“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

"Lula é responsável, com Dilma, por incrementar o Estado Policial que se volta contra ele"

Sexta, 26 de janeiro de 2018

Do The Intercept Brasil
Cecília Olliveira
25 de Janeiro de 2018, 17h14

“O JUIZ MORO agiu como injusto. Não respeitou a lei ao proferir uma sentença condenatória contra um homem inocente. Como quando acontece o extermínio de um jovem, por ele ser negro e ser julgado, condenado e morto, não porque tenha feito algo errado, (…) mas simplesmente por ser negro”.

Hmmm. Será?

A frase foi dita pela deputada federal petista Maria do Rosário em um ato em defesa de Lula na última terça em Porto Alegre – e pegou mal entre quem conhece alguma coisa sobre o assunto.


Porto Alegre: A deputada federal @mariadorosario comparou o julgamento do ex-presidente @lulapelobrasil ao de "um jovem negro que é morto pela polícia, sem julgamento".

“Não tenho palavras pra definir esse tipo de comparação. É algo descabido e extremamente oportunista”, retruca, indignada, Fabiana*, que viu o vídeo de onde mora há 29 anos: Cidade de Deus, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. “Eu acordei já ouvindo tiros de arma pesada, e minha preocupação era com a minha mãe que mora em outra parte do bairro e estava saindo pro trabalho. Quando liguei ela já tinha saído. Eu tive que sair mais tarde de casa”. Até o momento, vizinhos de Fabiana relatam cinco mortos durante a operação policial em curso.

A fala da deputada é apenas uso político das dores alheias. Algo que acontece com frequência sobretudo entre políticos quando querem defender suas bandeiras. Mas a Rosário não está sozinha nessa — é uma falácia retórica que fica cada vez mais popular entre certos segmentos da esquerda, e que subiu mais um degrau com o julgamento de Lula.

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

A defesa jurídica de Lula nos termos da assim chamada “esquerda socialista”

Terça, 23 de janeiro de 2018
A absolvição ou a condenação de Lula, um dos maiores gerentes do capitalismo brasileiro, não muda as tarefas colocadas para o proletariado no presente momento. O ativismo brasileiro já desperdiçou tempo demais se insurgindo contra golpes inexistentes, provendo uma sobrevida ao fracassado projeto da colaboração de classes e atrasando a urgente construção de um campo operário e socialista. 

Por
Pablo Biondi, de São Paulo. Advogado.

Quando recebemos algum tipo de crítica ou ataque de alguém que deveria estar do nosso lado, costumamos dizer: “com amigos assim, nem precisamos de inimigos”. Se considerarmos a relação de Lula com a chamada esquerda socialista (PSOL e a imensa maioria de suas correntes, principalmente), no que diz respeito à polêmica sobre a sua possível condenação e o subsequente comprometimento jurídico de sua candidatura nas eleições presidenciais de 2018, temos uma situação inversa. O ex-presidente bem poderia dizer, endereçando-se a essa “alternativa de esquerda ao PT”, algo como: “com inimigos como vocês, nem preciso de amigos”.

No momento de maior fragilidade política do PT, que se revelou um aparato político fundamental à dominação burguesa no Brasil das últimas décadas, as organizações de esquerda ligadas ao PSOL ou que dele se aproximam, com raras exceções, empenham-se em salvar Lula e seu partido das mãos do Judiciário e da Polícia Federal perante denúncias de corrupção. Afirmam essas organizações ditas socialistas que o destino do PT e de seu maior expoente não pode ser entregue ao Estado e à classe capitalista que dele se beneficia, levantando uma série de argumentos. Cumpre esmiuçar a argumentação apresentada por esses setores para que se possa, de maneira inequívoca, perceber os erros, as falácias e todo o oportunismo em que incorrem nesse debate.