, onde a dor matava a cor e sem pudor o horror se mostrava em carne viva. Tampouco o Museu do Prado quis comprá-las, até que no começo de 1882 as obras enfim entraram lá, doadas.

As chamadas pinturas negras ocupam, agora, uma das salas mais visitadas do museu.

— Isso, eu pinto para mim – havia dito Goya.

Ele não sabia que pintava para nós.

(Eduardo Galeano, no livro Os Filhos dos Dias,
2ª Edição, 2012, pág. 129, L&PM Editores)

                                   pt.wikipedia.org

Veja mais aqui e aqui

sexta-feira, 14 de abril de 2023

Grandiosos ou grandalhões?

 14 de abril

Grandiosos ou grandalhões?

No ano de 1588, foi derrotado, em poucas horas, pela  Armada Invencível , a frota espanhola que era a maior do mundo.
No ano de 1628, o navio de guerra mais poderoso da Suécia, ou  Vasa , também chamado de  Invincible , afundou em sua viagem inaugural. Não vou deixar o porto de Estocolmo.
Em uma noite do ano de 1912, ele colidiu com um iceberg e afundou o navio mais luxuoso e seguro, humildemente chamado de  Titanic . Este palácio flutuante tem poucos botes salva-vidas, seu capitão era tão pequeno que acabou sendo inútil, seus vigias não usavam binóculos e seus alarmes de perigo não eram ouvidos por ninguém.
(Eduardo Galeano, no livro Os Filhos dos Dias,
2ª Edição, 2012, p. 128, Editoras L&PM)
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Utopia. Eduardo Galeano recitando um trecho de seu texto "O direito ao delírio" no programa "Singulares" da TV3

Utopia de Eduardo Galeano

quinta-feira, 13 de abril de 2023

Não soubemos ver você

Convento de Mani de Iucatã, no México.
Imagem da internet
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Abril
13

Não soubemos ver você

No ano de 2009, no átrio do convento de Mani de Iucatã [México], quarenta e dois frades franciscanos cumpriram uma cerimônia de desagravo à cultura indígena:

– Pedimos perdão ao povo maia, por não haver entendido sua cosmovisão, sua religião, por negar suas divindades; por não ter respeitado sua cultura, por haver imposto durante muitos séculos uma religião que não entendiam, por haver satanizado suas práticas religiosas, e por haver dito e escrito que eram obra do Demônio e que seus ídolos eram o próprio Satanás materializado.

Quatro séculos e meio antes, naquele mesmo lugar, outro frade franciscano, Diego de Landa, havia queimado os livros maias, que guardavam oito séculos de memória coletiva.

Eduardo Galeano, no livro ‘Os Filhos dos dias’, 2ª edição, 2012, pág. 127, L&PM Editores

quarta-feira, 12 de abril de 2023

A fabricação do culpado

  Abril

12

A fabricação do culpado

Num dia como o de hoje do ano 33, dia a mais, dia a menos, Jesus de Nazaré morreu na cruz.

Seus juízes o condenaram por incitação à idolatria, blasfêmia e superstição abominável.

Alguns séculos depois, os índios das Américas e os hereges da Europa foram condenados por estes mesmos crimes, exatamente os mesmos, e em nome de Jesus de Nazaré foram castigados com açoite, forca ou fogo.

Eduardo Galeano, no livro ‘Os Filhos dos dias’,
2ª edição, 2012, pág. 126, L&PM Editores

segunda-feira, 9 de janeiro de 2023

Elogio à brevidade

Janeiro
9

Elogio à brevidade

Hoje foi publicado, na Filadélfia, em 1776, a primeira edição de Senso comum.

Thomas Paine, o autor, assegurava que a independência era uma questão de bom-senso contra a humilhação colonial e a ridícula monarquia hereditária, que tanto podia coroar um leão como um burro.

Esse livro de quarenta e oito páginas circulou mais que a água e o ar, e foi um dos pais da independência dos Estados Unidos.

“Em 1848, Karl Marx e Friedrich Engels escreveram as vinte e três páginas do Manifesto comunista, que começava advertindo: Um fantasma percorre a Europa... E essa acabou sendo a obra que mais influenciou as revoluções do século XX.

E vinte e seis páginas tinha a exortação à indignação que Stéphane Hessel divulgou no ano de 2011. Essas poucas palavras ajudaram a desatar terremotos de protestos em várias cidades. Milhares de indignados invadiram as ruas e as praças, durante muitos dias e noites, contra a ditadura universal dos banqueiros e dos guerreiros.”

Do livro "Os filhos dos Dias", de Eduardo Galeano,
L&PM Editores, 2ª edição, 2012, folha 22.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2022

O Homem Verde

Dezembro
15

O Homem Verde

Hoje teria sido o aniversário de Chico Mendes.
Teria sido.
Mas os assassinos da Amazônia matam as árvores incômodas, e também matam as pessoas incômodas.
Pessoas como Chico Mendes.
Seus pais, escravos por dívidas, haviam chegado aos seringais vindos do distante deserto do Ceará.
Ele aprendeu a ler aos vinte e quatro anos.
Na Amazônia organizou sindicatos e juntou os solitários, peões escravizados, índios desalojados, contra os devoradores de terras e seus bandoleiros a soldo, e contra os especialistas do Banco Mundial, que financiam o envenenamento dos rios e o bombardeio das selvas.
E foi marcado para morrer.
Os tiros entraram pela janela.

Eduardo Galeano, no livro ‘Os filhos dos dias’. L&PM Editores, 2ª edição, página 393

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Chico Mendes nasceu em 15 de dezembro de 1944 em Xapuri, Acre. Foi assassinado em 22 de dezembro de 1988, aos 44 anos de idade, também em Xapuri.
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Leia também: 

quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

A arte de viver

A arte de viver

Em 1986, o Nobel de Medicina foi para Rita Levi-Montalcini.

Em tempos difíceis, durante a ditadura de Mussolini, Rita havia estudado as fibras nervosas, escondida, num laboratório improvisado em algum canto da sua casa.

Anos mais tarde, e depois de muito trabalhar, essa tenaz detetive dos mistérios da vida descobriu a proteína encarregada de multiplicar as células humanas, e recebeu o Nobel.

Andava perto dos oitenta anos e dizia:

— Meu corpo fica enrugado, mas o cérebro não. Quando eu ficar incapaz de pensar, só quero que me ajudem a morrer com dignidade.


Eduardo Galeano, no livro ‘Os filhos dos dias’. L&PM Editores, 2ª Ed. Pág. 387.

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Rita Levi-Montalcini

A "Dama das Células", médica neurologista, morreu em casa aos 103 anos. Nascida em 22 de abril de 1909 na cidade italiana de Turim, morreu em 30 de dezembro de 2012 em Roma.

Saiba mais sobre essa cientista (aqui e aqui) que foi perseguida pelo fascismo e também pelo nazismo, quando da invasão das tropas alemãs na Itália.