“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)

terça-feira, 8 de novembro de 2022

AGORA VAI —Leis Paulo Gustavo e Aldir Blanc: STF já tem maioria para derrubar MP de Bolsonaro

Terça, 8 de novembro de 2022

AGORA VAI —Leis Paulo Gustavo e Aldir Blanc: STF já tem maioria para derrubar MP de Bolsonaro

Governo trabalhou para adiar e dificultar pagamentos para o setor da Cultura, severamente afetado pela pandemia

Redação
Brasil de Fato | São Paulo (SP) | | 08 de Novembro de 2022

O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria, nesta terça-feira (8), para barrar a Medida Provisória do governo Bolsonaro que cancelava trechos das leis Paulo Gustavo e Aldir Blanc 2. Ambas as leis ajudam financeiramente o setor cultural, prejudicado pela pandemia do coronavírus.

A MP de Bolsonaro adiava os pagamentos e condicionava a transferência de R$ 6,9 bilhões para estados e municípios, à "disponibilidade orçamentária", o que abria caminho para o não-pagamento da quantia.

Direção da Petrobrás conclui venda da SIX no apagar das luzes da gestão bolsonarista

Terça, 8 de novembro de 222

Unidade foi entregue a preço vil, praticamente o valor do lucro que apresentou em 2021.

Da AEPET, com informações da FUP

Prejuizos da negociata são contestados em ações judiciais que ainda estão em tramitação e através de denúncias feitas à CVM e ao TCU

Ao apagar das luzes do governo mais entreguista que este país já viu, outro importante patrimônio nacional foi parar nas mãos do capital financeiro internacional. A Petrobras anunciou na noite de sexta-feira (04) a finalização da venda da Unidade de Industrialização do Xisto (SIX), situada em São Mateus do Su, no Paraná, para o grupo canadense Forbes & Manhattan Resources Inc.

A gestão da estatal informou que a operação foi concluída com o pagamento total de US$ 41,6 milhões, aproximadamente R$ 210 milhões na cotação atual. O valor da venda é pouco superior ao lucro registrado pela SIX em 2021 (cerca de R$ 200 milhões) e representa menos da metade do que a Petrobrás desembolsou no acordo com a Agência Nacional do Petróleo (ANP) para sanar as dívidas relativas ao não recolhimento de royalties sobre as atividades de lavra do xisto durante o período entre 2002 e 2012 (R$ 540 milhões).

A cobiça do grupo canadense pela SIX vem sendo denunciada pelo Sindipetro PR e SC desde 2012. A trama envolve espionagem industrial, cooptação de ex-funcionários, prevaricação, entre outras irregularidades que foram relatadas em reportagem especial da revista Carta Capital (Leia aqui!).

A luta contra a privatização da SIX não terminou, muito pelo contrário. Existem ações judiciais em tramitação e denúncias junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e Tribunal de Contas da União (TCU) por conta dos vários privilégios que a F&M obteve na aquisição da unidade e do prejuízo que essa transação representa ao erário.

Fonte: FUP

Magistradas prestam solidariedade à juíza auxiliar no STF que foi alvo de violência política

Terça, 8 de novembro de 2022

Juíza estava na companhia das filhas quando foram proferidas agressões verbais por ter defendido o sistema eleitoral e ser nordestina.

Do STF
08/11/2022

Na tarde de ontem (7), um grupo de magistradas prestou solidariedade à juíza federal Clara da Mota Santos Pimenta Alves, que atua como auxiliar no gabinete do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF). Clara foi alvo de violência política por defender o processo eleitoral e discriminação regional por ser nordestina, na noite da última sexta-feira (4).

Participaram do encontro, no gabinete do ministro Fachin, juízas que atuam no STF, no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), no Conselho da Justiça Federal e na Justiça Federal.

Clara já registrou boletim de ocorrência na Polícia Federal em Cuiabá, onde ocorreram os fatos, e também apresentou denúncia no setor de Compliance da multinacional na qual o homem trabalha, para que haja responsabilização.

Fatos

Conforme o relato feito à Polícia Federal e à empresa, a magistrada estava em uma pizzaria com as duas filhas, após uma apresentação na escola, acompanhada de outros pais e crianças.

A partir daí, iniciou-se uma conversa sobre as eleições brasileiras, e um dos integrantes da mesa afirmou que houve fraude no processo. Clara defendeu o sistema eleitoral, esclarecendo que ele era íntegro.

Ciente de que Clara era juíza, de origem baiana e atuava no STF, um homem que estava na mesa disse que a vitória de Lula se devia ao fato dos baianos terem votado no petista, que se tratavam de “assistidos” e que a Bahia “não representa o PIB” e “não produz nada”. Completou ainda que Lula foi votado por servidores públicos que “não trabalham” e “não fazem nada”.

Em razão dos insultos, a magistrada deixou o local e passou a adotar as medidas legais para responsabilizar, civil e criminalmente, o agressor.

O fascismo está aqui, mas será derrotado!

Terça, 7 de novembro de 2022


O fascismo está aqui, mas será derrotado!

Ele já é um movimento: articula-se à ultradireita global, promove o caos e vai além da liderança de Bolsonaro. Aplicar a Constituição para desmantelá-lo não é “revanchismo”, mas defender a democracia de hordas criminosas

OUTRASPALAVRAS
Publicado originalmente em Outras Palavras em 04/11/2022

A diferença de 1,8 ponto percentual a favor de Lula, que lhe deu a vitória sobre Bolsonaro, embora estatisticamente pequena, expressa na verdade uma vitória gigante de Lula e da esquerda; mas, sobretudo, uma vitória extraordinária das forças democráticas do país sobre o neofascismo. Como todos sabem, essa não foi simplesmente mais uma eleição na história do Brasil.

As forças democráticas derrotaram Bolsonaro, sua família e suas milícias digitais e físicas, entranhadas nas redes sociais e presentes em algumas localidades do país, que atuaram espalhando milhares de mensagens absurdamente mentirosas, constrangendo fisicamente eleitores e promovendo todo tipo de violência simbólica e física, inclusive assassinatos.

As forças democráticas derrotaram o Estado brasileiro instrumentalizado despudoradamente pela campanha de Bolsonaro: mudanças na Constituição (com a compra de voto de parlamentares através do “orçamento secreto”) em ano eleitoral (ilegal), para permitir os gastos astronômicos que foram feitos às vésperas da eleição; uso criminoso da Polícia Rodoviária Federal no dia da eleição para dificultar e impedir que eleitores chegassem aos locais de votação (sobretudo no Nordeste); prefeituras pró-Bolsonaro reunindo pessoas do Auxílio Brasil para chantageá-las e ameaça-las de não conseguirem acessar o benefício se não votassem no 22, como ocorreu no município de Coronel Sapucaia, em Mato Grosso do Sul, demonstrado in loco (com imagens e testemunhos) por reportagem realizada pelo repórter Caco Barcellos (ameaçado quando trabalhava).

As forças democráticas derrotaram o uso político generalizado da religião por parte, sobretudo, das principais igrejas neopentecostais, transformadas em verdadeiros partidos políticos fascistas. Comandadas por conhecidos pastores bolsonaristas e com fortes interesses econômicos e políticos, praticaram assédio religioso às claras: afastamento dos divergentes da Igreja, satanização de Lula e ameaça com o fogo do inferno para os seus eleitores, uso do púlpito como palanque político, distribuição de panfletos mentirosos etc.

Por isso, a vitória de Lula, da esquerda e de todas as forças políticas democráticas foi gigantesca e inapelável. No entanto, estamos assistindo desde a decretação pelo Superior Tribunal Eleitoral (STE) da vitória de Lula, ações antidemocráticas de não reconhecimento do resultado das urnas — claramente estimuladas pelo comportamento do ainda Presidente da República: total silêncio durante quase 48 horas após o anúncio da vitória de Lula e, em seguida, um discurso pífio de dois minutos dirigido aos seus eleitores — no qual não reconheceu explicitamente a sua derrota e a lisura das urnas eletrônicas.

segunda-feira, 7 de novembro de 2022

Gabriel Monteiro, ex-vereador do Rio de Janeiro, é preso preventivamente por estupro

Segunda, 7 de novembro de 2022
Ex-vereador Gabriel Monteiro — Foto de Fernando Frazão / Ag. Brasil

Ex-vereador é preso preventivamente por estupro
Gabriel Monteiro se apresentou na delegacia em Icaraí

Por Alana Gandra - Repórter da Agência Brasil - Rio de Janeiro

A Polícia Civil confirmou, em nota, que o ex-vereador Gabriel Monteiro se apresentou hoje (7) na 77ª Delegacia Policial (DP), em Icaraí, Niterói, região metropolitana do Rio de Janeiro, onde foi cumprir o mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça, devido a processo a que ele responde por estupro.

A decisão é do juiz Rudi Baldi Loewenkron, da 34ª Vara Criminal do Rio de Janeiro. O caso teria acontecido no dia 15 de julho deste ano. O juiz determinou a apreensão de armas de fogo e de celulares do acusado.

Gabriel Monteiro teve o mandato cassado em 18 de agosto, por quebra de decoro parlamentar. Assédio sexual e moral, tentativas de estupro foram algumas das acusações ao ex-vereador.

A Agência Brasil tentou contato com os advogados do ex- vereador, mas não obteve resposta.

Edição: Fernando Fraga

FALSA POLÊMICA —TSE desmente fake news sobre seções eleitorais que deram 100% dos votos a Lula; entenda

Segunda, 7 de novembro de 2022

Urnas eletrônicas no alvo de militares e de fake news nas redes sociais - Nelson Jr./ ASICS/ TSE

Não há cidades com 100% dos votos para um dos candidatos, mas 147 seções eleitorais, que somam cerca de 0,01% dos votos

Redação
Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ) | 07 de Novembro de 2022

Uma das mais recentes táticas desesperadas do bolsonarismo para tumultuar o processo de transição governamental é propagar falsas notícias que dão conta que o candidato derrotado no segundo turno das eleições presidenciais não recebeu votos em determinadas cidades. É mais uma mentira desmentida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O que aconteceu, de fato, é que em algumas seções eleitorais, 100% dos votos válidos foram para um dos candidatos: Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL). A maioria das seções com votação total para Lula, aliás, tem as palavras "povoado", "comunidade" ou "aldeia" no nome.

Segundo dados do TSE levantados pelo portal de notícias G1, foram 147 seções eleitorais com 100% dos votos dedicados a um dos candidatos no segundo turno. Lula levou a melhor em 143 delas, enquanto Bolsonaro recebeu a totalidade dos votos válidos em outras quatro. Somadas, todas essas urnas tiveram 16.579 votos válidos, o que equivale a 0,01% da soma do eleitorado que votou em um dos dois candidatos no segundo turno. Cada município pode ter diversas seções eleitorais, dependendo do tamanho do eleitorado e da área geográfica.

Um episódio curioso aconteceu na cidade de Charrua, no Rio Grande do Sul. Lá, Lula obteve 100% dos votos válidos em uma das seções, a 126 (foram 302 votos). Em outra, a de número 15, Bolsonaro recebeu todos os 79 votos válidos. As outras vitórias de Bolsonaro com totalidades de votos aconteceram em uma seção do município de Chaves, no Pará, e nas duas urnas destinadas a eleitores que votariam em Caracas, na Venezuela. Porém, por conta da falta de representação diplomática do Brasil no país, as seções foram deslocadas para Bogotá, na Colômbia.

Já as 139 urnas que deram 100% de vantagem para Lula representaram, no total, 16.455 votos para o petista. Um dos casos foi registrado em uma escola que fica dentro da aldeia indígena Urubu Branco, em Confresa, no Mato Grosso. Em contato com o G1, o Tribunal Regional Eleitoral do estado (TRE-MT) desmentiu uma das informações falsas mais compartilhadas, de que Bolsonaro não teria recebido qualquer voto na cidade, e destacou que a vantagem de 100% do petista se resumia a essa seção.

O caso da aldeia matogrossense não é isolado. Entre as 139 seções onde Lula teve votação unânime, 22 têm a palavra "aldeia" no nome. Em outras 27 aparece a expressão "comunidade", enquanto 51 são identificadas com o termo "povoado".

Edição: Nicolau Soares
Fonte: Brasil de Fato

NA GAVETA DA PGR —Aras descumpre prazos de processos e paralisa denúncias contra Bolsonaro, diz jornal

Segunda, 7 de novembro de 2022
Procurador-geral da República não se manifesta sobre casos de incitação à violência e uso político do 7 de Setembro

Redação
Brasil de Fato | Curitiba (PR) | 07 de Novembro de 2022 às 11:13

Augusto Aras foi escolhido por Bolsonaro como procurador-geral da República - José Cruz/Agência Brasil

O procurador-geral da República, Augusto Aras, não tem cumprido prazos estabelecidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para análises de processos encaminhados a ele pela própria Suprema Corte. Com isso, denúncias feitas contra o presidente Jair Bolsonaro (PL), que nomeou Aras, têm ficado paralisadas na Procuradoria-Geral da República (PGR).

Uma reportagem publicada nesta segunda-feira (7) pelo jornal Valor Econômico informa que o descumprimento de prazos por parte de Aras tem criado tensão entre o STF e a PGR. A reportagem lista casos que estão parados nas mãos de Aras à espera de manifestação.

LIVE 7/11: Que dívida o governo Lula irá herdar? A live da Auditoria Cidadã da Dívida será às 19 desta segunda (7/11). Assista!!!

 Segunda, 7 de novembro de 2022

Qual é a natureza da dívida pública (interna e externa) que o novo governo vai herdar?

Por que a dívida pública tem crescido tanto, apesar dos pagamentos de trilhões?
Essa dívida tem servido para financiar investimentos sociais ou tem sido gerada para alimentar mecanismos do Sistema da Dívida?
Quanto já pagamos?
Qual a responsabilidade do Banco Central na explosão da dívida e no travamento da economia brasileira?
Qual a relação da dívida elevada e a pressão pela realização da Reforma Administrativa, mais privatizações e superávit primário?
Afinal, qual é a origem dessa dívida?

É o que vamos debater na Live desta segunda-feira, 7/11, às 19h, com a coordenadora nacional da Auditoria Cidadã da Dívida, Maria Lucia Fattorelli. Venha participar com a gente! É ao vivo no Facebook e no canal da ACD no Youtube

Fonte: Auditoria Cidadã da Dívida

domingo, 6 de novembro de 2022

Insustentáveis Dividendos Pagos pela Atual Direção da Petrobrás

Domingo, 6 de novembro de 2022


Insustentáveis Dividendos Pagos pela Atual Direção da Petrobrás

Escrito por Felipe Coutinho
A direção da Petrobrás tem distribuído, em 2021 e 2022, os máximos dividendos da história da companhia e a maior distribuição, entre as empresas listadas nas Bolsas de Valores, no 2º trimestre de 2022. [1]

A política de distribuição de dividendos é definida pelo Governo Federal que é o controlador da Petrobrás e nomeia a maioria dos seus conselheiros, o presidente e a alta administração. Visa o artigo analisar se o atual patamar de pagamento de dividendos é sustentável.

Este trabalho demonstra que foram a redução dos investimentos, a níveis insuficientes para manter reservas e produção de petróleo, as vendas de ativos rentáveis, estratégicos e resilientes à queda do preço do petróleo e seus preços conjunturalmente altos, que possibilitaram pagamentos de dividendos altos e insustentáveis pela direção da Petrobrás em 2021 e 2022.

Redução dos investimentos para maximizar pagamento de dividendos

A Figura 1 apresenta, em dólares estadunidenses (US$), os Dividendos Pagos e o Investimento Líquido, sendo este último a soma das aquisições de ativos imobilizados e intangíveis, reduções (adições) em investimentos e investimentos em títulos e valores mobiliários, descontado do recebimento pela venda de ativos (desinvestimentos). [2]

Figura 1: Dividendos Pagos & Investimento Líquido da Petrobrás, em Bilhões US$


Para 2022, os valores se referem ao exercício até o 2º trimestre (2T22).


Pode-se observar que em 2021 e 2022 (até o 2º trimestre) houve elevação significativa do pagamento de dividendos, enquanto se reduziu drasticamente o investimento líquido.

Os lucros e dividendos distribuídos hoje, são resultados dos investimentos realizados no passado. É evidente que elevar a distribuição dos dividendos, em detrimento dos investimentos, comprometerá o resultado futuro.

sábado, 5 de novembro de 2022

Uma enfermidade chamada trabalho

 Novembro

5

Uma enfermidade chamada trabalho

Em 1714 morreu [no dia 5 de novembro], em Pádua, Bernardino Ramazzini. Era um médico estranho, que começava perguntando:
— E em que você trabalha?
Ninguém havia pensado que isso pudesse ter alguma importância.
A experiência permitiu a ele escrever o primeiro tratado de medicina do trabalho, onde descreveu, uma por uma, as doenças frequentes em mais de cinquenta ofícios. E comprovou que havia pouca esperança de cura para os trabalhadores que comiam fome, sem sol e sem descanso, em oficinas fechadas, irrespiráveis e imundas.

               Eduardo Galeano no livro ‘Os filhos dos dias’.2ª edição, página 351, L&PM Editores

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Veja também:

Com abstenção do Brasil, 185 países aprovam na ONU fim do bloqueio econômico dos EUA a Cuba

Sábado, 5 de novembro de 2022

Cortejo fúnebre com cinzas de Fidel Castro em Santiago de Cuba (foto de arquivo) - Sputnik Brasil, 1920, 03.11.2022

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Agência Sputnik de Notícias
A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) votou esmagadoramente para condenar o embargo econômico promovido pelos EUA a Cuba.
Na votação na ONU, 185 membros entre 193 apoiaram a resolução cubana, que condena e pede o fim do embargo à economia do país. Estados Unidos e Israel foram os únicos que se opuseram, e o Brasil e a Ucrânia se abstiveram.
"Ilegal", "inaceitável", "criminoso", "desumano", "agressão econômica": esses foram alguns dos termos usados pelos palestrantes no púlpito da ONU. Na resolução, Cuba defende a "não ingerência em seus assuntos internos" e as liberdades "de comércio e de navegação" diante do embargo, imposto em fevereiro de 1962, durante a Guerra Fria.
Chanceler cubano, Bruno Rodríguez disse hoje (3) que o governo de Joe Biden, presidente dos EUA, continua a política de "pressão máxima" de Donald Trump.
Panorama internacional
Mundo à beira da catástrofe: 60 anos da crise dos mísseis e bloqueio naval de Cuba22 de outubro, 08:02
O conselheiro político dos EUA na ONU, John Kelley, defendeu a postura norte-americana. Ele alegou que os Estados Unidos "continuam comprometidos com a busca da liberdade e dignidade do povo cubano".
Em seguida, fez críticas ao regime político cubano, argumentando que o país perseguiu manifestantes e "usou penas de prisão severas, mesmo contra menores, intimidação, táticas, prisões, interrupções na Internet, multidões patrocinadas pelo governo e condições horrendas nas prisões para tentar impedir que os cubanos exercessem seus direitos humanos".
O vice-representante permanente de Cuba na ONU, Yuri Gala, respondeu que "se o governo dos Estados Unidos realmente se importasse com o bem-estar, direitos humanos e autodeterminação do povo cubano, poderia suspender o embargo".

Os desafios da reconstrução

Sábado, 5 de novembro de 2022

“O Brasil tem um potencial para o atraso e para a violência muito grande, que anos de governos mais ou menos civilizados não foram capazes de reduzir”.
Maria Hermínia Tavares (Valor, 28/10/2022)

Roberto Amaral*

O pronunciamento da soberania popular no último 30 de outubro deu um basta a um governo em guerra contra o país. Mas, acima de tudo, afastou do horizonte visto a olho nu a mais grave ameaça à democracia desde a intervenção militar de 1º de abril de 1964, ao impedir a instauração da pior das ditaduras, aquela que se instala com o respaldo do pronunciamento eleitoral, e se legitima na ordem constitucional permanentemente revista segundo seus interesses. Há, pois, muito o que comemorar, e muito que agradecer à ação dos militantes, decisivos em momento de inédita e radical polarização política.

A presença dos movimentos populares — profunda, inédita, multifacetária, emocionante — foi decisiva, contrapondo-se à força descomunal do poder (do poder público e do poder econômico à manipulação religiosa a mais abjeta), mobilizada nestas eleições de forma jamais experimentada em nosso país, mesmo nos idos da República Velha, cujos vícios alimentaram levantes militares e a revolução de 1930. Essas eleições mexeram com a alma da sociedade brasileira.

Os exemplos mais conspícuos de tomada do poder pela extrema-direita ainda são os do fascismo e do nazismo, ambos seguindo ritos constitucionais, nenhum na coroa de golpes de força. Mussolini, que ascendera à crista da onda como líder dos fasci, movimento paramilitar financiado por industriais e latifundiários para dar cabo às organizações dos operários italianos no pós-guerra, foi, em 1922, nomeado primeiro-ministro pelo rei Vítor Emmanuel III. Hitler, em 1935, foi nomeado chanceler (primeiro-ministro) por Paul Hindenburg, presidente alemão socialdemocrata. A iminência da ditatura constitucional, antecipada pela maioria conservadora de direita e extrema-direita do Congresso que emergira das eleições legislativas brasileiras, era a ameaça com a qual nos acenava a possibilidade concreta de reeleição plebiscitária do ex-capitão, rejeitada ao cabo do pleito dramático.

Há muito o que comemorarmos, ainda sem perder de vista que estamos apenas no início do enfrentamento de um grande desafio. A eleição de Lula — ao derrotar o mais abusivo e criminoso concurso de recursos públicos e privados em um processo eleitoral — estabelece um divisor de águas entre a ameaça do revés democrático (mediante a revogação do pacto constitucional de 1988) e a esperança de reconstrução nacional; mas deve ser vista, particularmente pela esquerda brasileira, como ponto de partida: sem ela, o futuro imediato seria uma ditadura protofascista; com ela, a história nos acena com a revitalização democrática que, dependendo do que fizemos, nos poderá retornar, no médio prazo, os sonhos de construção de uma sociedade fundada na igualdade social, que perseguimos como objetivo final da política.

No quadro de nossos dias, fracassado o golpismo no qual o bolsonarismo apostou até a 25ª hora, a posse de Lula, que chegou a ser ameaçada, pode ser dada como fato concreto — para o que concorreram a qualidade do sistema eleitoral, a mobilização popular e a imediata solidariedade da comunidade internacional, concertada num pronunciamento praticamente unânime, ao reunir no mesmo e entusiasmado aplauso, entre muitos outros mandatários, ​Emmanuel Macron, Vladimir Putin, Joe Biden, Xi Jinping, Alberto Fernández e Olaf Scholz. Nossa história presente deve mais esse serviço ao sempre chanceler Celso Amorim.

O conglomerado de interesses poderosos que se costuma alcunhar de “sistema” se pronunciou, logo cedo, na voz e nas imagens do Jornal Nacional da Rede Globo na noite do dia 31/10, e a comunidade política entendeu o recado, ao responder com acenos ao diálogo. O capitão, sem tropa e sem pólvora, encerrou seus dias de presidente na terça-feira 1º de novembro, ao reconhecer o fiasco do levante dos caminhoneiros, por cujas consequências desestabilizadoras da ordem institucional esperara por três longos dias, como Jânio Quadros (a primeira vitória eleitoral da direita brasileira) esperara, em 1961, igualmente em vão, pelo levante das ruas que o levaria de volta a Brasília. Terminou, só, embarcando em um navio cargueiro, e foi tratar de sua solidão na Europa. Resta ao ex-capitão, sob a vigilância das instituições (que se omitiram ao não coibirem seus escandalosos crimes eleitorais), seguir o exemplo do general Figueiredo e abandonar o Alvorada pela porta dos fundos. Os espetáculos dessa semana patrocinados por uma massa fanatizada, cujos limites não sabemos mensurar, tendem a esvaziar-se com o passar dos dias, em face do recuo de seu ativador.

Nos bastidores, onde segue a vida conduzindo a política, permanecerão as disputas pela definição do eixo condutor do governo Lula, naquilo que ele tem de essencial para a Faria Lima. O debate já está na imprensa e procura ditar o que deve ser o programa econômico do novo governo. A pré-transição consumirá esses quase dois meses que nos separam da posse tão desejada de Lula, pois a transição política propriamente dita cobrará o primeiro ano do governo, com a experiência daquele que será necessariamente o primeiro ministério (ou “ministério tentativo”) do terceiro mandato de Lula, as composições partidárias e as eleições das mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. A fase dos ajustes, inclusive programáticos. Nesse sentido, o governo Lula será um governo por definir-se no seu próprio processo de ser. As circunstâncias ditam seu caráter de conciliação nacional, já anunciado pelo presidente eleito em seu belo discurso ainda na noite do dia 30, no encontro com a imprensa internacional. Governo de coalizão, tenderá à moderação (pelos condicionamentos do processo social, pelas exigências da história presente e a prática de seu líder) e porque não terá, ao instalar-se, maioria para impor seu programa a uma sociedade dividida e a um Congresso que, de natureza historicamente conservador, desde o Império, é o mais reacionário em toda a República.

A frente ampla da campanha não chegará à posse, pois sobrelevará a frente ampla da governabilidade, que compreenderá parte da frente eleitoral, à qual se somarão, entre outros, a entente com os partidos, a construção da base parlamentar sem a qual não governará, como não governou Dilma, e os reajustes com a caserna, vistos pelas mesmas lentes que cuidarão da crise econômico-fiscal, das carências sociais, do desemprego e da fome de milhões de brasileiros. O governo Lula precisará de força e pertinência (e apoio popular) para enfrentar a criminosa partidarização dos quartéis, a politização e insubordinação das forças policiais em todos os níveis. Caber-lhe-á salvar o meio ambiente, restaurar a saúde pública, combater a sagração de Tânatos e do negacionismo, restaurando a defesa da vida e a paixão pela inteligência.

Todas essas tarefas são cobradas com urgência e, é preciso lembrar, devem ser levadas a termo de par com a convivência civilizada, em um mundo em crise política e econômica marcada pela queda de renda dos países dependentes das exportações de commodities (como o Brasil, que renunciou à industrialização), um mundo em guerra que opõe EUA e Eurásia na disputa de hegemonia. E ao mesmo tempo um mundo que, após Trump, vê crescer na Europa (em crise) a ascensão da extrema-direita: Itália, Polônia, Hungria, Turquia, Suécia, além do retorno da extrema-direita em Israel, pequenino país armado até os dentes.

Em face das circunstâncias, assomam os desafios da esquerda brasileira. Cumpre-lhe a sustentação do governo Lula, após uma campanha na qual não lhe foi dado sustentar a temática econômico-social, a única que a favorecia porque é a que favorece a formação da consciência de classe dos assalariados. E cumpre-lhe rever-se para o enfrentamento político e ideológico do pensamento e da ação da extrema-direita (além do assédio da “direita bem-comportada” que nos acompanhou principalmente no 2º turno, e nos acompanhará no governo). A onda de extrema-direita (de que a votação de Bolsonaro é apenas um indicador) é ciclo que veio para conviver conosco por muito tempo, donde não poder ser vista como “um ponto fora da curva”, senão como um dado do processo social brasileiro que guarda lógica com nossa formação de país, povo e nação, da qual resultou a sociedade brasileira que descobrimos conservadora.

O desafio não é desprezível, porque não são desprezíveis a emergência da extrema-direita e sua permanente capacidade de mobilização. Pela primeira vez a extrema-direita, além de organizada e assentada em bases populares, dispõe de uma liderança carismática que não emerge da elite e cujo discurso repercute na caserna. Essa extrema-direita vai confrontar o governo Lula, e nós precisamos derrotá-la.


* Com a colaboração de Pedro Amaral


Os textos de Roberto Amaral podem ser encontrados em www.ramaral.org.


sexta-feira, 4 de novembro de 2022

Será o senador Jean Paul Prates um bom nome para presidir a Petrobrás?

Sexta, 4 de novembro de 2022

Da Direção da AEPET 
Associação dos Engenheiros da Petrobrás
Publicado no dia 3 de novembro de 2022

Será o senador Jean Paul Prates um bom nome para presidir a Petrobrás?

E o dia 31 de outubro amanheceu com o resultado oficial da eleição: Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito para cumprir seu terceiro mandato como Presidente da República.

O resultado só foi possível pela capacidade de Lula em construir uma frente ampla de partidos e de personalidades, permitindo derrotar o projeto de extrema direita que ocupou o poder nos últimos 4 anos. Imediatamente, começaram as especulações sobre os nomes do novo governo. Entre eles o do senador Jean Paul Prates (PT-RN) para a Petrobrás.

Entre os muitos desafios a serem enfrentados pelo presidente eleito, está a reconstrução da Petrobrás. E neste desafio que a AEPET tem suas posições e convicções. Por isso, vê com ressalvas a possível indicação do senador Prates, baseada em seu histórico de atuação na área do petróleo, que resumimos abaixo.

Em 1999 durante a implementação da quebra do monopólio no governo de FHC ele era presidente da Expetro, uma empresa de consultoria internacional de energia situada no Rio de Janeiro e que auxiliava empresas que queriam participar do leilão. Em reportagem de O Globo, ele criticava a exigência de documentação em português poderia atrasar o leilão que aquele governo neoliberal almejava fazer em breve.

Em 17 de agosto de 2004 foi publicado na sessão Opinião (página 7) do Jornal “O Globo”, um artigo assinado por Jean Paul Prates onde ele defendia a manutenção dos leilões e do regime de concessão para o setor de petróleo e gás, criticando a resolução do conflito de opiniões sobre esses assuntos na sociedade brasileira através de plebiscito. Fazia pouco tempo então, que o povo brasileiro havia rejeitado em plebiscito tanto a monarquia quanto o parlamentarismo. Havia portanto uma chance real de rejeição do neoliberalismo do PSDB. Ao defender que a Lei do Petróleo de FHC não obrigava a exportação, ele também critica a predominância da Petrobrás no refino: “O que ocorre é que, como o comprador possível no Brasil para refino é basicamente um só, caracteriza-se uma situação monopsônica dominante que praticamente dita condições ao concessionário vencedor”. Desde 1997 com a quebra do monopólio, qualquer empresa estrangeira que tivesse interesse poderia ter construído refinarias no Brasil, mas nenhuma construiu.

O engenheiro Fernando Leite Siqueira, atual Diretor Administrativo da AEPET e na época Diretor de Comunicação Social, escreveu um texto intitulado “Lobistas do pré-sal promovem seminário para convencer população” que foi publicado no Correio da Cidadania em 23 de dezembro de 2008 (https://glaucocortez.wordpress.com/2008/12/23/ ). No texto, Siqueira listou os lobistas já tinham promovido 4 seminários no Senado Federal naquele ano: “João Carlos de Luca – presidente da Repsol; David Zilberstajn – ex-diretor da ANP; Eloi Fernandes Y Fernandes – ex-diretor da ANP; Adriano Pires e Jean Paul Prates – integrantes do Instituto Liberal, criado pela Shell para derrubar o monopólio estatal do petróleo; os diretores da ANP Haroldo Lima e Nelson Narciso – ex-presidente da Halliburton em Angola”. O argumento dos lobistas era que não seria necessário mudar o regime de concessão para partilha, sendo suficiente simplesmente aumentar a taxação. Mas a verdade é que no regime de concessão as reservas de petróleo e gás natural são da companhia que detém a concessão, enquanto no regime de partilha, as reservas são da União que autoriza a produção mediante o recebimento de bônus de assinatura pelo bloco ou campo (nos governos de Temer e Bolsonaro foram feitos leilões de acumulações comprovadas e campos de petróleo) e percentual de óleo lucro após o início da produção.

E, em 2021, Prates foi o relator no Senado do PL 1472 que, na intenção de baratear os preços dos combustíveis, transferia recursos públicos – portanto, dinheiro do povo brasileiro — às grandes petroleiras internacionais, como Shell, Total, Exxon Mobil, Chevron –, para que continuem mantendo os seus elevados lucros. Em nenhum artigo, o PL ataca a razão de fato dos altos preços, o Preço Paritário de Importação (PPI), implantado em 2016.

Prates, inclusive chegou a afirmar: “É preciso garantir o preço internacional para o refinador e para o importador para ele não deixar de investir, e para o consumidor garantir preços mais acessíveis e condizentes com a nossa condição de país autossuficiente em produção de petróleo”.

Colocar Jean Paul Prates na presidência da Petrobrás não parece ser um passo na direção da reconstrução da empresa. A AEPET e a ABI mantêm sua proposta de 8 pontos para o futuro soberano do Brasil:

1-Restauração do monopólio estatal do petróleo, exercido pela Petrobrás;

2- Reversão da privatização dos ativos da Petrobrás, destacando a BR Distribuidora, refinarias, malhas de gasodutos (NTS e TAG), distribuidoras de GLP e gás natural (Liquigás e Comgás), produção de fertilizantes nitrogenados (FAFENs), direitos de exploração e produção de petróleo e gás natural e as participações na produção de petroquímicos e biocombustíveis;

3- Reestruturação da Petrobrás como Empresa Estatal de petróleo e energia, dando conta de sua gestão, com absoluta transparência, ao controle do povo brasileiro;

4- Alteração da política de preços da Petrobrás, com o fim do Preço Paritário de Importação (PPI), que foi estabelecido em outubro de 2016, e restauração do objetivo histórico de abastecer o mercado nacional de combustíveis aos menores preços possíveis;

5- Limitação da exportação de petróleo cru, com adoção de tributos que incentivem a agregação de valor e o uso do petróleo no país;

6- Recompra das ações da Petrobrás negociadas na bolsa de Nova Iorque (ADRs);

7- Desenvolvimento da política de conteúdo nacional e de substituição de importações para o setor de petróleo, gás natural e energias potencialmente renováveis;

8- Estabelecimento de um plano nacional de pesquisa e investimentos em energias potencialmente renováveis, sob a liderança da Petrobrás.



Direção da AEPET

Como erguer as ruínas do SUS no Governo Lula?

Sexta, 4 de novembro de 2022

Como erguer as ruínas do SUS no Governo Lula?


Professora Maria Fátima de Sousa*


Os destroços causados ao Sistema Único de Saúde (SUS), respeitado em todo o mundo e cuja grandeza foi comprovada durante a pandemia ao salvar centenas de milhares de vidas, com exceção daquelas negligenciadas pelo Estado, serão reerguidos com a volta do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao poder nacional. Essa é nossa esperança. Sabemos que vários são os caminhos, mas é vital recomeçar por seis deles aos quais enumero. 

Primeiro, qualificar o pacto federativo no entorno das agendas prioritárias à consolidação do SUS e tomar com experiência a disposição política que foi criar o Consórcio do Nordeste durante a maior crise da saúde pública dos últimos 100 anos. A tripartite deverá ser fortalecida, pois é nesta mesa que sentam os gestores dos governos federal, estaduais e municipais, com efeitos reais de um federalismo, cooperativo e horizontalizado.

Segundo, enfrentar a questão do financiamento do SUS. Situação que nunca foi resolvida nesses 33 anos de sua existência, ainda que a CF de 1988 determina que as três esferas de governo financiem o sistema, gerando receita necessária para custear as despesas com ações e serviços públicos de saúde. A cada ano há cortes no orçamento da saúde. 

Em nome da estabilidade fiscal, a sangria tem várias veias, a exemplo da EC/99 do teto de gasto, a retirada dos recursos oriundos do Pré-Sal, a PEC Emergencial, que tirou recursos da saúde, a transferir, para pagamento de juros da dívida pública, (receitas que alimentam os chamados “fundos públicos" do Executivo), e os incentivos fiscais para seguradoras de saúde. 

Um garrote que amarrou em cinco anos (2018-2022) mais de R$ 48 bilhões. Um desfinanciamento que se agudiza na peça orçamentária de 2023, a menor dos últimos 10 anos, asfixiando as políticas nacionais de atenção integral à saúde da população Indígena, da Farmácia Popular, e do tão elogiado mundialmente programa de HIV/Aids. Se não resolver essa equação, a saúde segue como a maior preocupação da população, ao lado das questões econômicas como geração de emprego, renda, fome e miséria. 

Terceiro, é preciso investir numa política de pessoal, criando uma carreira típica de estado para os profissionais da saúde, com uma carreira e mobilidade nacional, pactuada entre os três níveis de gestão do SUS. 

Quarta, ampliar a cobertura da Estratégia Saúde da Família e dos Agentes Comunitários de Saúde, como base estruturante da Atenção Primária em Saúde, configurando-se em Redes Integradas, reconfigurando os processos de regionalização com planejamentos territoriais concretos, com vistas a superarmos a fragmentação da gestão e da atenção à saúde. 

Quinto, investir no Complexo Econômico e Industrial da Saúde, colocando o setor saúde como um dos pilares da reindustrialização ao desenvolvimento econômico do pais, fortalecendo as instituições de ensino, pesquisa e inovação 

Sexto, requalificar a relação do SUS com seus parceiros privados, tanto as Santas Casas, hospitais filantrópicos, como as seguradoras dos planos de saúde, afinal, não é suficiente reajustar a tabela de procedimentos do SUS, uma herança maldita dos anos 80 do velho Inamps. É preciso criar alternativas de planejamento e orçamento integrado, rumo à produção social de saúde, com indicadores de saúde e vida à população dos diferentes municípios brasileiros.

Assim, estaremos prontos para reerguer as ruínas do SUS e cuidarmos, com responsabilidade sanitária, das políticas públicas de atenção à saúde da mulher, da população LGBTQIAP+, Negros, Indígenas, trabalhadores, pessoas vivendo em situação de rua, privadas de liberdade, usuárias de álcool e outras drogas (saúde mental), segurança alimentar e nutricional. Somente assim, podemos dizer que estamos cuidando, com dignidade, da saúde do nosso povo, com a participação direta do controle social. Eis o desafio do presidente Lula.



*Enfermeira Sanitarista, Doutora em Ciências da Saúde, é professora da Faculdade de Saúde da Universidade de Brasília.

MPF instaura inquérito civil para apurar responsabilidades sobre manifestações antidemocráticas e prevenir novas ocorrências

Sexta, 4 de novembro de 2022

Arte: Secom/MPF

Objetivo é garantir a defesa de direitos fundamentais, do Estado de Direito, das instituições democráticas e da ordem social, conforme previstos na Constituição

Do MPF —4 de NOVEMBRO DE 2022 ÀS 13H0
O Ministério Público Federal (MPF), por meio da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC) no Rio de Janeiro, instaurou inquérito civil para garantir a prevenção e a responsabilização civil por atos, condutas e manifestações antidemocráticas e contrárias à ordem constitucional.

Drones jogam agrotóxicos sobre comunidades rurais e intoxicam moradores em Pernambuco

Sexta, 4 de novembro de 2022

Pessoas relataram sintomas como dor de cabeça e enjoo, além de danos às plantações e criações de animais



4 de novembro de 2022
João Guilherme Bieber



Pessoas intoxicadas, plantações destruídas e animais mortos: moradores de comunidades da zona rural de Pernambuco denunciam que essas foram as consequências de uma pulverização de agrotóxicos feita por drones em áreas de pasto da empresa Agropecuária Mata Sul. É a segunda vez – a primeira foi por helicóptero – que a pulverização aérea de agrotóxicos teria atingido comunidades rurais de Jaqueira, município a cerca de 150 quilômetros de Recife. A região vive um conflito fundiário entre comunidades rurais e a Mata Sul desde 2018, incluindo denúncias de ameaça de morte e tentativa de assassinato.

Segundo moradores com os quais a reportagem da Agência Pública e a Repórter Brasil conversou, no início de setembro deste ano, drones que pulverizavam agrotóxicos no pasto vizinho também teriam sobrevoado e pulverizado agrotóxicos sobre sítios e fontes de água. Os moradores relatam dor de cabeça, enjoo e irritação na pele, sintomas comuns de intoxicação aguda por agrotóxicos. Eles contam que a pulverização também afetou as plantações e criações de animais dos moradores, principais fontes de renda das comunidades.

“Eu estava ajeitando a terra para plantar verdura. O drone passou jogando veneno por cima do sítio. Passou por cima da fonte de água. [O veneno] caiu em mim. Molhou os ombros. Quando cheguei em casa, já estava passando mal: com dor de cabeça, moleza no corpo. Fui para o hospital no dia seguinte e entrei no soro. Fiquei enjoado, dois dias sem querer comer, com uma dor de cabeça muito forte”, descreveu Manoel*, um dos agricultores atingidos pela pulverização de agrotóxicos.

Divulgação Comunidades Fervedouro e Barro Branco

O sítio em que Manoel trabalhava fica em uma área de baixada, cercado pelo pasto. Lá existem pequenas plantações de banana, tomate, jerimum, pepino, coentro e cebolinha e uma fonte de água que abastece comunidades da região. Ele afirma que as plantações foram afetadas pela pulverização e há um receio de que a fonte de água tenha sido contaminada.