Segunda, 24 de julho de 2023

A primeira vez que a área foi ocupada foi em março de 2023, durante o mês de luta das mulheres - MST-GO
Depois de um despejo em março, cerca de 600 famílias retornam à Fazenda São Lukas, atualmente patrimônio da União
Gabriela Moncau
Brasil de Fato | São Paulo (SP) | 24 de Julho de 2023
A fazenda São Lukas, no município de Hidrolândia (GO), amanheceu nesta segunda-feira (24) ocupada por cerca de 600 famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Os sem-terra reivindicam que a área seja destinada a um assentamento da reforma agrária e cobram que o governo federal regularize a situação de três mil famílias acampadas em Goiás.
Esta é a segunda vez que o MST ocupa o latifúndio, que tem 678.588 m² . A primeira foi em 25 de março deste ano, como parte da Jornada Nacional de Lutas das Mulheres Sem Terra. O local foi escolhido justamente por já ter sido palco de um esquema de exploração sexual e tráfico de pessoas. Tendo como vítimas principais mulheres pobres das cidades de Anápolis, Goiânia e Trindade, o esquema durou cerca de três anos.
De acordo com a Polícia Federal, a propriedade pertencia a um grupo criminoso composto por 18 pessoas que, em 2009, foi condenado por aprisionar dezenas de mulheres e adolescentes que eram traficadas para a Suíça. Desde então, o terreno passou a integrar o patrimônio da União.
O retorno do MST à área acontece na semana seguinte em que o Anuário Brasileiro de Segurança Pública revela que entre 2021 e 2022 houve uma alta de 15% dos crimes sexuais contra crianças e adolescentes.