Segunda, 21 de outubro de 2024
Rodoviária foi concedida à iniciativa privada por meio de contrato assinado entre o GDF e Consórcio Catedral

A Rodoviária do Plano Piloto foi concedida à iniciativa privada por meio de um contrato assinado entre o Governo do Distrito Federal (GDF) e o Consórcio Catedral, que prevê a gestão do espaço pelos próximos 20 anos. Especialista e movimentos sociais destacam que privatização pode afetar a vida da população, uma vez que a Rodoviária é um espaço democrático e o "coração de Brasília".
Luiz Eduardo Sarmento, presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-DF), afirma que uma privatização como essa pode trazer diversos impactos, como prejudicar o espaço mais popular, democrático, e vivo do centro da metrópole da capital do país.
“A rodoviária é o coração do Plano Piloto e tem sido, historicamente, desde a inauguração de Brasília, o espaço mais diverso e mais vivo daqui. É um local em que a população que não consegue viver ou ter um comércio no Plano Piloto, consegue usufruir e estabelecer relações sociais no coração da cidade”.
Ele aponta que, há muitos anos, já se sabe da necessidade de cuidados na Rodoviária, mas a estratégia de privatizar é de "simplesmente abandonar o espaço". "A privatização pode impactar profundamente a vida dessa população, pois, uma vez privatizado, o espaço passa a ser regido por interesses comerciais, e não mais por outros valores, como o social ou o histórico do imóvel. O que prevalece é o lucro que o metro quadrado pode gerar para o concessionário", ressalta o especialista.
:: Tá ruim de ônibus? Vai piorar! Privatização da rodoviária não é a solução ::
O contrato foi assinado no dia 15 de outubro e propõe trazer eficiência na gestão e mais serviço à comunidade, segundo GDF. Agora, o Consórcio Catedral tem um período de 90 dias para a implementação do serviço. Segundo informações, as obras e melhorias começarão assim que os projetos forem aprovados.
Para Pedro Burity, membro do Movimento Passe Livre, com a privatização, a Rodoviária vai se tornar, cada vez mais comercial. Ele destaca que, atualmente, já acontecem diversas concessões, mas cada vez o espaço vai ficando mais “morto”. “Tradicionalmente, a Rodoviária do Plano Piloto é um lugar vivo, com muito história, é um ponto de encontro entre as pessoas. Muita coisa acontece lá”, diz Pedro.