Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)

segunda-feira, 4 de novembro de 2024

Programa bem viver —Pastor Henrique: 'Coragem e ternura, rebeldia e poesia é o que aprendi com Marighella e levo para a vida política'

Segunda, 4 de novembro de 2024

Nesta segunda-feira (4) se completam 55
anos do assassinato do líder revolucionário
baiano que lutou contra a ditadura

Rádio Brasil de Fato
Lucas Weber
04 de novembro de 2024
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Deputado Pastor Henrique Vieira foi eleito à Câmara em 2022 depois de ter sido vereador em Niterói - Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
Ele era corajoso para enfrentar, por exemplo, duas ditaduras, mas ele era um poeta, viu? 

Um ano após a estreia nos cinemas do país do filme Marighella, o Pastor Henrique Vieira (Psol-RJ) era eleito, pela primeira vez, deputado federal. Há uma conexão simbólica entre os fatos, afinal, o parlamentar atuou no longa, interpretando um frade dominicano brasileiro, que lutou contra a ditadura militar (1964-1985) e foi torturado.

No filme, o personagem interpretado pelo deputado participa de uma cena na qual ele defende a Carlos Marighella (interpretado por Seu Jorge) que Jesus foi um homem negro. No entanto, o frade acaba sendo um dos responsáveis pela captura do militante pela ditadura. 

No filme Marighella (2019), pastor Henrique Vieira, que interpreta frade dominicano, conversa com Seu Jorge, que faz o líder revolucionário / Reprodução/Marighella

"Foi uma das experiências mais bonitas da minha vida", relembra o deputado em entrevista ao programa Bem Viver desta segunda-feira (4), quando se completam 55 anos do assassinato de Marighella. 

"A vida de Marighella tem que ser sempre lembrada e homenageada, um homem que foi preso por duas ditaduras, um amante da liberdade, da democracia, do socialismo, como declaração de amor, da humanidade, do enfrentamento e superação da injustiça, da exploração, da miséria, da fome. Um brasileiro nordestino, homem negro,  enfim, que figura histórica foi o intelectual e militante Carlos Marighella”, defende o deputado. 

Carlos Marighella nasceu em Salvador (BA), em 1911, e chegou a ser considerado o inimigo número um do regime, muito pela sua atuação na Ação Libertadora Nacional (ALN), grupo fundado por ele.  

O filme, dirigido por Wagner Moura, foi inspirado na biografia escrita por Mário Magalhães e deveria ter chegado aos cinemas ainda em 2019, mas enfrentou restrições por parte da Agência Nacional de Cinema (Ancine), que foram lidos como censura pela equipe do filme, inclusive pelo deputado.

Pastor Henrique Viera relata o que leva para sua atuação como deputado do que aprendeu na biografia de Marighella. 

"Essa coragem com ternura e essa poesia com força política, essa rebeldia que, ao mesmo tempo, não vai para um lugar apenas, sei lá, de dureza. Essa síntese entre coragem e ternura, entre rebeldia e poesia, é alguma coisa que eu aprendo com Marighella, tento atualizar na minha vida, na minha militância e nos corredores de Brasília.” 

Na conversa, o deputado também faz uma avaliação do resultado das eleições. 

Confira a entrevista na íntegra. 

Qual a avaliação do senhor do resultado das eleições para o Psol?

De fato, não foi o resultado que nós esperávamos, um contexto em que o voto útil do campo progressista influenciou bastante também. 

Mas eu avalio que nós temos força social, uma direção muito consciente, figuras de grandes nomes na sociedade e uma militância muito mobilizada. Acredito que foi algo conjuntural, contextual. Todos os partidos ao longo da sua história passam por oscilações. 

O Psol tem uma relevância muito grande para a esquerda brasileira e ele tende a retomar um caminho de crescimento já no próximo período. 

Então estou consciente dos limites do resultado deste ano, mas não desesperado, nem desanimado. Acredito que tem lastro social, uma direção consciente, grandes parlamentares, militância mobilizada e capacidade de crescimento nos próximos anos.  

O senhor se envolveu no apoio de algumas candidaturas evangélicas. Qual a avaliação?

Eu me envolvi com candidaturas progressistas no geral. Por exemplo, do William Siri e da Taís Ferreira, que foram reeleitos e bem reeleitos aqui no Rio de Janeiro. Jô Calvalcante, uma das mais votadas em Recife, que é do nosso campo dentro do Psol.

Morre o fotógrafo Evandro Teixeira, autor de fotos históricas do país

Segunda, 4 de novembro de 2024

Com mais de 70 anos no fotojornalismo, ele foi referência na profissão

© Tânia Rêgo/Agência Brasil

Rafael Cardoso — Repórter da Agência Brasil
Publicado em 04/11/2024 — Rio de Janeiro

O fotógrafo Evandro Teixeira morreu nesta segunda-feira (4), no Rio de Janeiro, aos 88 anos de idade, mais de 70 deles dedicados ao fotojornalismo. Pelas suas lentes, foram registrados acontecimentos históricos do século XX no Brasil e no mundo. As imagens em preto e branco produzidas por Evandro viraram documentos, que ajudam a acessar fragmentos do passado.

Evandro estava internado na Clínica São Vicente, Gávea, Zona Sul da cidade. Segundo a instituição, a morte ocorreu por falência múltipla de órgãos, em decorrência de complicações de uma pneumonia. Ele será velado na Câmara dos Vereadores nesta terça-feira (05), das 9h às 12h.

O fotógrafo nasceu no município de Irajuba, na Bahia, em 1935. Ele iniciou a carreira jornalística em 1958 no jornal O Diário de Notícias, de Salvador. Depois, transferiu-se para o Diário da Noite, do grupo dos Diários Associados, de Assis Chateaubriand, no Rio de Janeiro.

Em 1963, foi contratado pelo Jornal do Brasil, onde alcançaria a maior projeção como fotojornalista. Foram quase 47 anos na empresa, de onde saiu em 2010, quando o JB deixou de circular na versão impressa e passou a ter apenas a edição digital. Ele também se tornou autor dos livros: Fotojornalismo (1983); Canudos 100 anos (1997); e 68 destinos: Passeata dos 100 mil (2008).
Repressão policial na Candelária durante a missa de sétimo dia do estudante Edson Luís, assassinado durante - Evandro Teixeira/Acervo IMS

Dificilmente alguém nunca se deparou com uma foto de Evandro ao pesquisar sobre eventos marcantes da história. Ele registrou momentos como a Copa do Mundo de 1962, a repressão ao movimento estudantil de 1968, o golpe militar no Brasil e no Chile e o massacre de Jonestown, em 1978.

Vacina oral contra poliomielite não será mais aplicada no Brasil

Segunda, 4 de novembro de 2024

Aplicação injetável vai garantir mais eficácia, diz ministério

Foto Marcello Camargo/Agência Brasil

Agência Brasil
Publicado em 04/11/2024 — Brasília







A partir desta segunda-feira (4), o Ministério da Saúde irá substituir as duas doses de reforço da vacina oral poliomielite bivalente (VOPb), popularmente conhecida como gotinha, por uma dose da vacina inativada (VIP), que é injetável. O objetivo é alinhar o esquema vacinal às práticas já adotadas por países como os Estados Unidos e nações europeias.

Segundo o Ministério, a mudança vai garantir maior eficácia do esquema vacinal, que será exclusivo com a vacina injetável.

O novo esquema inclui três doses da vacina injetável administradas aos 2, 4 e 6 meses de idade, além de uma dose de reforço aos 15 meses. O Ministério da Saúde já enviou orientações aos estados para que preparem os municípios para a implementação das novas diretrizes.

Injúria racial: mulher que insultou seguranças de ministro é condenada a indenizá-los

Segunda, 4 de novembro de 2024

Acusada ofendeu Flávio Dino em um shopping e, ao ser abordada pelos seguranças, cometeu injúria contra eles com insultos sobre o local de nascimento dos policiais 

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) obteve a condenação de Elisângela Rocha Pires de Jesus pelo crime de injúria racial, em razão da procedência nacional, contra Thiago Brasil Arruda e Alexandre Guimarães Nascimento. Ela deverá indenizar as vítimas em R$5.680, sendo metade dessa quantia para cada. Deverá, ainda, prestar serviços à comunidade, nos moldes a serem fixados pela Vara de Execuções de Penas e Medidas Alternativas A sentença é de 30 de outubro.  

De acordo com a denúncia do Núcleo de Enfrentamento à Discriminação (NED) do MPDFT, em 29 de dezembro de 2023, Elisângela estava passeando em um shopping de Brasília, quando abordou o senador e ministro Flávio Dino, chamando-o de ladrão e parabenizando-o por roubar o país. A equipe de segurança pessoal do ministro, composta pelas vítimas, abordou a acusada e pediu que ela se acalmasse. Porém, ela continuou com as ofensas.

Ao receber voz de prisão, a denunciada continuou com insultos de cunho racial, chamando os policiais de "macacos" e, ao descobrir que eles eram do Maranhão, fez comentários desdenhosos, questionando a localização do estado e demonstrando desprezo. A acusada ainda gravou a abordagem enquanto ironizava a procedência dos policiais, explicitando preconceito regional.

Na sentença, o juiz ressaltou que “pessoas oriundas dos estados que compõem a Região Nordeste do País têm sofrido preconceito e são discriminadas em razão da sua origem territorial. A conduta da ré demonstra preconceito e intolerância, que são inconciliáveis com o convívio em sociedade e incompatíveis com os objetivos fundamentais perseguidos pela Constituição da República Federativa do Brasil”.

Processo: 0710887-22.2022.8.07.0014


Fonte: MPDFT

PF conclui inquérito sobre assassinato de Bruno Pereira e Dom Philips

Segunda, 4 de novembro de 2024
Relatório mantém indiciamento de nove investigados

@OPI.ISOLADOS/INSTAGRAM

Alex Rodrigues — Repórter da Agência Brasil
Publicado em 04/11/2024 —Brasília

Após quase dois anos e meio de investigações, a Polícia Federal (PF) concluiu, na última sexta-feira (1º), o inquérito sobre os assassinatos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips.

"A investigação confirmou que os assassinatos foram em decorrência das atividades fiscalizatórias promovidas por Bruno Pereira na região. A vítima atuava em defesa da preservação ambiental e na garantia dos direitos indígenas", diz nota.

Pereira e Phillips foram mortos a tiros em 5 de junho de 2022, em Atalaia do Norte, no Amazonas, quando visitavam comunidades próximas à Terra Indígena Vale do Javari, a segunda maior área do país destinada ao usufruto exclusivo indígena e que abriga a maior concentração de povos isolados em todo o mundo.

No relatório final sobre a apuração, a PF manteve o indiciamento de nove investigados. Ou seja, o órgão ofereceu denúncia ao Ministério Público Federal (MPF) de nove pessoas contra as quais assegura ter reunido provas suficientes para acusá-las de participar do duplo homicídio. O MPF pode pedir o arquivamento, caso entenda não haver elementos probatórios contra os investigados, ou denunciá-los à Justiça Federal, transformando-os em réus.

Entre os indiciados está Ruben Dario da Silva Villar, apontado como mandante do crime. Sem citar nomes, a PF informou que os outros oito indiciados tiveram papéis na execução dos homicídios e na ocultação dos cadáveres das vítimas.

Transição energética para quê, para onde?

Segunda, 4 novembro de 2024
Foto: Agência Brasil

Pedro Augusto Pinho*

Uma divisão que certamente atenderá a todos que se dedicam ao estudo das fontes de energia é sua expectativa de existência. Há fontes que têm duração finita, pelo esgotamento das reservas, e as que podem se perpetuar se forem bem administradas. No primeiro caso estão as de origem fóssil: o carvão mineral, o petróleo em sua apresentação líquida e gasosa, e os folhelhos betuminosos. No segundo as provenientes das biomassas e de fluxos fluviais, desde que cuidadas e preservadas.

Por que tamanho empenho da academia, das empresas e governos na transição energética? Para um salto tecnológico? Para maior e mais completa distribuição visando o atendimento de toda população? Para evitar concentrações e, consequentemente, os controladores do poder político e financeiro?

Vejamos o caso da fusão nuclear. Ela atende ao quesito de não poluidora, não deixa resíduos de qualquer espécie, principalmente nefastos, e, como um sol, estará sempre disponível, dia e noite, desde que tenhamos a tecnologia para produção e controle.

Portanto, a mais razoável seria a união de todos os povos no compartilhamento das pesquisas e na administração do fornecimento da energia da fusão nuclear. Mas, nem mesmo está nas pautas mais elásticas da transição energética.

O professor Ildo Luís Sauer, do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (IEE-USP), em artigo de 28 de agosto de 2024, “Uma análise da hegemonia do petróleo e os desafios da transição energética sob a perspectiva da economia política” (Revista Princípios vol. 170, maio-agosto 2024), apresenta a expectativa de duração dos combustíveis fósseis, excluído o folhelho betuminoso: “As reservas comprovadas de petróleo, gás e carvão são, respetivamente, de 1.564, 1.270 e 5.469 bilhões de BOE (barris de petróleo equivalente), o que permitiria, nos níveis atuais, 37, 53 e 133 anos de consumo, respectivamente”.

Tirando alguns preciosismos idiomáticos, pois reserva de petróleo significa de óleo e gás, e já leva em consideração o fator de recuperação, variável aplicada ao volume provado, as tecnologias exploratórias têm feito postergar o fim do petróleo com novas descobertas, como a do pré-sal no Brasil e da Margem Equatorial na Guiana, para não buscarmos em áreas mais remotas. E, acompanhando a demanda e os preços, ainda há muitos locais do globo onde se achará reservas de petróleo. A África do Sahel tem-nos dado bons exemplos.

No entanto, praticamente todos os trabalhos sobre a transição energética se concentram no passado, nas formas mais antigas de energia, a do sol e a do vento, como redescobertas notáveis. Tratam-se de energias caras, com as tecnologias atuais, e intermitentes, não podendo o mundo contemporâneo ficar refém de dias chuvosos e sem vento, pois os hospitais exigem energia 24 horas por dia, e é somente um dos exemplos.

Observe-se que muitas poucas fontes primárias de energia permitem seu armazenamento, sendo as fósseis e da biomassa estas poucas, enquanto não se obtém a fusão nuclear.

domingo, 3 de novembro de 2024

EDUCAÇÃO —'Para valorizar a herança africana, o Estado brasileiro precisar parar de nos matar', diz líder do MNU sobre tema da redação do Enem

Domingo, 3 de novembro de 2024
Simone Nascimento elogiou escolha do tema e cobrou implementação do ensino de história africana nas escolas

Pedro Stropasolas
Brasil de Fato | São Paulo (SP) | | 03 de novembro de 2024

Tema da redação foi divulgado pelo ministro Camilo Santana por meio de uma rede social

O tema da redação do Enem 2024, realizado neste domingo (3), é "Desafios para a valorização da herança africana no Brasil". A informação foi divulgada pelo ministro da Educação, Camilo Santana (PT), na rede social X, logo após o início da prova neste domingo (3).

Os mais de 4,3 milhões de inscritos no Enem devem elaborar um texto dissertativo de até 30 linhas e uma proposta de intervenção sobre o tema. A prova começou às 13h30 e vai até às 19h.

Além da redação, os candidatos fazem na tarde de hoje 90 questões de linguagens e códigos e de ciências humanas, que inclui as disciplinas de língua portuguesa, história e geografia.

A redação, no entanto, é a nota de maior peso no Enem. Na edição passada, o tema foi: "Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil".

Coordenadora estadual do Movimento Negro Unificado e codeputada estadual pela Bancada Feminista do Psol na Alesp, Simone Nascimento considera o tema excelente, especialmente no ano em que o 20 de novembro se torna feriado nacional e passa a ser chamado Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra.

Nascimento considera também que, para valorizar essa herança, segue sendo urgente também a implementação da Lei 10.639/03, tornando obrigatório o ensino de História e Cultura africana e afro-brasileira.

"Lélia Gonzalez costumava dizer que o Brasil foi africanizado, afinal a população negra é 56% do total e nossa herança está no idioma, na cultura, religiosidade, nós construímos absolutamente tudo, com nosso suor e trabalho", analisa.

E completa: "Para valorizar, o Estado brasileiro também precisa parar de nos matar. É inaceitável o genocídio da população negra em curso no Brasil, as polícias têm matado e encarcerado cada vez mais pessoas negras. É urgente o Estado brasileiro escrever e por em prática essa redação em toda a federação: valorizar essa herança através da reparação histórica, buscando a igualdade racial, com direito pleno a trabalho, moradia, saúde, educação e soberania alimentar".

Novembro Azul: SBU alerta para aumento de casos de câncer de próstata

Domingo, 3 de novembro de 2024
Doença matou 17 mil homens no Brasil em 2023, média de 47 por dia


© Valter Campanato/Agência Brasil


Vitor Abdala - Repórter da Agência Brasil — Publicado em 03/11/2024 —Rio de Janeiro

Novembro Azul é um movimento que começou em 2003 na Austrália. Todo ano, o mês dedicado à saúde do homem resulta em campanhas em vários países, inclusive no Brasil. Neste ano, a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) alerta para os riscos de crescimento dos casos de câncer de próstata em todo o mundo.

Com base em dados do Ministério da Saúde, a SBU informou que a doença matou 17 mil homens no Brasil em 2023, uma média de 47 por dia. A revista científica internacional Lancet, texto publicado no primeiro semestre, prevê que o número de novos casos de câncer de próstata deve aumentar nos próximos anos.

A comissão de câncer de próstata da respeitada publicação projeta que os casos no mundo devem duplicar até 2040, passando de 1,4 milhão em 2020 para 2,9 milhões em 2040, devido ao aumento de expectativa de vida global. A previsão é que também haja um aumento de 85% do número de mortes (de 375 mil em 2020 para 694 mil em 2040).

Diagnóstico precoce

A SBU destaca que o diagnóstico tardio é um fator que reduz as chances de cura e aumenta a letalidade da doença. Para prevenir a doença e detectá-la em estágio inicial, é importante a realização periódica de exames e consulta com o especialista, destaca a entidade.

Reconhecimento —Lydia Garcia recebe título de Cidadã Honorária de Brasília

Domingo, 4 de novembro de 2024

A educadora foi celebrada por sua contribuição político cultural e ativismo na luta antirracista no DF

  
Cerimônia de entrega do título a Lydia Garcia aconteceu na CLDF nesta sexta-feira (1°) - Foto: Alexandre Bastos

Bianca Feifel
Brasil de Fato | Brasília (DF) 

O legado da educadora, musicista, artesã e ativista Lydia Garcia foi celebrado nesta sexta-feira (1º) na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). A carioca, que vive no DF há mais de 60 anos, recebeu o título de Cidadã Honorária de Brasília, em cerimônia realizada pelo mandato do deputado distrital Fábio Felix (Psol-DF).

“O legado que eu deixo é que nós devemos estar em todos os lugares”, afirmou a homenageada. “Essa cidade, esse Brasil é nosso. Nós negros construímos esse Brasil. Nós mulheres amamentamos esse país”, celebrou.

Lydia Garcia nasceu no Rio de Janeiro, em 1938, filha de uma costureira talentosa e um funcionário público. Aos 7 anos, iniciou os estudos de piano. Anos mais tarde, tornou-se especialista em iniciação musical pelo Conservatório Brasileiro de Música. Chegou em Brasília na década de 60, tendo sido testemunha e protagonista da construção física, social e cultural da cidade.

“Hoje, enaltecemos a pessoa, o nome, o espírito e a trajetória de Dona Lydia Garcia, com o apoio e reconhecimento contínuo da importância do trabalho dessa ilustre cidadã na construção de uma sociedade mais justa, igualitária, sem racismo e nenhuma forma de discriminação. Viva Dona Lydia Garcia!”, enfatizou Fábio Félix ao abrir a cerimônia.

🌅🎶 Pôr do Sol, Sax, Violino e Violão: Uma Experiência Única no Coração do Gama 🎷☀️ Será neste domingo (3/11) a partir das 16 horas


🌅🎶 Pôr do Sol, Sax, Violino e Violão: Uma Experiência Única no Coração do Gama 🎷☀️

Neste domingo, 03/11, às 16h, venha viver uma tarde mágica no Parque Ecológico do Gama! Prepare-se para momentos inesquecíveis na 4ª Feira Cultural do Gama, com muita música e arte ao ar livre! 🌞✨

🎶 Atrações Especiais:

🎷 Joel do Sax, saxofonista argentino

🎻 Maestro Roberto Farias

🎭 Caixa de Mitos – As Caixeiras Cia de Bonecas

sábado, 2 de novembro de 2024

MOBILIDADE URBANA —Sucateamento e privatização: Comissão debate futuro do metrô no DF

Sábado, 2 de novembro de 2024

“O problema do sistema de transporte sobre trilhos no DF é que ele não é encarado como um programa de Estado. Entra governo e sai governo e ninguém encara isso como prioridade”


Diretor da Companhia afirma que obras de expansão do metrô em Samambaia devem começar em janeiro de 2025 - Foto: Tony Oliveira/Agência Brasília

Presidente da Companhia anunciou compra de 15 novos trens, com investimento de R$ 900 milhões

Bianca Feifel
Brasil de Fato | Brasília (DF)

Apesar da promessa de ampliação e modernização, a realidade do metrô em Brasília é de sucateamento e ameaça de privatização. É o que apontaram metroviários e especialistas em reunião técnica da Comissão de Transporte e Mobilidade Urbana (CTMU) realizada na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) nesta quarta-feira (30).

Infraestrutura precária, problemas de operação, trens parados, falta de pessoal e condições ruins de trabalho foram alguns dos aspectos apontados pelo presidente da Comissão, o deputado distrital Max Maciel (Psol-DF), que realizou uma série de visitas técnicas ao metrô nas últimas semanas.

O parlamentar criticou as iniciativas que propõe a concessão do sistema metroviário à iniciativa privada. “O metrô foi um vetor de desenvolvimento do Distrito Federal”, afirmou. Segundo ele, privatizar o sistema seria entregar esse potencial de crescimento na mão de uma empresa.

“Os metrôs que foram privatizados em outros estados não cumprem o combinado, não fazem as benfeitorias. Sucateiam para lucrar até o fim. E se perder pessoal, eles estão garantidos, porque o Estado vai socorrê-los”, avaliou Maciel, citando o exemplo do metrô do Rio de Janeiro, que foi concedido à empresa SuperVia e agora, após uma série de problemas, caminha para ser devolvido ao estado, apesar de ter contrato de concessão até 2048.

Reunião técnica da CTMU foi presidida pelo deputado distrital Max Maciel (Psol-DF) e contou com a participação de metroviários, especialistas e a diretoria do Metrô DF / Foto: Eurico Eduardo/Agência CLDF

A diretoria da Companhia do Metropolitano do Distrito Federal (Metrô DF) também participou do encontro e anunciou um investimento de R$ 900 milhões para a compra de 15 novos trens, além de um “pacote de modernização”.

A promessa, no entanto, foi vista com ceticismo por Tânia, funcionária do Metrô-DF desde 1998. “O que a gente mais escuta aqui nessas mesas são explicações e planejamentos. E pra gente que está lá na ponta, nunca chega a ação. Nós estamos ouvindo há mais de cinco anos uma história de modernização da comunicação e da sinalização do metrô”, relatou durante a reunião.

SUPER RICOS —Saiba quem são os deputados federais do DF que votaram contra a taxação de grandes fortunas

Sábado, 2 de novembro de 2024

Proposta apresentada pelo Psol previa imposto para bens acima de R$ 10 milhões


Deputados federais do DF que votaram contra taxação de grandes fortunas - Foto: Montagem

Redação
Brasil de Fato | Brasília (DF) | Postado originariamente no BdF em 01 de novembro de 2024 às 16:55

Dos oito parlamentares federais que representam o Distrito Federal (DF) na Câmara dos Deputados, apenas Erika Kokay (PT) e Reginaldo Veras (PV) votaram a favor da proposta de instituir o Imposto sobre Grande Fortunas (IGF). A emenda apresentada pelo Psol, que propunha taxar bens acima de R$ 10 milhões, foi rejeitada em votação na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (30), com 262 votos contrários à taxação e 136 favoráveis.

Já os deputados federais Alberto Fraga (PL), Gilvan Maximo (Republicanos), Fred Linhares (Republicanos), Julio Cesar Ribeiro (Republicanos), Rafael Prudente (MDB) e a deputada Bia Kicis (PL) votaram contra a taxação de grandes fortunas.

sexta-feira, 1 de novembro de 2024

Bloco afro Ilê Aiyê completa 50 anos. É "O Mais Belo dos Belos"

Sexta, 1º de novembro de 2024

© Mateus Pereira/Gov-BA

Trajetória foi celebrada na Concha Acústica do Teatro Castro Alves

Madson Euler — Da EBC
Publicado em 01/11/2024 — 20h35

O primeiro bloco afro do Brasil, o Ilê Aiyê, com sede em Salvador, está completando 50 anos.

Embora associado ao carnaval, o início do Ilê Ayê coincide com um momento histórico importante onde o mundo assistiu ao surgimento e fortalecimento de vários movimentos que lutavam e incentivavam a valorização da cultura negra como o Black Power, o movimento dos Direitos Civis americanos, e a independência de vários países africanos.

Criado em 1º de novembro de 1974, no bairro da Liberdade, em Salvador, o bloco que leva as cores preto, amarelo, vermelho e branco, teve seus primeiros desfiles com escolta policial. Os primeiros anos foram de muito preconceito, segundo Antonio Carlos dos Santos Vovô, conhecido como o Vovô do Ilê.

A conexão entre a religião e o Ilê Aiyê também é muito forte, afinal, grande parte da trajetória do bloco se mistura com a de Mãe Hilda e do terreiro Ilê Axé Jitolú, na Ladeira do Curuzu, em Salvador. Por quase duas décadas, o terreiro serviu ao bloco como diretoria, secretaria, salão de costura e recepção de associados.

Regras do Pix mudam a partir desta sexta-feira

Sexta, 1º de novembro de 2024

Operações de mais de R$ 200 dependerão de dispositivos cadastrados

Wellton Máximo - Repórter da Agência Brasil
Publicado em 01/11/2024
Brasília

© Marcello Casal JrAgência Brasil

A partir desta sexta-feira (1º), o Pix terá regras mais rígidas para garantir a segurança das transações e impedir fraudes. Transferências de mais de R$ 200 só poderão ser feitas de um telefone ou de um computador previamente cadastrados pelo cliente da instituição financeira, com limite diário de R$ 1 mil para dispositivos não cadastrados.

O Banco Central (BC) esclarece que a exigência de cadastro valerá apenas para os celulares e computadores que nunca tenham sido usados para fazer Pix. Para os dispositivos atuais, nada mudará.

Além dessa mudança, as instituições financeiras terão de melhorar as tecnologias de segurança. Elas deverão adotar soluções de gerenciamento de fraude capazes de identificar transações Pix atípicas ou incompatíveis com o perfil do cliente, com base nas informações de segurança armazenadas no Banco Central.

Novembro Quilombola: ação coordenada do MPF busca agilizar julgamento de mais de 350 ações envolvendo direitos quilombolas

Sexta, 1º de novembro de 2024

Objetivo é mobilizar procuradores regionais da República e desembargadores para o julgamento de processos em curso nos seis TRFs do país

Arte: Comunicação/MPF
Do MPF
O Ministério Público Federal (MPF) realiza, neste mês de novembro, a ação coordenada Novembro Quilombola, que pretende acelerar o julgamento de ações relacionadas a direitos fundamentais de comunidades quilombolas do Brasil que tramitam em segundo grau de jurisdição. Para isso, fez o levantamento dos casos atualmente em curso nos seis Tribunais Regionais Federais (TRFs) do país, identificando mais de 350 processos pendentes de análise.

As ações abordam questões territoriais, ambientais, previdenciárias, de acesso à saúde, educação e políticas públicas em geral, assim como o respeito à consulta prévia, prevista na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), incorporada à legislação nacional pelo Decreto nº 5.051/2004. A partir do diagnóstico, o esforço visa sensibilizar e mobilizar a Justiça para que os casos sejam incluídos nas pautas de julgamento do mês que celebra o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra (20 de novembro).

STF determina retirada de trechos de obras literárias jurídicas com teor homofóbico e discriminatório

Sexta, 1º de novembro de 2024

Decisão do ministro Flávio Dino considera que partes dos livros violam a dignidade da pessoa humana e propagam ódio contra a comunidade LGBTQIA+.

Foto: Gustavo Moreno/STF

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a retirada de circulação de obras jurídicas com conteúdo homofóbico, preconceituoso e discriminatório direcionado à comunidade LGBTQIAPN+. A decisão permite que as obras jurídicas questionadas no STF podem ser reeditadas e vendidas ao público, desde que retirados os trechos “incompatíveis com a Constituição Federal”.

Na decisão, o ministro ressalta a importância dos direitos constitucionais da liberdade de expressão e de livre manifestação do pensamento, mas afirma que a Constituição também impõe a responsabilização civil, penal, criminal e administrativa em casos de desrespeito à dignidade humana.

Uma interpretação do naufrágio

Sexta, 1º de novembro de 2024

 Uma interpretação do naufrágio

Roberto Amaral*

Apenas 15 mil milionários brasileiros, nonada como estatística mas um mundo em termos de poder, titulares de salários superiores a R$ 8 milhões ao ano pagam o mesmo IRPF cobrado dos milhões de brasileiros que percebem R$ 6 mil anuais, ou seja, um rendimento mensal de R$ 500, muito abaixo, do valor do salário mínimo nacional, que é de R$ 1.412,00. Segundo o IPEA, a alíquota máxima de desconto (14,2%) é atingida pelo grupo que recebe, em média, R$ 450 mil líquidos por ano: “A partir deste patamar, o imposto cobrado é menor entre os que têm ganho médio de mais de um milhão por ano, que é 13,6%”. Assim as duas faixas extremas de renda, a dos muito ricos e a dos muito pobres, são taxadas com a mesma alíquota (Valor, 30/10/24) Esses números, porém, não levam mal-estar moral ou religioso ao que se pode chamar de consciência conservadora da classe dominante. Na última quarta-feira (30/10), por exemplo, a oligárquica Câmara dos Deputados rejeitou, por 262 x 136 votos, emenda apresentada pelo PSOL a um dos projetos da reforma tributária, que taxaria o conjunto de bens que ultrapassasse R$ 10 milhões.

Na caminhada para a terceira década do século XXI e 135 anos passados desde a vitória republicana e a implantação de uma democracia que se pretendia representativa, seguimos ostentando uma das maiores concentrações de renda do mundo. Segundo o Global Wealth Report 2024, o Brasil é o segundo país mais desigual entre os 56 analisados. Salvou-nos do gongo a África do Sul. Ente nós o 1% mais rico detém cerca de 28,3% da renda total do país, colocando-nos entre os líderes globais nesse infame indicador.

Os números põem a nu uma disfunção estrutural que só tende a agravar-se, pois permanecemos imunes aos avanços sociais reclamados. E se depender da aliança das burguesias financeira e agro-primário-exportadora com o atraso larvar, esse capitalismo - pai e mãe da injustiça social - poderá firmar-se como marca da história contemporânea. A base do mando secular da classe dominante, a indicar a vitalidade insuspeitada do Brasil arcaico e retrógrado que se sobrepõe ao país que sonha com a modernidade, o desenvolvimento, a soberania e a democracia social. Um Brasil que, sugerem os números eleitorais deste ano, parece não estar ilhado nos grotões dos “coronéis” analisados por Victor Nunes Leal (Coronelismo, enxada e voto). Uma análise rápida de nosso formação dirá que o cordão umbilical que nos ata ao passado renitente é o exercício da conciliação que, caminhando desde nossas origens coloniais, preside o ofício da política, em todas as suas instâncias.

O Brasil, sociedade estruturalmente dividida em classes, leva a paroxismos a desigualdade social, o império dos interesses do capital sobre a dignidade humana. No entanto, não se registram conflitos ou enfrentamento de classe, senão o avanço das milícias nas periferias de todo o país, e aparentemente as grandes massas (à míngua de nosso discurso) sancionam a política de seus adversários de classe e vida. Na aparência somos, no capitalismo atrasado e dependente, uma sociedade em paz consigo mesma que realizou a comunhão entre oprimidos e opressores: uma especiosa sociedade de ‘uma só classe’, um país de ruas e praças sem multidões, sem povo mobilizado contra o que o oprime. É a nossa jabuticaba. Um pequeno contingente controla o capital e, a partir dele, controla tudo o mais: a economia, a política, os poderes da república, os valores sociais e culturais... E, por consequência, a ideologia da classe dominante se faz também a ideologia dos dominados.

Inclusive em nosso campo.

Com o olhar voltado para a ordem colonizadora, e particularmente para a guerra da Argélia e seus horrores,  escrevia Franz Fanon no final dos anos 50 do século passado: “A fraqueza clássica, quase congênita da consciência nacional dos países subdesenvolvidos não é somente a consequência da mutilação do homem colonizado pelo regime colonial. É também o resultado da presença da burguesia nacional, de sua indigência, da formação profundamente cosmopolita de seu espírito” (Os condenados da terra).

O governo Lula 3, limitado, pela dominância da ordem sobre o progresso, é levado a ceder na busca de um equilíbrio fiscal que pretende se explicar por si mesmo, como um dogma ou preceito de fé, ditado pelo Deus-mercado, o governante real. O dominado adota como sua a ideologia do dominante, e a promessa de um governo de centro-esquerda absorve o catecismo neoliberal, sem olhos para ver seu fracasso, de que nós mesmos somos o melhor exemplo. Dir-se-á que é a vitória das circunstâncias sobre a vontade: nosso governo não é apenas nosso. Ao lado do presidente governa o poderoso Arthur Lira, procurador do Centrão, chefe siciliano de um Congresso reacionário no qual somos uma minoria sem força e muitas vezes carente de ânimo, o que realimenta as fantasias de composição e aliança. No terceiro andar do Palácio do Planalto também têm voz (ainda não fizemos a “revolução”) o grande capital, o agronegócio e o mau humor da caserna. Como fundo, a hostilidade da chamada grande imprensa, porta-voz do atraso.

Não se pode esquecer a influência desse quadro no processo eleitoral lastimado.
Certamente nenhum observador da vida nacional cultivou dúvidas quanto às dificuldades que teria o terceiro mandado de Lula, porque elas foram anunciadas pela erosão das forças progressistas, principalmente a partir dos últimos tempos do primeiro mandato de Dilma, e sua difícil reeleição em 2014. Continuamos cegos e surdos mesmo diante dos idos de 2016 (por lembrar: o golpe-de Estado parlamentar  e o interregno do vice infame) e a emergência do capitão e seu séquito de generais e coronéis irresponsáveis. Posto diante da intentona de janeiro de 2023, quando tínhamos tudo para avançar, o governo, em momento crucial do processo democrático, que pedia sua afirmação política e militar, optou pelo recuo. O que se segue são suas consequências. A sustentação do governo – um meio quando se tem um fim claro à vista – toma o relevo requerido pelas circunstâncias: a ampla aliança que possibilitou a vitória eleitoral, de um lado; mas de outro, o fracasso dos partidos aliados nas eleições proporcionais e, por fim, os números da apertada vitória, anunciadora da derrota nas eleições deste ano, deitando justos temores sobre as eleições proporcionais e majoritárias de 2026. As primeiras projeções dos números eleitorais de hoje sugerem uma Câmara dos Deputados ainda mais reacionária que essa que aí está. 
 
(Na  FSP de 31 deste mês lê-se o seguinte título de matéria estampada em sua página A-2: “Candidato de Lira para sua sucessão recebe apoio do PT de Lula e do PL de Bolsonaro”).

O Congresso acelera a tramitação de Emenda constitucional que visa a possibilitar a anistia para os criminosos do 8 de janeiro de 2023.

O projeto de país é necessariamente adiado. Governo e esquerda permanecem sem programa. Que sociedade queremos, afinal?

Desatento, o campo da esquerda mostra-se surpreso com os números das eleições municipais, e ainda não identificou seu papel no desastre. Tende a ver os números como fenômeno em si, desapartado do processo social. A maioria das formulações se restringe ao registro do óbvio crescimento das direitas, mas retrocede quando se trata de discutir as razões desse avanço, claro pelo menos desde 2018. E se esquece, ainda mais, a esquerda, de que a direita avança sem resistência no território deixado vazio pelo seu recuo.

Recuo amplo, geral e irrestrito, porque se dá nos campos da ação e da organização como resultado do refluxo político-ideológico que se manifesta no abandono das favelas e periferias, no abandono da luta política, no esquecimento de suas teses fundadoras, por fim, no abandono da denúncia do capitalismo e na renúncia ao seu dever de contribuir para a educação das massas. E, no entanto, ensimesmada na vã suposição de que sabe o que é melhor para o povo. Interpretando religiosamente a formulação marxista do “determinismo histórico”, pensa numa revolução que se fará por si mesma: bastaria, para isso, pôr-se “do lado certo da história”, o que quer que isso signifique.

Este é o ponto crucial da análise política que, se corajosa e honesta, pode sugerir uma revisão de procedimentos, e mesmo uma nova leitura da realidade, pondo em xeque algumas certezas e axiomas adotados sem reflexão.

O fato objetivo é que a domesticação e a “moderação” nos governos e na política, ademais de erro crasso severamente punido, não contribuíram para o sucesso eleitoral almejado. É o que nos dizem os números, em sua crueza. No plano político, a derrota é de igual porte, porque, por omissão, fomos também superados no campo de batalha dos valores e do imaginário. O discurso antissistema, deixado por nós ao desalento, foi tomado de nosso campo e monopolizado pela extrema-direita, que assim se habilitou como leito da indignação das grandes massas. Foi assim que elas falaram. O outro lado de nossa inconsistência política é a quase unidade político-ideológica e programática das direitas. A aparente pulverização de suas siglas e a disputa pelo espólio do capitão escondem a unidade política. Como lembra Maria Hermínia, “Minoritária no Brasil, ela [a extrema-direita) não é pequena nem irrelevante e é mais militante e engajada que a direita pragmática (“O lugar e a força da extrema-direita”, FSP).  Fica a questão: de que se alimentam a direita e a extrema-direita para engordarem tão rapidamente?

As eleições de 2022 não são obra do caso.

A esfinge de Tebas, devoradora de homens, põe de lado o desafio das charadas e nos pergunta: por que o capitalismo, que fracassou como solução dos problemas colocados pela civilização, é o grande vitorioso de nosso tempo, e mais vitorioso ainda em países como o Brasil, onde as desgraças desse sistema se expõem o tempo todo, à luz do dia?

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O Parlamento se defende  Na última quarta-feira (30/10) teve seguimento, no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, o processo que visa a cassar o mandato de Glauber Braga (PSOL/RJ); iniciativa farsesca de fio a pavio, a começar pelo nome-fantasia do agrupamento que apresentou a Representação, com a bênção do coronel Arthur Lira. Desta vez, foi firme (e, nalguns momentos, bela) a defesa do parlamentar fluminense – e do próprio instituto do mandato popular – por parte de seus correligionários e não só. Dentre todos, destaco Luiza Erundina. Os balbucios do esbirro da agremiação fascista MBL não surpreenderam: a novidade ficou por conta do desempenho de Alberto Fraga (deputado brasiliense que se orgulha de integrar a “bancada da bala”), o qual, embora arrolado como testemunha de acusação, acabou fornecendo contribuição relevante à defesa.

Restauração política – Em sua boa fase de autocrítica (mas sem absolver-se de seus muitos erros, muitos responsáveis pelo que o país passou a viver a partir de 2016), o STF anulou as penas que pesavam sobre José Dirceu. E ainda há muito a rever, para correção, embora os danos jurídicos, e morais sejam irreparáveis. A notícia muito nos anima, pois pode significar o retorno de Dirceu à linha de frente da política, pobre de quadros como ele. Espero que assim também pense a direção de seu partido.

Mais um adeus - Arthur Moreira Lima, o amigo admirado que parte, não era apenas um exímio e mágico pianista, executante virtuoso de Chopin e Tchaikovski (suas paixões), Brahms e o nosso Villa-Lobos. Deve-se a ele a desmistificação da música clássica levando-a, em suas caravanas (algo como 500), aos rincões mais desprezados pela cultura oficial. A última vez que o vi  foi numa manhã ensolarada de São Sebastião (GO), na carroceria de um caminhão na qual montara seu piano de calda para correr o Brasil levando a música erudita a um público que a ela não tinha acesso. Harmonizou  o clássico com o melhor de nossa música, e fez-se intérprete de Ernesto Nazaré e Chiquinha Gonzaga e enriqueceu o velho chorinho, de que se fez intérprete magnifico. Mas pretendo ressaltar seu compromisso político. Quem não se lembra do Arthur abrindo os comícios da inesquecível campanha pelas Diretas-já, executando o Hino Nacional, e nos emocionando?
 
 
 
*Com a colaboração de Pedro Amaral

Devastação —'Demonstração de força dos ruralistas': Mato Grosso aprova lei que pune empresas de pacto antidesmatamento

Sexta, 1º de novembro de 2024

Sancionada pelo governador do estado, Mauro Mendes, norma corta benefícios de signatárias da Moratória da Soja

Carolina Bataier
Brasil de Fato | São Paulo (SP) | 01 de novembro de 2024

Favorável ao meio ambiente, o pacto não prejudicou a expansão da soja no Brasil - Ministério da Agricultura

No dia 24 de outubro, o governador do Mato Grosso, Mauro Mendes (UB), sancionou a lei 12.709, que restringe a concessão de benefícios fiscais a empresas que aderirem à Moratória da Soja no estado. A assinatura foi celebrada pela Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), que, em articulação com o poder público, teve papel decisivo na proposta.

"Agora temos certeza de que além da justiça aos produtores, isso também movimentará ainda mais e ajudará no crescimento da economia do Estado do Mato Grosso", celebrou Lucas Beber, presidente da Aprosoja MT, em vídeo publicado em seu perfil no Instagram. No vídeo, que também foi publicado no perfil da associação, Beber agradece a prefeitos, vereadores e até Tribunal de Contas do estado por participarem da articulação pela aprovação da lei antiambiental.

Na avaliação da diretora-executiva do Instituto Centro de Vida (ICV), Alice Thuault, a aprovação da norma é uma demonstração de força dos ruralistas. "Foi o governador que sancionou, mas, no final, ele é a mão capturada pelo setor privado de alguma coisa que foi preparada, que foi uma estratégia", avalia.

A Moratória da Soja é um pacto firmado em 2006 entre empresas que se comprometem a não comprar o produto de fazendas com lavouras em áreas abertas após 22 de julho de 2008 na Amazônia. De acordo com Cristiane Mazzetti, porta-voz do Greenpeace no Brasil, a iniciativa teve origem na pressão do mercado europeu, grande consumidor da soja brasileira.

Remoções de ofício —Sindicato denuncia remoção forçada de servidores dos Centros de Convivência

Sexta, 1º de novembro de 2024


Ato público realizado no prédio da Sedes-DF nesta quinta-feira (31) - Foto: Rafaela Ferreira/Brasil de Fato DF

Educadores e educadoras estão sendo retirados dos Cecons para trabalharem nos restaurantes comunitários

Rafaela Ferreira
Brasil de Fato | Brasília (DF) | postado originariamente no BdF Brasília em 31 de outubro de 2024 às 16h59

Servidores da assistência social estão sendo removidos de ofício de forma forçada pela Secretaria de Desenvolvimento Social do Distrito Federal (Sedes-DF), denuncia o Sindicato dos Servidores da Assistência Social e Cultural do Governo do DF (Sindsasc). Segundo a entidade, educadores e educadoras dos Centros de Convivência (Cecon) estão sendo retirados de suas funções para trabalharem nos Restaurantes Comunitários.

“A Secretaria está removendo de ofício, quer dizer, forçando servidores a saírem dos Cecon para trabalhar em Restaurante Comunitário para gestão de contrato. Essa não é a atribuição principal de um educador social. A principal função de um educador social é exatamente trabalhar no serviço de convivência e fortalecimento de vínculo no Cecon, Centros de Referência Especializado em Assistência Social (Creas) ou mesmo unidades de alta complexidade”, explica Clayton Avelar, presidente do Sindsasc.

Atualmente, o Distrito Federal possui 16 unidades de Centros de Convivência nas regiões administrativas. Os centros públicos de assistência social se destinam ao atendimento de famílias e indivíduos em situação de vulnerabilidade e risco social, por meio do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV), serviço da Política de Assistência Social do Sistema Único de Assistência Social (SUAS).