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domingo, 14 de abril de 2024

REFORMAS NECESSÁRIAS —Para pesquisadora cubana, sanções são como 'doença crônica' que exigem 'criatividade' como remédio

Domingo, 14 de abril de 2024

Até o triunfo da Revolução em 1959, Cuba sempre viveu sob o jugo de potências estrangeiras. O país foi a última colônia a conquistar independência do Império Espanhol. Entretanto, pouco antes de os combatentes cubanos vencerem a guerra de independência, os Estados Unidos ocuparam a ilha.

A partir desse momento, o imperialismo estadunidense implantou o neocolonialismo em Cuba. Embora houvesse um sistema formal de governo independente na ilha, todas as atividades econômicas e políticas eram monitoradas por Washington.

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O desafio é duplo para o país que se comprometeu a lutar por justiça social

Gabriel Vera Lopes
Brasil de Fato | Havana (Cuba) | 14 de abril de 2024

Cuba vem passando por importantes debates sobre o que chama de 'atualização do modelo econômico e social da Revolução Cubana'

Os últimos anos têm sido de profundas transformações em Cuba. As ruas de suas principais cidades parecem mudar de fisionomia de forma vertiginosa, novos lugares aparecem junto com tipos de consumo que antes não eram vistos. Na percepção popular, essas mudanças são muito palpáveis. Em qualquer conversa de rua, inevitavelmente surge o comentário "o país mudou".

E certamente o país está mudando. Na última década, Cuba vem passando por importantes debates sobre o que chama de "atualização do modelo econômico e social da Revolução Cubana". Um processo de transformações dentro da Revolução que, ao longo desse tempo, teve avanços e recuos.


No entanto, foi nos últimos três anos que as transformações mais importantes se ampliaram. A partir de 2021, as principais medidas de atualização começaram a se materializar.

Em janeiro daquele ano, foi realizado o "processo de reunificação monetária e cambial", mudança na moeda que implicou em forte desvalorização - com queda no poder de compra -. Ao mesmo tempo, em setembro de 2021, pequenas e médias empresas privadas, conhecidas como Mipymes, começaram a ser abertas.

No entanto, essas mudanças foram implementadas ao mesmo tempo em que Cuba estava passando por grave crise. A pandemia de covid-19 afetou em cheio uma das principais fontes de renda do país, o turismo. Durante 2020, a economia cubana havia sofrido queda de 10% no PIB, número do qual ainda não se recuperou totalmente. Naquela época, o governo de Donald Trump nos Estados Unidos aproveitou a pandemia para reforçar o bloqueio contra Cuba, causando mais dificuldades ainda para a ilha.

Dessa forma, muitos dos debates sobre a "atualização do modelo econômico e social da Revolução Cubana" ficaram em segundo plano, dada a necessidade de dar respostas urgentes à crise.

Um horizonte chamado socialismo

Até o triunfo da Revolução em 1959, Cuba sempre viveu sob o jugo de potências estrangeiras. O país foi a última colônia a conquistar independência do Império Espanhol. Entretanto, pouco antes de os combatentes cubanos vencerem a guerra de independência, os Estados Unidos ocuparam a ilha.

A partir desse momento, o imperialismo estadunidense implantou o neocolonialismo em Cuba. Embora houvesse um sistema formal de governo independente na ilha, todas as atividades econômicas e políticas eram monitoradas por Washington.

Foi somente com o triunfo da Revolução de 1959 que o país conquistou sua independência. Dois anos depois, em abril de 1961, Cuba declarou que começaria a se mover em direção à construção de uma sociedade socialista.