Quinta, 9 de janeiro de 2025
Em carta, Fórum Revolucionário Antimanicomial pede troca imediata da gestão do Hospital e fechamento do Pronto Socorro
Após nova diligência, foi observado que a rotina do hospital permanece inalterada - Foto: Tony Winston/Agência Saúde DF
Rafaela Ferreira
Brasil de Fato | Brasília (DF) | 09 de janeiro de 2025
Movimentos antimanicomiais do Distrito Federal denunciam que, mesmo depois de 15 dias da morte de paciente no Hospital São Vicente de Paulo (HSPV), nenhuma providência foi tomada na gestão da unidade. Com isso, está sendo reivindicado o fechamento da porta de entrada da unidade, isto é, o Pronto Socorro, e a imediata substituição da direção do Hospital.
O Fórum Revolucionário Antimanicomial do DF publicou, nesta segunda-feira (6), uma carta aberta que aponta que, após nova diligência, foi observado que a rotina do hospital permanece inalterada, e que as contenções mecânicas e químicas permanecem a principal estratégia para tratar os pacientes. “Assim, fica evidente que a atual gestão do HSPV não consegue atender à necessidade urgente de revisão do seu fluxo e dinâmica, evitando novos casos como o de Raquel”, diz a carta.
O debate acerca do fechamento e troca de gestão do HSPV tomou forças após Raquel Franca de Andrade, de 24 anos, ser encontrada morta na noite do dia 25 de dezembro de 2024. Segundo informações às quais o Brasil de Fato DF teve acesso, Raquel era paciente psiquiátrica que residia no Hospital desde 2023.
O professor da Universidade de Brasília (UnB) e coordenador do Grupo Saúde Mental e Militância no DF, Pedro Costa, conta que a troca da direção do São Vicente pode garantir um procedimento de apuração mais imparcial. “A gente entende que, enquanto essa equipe de direção estiver lá, não vamos ter processos mais imparciais possíveis de condução das investigações e tudo aquilo que envolve o caso. Então, exigimos troca imediata da gestão”, destaca.
Questionada sobre as medidas tomadas pela gestão do Hospital até o momento em relação à morte de Raquel, a Secretária de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) informou que foi instituído um Grupo de Trabalho (GT) para elaboração de um Plano de Ação para desmobilização dos leitos psiquiátricos do DF, incluindo os do HSVP. "A medida prevê desmobilização progressiva, que ocorrerá em consonância com a ampliação da rede de serviços de saúde mental e a abertura de novos Centro de Atenção Psicossocial (Caps)", explicam.
Em nota, a pasta também afirma que está previsto o fortalecimento do atendimento às urgências e emergências e dos cuidados a crises em saúde mental, que será feito de forma descentralizada, incluindo serviços nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), hospitais gerais e, principalmente, nos Caps.
O GT foi instaurado em maio de 2024, após mobilização social. Previsto inicialmente para ser finalizado em outubro e seu plano de trabalho entregue ao Ministério Público e apresentado à população, o GT teve uma prorrogação de prazo. A partir daí, segundo o Grupo Saúde Mental e Militância no DF, que integra o GT, as reuniões tornaram-se mais escassas.
Contradições
Durante reunião de deliberação sobre a diligência realizada no Hospital, na qual o Brasil de Fato DF também teve acesso, foram discutidas contradições da direção do HSPV em relação à morte de Raquel. Na ocasião, foi destacado que o protocolo de diligências clínicas não foi seguido corretamente.