Quinta, 23 de maio de 2024
A maioria das vítimas são meninas, enquanto 68% dos suspeitos são homens - Febrasgo
Em 76% dos casos, suspeito é da família; machismo contribui para subnotificação entre meninos, apontam especialistas
Bianca Feifel
Brasil de Fato | Brasília (DF)
O Disque 100, canal de acolhimento de demandas relacionadas à violações de direitos humanos no país, recebeu, entre janeiro e a segunda semana de maio deste ano, 135 denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes no Distrito Federal.
O número é menor do que o registrado no mesmo período de 2023, quando foram denunciados 171 casos, mas especialistas ouvidas pelo Brasil de Fato DF asseguram que a diminuição é resultado da falta de notificação, especialmente nos casos em que as vítimas são meninos.
“Não há evidências científicas de que as variações apontando menores índices [de denúncias de violência sexual] signifiquem de fato uma diminuição do número de casos. Fatores como o medo, o estigma, a ausência de meios e a falta de confiança na família levam as pessoas, e especialmente as crianças e os adolescentes, a não falarem sobre fatos relacionados à violação de sua dignidade física e moral, como a violação de seus corpos”, explicou à reportagem a vice-coordenadora do Núcleo de Estudos da Infância e da Juventude da Universidade de Brasília (NEIJ-UnB), Ailta Barros.
Segundo a professora, a literatura científica aponta que cerca de 30 a 80% das crianças e adolescentes vítimas de abuso sexual não revelam a agressão que sofreram. Os fatores que levam ao silêncio e à omissão estão ligados sobretudo ao medo das consequências negativas para as pessoas envolvidas, já que em grande parte dos casos os agressores são familiares ou conhecidos da família.
Machismo e silenciamento
Em 63% das denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes recebidas pelo Disque 100 no DF neste ano, a vítima era do gênero feminino. O maior número de casos foi registrado na faixa etária de 13 e 14 anos. Já os suspeitos são principalmente homens (68%).