Sexta, 23 de junho de 2023
Pedro Augusto Pinho*Durante 50 anos, com governos de diferentes origens, mas sob os princípios nacionais trabalhistas, que a história denominou Era Vargas, o Brasil conheceu o maior desenvolvimento social e econômico desde a chegada dos portugueses até hoje, segunda década do século XXI.
Não se tratou de milagre, mas de governanças que colocaram as questões do desenvolvimento acima de todas demais, e entenderam que com dependência era impossível se desenvolver; então investiram na educação e nas mais modernas tecnologias em todos os setores. Também investiram nas energias, na infraestrutura, na industrialização que fez do país exportador de bens primários, no país que exportou produtos industrializados até tecnologia de petróleo.
Porém, e esta foi a grande falha, não investiu na participação do povo para o processo decisório e no debate das opções políticas, deixando ilusões importadas — marxismo, neoliberalismo, socialdemocracia — se apresentarem como respostas ao que aqui já tínhamos com o nacional trabalhismo.
O brasileiro ficou à margem das opções, deixando que uma casta resolvesse por ele, e perdeu a noção que todas soluções, inclusive das ideologias políticas, devem estar vinculadas às condições objetivas, geográficas e sociais, de onde serão aplicadas. O Brasil, o mais rico país do mundo em recursos naturais, minerais, energéticos, buscava soluções de países importadores. Vejam os caros leitores, o Brasil (16.286 kWh/per capita) imita, com toda riqueza das energias fósseis, hidrelétricas, de biomassa que dispõe, a Bélgica que nenhuma dessas fontes dispõe (65.217 kWh/per capita).
Deixemos de enfatizar a história do século XX, que muitos talvez a tenham acompanhado presencialmente. Vamos analisar o Brasil do século XXI, das farsas que nos envolvem, que distorcem a realidade, recolocam o Brasil no atraso da República Velha (1889-1929), que, só não se denominamos dos 40 anos da estagnação, porque tivemos 67 de continuidade da colonização inglesa, o Império Brasileiro.
A ENERGIA É UMA ARMA NO SÉCULO XXI
Recapitulando, as fontes primárias de energia são as de origem fóssil — carvão mineral, petróleo (líquido e gás natural) e areias betuminosas — as de origem hídrica, pela fissão nuclear, pelo processamento da biomassa, pela captação da energia solar e pela apropriação da energia eólica e das marés. Recente notícia (13/12/2022), sobre as pesquisas na área da produção de energia nos Estados Unidos da América (EUA), nos dá a saber que “cientistas conseguiram produzir uma reação de fusão nuclear que teve um ganho líquido de energia, ou seja, um resultado que gerou mais energia do que o necessário para alimentar o processo” (G1, globo.com).
É com o melhor, o mais econômico e de mais ampla aplicação do uso da energia que qualquer país se desenvolve. Quem não tem a felicidade de dispor das fontes primárias em seu território, as importa, como é o caso de Cingapura, o país com segundo maior índice de energia per capita — 161.103 kWh — do Planeta. No entanto, os 50,74 milhões de kWh representam o item mais significativo do orçamento nacional, pois apenas 1,29 bilhões, da energia solar, são próprios, 98,8% são importados.
O Brasil não necessitaria importar um kWh de energia. Tem autossuficiência energética, apenas pessimamente administrada.
Por que a governança da energia é tão ruim no Brasil? Porque não temos pessoal capaz? Em absoluto, no século passado, técnicos da Petrobrás, como um exemplo, viajavam para países da África e da América do Sul para instruir nacionais dos países daqueles continentes nas técnicas de pesquisa, produção, transformação e transporte do petróleo e derivados e na gestão destes conhecimentos.
O mesmo se pode afirmar em relação à energia de fonte hídrica.
Analisemos as diversas fontes nacionais e suas consequências, iniciando pelas que se denominam da “transição energética” ou “renováveis”, ou “limpas”.
O DESCONHECIMENTO DOS MALES DA ENERGIA EÓLICA
As que gozam de mais amplo apoio são a eólica e solar. Vejamos como estudos realizados em diversos países avaliam estas energias.

