Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)

segunda-feira, 23 de março de 2026

Ensino Superior —Tribunal de Contas investiga governo de Ibaneis por retenção ilegal de R$ 219 milhões da universidade do DF


Segunda, 23 de março de 026

Ensino Superior
Tribunal de Contas investiga governo de Ibaneis por retenção ilegal de R$ 219 milhões da universidade do DF

Falta de repasses ao fundo da universidade motiva investigação por possível asfixia orçamentária

Brasil de Fato — Brasília (DF)

Legenda (final, mais forte): Precariedade em campus da UnDF e protestos estudantis evidenciam impacto da falta de recursos investigada pelo TCDF. | Crédito: Divulgação/UnDF

O Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) admitiu, nesta quinta-feira(19), uma representação que denuncia o descumprimento, por parte do Governo do Distrito Federal (GDF), dos repasses financeiros obrigatórios ao Fundo da Universidade do Distrito Federal (FUNDF).

De acordo com o documento protocolado pelo deputado distrital Gabriel Magno (PT-DF), o governo Ibaneis Rocha (MDB) deixou de transferir R$ 219.281.957,00 entre 2022 e 2025, o que teria comprometido a estruturação da universidade recém-criada.

A denúncia aponta que, enquanto o governo apresenta a Universidade do Distrito Federal Jorge Amaury Maia Nunes (UnDF) como vitrine institucional, a execução financeira do fundo no período foi de apenas 3,62%. Na prática, dos recursos destinados a obras, laboratórios e pesquisas, cerca de R$ 7,4 milhões foram efetivamente pagos.

Ciências indígenas contra desinformação climática

Segunda, 23 de março de 2026







Ciências indígenas contra desinformação climática

Fortalecimento da Lei 11.645, de 2008, fornece subsídios para construção de rotas de fuga da crise climática

Luma Ribeiro Prado - Educadora e pesquisadora no ISA

Rosenilda Luciano - Do povo Sateré-Mawé, integrante do FNEEI e da ANMIGA


Conhecimento tradicional
Patrimônio
Política e Direito
Políticas públicas

*Artigo originalmente publicado no Mídia Ninja, no dia 17/03/2006

Em um cenário de emergência climática e disputa de narrativas acirrada pela polarização política e fundamentalismo religioso, a escola – lugar estratégico na formação de novas gerações – tem sido palco de desinformação sobre o tema, como apontou a agência Aos Fatos.

Integrantes da Fneei pedem o reconhecimento das histórias, saberes e territórios indígenas nos currículos escolares, durante o ATL 2025 📷 Oziel Ticuna/FNEEI

De um lado, a organização De Olho no Material Escolar (DONME) que, desde 2021, tem unido esforços para interferir na representação do agronegócio nos materiais didáticos, exercendo pressão sobre as principais editoras do Brasil para construir uma imagem ainda mais positiva do “agro”.

Assim, o lobby do DONME opera para a continuidade de um modo de vida no planeta que contribui para a situação de crise que vivemos: omitindo danos deste grupo econômico, como o desmatamento e as queimadas.

Do outro lado, o movimento indígena e socioambientalista, desde a década de 1970, vem trabalhando por uma educação que reconheça as ciências indígenas na promoção de práticas sustentáveis alinhadas à preservação do ecossistema e da biodiversidade, e represente a sociodiversidade brasileira de forma justa.

Uma conquista é a Lei 11.645/2008, que há 18 anos tornou obrigatório o ensino de histórias e culturas indígenas e afro-brasileiras em todas as escolas do país. Medida de reparação histórica, justiça curricular e que está em consonância com a urgência ambiental do século XXI, a Lei, no entanto, tem tido baixa implementação, como demonstrou o Diagnóstico Equidade, do Ministério da Educação.

domingo, 22 de março de 2026

Cerco econômico —Cuba não vive crise, vive ‘estado de guerra’, diz embaixador no Brasil

 Domingo, 22 de março de 2026

Cerco econômico Cuba não vive crise, vive ‘estado de guerra’, diz embaixador no Brasil

Victor Cairo rebate declaração de Trump, revela três meses sem combustível e pede apoio material a aliados

Brasil de Fato — Brasília (DF)
Camila Araujo

Embaixador cubano no Brasil, Victor Cairo, em aula inaugural na UnB | Crédito: Camila Araújo/BdF DF

Cuba completa três meses sem receber combustível, enfrenta a mais severa ofensiva dos Estados Unidos em 50 anos e vive uma situação de “guerra”, não de crise. O alerta é do novo embaixador cubano no Brasil, Victor Cairo, em aula inaugural na Universidade de Brasília (UnB) nesta terça-feira (17).

“Vivemos 60 anos de cerco econômico; agora vivemos uma guerra”, afirmou o diplomata durante a abertura do curso Processos históricos de Cuba e Contexto atual, promovido pelo Núcleo de Estudos sobre Cuba (Nescuba).

Atuando há menos de um mês no Brasil, após exercer a função diplomática no Panamá desde 2022, Cairo rebateu diretamente a declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que a ilha seria um “estado falido”.

“Cuba é um estado em guerra, não um estado falido”, declarou. Em recente fala, Trump chegou a dizer que tem o direito de fazer “qualquer coisa” com Cuba, ameaçando tomar o controle do território.

Segundo o embaixador, os Estados Unidos tentam, “pela primeira vez em 50 anos, agredir Cuba pela via armada”. O instrumento principal seria o que chamou de “cerco econômico, comercial e energético”, intensificado desde o final de 2025 com a promessa de sanções a países que vendam petróleo à ilha socialista.

“O cerco econômico, comercial e energético nos obriga a pensar que existe uma intenção do presidente dos EUA [Trump] e do secretário de Estado [Marco Rubio] hoje em sufocar e assassinar Cuba de fome, miséria e ruptura da vida, e crise humanitária”, denunciou.

A situação energética é particularmente grave no país caribenho. Com cerca de 80% da energia gerada por termelétricas alimentadas por combustíveis, a nova medida do governo Trump reduziu drasticamente a possibilidade de compra de petróleo no mercado global.

O quadro foi agravado pelo bloqueio naval dos EUA à Venezuela, implementado a partir do final de 2025. A Venezuela, aliada histórica de Cuba, era responsável por suprir grande parte da demanda energética da ilha em condições preferenciais. O bloqueio tornou-se, assim, um golpe direto na já fragilizada matriz energética cubana.

Abertura do curso "Processos históricos de Cuba e Contexto atual", promovido Nescuba
Abertura do curso “Processos históricos de Cuba e Contexto atual”, promovido Nescuba | Crédito: Camila Araujo/BdF DF

‘Catástrofe humanitária’

Segundo o embaixador, a falta de combustíveis não é um problema setorial, mas uma catástrofe humanitária em curso. “Impacta a saúde, a educação, o transporte de alimentos, a cadeia de distribuição de medicamentos e o turismo, diminuindo a quantidade de aviões que podem chegar ao país”, enumerou.

Ao descrever o cotidiano dos cubanos, Cairo falou em hospitais que reduzem operações, em transporte público parado, em cadeias de distribuição de medicamentos rompidas. “Lutamos e trabalhamos com o mínimo recurso e temos que reduzir o transporte público, as horas de trabalho, as operações nos hospitais, tendo que parar o processo de produção”, revelou.

Como consequência direta da pressão norte-americana, os governos de Honduras e da Jamaica encerraram acordos de décadas que permitiam a atuação de brigadas médicas cubanas em seus territórios.

O Brasil tem um papel estratégico neste momento. “Se o Brasil joga forte, Cuba não estará sozinha”, declarou o embaixador, reconhecendo a posição do presidente Lula em defesa da soberania cubana e as doações brasileiras de medicamentos e alimentos, com a expectativa de uma nova remessa com soja, feijão e arroz. Cairo, no entanto, descreveu o limite da ajuda: o governo brasileiro não envia combustível à ilha, temendo os efeitos das sanções.

Solidariedade

O evento reuniu solidariedade internacional e vozes de diferentes gerações em defesa da soberania cubana.

A professora e fundadora do Nescuba, Maria Auxiliadora César, que visita Cuba desde 1994, trouxe a perspectiva histórica. Ela contou que nunca viu o país em uma situação tão preocupante como a de agora.

“Estive em Cuba na década de 1980, estive no período especial. Cuba conseguiu sobreviver porque, mesmo sendo um período muito difícil, a solidariedade cotidiana é algo maravilhoso. Agora, Cuba depende de uma batalha de ideias e uma batalha material. Cuba necessita muito mais.”

Professora e fundadora do Nescuba, Maria Auxiliadora César
Professora e fundadora do Nescuba, Maria Auxiliadora César | Crédito: Camila Araujo/BdF DF

Na mesma linha, o representante da embaixada do Irã no Brasil, Ali Mir, prestou solidariedade ao povo cubano e reagiu a uma fala do embaixador. “Se a única coisa que resta para os Estados Unidos é o poder militar, acho que o Irã vai acabar com isso também”, disse, seguido de aplausos.

O venezuelano Freddy Meregote, que protagonizou uma resistência contra a tentativa de invasão à embaixada da Venezuela em novembro de 2019, afirmou: “Temos que fazer esforço, os povos do mundo, para retirar o bloqueio contra Cuba.”

Já a jovem Yara Flor, estudante do ensino médio, de 17 anos, representou a voz da nova geração. Ela afirmou que “é uma barbaridade e uma coisa terrorista que os Estados Unidos fazem em Cuba” e que é preciso “conscientizar as pessoas nas universidades e escolas, já que muitas pessoas não sabem o que está acontecendo”.

Flotilha Nossa América

Uma campanha de solidariedade tem mobilizado parlamentares, dirigentes sindicais e representantes estudantis brasileiros que participam de uma caravana internacional de solidariedade a Cuba. O grupo pretende levar mais de 20 toneladas de produtos para ajuda humanitária ao país caribenho.

Flotilha Nossa América está marcada para partir no sábado (21), por via marítima, aérea e terrestre.

No sábado, 21 de março, mais de 20 toneladas de alimentos, medicamentos e insumos deixarão o Brasil em direção a Havana. A Flotilha Nossa América não leva apenas ajuda humanitária. Leva, nas palavras da professora Maria Auxiliadora, “a certeza de que a solidariedade cotidiana ainda é capaz de furar bloqueios”.


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Editado por: Flavia Quirino


Cerco econômico —Cuba não vive crise, vive ‘estado de guerra’, diz embaixador no Brasil

Domingo, 22 de março de 2026

Cerco econômico Cuba não vive crise, vive ‘estado de guerra’, diz embaixador no Brasil

Victor Cairo rebate declaração de Trump, revela três meses sem combustível e pede apoio material a aliados

Brasil de Fato — Brasília (DF)
Camila Araujo

Embaixador cubano no Brasil, Victor Cairo, em aula inaugural na UnB | Crédito: Camila Araújo/BdF DF

Cuba completa três meses sem receber combustível, enfrenta a mais severa ofensiva dos Estados Unidos em 50 anos e vive uma situação de “guerra”, não de crise. O alerta é do novo embaixador cubano no Brasil, Victor Cairo, em aula inaugural na Universidade de Brasília (UnB) nesta terça-feira (17).

“Vivemos 60 anos de cerco econômico; agora vivemos uma guerra”, afirmou o diplomata durante a abertura do curso Processos históricos de Cuba e Contexto atual, promovido pelo Núcleo de Estudos sobre Cuba (Nescuba).

Atuando há menos de um mês no Brasil, após exercer a função diplomática no Panamá desde 2022, Cairo rebateu diretamente a declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que a ilha seria um “estado falido”.

“Cuba é um estado em guerra, não um estado falido”, declarou. Em recente fala, Trump chegou a dizer que tem o direito de fazer “qualquer coisa” com Cuba, ameaçando tomar o controle do território.

Segundo o embaixador, os Estados Unidos tentam, “pela primeira vez em 50 anos, agredir Cuba pela via armada”. O instrumento principal seria o que chamou de “cerco econômico, comercial e energético”, intensificado desde o final de 2025 com a promessa de sanções a países que vendam petróleo à ilha socialista.

sábado, 21 de março de 2026

Guerra impõe nacionalização da distribuição de combustíveis em nome do interesse público

Sábado, 21 de março de 2026

Do Pátria Latina
César Fonseca

A guerra está comprovando que a privatização da distribuição dos derivados do petróleo – gasolina e óleo diesel – foi erro estratégico, que prejudica a população, praticado pelos governos neoliberais Temer e Bolsonaro, vendilhões da pátria.

O presidente Lula, em nome do interesse público, tomou a decisão correta, nesta quinta-feira,12, de reduzir impostos sobre importação de combustíveis para evitar especulação dos preços em decorrência da guerra, como já ocorre em diversos pontos do território nacional.

Na ausência da distribuição estatal, que foi criminosamente privatizada pelos adeptos do neoliberalismo, adversários do consumidor, a saída lulista de emergência evita prejuízo maior para o poder de compra dos assalariados.

Ao mesmo tempo, ensina, didaticamente, que o mercado não se autorregula sem o controle do Estado na oferta do produto, como ocorria antes da privatização, evidenciando que se trata de pura fantasia esperar equilíbrio dos preços, quando o setor privado exerce a distribuição de forma monopolizada, especialmente, em tempo de guerra.

Em vez de defender o bolso do público, afetado pela guerra, os especuladores multiplicam os lucros privados, acelerando inflação, arrocho salarial, concentração de renda e desigualdade social.

REESTATIZAÇÃO JÁ

A BR Distribuidora, como empresa pública, exercia função essencial: defender o interesse público diante de situações críticas, como ocorre no momento: equilibrava os preços  para evitar especulação e desorganização do mercado.

Nesses momentos, os consumidores são os maiores prejudicados, porque não têm quem os defenda da sanha especuladora que desperta como oportunidade única do setor privado para aumentar os preços na distribuição, de forma oligopolizada.

Não há, nessa hora, autorregulação do mercado, mas, simplesmente, anarquia e corrida para ganhar mais no prazo mais curto possível.

Pior: quando terminar a guerra, estará dada outra situação conjuntural, diante da qual o governo, desarmado, não terá força para revertê-la sob pressão dos neoliberais.

FUNÇÃO REGULADORA DO ESTADO

Conviviam, no Brasil, antes da privatização total da distribuição, monopólios público e privado para a distribuição do produto em todo o território nacional continental, impossível de ser fiscalizado e controlado sem a ação estatal.

O controle público da oferta era exercido pela Petrobrás, com sua famosa marca, Distribuidora BR, enquanto o privado era formado por empresas privadas nacionais e mistas, ou seja, capital nacional associado ao capital estrangeiro, presente, no Brasil, desde os anos de 1920.

O monopólio estatal, quando estabelecido com a criação da Petrobrás, na Era Vargas, mudou, qualitativamente, a situação em favor do interesse nacional: exercia a extração do produto, que servia para proteger os consumidores, quando havia especulação.

O governo, ou segurava os preços ou baixava os mesmos, quando necessário, de modo a evitar acumulação de lucros exagerados pelos capitalistas, como monopólio privado.

O consumidor ficava, relativamente, protegido, porque detinha o poder da escolha.

Se o preço do monopólio privado subisse, desequilibrando o poder de compra do consumidor, este tinha a opção, com a existência da BR Distribuidora estatal, de escolher o preço mais barato ofertado pelo distribuidor estatal.

Essa situação de equilíbrio foi criada, principalmente, depois das crises do petróleo nos anos 1970.

Os governos militares estatizaram a distribuição, por meio da BR Distribuidora, ao lado das concorrentes privadas, que já existiam desde antes da criação da Petrobras.

Dessa forma, o mercado era controlado quanto à oferta e demanda do produto, graças ao controlador/regulador Estado.

ANTIREVOLUÇÃO NEOLIBERAL

Os neoliberais no poder, a partir de 2016, quando, com apoio dos Estados Unidos, derrubaram o governo nacionalista de Dilma Rousseff, mudaram essa situação, e tudo se tornou instável com a mudança das regras do jogo.

Começou com a alteração no princípio básico de que a formação de preços deveria se basear nos fatores internos de produção para a composição dos custos.

O Brasil, especialmente, com os investimentos estatais realizados pelo Governo Geisel, tornara-se autossuficiente na extração, produção, refinação e distribuição do produto.

Portanto, o governo nacionalista ficara livre para formar os preços do produto a partir das vantagens comparativas internas, que lhe garantia supremacia diante dos concorrentes.

O Brasil, dispondo da capacidade de produção e consumo, alcançadas por políticas nacionalistas, que se iniciaram na Era Vargas, conquistou soberania nacional – do poço ao posto.

ENTREGUISMO NACIONALISTA

No poder, os neoliberais antinacionalistas entregaram o ouro aos bandidos.

Começaram por vender, na bacia das almas, a Distribuidora BR, enquanto facilitou as importações de derivados, ao mesmo tempo em que estabeleceram prioridade para exportação de petróleo cru, reduzindo, drasticamente, o refino, já que partiram, também, para privatização de refinarias.

Só ficou no mercado distribuidoras privadas, com direito a importar e refinar, o que prejudicou a política de investimento da Petrobrás, para favorecer, sobretudo, distribuição de dividendos.

Aí já viu, né!

Somente Papai Noel acredita na lenda de que existe o livre mercado, que ele é autorregulado pela concorrência.

Fantasia neoliberal.

Os preços dispararam – e, igualmente, a inflação, enquanto os salários caíram – com os capitalistas privados em regime de monopólio tomando conta do galinheiro como verdadeiras raposas rapinando consumidores.

CONSUMIDOR GANHA EM REAL, MAS PAGA EM DÓLAR

Para piorar a situação, a Petrobras, dominada pelo pensamento neoliberal, antinacionalista, mudou a regra segundo a qual a formação dos preços deveria basear-se nas vantagens comparativas internas, substituindo-a pela regra alternativa antinacional: os preços passariam a ser formados pela média da cotação internacional baseada em dólar.

Os consumidores deixaram de pagar o preço dos derivados em reais para pagarem em dólares, conforme a regra antinacionalista fixada pela Paridade de Preços de Importação (PPI)

Enterraram a moeda nacional em favor da moeda estrangeira mais valorizada.

Crime neoliberal de lesa pátria.

O presidente Lula, ao vencer eleições em 2022, mudaria essa regra criminosa, restabelecendo poder da Petrobrás de formar preços a partir das vantagens comparativas dadas pelo petróleo nacionalizado, embora a distribuição dele tenha deixado de ser controlada pela BR Distribuidora, privatizada pelos neoliberais.

HORA DE MUDAR A REGRA ANTINACIONAL

A guerra cria novas circunstâncias, e, diante delas, faz-se necessário alterar as regras, impostas de fora para dentro, à revelia do governo que se pretende nacionalista, removendo práticas neoliberais antipopulares.

A decisão do presidente Lula de proteger o consumidor dos efeitos das regras imperialistas impostas pelo governo Trump, dos Estados Unidos, que passou a desrespeitar todas as regras internacionais, afirmando-se como verdadeiro fascista, coloca em discussão a necessidade de proteção do consumidor, por meio da reestatização da distribuição.

Por que Trump pode desrespeitar as regras e os demais países são obrigados a aceitar esse status quo imperialista?

Não basta a Petrobrás, apenas, produzir, por meio de regras fixadas pelo Estado.

Trata-se, também, de colocar o domínio estatal, novamente, no campo da distribuição, para evitar a farra privada do boi, que se aproveita da guerra para cobrar preços extorsivos do consumidor, totalmente, desprotegido.

Faz-se necessário priorizar o interesse público, limitando o interesse privado.

Se não tivesse havido a privatização da distribuição, o governo controlaria a distribuição pela BR Distribuidora estatal, como acontecia antes, quando emergia crises de oferta, sem precisar diminuir impostos de importação.

O interesse privado, no contexto da guerra, eleva a inflação, incontrolavelmente, justificando, em nome do interesse público, a intervenção estatal, URGENTE.

Como inexiste a saída da distribuição estatal, sob domínio da distribuição privada, a saída opcional de redução de impostos, apenas, sangra as finanças públicas, contribuindo, decisivamente, para aumentar déficits orçamentários, que justificam, aos olhos dos neoliberais, aumento dos juros para evitar aumento da inflação.

Trata-se de alternativa inconveniente, pois, com mais inflação, aumenta o arrocho salarial, a concentração de renda nas mãos dos especuladores e a ampliação da desigualdade social, inviabilizando industrialização e desenvolvimento econômico sustentável.


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Este artigo foi postado no Pátria Latina no dia 15 de março de 2026.

Júri no Distrito Federal condena acusado de matar própria mãe a 45 anos de prisão

Sábado, 21 de março de 2026

Imagem ilustrativa

Do TJDFT

O Tribunal do Júri de Águas Claras condenou Lauro Estevão Vaz Curvo a 45 anos de reclusão, em regime inicial fechado, pelos crimes de homicídio qualificado contra sua mãe, de 94 anos, e fraude processual. 

Os jurados reconheceram quatro qualificadoras no homicídio — motivo torpe (ter perdido acesso aos rendimentos da vitima)meio cruel (uso de fogo)recurso que dificultou a defesa da vítima, tendo em vista as limitações físicas e de idade, e feminicídio — além da causa de aumento prevista quando o crime é praticado contra ascendente e quando a vítima é maior de 60 anos

Segundo a denúncia, o  réu teria provocado a morte da própria mãe por asfixia e ateado fogo no local, aproveitando-se das limitações físicas da vítima, que possuía mobilidade extremamente reduzida.

GUERRA É GUERRA? PETRÓLEO, PODER, AMBIÇÃO? OU CABE NEGOCIAÇÃO?

Sábado, 21 de março de 2026

GUERRA É GUERRA? PETRÓLEO, PODER, AMBIÇÃO? OU CABE NEGOCIAÇÃO?


Pedro Augusto Pinho*


As guerras de hoje não são as de ontem, certamente não serão as de amanhã. Mas há motivos que, por incrível que pareçam, permanecem; demonstrando que os estágios civilizatórios em que se encontram os países são bem distintos.

No entanto, estes diferentes estágios civilizatórios estão muito mais voltados para as governanças internas do que para as relações internacionais.

É uma situação complexa, que ultrapassa as melhores análises dos comentaristas das mídias, o que acaba por levar a torcidas, como se fosse um jogo em disputa, muito diferente das reações à fria análise dos fatos.

A mais contundente demonstração está nos bolsonaristas desfilando com bandeiras de Israel. Será que algum, um só, um único dos participantes da passeata, saberia nos explicar a razão de portar a bandeira do Estado de Israel numa manifestação política partidária brasileira na Avenida Paulista, na capital do Estado de São Paulo?

O Estado de Israel é um estado belicoso. Desde sua criação, em 14 de maio de 1948, está em guerra contra os vizinhos. É claro que ele trouxe um desconforto ou desalento para os habitantes da Palestina, que certamente almejavam sua independência do Reino Unido, que lá exercia o governo como mandatário da Liga das Nações.

sexta-feira, 20 de março de 2026

O Brasil deseja a paz, mas está despreparado para a guerra

Sexta, 20 de março de 2026

O Brasil deseja a paz, mas está despreparado para a guerra
                  
“Não podemos confiar no fato de que, por sermos um país pacífico ninguém vai nos atacar” - Celso Amorim (Carta Capital, 19/02/2026)

Roberto Amaral* 

Maior país da América do Sul, com território de 8.510 km², partilhando fronteira com dez países, quinta maior população do mundo (215 milhões de habitantes), 80% urbana, 50% metropolitana, uma costa de 7.401 km (8.500 km se considerarmos as baías e suas reentrâncias), décima economia do planeta, o Brasil é, no entanto, incapaz de se proteger da cobiça internacional. 

Em um mundo em guerra, apresenta-se indefeso, apesar de sua posição estratégica no hemisfério. Indefeso quando é a maior costa do Atlântico Sul, largo corredor de rotas comerciais que levam  ao continente africano. Somos país e território militarmente indefeso, apesar de sermos um dos maiores produtores de alimentos de um mundo que conhece a fome. Ainda indefeso apesar da posse de recursos minerais estratégicos, entre os quais a segunda ou terceira reserva mundial de terras raras, cobiçada por todas as potências guerreiras, a começar, evidentemente, pelos EUA. Chama-se “terras raras” o conjunto de 17 elementos químicos, base de toda a moderna tecnologia, inclusive militar; delas carecem desde reatores de submarinos nucleares a baterias para veículos elétricos. 

Nosso país é indefeso porque ignora seu destino: sem projeto de ser, sem projeto de nação, sem projeto de país — o trágico mal de origem.

Em nome do Pai, do Filho e do Anarcocapitalismo


Sexta, 20 de março de 2026

Em nome do Pai, do Filho e do Anarcocapitalismo

História de uma conversão oportunista. Discurso político das big techs afasta-se da “eficiência” e “modernidade”, e busca amparo na… religião! Meta: evitar o controle público da internet – mesmo que seja preciso brandir o fantasma do Anticristo

OUTRASPALAVRAS                        Tecnologia em Disputa


Peter Thiel, bilionário do Vale do Silício, cofundador do PayPal e da Palantir. Registro na Conferência Bitcoin, em 7 de abril de 2022, em Miami Beach, Flórida. — Foto: AP Photo/Rebecca Blackwell

Desde alguns anos venho acompanhando com atenção a trajetória de Peter Thiel e o papel crescente de empresas como a Palantir na transformação do poder tecnológico contemporâneo. Ao longo desse período, procurei observar como a expansão das plataformas digitais, da inteligência artificial e da análise massiva de dados passou a se entrelaçar cada vez mais com estruturas de segurança, inteligência e disputa geopolítica. O que se observa agora, no entanto, parece marcar um novo momento. A linguagem, os temas e o ambiente político em torno dessas figuras indicam que algo mudou de escala. É justamente essa mudança que torna o debate atual particularmente preocupante.

Quando a elite tecnológica começa a falar em apocalipse

Em março de 2026, enquanto governos discutem regulação da inteligência artificial, riscos nucleares e colapso climático em fóruns multilaterais, um dos homens mais influentes do capitalismo tecnológico contemporâneo reúne discretamente intelectuais, investidores e líderes religiosos para discutir outro tema: o Anticristo. Não se trata de uma conferência aberta nem de um debate acadêmico convencional. Os encontros organizados em torno de Peter Thiel ocorrem a portas fechadas e são destinados a um público cuidadosamente selecionado entre elites tecnológicas, acadêmicas e religiosas. O tema central dessas conversas não é apenas teológico. É político. A hipótese discutida é a de que o maior perigo para a civilização contemporânea poderia surgir sob a forma de um governo mundial legitimado pela promessa de impedir catástrofes globais.

quinta-feira, 19 de março de 2026

Oficina de Retalhos Culturais, Ponto e Prosa. Dias 21 e 28 de março no Instituto Voar no Gama

Quinta, 19 de março de 2026


Gente, nos próximos dois sábados vai rolar a oficina
Retalhos Culturais: Ponto e Prosa 🎭

A proposta é bem especial: vamos misturar cultura, memória e prática pra criar indumentárias a partir de retalhos, técnicas manuais e muita troca de saberes 💛

Também vamos conectar tudo isso com o universo do teatro de bonecos…Pensando figurino, criação e identidade.

É um espaço pra quem gosta de criar com as mãos, experimentar e se conectar com a cultura popular.

quarta-feira, 18 de março de 2026

A crise Trump, segundo Varoufakis

Quarta 18 de março de 2026

A crise Trump, segundo Varoufakis


Serão atingidos, além do petróleo e gás, os centros financeiros, portos, aeroportos e a logística global do Golfo. O futuro está em aberto, e vem aí uma grande disputa política. As corporações jogarão a conta para as sociedades. Elas aceitarão pagar?


OUTRASPALAVRAS                   Geopolítica & Guerra

Publicado em 18/03/2026



Yanis Varoufakis, entrevistado por Chris Hedges | Tradução: Antonio Martins[1]

Quanto mais tempo a guerra com o Irã se prolonga, mais a economia global entra em crise. Os iranianos bloquearam o Estreito de Ormuz, por onde transita 20% do suprimento energético mundial. 40% do petróleo importado pela China passa pelo Estreito. O petróleo bruto está agora acima de US$ 100 por barril, um aumento de 45% desde o início da guerra e continua subindo. Os preços da gasolina nos EUA subiram mais de 65 centavos de dólar por galão de querosene de aviação, e o diesel teve um aumento de 25%. Em algumas partes da Ásia, incluindo Tailândia, Paquistão e Bangladesh, já há escassez e longas filas em postos de gasolina. Repartições públicas nas Filipinas adotaram a semana de trabalho de quatro dias. O governo de Mianmar impôs dias alternados para dirigir.

O Japão, que depende do Oriente Médio para 90% do seu abastecimento de petróleo, está usando um recorde de 80 milhões de barris de petróleo desuas reservas, o equivalente a cerca de 45 dias de suprimento. A Índia, embora autorizada pelo governo Trump a comprar petróleo russo anteriormente sancionado, será particularmente afetada. Já sofre com uma grave escassez de gás natural liquefeito. Cerca de 84% do petróleo bruto e 83% do gás natural liquefeito que passam pelo Estreito de Ormuz têm como destino a Ásia. O fertilizante nitrogenado, que custava entre US$ 460 e US$ 480 por tonelada antes do início da guerra, subiu para US$ 520 a US$ 620.

Isso significa aumentos expressivos nos preços dos alimentos. E, uma vez esgotadas as reservas estratégicas de petróleo, o preço do barril pode facilmente subir para US$ 200 a US$ 300, desencadeando uma inflação devastadora e uma depressão global. As economias globais entrarão em colapso neste momento, desencadeando uma onda de agitação civil. Para agravar essa crise, duas potências nucleares estão em guerra: os Estados Unidos, com cerca de 5.000 ogivas nucleares, e Israel, com cerca de 300.

CORRUPÇÃO —Por unanimidade, STF condena deputados do PL por desvio de emendas parlamentares

Quarta, 18 de março de 2026

CORRUPÇÃO —Por unanimidade, STF condena deputados do PL por desvio de emendas parlamentares

Penas variam de 5 a 6 anos de reclusão em regime semiaberto e multa; parlamentares ficam inelegíveis

Brasil de Fato — Brasília (DF)
BRASÍLIA (DF)

Ministro Cristiano Zanin, relator da Ação Penal 2670. | Crédito: Rosinei Coutinho/STF

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou por unanimidade dois deputados e um ex-deputado do Partido Liberal (PL) por desvios de recursos públicos de emendas parlamentares. O julgamento foi concluído nesta terça-feira (17), com os votos dos quatro ministros do colegiado.

Oito pessoas eram réus nesse processo, entre eles, os parlamentares Josimar Maranhãozinho (MA) e Pastor Gil (MA), além do ex-deputado Bosco Costa (SE). Também respondem à ação penal, João Batista Magalhães, Adones Gomes Martins, Abraão Nunes Martins Neto e Antônio José Silva Rocha. Todos eles foram condenados pelo crime de corrupção passiva. Já o réu Thalles Andrade Costa, filho de Bosco Costa, foi absolvido.

Maranhãozinho recebeu a maior punição, por ter sido considerado o líder do esquema. Ele foi sentenciado a 6 anos e 5 meses de reclusão, em regime semiaberto, e multa de R$ 1.366.200. Por sua vez, Pastor Gil foi condenado a 5 anos e 6 meses, em regime semiaberto, e multa de R$ 151.800. Por se tratar de condenações em regime semiaberto, eles não perdem os mandatos de forma automática, devendo ser analisado pela Câmara dos Deputados.