O então deputado federal Gandi Jamil Georges, aliado do governo militar, usava um Opala para traficar drogas pela fronteira do Paraguai com o Mato Grosso do Sul.Ilustração: Rodrigo Bento/The Intercept Brasil
Do
The Intercept
PorLázaro Thor Borges
8 de julho de 2019
OPALA PRETO, com placas do Poder Legislativo Federal, cruzava tranquilamente a fronteira do Brasil com o Paraguai em Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul. Afinal, em plena ditadura, nenhum policial cometeria o erro de parar o carro que era usado pelo então deputado federal Gandi Jamil Georges, aliado do governo militar. No porta-malas, inúmeras cargas de armas e drogas traficadas sem problemas país adentro, como revelam dossiês exclusivos obtidos pelo Intercept.
Os arquivos do Serviço Nacional de Informações, o todo poderoso SNI, esquecidos por 30 anos, ligam pela primeira vez políticos da ditadura ao tráfico de drogas. Eles mostram que políticos apoiados pelo regime eram amigos, aliados e até irmãos de traficantes e contrabandistas que atuavam no Mato Grosso e no Mato Grosso do Sul. O Opala da Câmara é o exemplo mais característico.
CHRISTIANNE MACHIAVELLI COSTUMA chamar cada repórter pelo nome, e não são poucos os que ela conheceu durante os seis anos em que trabalhou encastelada no vigiado e protegido prédio da Justiça Federal de Curitiba, de onde saem os despachos de busca, apreensão e prisão assinados pelo juiz Sérgio Moro.
Chris, como é conhecida, trabalhava sozinha no departamento de comunicação da Lava Jato até agosto, quando pediu demissão para abrir uma assessoria de imprensa voltada a clientes da área jurídica. Ela diz que identificou um filão de mercado no setor, e garante que não é beneficiada por ter trabalhado com Moro. “Ele é amado por uns e odiado por outros. Eu tenho que lidar com o ônus e o bônus disso.”
Ela não tinha ideia do volume de trabalho que teria pela frente quando passou no processo seletivo em 2012. Acostumada com a rotina tranquila de seu trabalho anterior, na comunicação da Igreja Metodista de Curitiba, ela passou a responder a dezenas de jornalistas todos os dias, das primeiras horas da manhã até a madrugada. Teve crises de estresse, começou a tomar remédios controlados, engordou 30 quilos.
O trabalho de Chris era a ponta de uma estratégia costurada acima dela. A imprensa foi responsável pelo sucesso da Lava Jato. E isso não foi por acaso: Moro se inspirou na operação Mãos Limpas – que prendeu centenas de pessoas e mudou o cenário político da Itália – ao definir que, sem a imprensa, a operação morreria nos primeiros meses, como tantas outras antes dela.
“Os responsáveis pela operação Mani Pulite [mãos limpas, em italiano] fizeram largo uso da imprensa. Com efeito: para o desgosto dos líderes do PSI [um dos partidos investigados, que acabou extinto], que, por certo, nunca pararam de manipular a imprensa, a investigação da ‘mani pulite’ vazava como uma peneira”, escreveu Moro em um artigo de 2004, dez anos antes de dar início a operação que o tornou conhecido nacionalmente. Ele fez um copia/cola das estratégias do procurador italiano Antonio Di Pietro.
“Tão logo alguém era preso, detalhes de sua confissão eram veiculados no L’Expresso, no La Republica e em outros jornais e revistas simpatizantes. Apesar de não existir nenhuma sugestão de que algum dos procuradores mais envolvidos com a investigação teria deliberadamente alimentado a imprensa com informações, os vazamentos serviram a um propósito útil. O constante fluxo de revelações manteve o interesse do público elevado e os líderes partidários na defensiva”, continuou o juiz, já dando pistas de como achava que uma operação desse tipo deveria ser tratada.
Desde o início, os órgãos da Lava Jato (Ministério Público Federal, Polícia Federal e Justiça Federal) mantiveram vivo o interesse da imprensa, alimentando os veículos sobre qualquer movimento da operação. O Brasil assistiu extasiado ao desenrolar de cada nova fase como se fosse uma novela. “E hoje, quem será preso? Quem será delatado?”.
Foi para entender os bastidores desse processo que conversei com Christianne Machiavelli, por telefone, no começo de setembro. Ela tinha esvaziado suas gavetas na Justiça Federal poucos dias antes, em 30 de agosto. Levou consigo banais livros, canecas, documentos e outros objetos pessoais. Em especial, três dicionários que ganhou de presente do pai, que carrega consigo em todos os empregos, seus amuletos.
Por quatro anos, ela foi o único preposto entre os jornalistas e Moro – a quem ela chama de SFM, sigla para Sérgio Fernando Moro. Se tornou amiga pessoal de alguns repórteres. Os mais próximos ainda a convidam para os churrascos de confraternização de fim de ano onde todos os setoristas da cobertura se encontram – vários veículos de imprensa mantêm equipes permanentes em Curitiba só para atender à Lava Jato.
O trabalho, diz ela, a fez repensar a forma como as pessoas investigadas pela Lava Jato foram tratadas pela operação e, em especial, pela imprensa. Para ela, houve exageros. “Era tanto escândalo, um atrás do outro, que as pessoas não pensavam direito. As coisas eram simplesmente publicadas”.
Leia a seguir os principais trechos da conversa, editada para ficar mais clara, e alguns parágrafos de contexto.
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Você atuou no centro nervoso da Lava Jato desde o início, em 2014. Como vê a evolução da operação nestes anos?
O CAPITÃO JAIR BOLSONARO acredita que a ditadura militar foi uma época dourada para o Brasil. “Era completamente diferente de hoje. Naquele tempo você tinha liberdade, segurança, ensino de qualidade, a saúde era melhor.”
Apesar de nem as vírgulas dentro dessas aspas serem verdadeiras, a lorota de Bolsonaro tem colado com certa facilidade. Não é raro encontrar jovens defendendo o regime militar. Há também os que viveram a época e garantem que tudo era melhor. Todos da minha geração tem um tio, um pai ou um avô que afirma com muita convicção que o ensino público era fantástico, que não havia corrupção, que a economia bombava e que se podia andar tranquilamente nas ruas sem medo da violência. Mas essas experiências particulares não refletem exatamente o que se passava com a totalidade dos brasileiros naquele período. A bolha do seu tio não representa o Brasil.
A verdade é que os brasileiros conhecem pouco sobre a ditadura militar instalada no país. Pesquisa Datafolha de 2008 revelou que oito entre dez brasileiros nunca ouviram falar do AI-5, o principal símbolo do período militar. O AI-5 autorizou os militares a fechar o Congresso e a cassar mandatos, suspendeu direitos políticos de todos os cidadãos, estabeleceu a censura prévia à imprensa, entre outras arbitrariedades próprias de ditaduras.
Talvez alguns considerem que esse foi o custo a se pagar para termos uma boa segurança pública, uma economia forte e uma educação qualidade. Bom, nós não tivemos nada disso. Ao fim da ditadura, os militares devolveram aos civis um país em frangalhos em todas essas áreas. A herança maldita até hoje não foi superada e muitos dos nossos problemas atuais foram originados naquele período.
O capitão Bolsonaro e o general Mourão apostam no desconhecimento do brasileiro e se apresentam como os representantes do período militar. E até aqui estão se saindo muito bem nessa missão.
O tão falado “milagre econômico” durou apenas cinco anos entre os 21 do regime. De 1968 a 1973, enquanto o nível de repressão aumentava com o AI-5, o crescimento do PIB foi gigantesco, com média de 10% de crescimento ao ano, alcançando 14% em 1973. O que Bolsonaro e sua turma não contam é que embutido nesse boom econômico veio o boom da concentração de renda e da desigualdade social. Quando estourou a crise da dívida externa, o PIB despencou, chegando a ter índices negativos em 1981 e 1983, dando início à chamada “década perdida”.
Logo no início do regime, a inflação caiu bastante graças ao arrocho salarial, ou seja, às custas do trabalhador. Caiu de 92% para 34% no primeiro ano, mas disparou nos anos 1980, chegando em 1985 com um número espantoso de 242%. A dívida externa em 1964 era de US$ 3,4 bilhões. Em 1985, era de US$ 91 bilhões. Esse é o legado econômico que os militares deixaram para o país. E quem leu o projeto de Bolsonaro para economia tem certeza de que o futuro pode ser ainda pior.
Para o ensino público brasileiro, a ditadura também foi uma tragédia. Apesar de ter aumentado o contingente de alunos após tornar o ensino obrigatório, os investimentos em educação foram pífios. A combinação de professores com baixos salários, falta de material básico e contratação de docentes sem formação piorou consideravelmente a qualidade de ensino. No fim da ditadura, em 1982, o Banco Mundial divulgou um estudo em que o Brasil aparecia com o menor percentual de gasto público em educação da América Latina: 6,5% do PIB, aproximadamente o mesmo percentual gasto hoje. O cenário era tão miserável que, em algumas regiões, era bastante comum ter professores sem o 1º grau completo dando aula para estudantes do 1º grau.
Segundo a professora Renata Machado de Assis, da Universidade Federal de Goiás, em um artigo acadêmico sobrena estrutura física das escolas, que apresentaram condições precárias de uso; no número de professores leigos, que aumentou entre 1973 e 1983, fato que se mostrou mais grave na região Nordeste, onde 36% do quadro docente tinha apenas o 1º grau completo; e nos salários e condições de trabalhos dos professores, que sofreram um crescente processo de deterioração”.
A violência urbana também aumentou durante a ditadura. Os números da criminalidade são muito menores do que os de hoje, mas maiores do que no período anterior ao golpe. Não era a calmaria que Bolsonaro apregoa por aí. Foi justamente durante o regime militar que a criminalidade começou a aumentar. Em artigo para a Gazeta do Povo no ano passado, Maurício Brum conta como o endurecimento do regime não teve nenhum efeito na redução dos crimes. “Um caso sintomático é o de São Paulo, maior cidade do Brasil. Segundo levantamento feito pelo jornal O Estado de São Paulo em 2012, até o início da década de 1960 o índice de homicídios na cidade raramente superava 5 a cada 100 mil habitantes. Em 1985, ao final da ditadura, esses números haviam subido para 36,9. O índice seguiria subindo até o final dos anos 1990, antes de entrar em declínio – hoje a taxa de homicídios em São Paulo é de 7,4 a cada 100 mil paulistanos.” Então, pode acrescentar mais isso na conta dos militares: o alto índice de criminalidade no Brasil também é um legado da ditadura.
Nessa semana, encontrei alguns vídeos* no Youtube que ilustram bem o drama que o Brasil vivia ao final da ditadura militar. Recortei cinco trechos que mostram rebeliões em presídios, greves, corrupção, enfim, tudo aquilo que Bolsonaro garante nunca ter existido durante esses tempos de escuridão.
Globo Repórter de 31 de janeiro 1982
Procurador que investigava a Fraude da Mandioca no Banco do Brasil foi assassinado por um major. Parece mesmo que na ditadura do Bolsonaro reinava a paz e a ética na política.
Globo Repórter de 01 de janeiro de 1983 – Retrospectiva 1982
Rebeliões em presídios e trabalhadores sem receber salário apanhando por protestar. No regime militar era tudo diferente, né?
Edição do Jornal Nacional de julho de 1984
O preço do trigo e farinha nas alturas porque o FMI mandou reduzir os subsídios. Essa era a realidade da época que Bolsonaro trata como anos dourados.
Edição do SPTV do dia 26 fevereiro de 1985
A ditadura militar havia acabado de chegar ao fim. Diferentemente do que prega Bolsonaro, o caos imperava no Brasil. Greves, crise econômica e violência nas ruas. Foi assim que a ditadura militar entregou o país para os civis. A violência urbana era tão grande que o então secretário de segurança pública Michel Temer prometeu colocar mais Rota, a tropa de elite mais temida do país, na rua.
*Todos os trechos foram recortados de vídeos postados pelo canal Pedro Janov.
NESTES 25 ANOS como pastor, jamais testemunhei uma onda de ódio tão grande como a que tem tomado conta do cristianismo dito evangélico ou protestante na década atual.
A primeira grande polarização que testemunhei foi na eleição de 1989 onde o país se dividiu entre aqueles que defendiam Lula e os que defendiam Collor. Recordo-me que a maior parte de meus colegas pastores afirmavam, ainda que um tanto envergonhados, que votariam em Collor. Por outro lado, líderes de grande envergadura na época, como os pastores Caio Fábio, Rubem Alves, Ariovaldo Ramos e Robinson Cavalcanti declaravam apoio a Lula por entenderem que era a melhor opção para os pobres. Nenhum deles foi defenestrado pelos seus pares. De lá pra cá, a realidade mudou demasiadamente e parece que só tende a piorar.
Na última semana, André Valadão, pastor da Igreja Batista da Lagoinha, em Orlando, Estados Unidos, e irmão da cantora Ana Paula Valadão, declarou seu apoio a Jair Bolsonaro. O famoso artista gospel que comanda um culto para 5 mil pessoas todas as terças-feiras – o Culto Fé – recomendou o voto no candidato que defende torturadores, discurso de ódio a desfavorecidos e estado de exceção.
HÁ CERCA DE três anos, entrei em uma loja d’O Boticário, no bairro carioca da Tijuca, para comprar um desodorante de uma linha que gostava muito. Decidi bater em retirada sem ele quando a vendedora me apresentou uma base para o rosto e, ao ouvir minha indagação sobre o tom de pele, soltou sem pensar meia vez: “Mas você nem é negra!” E passou a desfilar o seu conceito do que seria uma pessoa negra apontando para cores de objetos ao redor e citando casos de amigos, colegas etc.
A vendedora queria me convencer de que eu, filha de pais, avós, bisavós e trisavós vindos de Salvador e do recôncavo baiano, uma pessoa que pesquisou sua árvore genealógica a fundo e sabe orgulhosamente que tem suas raízes bem fincadas lá no antigo Daomé, atual Benin e na Nigéria, não era negra – como se isso fosse me deixar radiante de felicidade.
“O JUIZ MORO agiu como injusto. Não respeitou a lei ao proferir uma sentença condenatória contra um homem inocente. Como quando acontece o extermínio de um jovem, por ele ser negro e ser julgado, condenado e morto, não porque tenha feito algo errado, (…) mas simplesmente por ser negro”.
Hmmm. Será?
A frase foi dita pela deputada federal petista Maria do Rosário em um ato em defesa de Lula na última terça em Porto Alegre – e pegou mal entre quem conhece alguma coisa sobre o assunto.
Porto Alegre: A deputada federal @mariadorosario comparou o julgamento do ex-presidente @lulapelobrasil ao de "um jovem negro que é morto pela polícia, sem julgamento".
“Não tenho palavras pra definir esse tipo de comparação. É algo descabido e extremamente oportunista”, retruca, indignada, Fabiana*, que viu o vídeo de onde mora há 29 anos: Cidade de Deus, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. “Eu acordei já ouvindo tiros de arma pesada, e minha preocupação era com a minha mãe que mora em outra parte do bairro e estava saindo pro trabalho. Quando liguei ela já tinha saído. Eu tive que sair mais tarde de casa”. Até o momento, vizinhos de Fabiana relatam cinco mortos durante a operação policial em curso.
A fala da deputada é apenas uso político das dores alheias. Algo que acontece com frequência sobretudo entre políticos quando querem defender suas bandeiras. Mas a Rosário não está sozinha nessa — é uma falácia retórica que fica cada vez mais popular entre certos segmentos da esquerda, e que subiu mais um degrau com o julgamento de Lula.
Na última
quarta-feira, Michel Temer e seus comparsas empreenderam mais um ataque
contra os cofres públicos. A base governista aprovou uma MP que fará o
país abrir mão de 1 trilhão
em impostos em favor das petrolíferas estrangeiras que irão explorar o
pré-sal brasileiro. Mas este é apenas um dos capítulos finais de um
roteiro entreguista que começou a ser desenhado antes mesmo do golpe
parlamentar.
Em junho, o prefeito de São Paulo colocou Luiz Fernando Furlan no comando
da Conselho Deliberativo da SP Negócios, empresa de economia mista
vinculada à prefeitura de São Paulo. Furlan é um dos donos da Sadia e
foi ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do
primeiro governo Lula. Até aí tudo bem, o problema é que ele também é
chairman do Lide e Presidente do Lide Internacional, grupo empresarial
de propriedade da família do prefeito. A SP Negócios é presidida por
Juan Quirós, que já foi presidente do Lide Campinas e o homem forte
do comitê financeiro da campanha do prefeito. Antes de ser nomeado por
Doria, Quirós teve seus bens bloqueados pela Justiça após ser acusado de
usar uma rede de offshores para ocultar ser dono de uma firma que
faliu.
A principal missão do Lide é fazer a ponte entre empresas e órgãos públicos. A principal missão da SP Negócios é criar
Parcerias Público-Privadas (PPPs). Como não abandonou seu cargo na
empresa de Doria para comandar a SP Negócios, Furlan hoje está no
comando dos dois lados do balcão. Se esses fatos não representam um flagrante conflito de interesses, o que mais poderia representar?
DEPOIS DE VIAJAR pelo mundo ostentando apoio maciço do Congresso e dizendo fazer parte de um governo semi-parlamentarista, Temer tem visto sua base parlamentar derreter e ensaiar largá-lo ferido na estrada. O presidente é descartável e seu eventual sucessor, Rodrigo Maia, pode muito bem comandar uma das grandes missões patrocinada pela grande mídia e pelo alto empresariado: a reforma trabalhista.
Com a popularidade batendo nos calcanhares e a lama ultrapassando o pescoço, Temer passou a ser um empecilho para os que têm pressa em aprovar uma reforma que também não conta com o apoio da população. Além das pesquisas indicarem que a maioria é contra, o Senado abriu uma consulta pública para saber se o os brasileiros aprovam a alteração da CLT. O resultado até aqui é avassalador: 15 mil são a favor, enquanto quase 170 mil são contra. Mas a falta de apoio popular nunca será um problema para quem destituiu uma presidenta eleita e implantou um plano de governo rejeitado nas urnas. O compromisso da turma do Grande Acordo Nacional é com os setores que patrocinaram o impeachment.
O compromisso da turma do Grande Acordo Nacional é com os setores que patrocinaram o impeachment.
Lobistas de associações
empresariais são os verdadeiros autores de uma em cada três propostas
de mudanças apresentadas por parlamentares na discussão da Reforma
Trabalhista. Os textos defendem interesses patronais, sem consenso com
trabalhadores, e foram protocolados por 20 deputados
como se tivessem sido elaborados por seus gabinetes. Mais da metade
dessas propostas foi incorporada ao texto apoiado pelo Palácio do
Planalto e que será votado a partir de hoje pelo plenário da Câmara.
The Intercept Brasil examinou as 850 emendas apresentadas por 82
deputados durante a discussão do projeto na comissão especial da Reforma
Trabalhista. Dessas propostas de “aperfeiçoamento”, 292 (34,3%) foram
integralmente redigidas em computadores de representantes da
Confederação Nacional do Transporte (CNT), da Confederação Nacional das
Instituições Financeiras (CNF), da Confederação Nacional da Indústria
(CNI) e da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística
(NTC&Logística).
Acendeu o sinal amarelo no Planalto. Uma rachadura na antes sólida base aliada está dificultando a aprovação da Reforma da Previdência. Segundo levantamento feito pelo Estadão,
275 deputados são contra as mudanças e apenas 101 são a favor. Por
isso, o governo passou a distribuir cargos e emendas parlamentares em
troca de apoio. Até aí, nenhuma novidade. Esta é uma prática comum na
democracia brasileira e todos os governos anteriores lançaram mão dela.
Mas uma outra estratégia do governo foi anunciada essa semana sem o
menor pudor: distribuição de verbas publicitárias em troca de apoio
editorial à Reforma da Previdência.
As gigantes do setor alimentício JBS e BRF, alvos centrais da Operação Carne Fraca, já ativaram as suas defesas. Estão a cobrar a conta dos seus dois maiores investimentos: as publicidades em redes televisivas e as doações a partidos políticos. Por Helena Borges.
JBS e BRF entraram na lista dos 30 maiores anunciantes do Brasil, entre os investimentos
em publicidade está a campanha “Academia da Carne por Friboi”
A operação investiga 22 empresas(link is external)do ramo alimentício envolvidas em um esquema de corrupção para autorização de frigoríficos irregulares. A Justiça Federal do Paraná determinou o bloqueio de mil milhões de reais nas contas da JBS e da BRF. Segundo a Polícia Federal, esta é a maior operação já realizada em toda sua história(link is external).
Maior doadora na campanha de 2014, a JBS distribuiu 61,2 milhões de reais para 21 dos 28 partidos representados na Câmara dos Deputados. Para não demonstrar favoritismo na disputa pela Presidência da República, a empresa - que também foi a maior doadora das duas chapas do segundo turno - deu o mesmo valor para Dilma/Temer(link is external) e Aécio/Aloysio(link is external): 5 milhões de reais para cada(link is external).