Quinta, 18 de janeiro de 2024
Conversa entre liderança da extrema direita com parlamentar motivou buscas contra líder do PL na Câmara
Mateus Coutinho
Brasil de Fato | Brasília (DF) | 18 de janeiro de 2024

O deputado federal Carlos Jordy ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro - Reprodução/Facebook/Carlos Jordy
Na decisão que autorizou a realização de buscas nos endereços do líder da oposição na Câmara dos Deputados, Carlos Jordy (PL) o ministro Alexandre de Moraes transcreve um diálogo de Whatsapp identificado pela Polícia Federal entre o parlamentar e uma liderança golpista que pede ao deputado um “direcionamento” em meio aos bloqueios de rodovias um dia após o segundo turno das eleições de 2022.
“Bom dia meu líder. Qual direcionamento você pode me dar? Tem poder de parar tudo”, indagou o manifestante golpista Carlos Victor, servidor da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e que a PF identificou como sendo uma liderança da extrema direita na região de Campos dos Goytacazes (RJ). Em resposta, o deputado Carlos Jordy diz: “Fala irmão, beleza? Está podendo falar aí?”.
Na sequência, Carlos Victor confirma que pode falar. O relatório da PF e a decisão do ministro não deixam claro se o deputado telefonou para ele.
“Ressalto que nessa data estavam em prática os bloqueios de rodovias em todo Brasil, inclusive em Campos, e no diálogo acima Carlos Victor chama o parlamentar de ‘meu líder’, e pede orientação quanto a ‘parar tudo’, sendo, portanto, fortes os indícios de envolvimento de Carlos Jordy nos delitos apurados na presente investigação, mediante auxílio direto na organização e planejamento”, assinala o ministro Alexandre de Moraes na decisão de 4 de janeiro deste ano que autorizou as buscas contra o deputado e outros 9 investigados, incluindo Carlos Victor.
Além deste diálogo, a Polícia Federal identificou 276 registros de conversas de Whatsapp no celular de Carlos Victor 6 com o líder da oposição na Câmara, a maioria deles entre agosto e outubro de 2022, durante as eleições do ano passado. Os registros contabilizados pela Polícia Federal levam em conta mensagens de texto, áudios, anexos e ligações de Whatsapp.