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domingo, 5 de setembro de 2021

Países que concentram maioria das vacinas atravessam 4ª onda de covid-19 causada pela delta

Domingo, 5 de setembro de 2021

Cerca de 70% dos imunizantes estão concentrados nos países ricos que sofrem uma nova onda de contágios com a variante Dellta - Luiz Pessoa / Fotos Públicas


Concentração de vacinas criou "ilhas" de pessoas imunizadas, mas não contribuiu para frear a pandemia no mundo

Michele de Mello
Brasil de Fato | Caracas (Venezuela)
05 de Setembro de 2021


A covid-19 infectou 218,5 milhões de pessoas e causou 4,5 milhões de mortes em todo mundo, ainda assim a Organização Mundial da Saúde (OMS) adverte que a pandemia está longe de terminar. Apesar do desenvolvimento de vacinas e do maior conhecimento científico sobre o vírus sars-cov2, o surgimento de novas variantes dificulta estabelecer uma previsão de fim da crise sanitária global.

Na última semana de agosto foram contabilizados 4,4 milhões de novos casos e 67 mil mortos, mantendo uma tendência de diminuição de contágios e mortes. No entanto, a concentração de imunizantes nos países ricos não colabora para frear os contágios.

Desde o início da emergência sanitária, a OMS defende a distribuição equitativa de vacinas, mas a verdade é que os países ricos concentram 70% de todos os imunizantes produzidos no mundo. Até o momento foram aplicadas 5,2 bilhões de doses em todo o planeta, cerca de 27% da população global foi imunizada, porém algumas nações ainda não tiveram acesso a nenhuma dose.

[Clique na imagem abaixo para melhor visualizá-la]
Ranking dez países mais afetados pela pandemia de covid-19 / Fernando Bertolo / Brasil de Fato

Os Estados Unidos concentram a maior quantidade de fórmulas, com mais 200 milhões de doses de reserva de mercado para 2022, e possuem 51,9% da população completamente imunizada. No primeiro semestre do ano, as autoridades estadunidenses tiveram que descartar 60 milhões de doses da fórmula da Pfizer que iriam perder a validade e não haviam sido aplicadas. 


Desde julho o país enfrenta um quarta onda de contágios, na qual crianças e adolescentes são os mais afetados, com uma média de 300 infectados por dia, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC – siglas em inglês).

Os EUA também continuam liderando o ranking mundial da covid-19, com 39,3 milhões de casos confirmados e 638 mil falecidos. Em segundo lugar está o Brasil, com 20,8 milhões de casos, mais de 518 mil falecidos e cerca de 30% da população imunizada. 

“Os países ricos se imunizarem e não haver imunização para os países periféricos cria sim um problema de descontrole. Algo que a OMS alerta desde o começo. Enquanto não houver controle da pandemia em todos os países, também não haverá nos países ricos”, afirma o médico e advogado sanitarista Daniel Dourado.