“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
Mostrando postagens com marcador Fátima Sousa artigo sobre assassinato de Moise Mugenyi. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Fátima Sousa artigo sobre assassinato de Moise Mugenyi. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

Brasil: chega de tanta barbárie!

 Quarta, 2 de fevereiro de 2022

Professora Fátima Sousa

O cruel assassinato do jovem Moïse Mugenyi Kabagambe exige uma ação rápida e severa do poder público do Rio de Janeiro. É preciso não apenas identificar, mas punir com rigor o ato doloso e sem espaço para defesa praticado contra um jovem de 24 anos, por motivos fúteis. Nada justifica o espancamento que ele sofreu. E palavras de indignação já não bastam para responder à violência que assola o país e abate, especialmente, brasileiros imersos nas minorias: pobres, pretos, subempregados, LGBTQIA+ e outros.

Presos os suspeitos, é preciso agilizar a investigação e garantir punição exemplar e sem brecha para liberdade. É momento de decisões pedagógicas, para frear a violência e reeducar segmentos que, na expectativa da impunidade de sempre, praticam atos como este. A dor da família do Moïse não pode ser menosprezada. Que seja feita justiça e que cada um de nós possamos agir por um Brasil melhor para todas, todos e todes. Por ele e por todos os que foram vítimas antes, tantos e tantas, de crimes sem solução.

Como brasileira e defensora dos direitos humanos, eu me recuso a aceitar que esse seja o Brasil possível para nossos irmãos refugiados. Não aceito este país sequer para o cidadão que nasceu aqui e ajudou a construir a sua história. Venho somar forças, e oferecer minha voz, aos movimentos que tenham esperança de forçar as mudanças necessárias para fazer do Brasil, de fato, um lugar acolhedor, com políticas públicas inclusivas e uma sociedade focada no bem-viver de todos.

A barbárie noticiada em toda mídia expõe questões que para muitos sequer são problemas. Nossa sociedade vive anestesiada, absorvida pela falta de perspectivas e empatia. Racismo, xenofobia e precarização das relações de trabalho são as mais evidentes questões escancaradas pela tragédia do congolês. É mais um caso gerado pelo histórico do Brasil, mas também dos estímulos à violência por parte do desgoverno e dos tempos sombrios que vivemos, em que faltam políticas para o bem-viver, e se espalham movimentos para a instauração da sociedade do medo.

===========
*Fátima Sousa
Paraibana, quatro décadas da sua vida dedicadas a saúde e a gestão pública;
Professora e pesquisadora da Universidade de Brasília;
Enfermeira Sanitarista, Doutora em Ciências da Saúde, Mestre em Ciências Sociais;
Doutora Honoris Causa;
Implantou o ‘Saúde da Família’ no Brasil, depois do sucesso na Paraíba e em São Paulo capital;
Implantou os Agentes Comunitários de Saúde;
Dirigiu a Faculdade de Saúde da UnB: 5 cursos avaliados com nota máxima;
Lutou pela criação do SUS na constituinte de 1988;
Premiada pela Organização Panamericana de Saúde, pelo Ministério da Saúde e pelo Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde.