Domingo, 15 de janeiro de 2023

Operações compromissadas travam economia e elevam juros
Monica De Bolle e Auditoria Cidadã atacam déficit nominal.
13 De Janeiro De 2023
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, começou bem ao jogar o enfoque da discussão sobre o déficit nominal, aplaude a economista Monica De Bolle. “No Brasil é prática ocultar as despesas financeiras e seus desdobramentos patrimonialistas enfatizando sempre o resultado primário do governo”, enfatiza De Bolle em artigo publicado em seu blog.
A economista critica a confusão entre a política fiscal e a monetária provocado pelo uso desenfreado de operações compromissadas, que utilizadas pelo Banco Central para regular a quantidade de moeda nos mercados (liquidez), se valendo dos títulos públicos que a autarquia tem em carteira.
“É costume no Brasil ver compromissadas no valor de trilhões diariamente durante certos períodos. Volumes dessa natureza são uma idiossincrasia brasileira que obrigam o BC a reter um imenso estoque de títulos públicos. Esses títulos públicos são tratados como dívida pública, embora não o sejam no estrito senso de suas funções”, explica.
A crítica vai na direção do que vem denunciando há anos Maria Lucia Fattorelli, coordenadora nacional da Auditoria Cidadã da Dívida (ACD). Em artigo publicado pelo Monitor Mercantil, Fattorelli afirma que essas operações compromissadas representaram um custo de quase R$ 3 trilhões em 10 anos aos cofres públicos.

