Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
Mostrando postagens com marcador eleições 2022. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador eleições 2022. Mostrar todas as postagens

sábado, 1 de outubro de 2022

Conheça a luta e as propostas de Fátima Sousa, candidata a deputada federal pelo PSOL do DF. Entrevista ao Blog Gama Livre

Segunda, 1º de outubro de 2022

ENTREVISTA COM A PROFESSORA FÁTIMA SOUSA, CANDIDATA A DEPUTADA FEDERAL PELO DF, Nº 5050
Professora Fátima Sousa, candidata a deputada federal pelo PSOL, 5050


ENTREVISTA COM A PROFESSORA FÁTIMA SOUSA


Fátima Sousa é uma paraibana, professora da Universidade de Brasília, onde foi Diretora da Faculdade de Ciências da Saúde-FS/UnB, na qual coordenou o Núcleo de Estudos de Saúde Pública-NESP/UnB, implantou o Mestrado Profissional em Saúde Coletiva da Faculdade de Ciências da Saúde, e ajudou a criar o campus da UnB na Ceilândia. Mestra, Doutora em Enfermagem e gestora pública, Fátima Sousa foi uma das criadoras do SUS, pelo qual lutou para que fosse criado na Constituinte de 1988. Ela coordenou, em todo o Brasil, o Programa de Agentes Comunitários de Saúde-PACS e contribuiu para a implantação da Estratégia Saúde da Família-ESF. Fátima Sousa dedica-se, há mais de quarenta anos, à saúde e à gestão pública. Em 2018, foi candidata a Governadora do Distrito Federal pelo PSOL e, atualmente, é candidata a Deputada Federal pelo mesmo partido político.


No decorrer desta entrevista ao Gama Livre, concedida a Salin Siddartha, a Professora Fátima Sousa falou a respeito da defesa dos direitos das mulheres e da carga de machismo que recai sobre elas, alertando para a necessidade de assegurar-lhes empregabilidade, de investir na participação da mulher como protagonista no desenvolvimento da ciência e como força-de-trabalho qualificada, incluindo as mulheres trans, que, infelizmente, não têm acesso a emprego nem a educação, haja vista a discriminação social que sofrem. Disse que, se for eleita deputada federal, se propõe a enfrentar o Centrão a fim de aprovar mais recursos para a saúde, já que esse setor vem sendo constantemente desfinanciado na execução dos orçamentos anuais.


Fátima Sousa apontou-nos o fato de que as universidades públicas vivem uma crise crônica e profunda que se agudiza cada vez mais, assim como narrou os problemas que envolvem a dificuldade de acessibilidade e permanência dos estudantes no ensino superior; na opinião dela, falta democratização nos espaços de gestão das universidades públicas. Declara-se uma mulher democrática, humanista, que preza pela paz, dialógica, competente e agregadora que, como deputada federal, irá dedicar-se a contrapor-se ao negacionismo ultradireitista, apresentando propostas civilizatórias.


Para Fátima Sousa, não se pode abrir mão do dispositivo constitucional que consagra o Estado brasileiro como um Estado laico; portanto, deve-se respeitar a fé de cada um às diferentes formas de expressão religiosa, dizendo não a qualquer tipo de violência resultante de intolerâncias. Segundo ela, o presidente Jair Bolsonaro enuncia uma indigna falsidade ao falar que governa apenas para a maioria, pois, ao assumir essa posição, ele omite que só governa é para o seu grupo de interesse. A seu ver, é preciso requalificar o Congresso Nacional para que os parlamentares votem a favor daqueles que ainda não têm acesso permitido na inclusão social, como é o caso da população negra, das mulheres desempregadas, das mulheres do campo, dos agricultores familiares, e que se pare com essa confusão conceitual de que são minorias as populações negras, LGBTQI+ e as mulheres, que sempre foram colocadas em situação de vulnerabilidade, porque essas populações são, em si mesmas, maiorias pela própria recepção social que elas angariam em suas lutas.


Fátima Sousa inclui a questão do meio ambiente na sua agenda histórica, salientando que o projeto de reforma sanitária brasileira tem no meio ambiente seu eixo estruturante e desenvolve o raciocínio de que não ocorre desenvolvimento do País com a destruição de nossas matas, com a poluição de nossos mares e rios. Cita que o Congresso Nacional e o governo é que criam essa polêmica falsa e desmedida de que é preciso acabar com a Amazônia e com o cerrado para garantir o progresso.


A entrevistada falou sobre sua presença, há décadas, no movimento que estabeleceu o modelo de atenção diferenciada à saúde, contou como o SUS foi construído e narrou a importante participação dela nessa construção que trouxe diversos avanços; mas ela também expôs que existem diversos desafios que traduzem o SUS como uma obra ainda incompleta, que clama para que os governos parem de desfinanciá-lo. Fátima Sousa destaca, também, o desmantelo que acontece quando se põe alguém para gerir um sistema de saúde que lhe é desconhecido, tal qual ocorreu com o mau exemplo de o governo atual ter nomeado para o cargo de Ministro da Saúde um militar que nunca tinha, sequer, ouvido falar em sistema de saúde.


A seguir, publicamos a entrevista na íntegra.


Salin Siddartha — Como você vê uma política de inclusão da defesa dos direitos da mulher?


Fátima Sousa — Essa é uma agenda central para qualquer governo democrático e popular, qual seja a de ter a mulher na centralidade das políticas públicas. Quando eu coordenei o Núcleo de Estudos de Saúde Pública, criamos dois observatórios dedicados às políticas públicas das mulheres: o da mulher negra e o das mulheres que viviam no plantio da cana-de-açúcar, ou seja, na agricultura familiar em geral, mas com destaque para a da cana-de-açúcar; então, defendo a centralidade da política da mulher, tanto para a empregabilidade quanto para os processos educacionais (desde as creches até o ensino superior). Porque a mulher, não só do ponto de vista quantitativo, pois somos mais de cinquenta por cento da população brasileira, inclusive as mulheres idosas também constituem a maioria, o que deve levar o Estado brasileiro a ter de prestar-lhe a devida atenção com relação a políticas públicas para elas. Isso, sem falar nos desafios que estão postos em nossa condição de gênero; por exemplo, a mulher ganha menos do que o homem, embora exercendo o mesmo ofício, e tem uma carga de trabalho triplicada, porém, na representação política, seu papel é, ainda, ínfimo.

sábado, 24 de setembro de 2022

O DEPUTADO TONHO DA LUA, ELEITO COMPRANDO VOTOS, VENDEU SEUS VOTOS NO PARLAMENTO

Sábado, 24 de setembro de 2022

Aldemario  Araujo Castro
Advogado
Mestre em Direito
Procurador da Fazenda Nacional
Brasília, 24 de setembro de 2022

André Antônio Zinca, conhecido como Tonho da Lua, foi eleito Deputado Estadual em Sucupira num escancarado esquema de compra de votos. A operação fisiológica, conduzida pelo irmão Paulo Antônio, buscava garantir a necessária influência política da família e, por consequência, manter intocáveis e lucrativos os negócios, notadamente a atuação da empresa ZXC SERVIÇOS LTDA, prestadora de serviços de limpeza e vigilância para o Poder Público estadual.

Todos os expedientes clientelistas e ilícitos foram praticados por Paulo Antônio Zinca e seus acólitos. As providências envolveram a compra de lotes de votos de lideranças comunitárias, a contratação de centenas de cabos eleitorais, a pressão sobre os funcionários das empresas da família, as promessas de empregos e todos os tipos de vantagens possíveis e imagináveis. Mas o pior da novela de horrores políticos ainda estava por vir. O exercício do mandato parlamentar, comprado a peso de ouro, foi vendido aos interesses mais escusos existentes na sociedade sucupirana.

Tonho da Lua votou contra a instalação de quatro Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) propostas para analisar fortes indícios de corrupção em vários setores da Administração Pública estadual. O parlamentar chegou a ler um longo discurso contra a abertura de uma CPI para apuração de um grave escândalo de malversações na Secretaria de Saúde de Sucupira. Nesse caso, vários dirigentes da Secretaria foram presos preventivamente.

Com o voto de Tonho da Lua foram aprovados dezenas de créditos suplementares destinados a viabilizar pagamentos para empresas de transporte e hospitais privados. A soma das verbas autorizadas e liberadas alcançaram cerca de 500 milhões de reais.

Tonho da Lua foi um apoiador entusiasmado dos projetos de afrouxamento da ocupação do solo em favor da especulação imobiliária e com evidente desprezo pelas áreas de proteção ambiental.

Tonho foi o relator de uma Reforma Administrativa pautada: a) no aumento do já excessivo número de cargos de livre nomeação; b) no enfraquecimento dos mecanismos de controles interno e social; c) na redução da transparência e d) na facilitação da realização de convênios entre o Poder Público estadual e organizações empresariais privadas.

O deputado Tonho da Lua votou favorável a privatização da Companhia Estadual de Energia. A venda da estatal foi realizada de forma atabalhoada, sem plano de transição e por valor extremamente baixo e suspeito. Em entrevista dada aos órgãos de imprensa, com a sintomática presença do irmão ao lado, registrou que votaria favorável a qualquer projeto de privatização encaminhado pelo governador ao Parlamento. Perguntado sobre os vínculos dos grupos empresariais compradores com negócios de sua família e empresas do governador, o deputado Tonho respondeu com um emblemático “nada a declarar”.

O deputado Tonho da Lua resistiu, com energia, à aprovação do projeto de lei que obrigava a demonstração de compatibilidade das políticas públicas implementadas e a implementar em Sucupira com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs) da Agenda 2030 da ONU.

Consta que semanalmente o Deputado Tonho da Lua, acompanhado de seu irmão, realizava uma reunião com o Secretário de Governo para Assuntos Parlamentares (esse cargo nunca foi encontrado na estrutura organizativa de Sucupira). Na pauta estavam os projetos enviados pelo governador para a Assembleia a serem aprovados pelo parlamentar. Também eram discutidos os pagamentos do Estado de Sucupira em favor das empresas dos irmãos Zinca.

Meu novo livro trata dessas tristes realidades (antes e depois do processo eleitoral). O título e subtítulo da obra é o seguinte: “COMO ESCOLHER SEU DEPUTADO. Pequeno manual para orientar o eleitor no dia 2 de outubro de 2022”. Ele está disponível no meu site no seguinte endereço eletrônico: aldemario.adv.br.

Abordei, em linhas gerais, os dois tipos básicos de votos: a) fisiológico e b) de opinião (ou consciente). Afirmei que a construção de uma sociedade livre, justa e sustentável exige que o “voto fisiológico”, aquele que elegeu o Deputado Tonho da Lua, seja minoritário e, no limite, alcance a posição de ser meramente residual. Para tanto, três caminhos foram recusados, inclusive por ineficiência: a) a atuação de mitos, super-heróis, salvadores da Pátria, escolhidos por Deus ou coisa parecida; b) o recurso a golpes ou soluções autoritárias e c) a confiança platônica nas instituições estatais para operar mudanças profundas na realidade social. Apontei como único caminho aceitável, embora demorado e trabalhoso, aquele pautado por altas e energéticas doses de conscientização, organização e mobilização políticas, com a utilização de ferramentas educacionais e democratização econômica dos meios de comunicação.

A conclusão, e resumo, do livro pode ser observada na seguinte passagem: “caro eleitor, preste atenção, por favor, em relação aos candidatos:

a) na trajetória pessoal, profissional e política;

b) na forma de fazer política e, especialmente a campanha eleitoral;

c) nas propostas e compromissos apresentados e

d) sobretudo, nos interesses socioeconômicos defendidos ou representados (em que “lado” está o postulante)”.

sexta-feira, 23 de setembro de 2022

Abaixo o Novo Ensino Médio e a BNCC (Base Nacional Comum Curricular)

Sexta, 23 de setembro de 2022

Abaixo o Novo Ensino Médio e a BNCC

O “Novo Ensino Médio” foi gestado no governo Temer e colocado em prática em 2022 pelo governo Bolsonaro. O Novo Ensino Médio e a BNCC foram influenciados e financiados pelo Banco Mundial como projeto de precarização do ensino e a oferta de mão-de-obra barata.

Nesse novo modelo de ensino a educação é tratada como mercadoria, o que se tem é a redução da carga horária escolar, o rebaixamento de conteúdos fundamentais da formação obrigatória, a formação de professores generalistas, demissões e precarização do trabalho docente, esses são os resultados dessa reforma.

Esse projeto privatista entrega parte significativa do ensino para iniciativa privada através de cursos à distância. Os itinerários formativos dão falsa impressão de escolha profissional aos estudantes, mas mostra a face da desigualdade, a realidade das eletivas é que em escolas elitizadas tudo é garantido, enquanto nas escolas periféricas nada é garantido. O que se tem na periferia é sucateamento e ausência de investimento estrutural, material e pessoal.

Defendemos a educação pública seja em tempo integral, gratuita e de qualidade, com liberdade pedagógica e de cátedra, redução do número de alunos por sala de aula, valorização dos profissionais de educação, reforma da infraestrutura e equipe multidisciplinar completa

Juliana Freitas, candidata a deputada distrital.
5️⃣0️⃣0️⃣1️⃣6️⃣
----------------


Contra a militarização das escolas

O Governo Ibaneis (GDF) implanta nas escolas públicas do DF um regime disciplinar policial dirigido pela Polícia Militar nas escolas públicas. Até agora o que vimos nestas escolas foram diversos absurdos de ações de policiais contra professores, alunos e pais.

O papel social de formar alunos é da Professora/do Professor, que é o verdadeiro e o único profissional com condições, habilidades, competências, procedimentos, atitudes e valores para “formar os alunos”, uma vez que este é o seu ofício.

O Governo Ibaneis se limita ao conceito de disciplina como um regime de ordem imposta, havendo sempre uma relação de subordinação ou mesmo de submissão com forte repressão. No entanto, para a educação escolar que requer uma relação didático-pedagógica de ensino-aprendizagem, a disciplina resulta em uma relação entre o professor e o aluno, em que a autoridade está situada na liberdade sadia de ambos.

No entanto a proposta do GDF não é simplesmente uma incompreensão do papel pedagógico e social da escola e do professor, mas sim, antes de tudo uma questão política de projetar o fim da democracia nas instituições escolares.

A questão disciplinar nas escolas não é uma questão policial de repressão, é uma questão pedagógica de educação.

Contra a militarização das escolas no GDF
Vote 5️⃣0️⃣0️⃣1️⃣6️⃣

compartilhe essa ideia

sábado, 10 de setembro de 2022

COMO ESCOLHER SEU DEPUTADO

Sábado, 10 de setembro de 2022

Aldemario  Araujo Castro
Advogado
Mestre em Direito
Procurador da Fazenda Nacional
Brasília, 10 de setembro de 2022

Meu novo livro possui os seguintes título e subtítulo: “COMO ESCOLHER SEU DEPUTADO. Pequeno manual para orientar o eleitor no dia 2 de outubro de 2022”. Ele está disponível no meu site no seguinte endereço eletrônico: aldemario.adv.br.

Explorei alguns dos procedimentos utilizados nas campanhas eleitorais baseadas no “voto fisiológico”. Mencionei: a) a contratação interesseira de cabos eleitorais e b) a compra de lotes de votos controlados por certas lideranças comunitárias, religiosas e afins. Mostrei, com algum nível de detalhes, como esses  expedientes são realizados e até a forma de controlar a sua eficiência. Destaquei, ainda, que paralelamente ao “fisiologismo pesado” (ou hard) convivem fisiologismos “mais leves” (ou soft).

Analisei três tipos de fisiologismos mais leves e muito comuns no universo das campanhas eleitorais nesta quadra da história do Brasil. São eles: a) os voltados para a formação de grupos políticos; b) os criados a partir da distribuição enviesada de recursos decorrentes de emendas parlamentares e c) aqueles constituídos por forte inspiração corporativa ou institucional, em especial a religiosa.

Abordei o “voto de opinião”. Anotei que, nesse campo, a preferência eleitoral não está baseada na perspectiva de obtenção de vantagens mensuráveis em pecúnia. Em geral, o eleitor busca identificação com propostas programáticas e verifica a trajetória de vida do candidato nos planos profissionais e políticos, notadamente a ocupação de funções públicas (eletivas ou não).

Destaquei, no campo do “voto de opinião”, a apresentação de propostas excessivamente genéricas ou proposições típicas da implementação de políticas públicas formatadas e conduzidas pelo Poder Executivo. Ressaltei a necessidade de que o candidato (do “voto de opinião”) formule ou apresente um programa de atuação parlamentar mais detalhado ou específico, em linha com a agremiação partidária a que pertença, para que se possa identificar os critérios e valores a serem utilizados no momento do voto ou da decisão no âmbito do exercício do mandato.

Registrei que a construção de uma sociedade livre, justa e sustentável exige que o “voto fisiológico” seja minoritário e, no limite, alcance a posição de ser meramente residual. Para tanto, três caminhos foram recusados, inclusive por ineficiência: a) a atuação de mitos, super-heróis, salvadores da Pátria, escolhidos por Deus ou coisa parecida; b) o recurso a golpes ou soluções autoritárias e c) a confiança platônica nas instituições estatais para operar mudanças profundas na realidade social. Apontei como único caminho aceitável, embora demorado e trabalhoso, aquele pautado por altas e energéticas doses de conscientização, organização e mobilização políticas, com a utilização de ferramentas educacionais e democratização econômica dos meios de comunicação.

Identifiquei os principais traços definidores dos critérios para consagração dos parlamentares vitoriosos no pleito eleitoral de outubro de 2022. Fiz dois conjuntos básicos de considerações: a) o financiamento das campanhas e b) como o voto do eleitor será contabilizado.

Também analisei a sedutora e equivocada proposta de redução do número de parlamentares pela metade. Realizei cinco ordens de considerações. Primeiro, porque dá a impressão que os gastos com os parlamentares “fazem a diferença” ou representam recursos que faltam em áreas essenciais como a saúde, educação e segurança pública. Segundo, porque a redução concentra mais poder nas mãos da “metade restante” ou “os que sobram”. Terceiro, porque uma proposta consequente teria como alvo o gasto total do Parlamento e não somente o número de seus membros. Quarto, a redução do número de parlamentares potencializa candidaturas e campanhas mais fisiológicas, baseadas na contratação interesseira de cabos eleitorais, “compra” de apoios de lideranças comunitárias e afins e promessas de vantagens imediatas descoladas de políticas públicas e do equacionamento dos grandes problemas locais, regionais e nacionais. Quinto, parece, com a proposta destacada, que os grandes problemas do Brasil decorrem da existência da classe política.

A conclusão, e resumo, do escrito pode ser observada na seguinte passagem: “caro eleitor, preste atenção, por favor, em relação aos candidatos: a) na trajetória pessoal, profissional e política; b) na forma de fazer política e, especialmente a campanha eleitoral; c) nas propostas e compromissos apresentados e d) sobretudo, nos interesses socioeconômicos defendidos ou representados (em que “lado” está o postulante)”.

NOTA ADICIONAL

São inúmeros os registros de forte surpresa e espanto em relação ao trecho da obra que detalha ou demonstra como operam os mais frequentes esquemas de compras de votos. Eis o relato realizado:

O outro expediente amplamente utilizado no campo do “voto fisiológico” é a compra de lotes de votos controlados por certas lideranças comunitárias, religiosas e afins. O termo utilizado foi “compra”. Embora criminoso, esse comportamento é realizado sem o menor pudor e em grande escala, notadamente, mas não só, nos bairros ou regiões que abrigam as parcelas mais vulneráveis da população. O pastor da Igreja do Evangelho Multidimensional (referência hipotética) mantém influência sobre um conjunto de 500 eleitores em Guaporé do Leste (outra referência inventada). Esse lote de votos pode ser adquirido por 100, 200 ou 300 mil reais pelo candidato que dispuser do numerário. Programa político? Propostas? Compromissos de atuação parlamentar? Métodos de exercício do cargo? Tudo isso é irrelevante. Sequer é tratado. O que interessa e é devidamente acertado: a) o número de votos no lote; b) o valor do lote; c) a forma de pagamento e d) a lista dos eleitores (sempre com número do título, zona eleitoral e seção, para conferência da “fidelidade” dos votos comprados).  

Percebeu a onipresente lista de eleitores com os dados “necessários” (número do título, zona e seção eleitorais)? Veja, a propósito, esse esclarecedor (e estarrecedor) registro da jornalista Míriam Moraes, quando foi candidata ao Legislativo:

“No meu primeiro dia ganhei dois ‘apoios’. Uma diretora disse que ajudava os alunos formandos do ensino fundamental e do ensino médio a conseguir candidatos que bancassem a formatura deles.
‘Não sabe o quanto eles sonham com uma festa de formatura’, suspirava.
A coisa funcionava assim:
1. Ela organizava a reunião com os formandos.
2. O candidato anotava o número do CPF, título de eleitor e zona eleitoral de cada aluno.
3. Após a eleição, o candidato fazia a conferência nas zonas eleitorais para checar se teve mesmo o número de votos que constavam nos locais em que os alunos votavam. É possível conferir pelo boletim do resultado eleitoral os votos em cada sessão.
4. Se o número mínimo de votos conferisse com os dos alunos, a festa estava garantida.
Fiquei horrorizada ao ver a naturalidade com a qual a diretora me explicou o arranjo. Ao chegar em casa, recebi pelo telefone o segundo apoio, que veio de uma aluna, organizadora das atividades esportivas da escola. O preço era bem menor, bastava os uniformes dos times de vôlei e futebol, e ela garantia os votos no mesmo sistema de anotação dos títulos e zonas eleitorais. Percebi que aquilo era novidade só pra mim, nas escolas, a prática é corriqueira” (Livro: 10 coisas que descobri sobre corrupção e política quando fui candidata. Um guia para candidatos e interessados em entender como funcionam as campanhas eleitorais e os bastidores da corrupção).

Mesmo essas rápidas observações permitem entender a eleição de ilustres desconhecidos e pessoas reconhecidas inaptas para o desempenho de um mandato parlamentar ou qualquer posto de maior responsabilidade e que requeira um mínimo de conhecimento e raciocínio. Com o volume certo de recursos e os operadores hábeis é viável eleger, como parlamentar, qualquer pessoa, rigorosamente qualquer pessoa (João, Pedro, Paulo, Periquito, Papagaio, etc, etc, etc).

quinta-feira, 11 de agosto de 2022

VIOLÊNCIA —No DF, políticos e militantes de esquerda têm sido vítimas de violência nas ruas

Quinta, 11 de agosto de 2022
Max, Gabriel e Keka denunciam violência política no DF - Montagem

Pré-candidatos e militantes têm sido alvos de ameaças nas ruas e em ambiente virtual

Adenauer Cunha
Brasil de Fato | Brasília (DF) | 11 de Agosto de 2022

Preocupada com a própria segurança, e das pessoas com quem trabalha, a pré-candidata a governadora do Distrito Federal, Keka Bagno (Psol) precisou contratar seguranças particulares para andar com a equipe durante a pré-campanha. "A gente vai ficar esperando algo concreto acontecer? Nós contratamos seguranças particulares até termos a proteção da polícia civil", contou.

A medida foi adotada pela campanha após a pré-candidata receber ameaças pelas redes sociais, que se intensificaram após a participação dela no debate da Band, realizado no último domingo (7). "São ameaças veladas. Eles mandam imagens com armas, caveiras e insinuam para tomar cuidado no 7 de setembro", revela Keka.

terça-feira, 5 de julho de 2022

FORÇAS RETRÓGRADAS —Artigo: É preciso cortar a força do golpismo no Brasil, e ela reside no Palácio do Planalto

Terça, 5 de julho de 2022
                                                                           Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom
"São os setores assalariados públicos de militares e policiais de baixa patente, associados a um lúmpen proletariado articulado em grupos paramilitares, que dão sustentação de rua ao processo golpista em curso" 


O guarda da esquina e o golpismo: questionamento das eleições e do STF é estratégia nítida

Jorge Branco
Brasil de Fato | Porto Alegre (RS)

Nesta semana, mais precisamente no dia 27 de junho, o TSE recebeu do Ministério da Defesa a indicação dos dez militares (de patentes de médio oficialato) que acompanharão o processo eleitoral de 2022 na condição de “entidades fiscalizadoras”.

Lendo a nominata da exótica indicação me lembrei de uma passagem de domínio público sobre a assinatura do AI-5. Conta a história, o então vice-presidente civil da ditadura militar em 1968, Pedro Aleixo, procurado para assinar o ato institucional por um general das entranhas do regime, teria se negado a fazê-lo. O general teria insistido com o argumento de que ele não precisaria se preocupar com a hiper concentração de poder consagrada pelo ato, uma vez que “o poder estaria nas mãos dos generais, que ele tão bem conhecia”. Ao que Pedro Aleixo teria respondido: ‘General, o que me preocupa não são os generais, mas os guardas da esquina”.