Sábado, 22 de agosto de 2026
QUANDO A FORMA MAJORITÁRIA DE FAZER POLÍTICA NO DF E NO BRASIL APARECE ESCANCARADA NA IMPRENSA
Aldemario Araujo Castro
Advogado
Mestre em Direito
Procurador da Fazenda Nacional
Brasília, 22 de agosto de 2026
Alguns portais de notícias do Distrito Federal divulgaram um dos vários “acertos” políticos antes das definições das candidaturas pelas convenções partidárias no final de julho e início de agosto de 2026.
Segundo as matérias jornalísticas referidas, a negociação envolveu a retirada de uma candidatura ao governo do DF em troca de centenas de nomeações de indicados do postulante desistente para cargos de livre nomeação na máquina administrativa.
a) os nomes expressamente mencionados;
b) os nomes que não apareceram, mas estavam bem posicionados atrás das “cortinas”;
c) os ativos políticos referidos (cargos e dinheiro);
d) a menção a indicações para centenas de cargos de livre nomeação, frente aos cerca de 18 mil cargos dessa natureza no GDF;
e) imagine, só imagine, os efeitos de centenas de nomeações às vésperas das eleições;
f) os graves problemas vivenciados pelos brasilienses, notadamente nas áreas de saúde, educação, assistência social, na longa agonia do Banco de Brasília (BRB), a formulação e a execução de políticas públicas, a geração de empregos e renda, entre tantas outras questões cruciais, foram solenemente ignorados.
Pouquíssimas vezes vi um retrato tão escancarado da forma majoritária de se fazer política no Distrito Federal e no Brasil. Infelizmente, prevalecem, tanto em ambiente eleitoral quanto fora dele, a ausência de educação política, o clientelismo, o fisiologismo e o fanatismo.
No livro COMO ESCOLHER O SEU DEPUTADO, publicado em 2022, afirmei:
“a maioria dos cidadãos mais ou menos esclarecidos, conscientes e politizados ‘sentem’ o cheiro de alguma coisa podre no processo eleitoral. Não conseguem identificar precisamente o que ‘se passa’. Entretanto, observando o perfil dos eleitos, boa parte deles ilustres desconhecidos ou sem referências mais sólidas de atuação política ou profissional, ‘percebem’ a prevalência de procedimentos, no mínimo, duvidosos nos sucessos eleitorais”.
Ao longo da referida publicação apontei os seguintes expedientes eleitorais escusos, sem esgotá-los:
a) contratação ilícita de “cabos eleitorais”;
b) pressão por apoio no círculo de amigos e familiares dos “cabos eleitorais”;
c) assédio eleitoral no ambiente de trabalho, notadamente em empresas vinculadas aos candidatos;
d) promessas de ganhos imediatos com dimensão financeira;
e) compra de lotes de votos por intermédio de lideranças comunitárias e religiosas;
f) uso indevido e desvio de finalidade de bens, serviços e estruturas públicas;
g) prática de caixa dois e financiamento oculto e
h) oferta e concessão irregular de serviços assistenciais, brindes ou benefícios materiais.
É importante ressaltar o que afirmei anteriormente. Prevalecem, na ação política no DF e no Brasil, os procedimentos mais deletérios.
Felizmente, existem personalidades e forças políticas que apostam na ação política baseada em conscientização, organização e mobilização populares. Esses setores compreendem que fazer política não significa uma sucessão de negociatas de costas para os mais legítimos interesses da maioria da população.
Cabe ao eleitor, diante da urna, separar o joio do trigo.


