Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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terça-feira, 13 de agosto de 2019

Quem tem telhado de vidro, não atira pedras no telhado do vizinho

Terça, 13 de agosto de 2019
Do Blog Náufrago da Utopia


"A turma da Cristina Kirchner, que é a mesma de Dilma Rousseff, que é a mesma de Hugo Chávez, de Fidel Castro, deram (sic) sinal de vida aqui. Povo gaúcho, se essa esquerdalha voltar aqui na Argentina, nós poderemos ter no Rio Grande do Sul um novo estado de Roraima. Vocês podem correr o risco de, ao ter uma catástrofe econômica lá, como teve na Venezuela, ter uma invasão da Argentina aqui." (Jair Bolsonaro, metendo o nariz na política interna da Argentina e gerando antipatia para o candidato que apoia na eleição presidencial daquele país, Mauricio Macri)

"Bolsonaro é um racista, um misógino e um violento que é a favor da tortura. Que alguém assim fale mal de mim é algo que eu celebro. Lula deveria estar livre para poder concorrer a uma eleição com ele." (Alberto Fernández, candidato oposicionista que recebeu ajuda involuntária de Bolsonaro para arrasar Macri na disputa primária)

domingo, 9 de junho de 2019

Entre os caprichos de um motorista e a vida de uma criança, Bolsonaro se alinha com o motorista

Domingo, 9 de junho de 2019
Do Blogue Náufrago da Utopia
Por
Antonio Prata


NÓS CAPOTA MAS NÃO BRECA

A cadeirinha?! Bolsonaro agora é contra a cadeirinha?! 

Sim, ele é e nesta terça foi pessoalmente à Câmara entregar um projeto de avacalhação das leis de trânsito que, entre outros despautérios, libera da multa quem transporta criança sem este item essencial de segurança.

Qual a lógica? Nem se observada por um telescópio Hubble de paranoia ultradireitista a cadeirinha pode ser enxergada como algo de esquerda —selo este que, aos olhos do tosconarismo messiânico, justifica qualquer atrocidade, de matar mulher na porrada a pôr abaixo a Amazônia. 


“Ah, vai colocar o bebê na cadeirinha?! Vai fechar o cintinho nele?! Vai reduzir em 71% as chances do seu filho morrer num acidente?! Vai pra Cuba!”. Não, não faz sentido. 

Quando eleito, Bolsonaro disse que iria acabar com todos os ativismos. Seria isso? Seria a cadeirinha a vitória de uma minoria irritante, um avanço do insuportável politicamente correto? 

Tento me lembrar, mas não encontro na memória as manifestações pró-cadeirinha no vão-livre do Masp, as faixas de papel pardo penduradas na Faculdade de Filosofia da USP com frases escritas em guache, exigindo “Fora FHC! Fora FMI! Cadeirinha obrigatória para crianças até sete anos no banco de trás dos carros!”. 

A cadeirinha simplesmente surgiu como uma melhoria gigantesca na segurança das crianças e, por força de uma resolução do Conselho nacional de trânsito, impondo multa a quem não levasse as crianças pequenas ali, salvou milhares de vidas nos últimos anos. 

Tirar a multa para quem não leva criança na cadeirinha, dobrar o número de pontos para se cassar a CNH, acabar com radares nas rodovias e outras propostas que Bolsonaro tem feito não são fruto de uma mentalidade de direita ou liberal, mas de uma visão de mundo anticivilizatória.  


Bolsonaro não é especificamente contra a lei que impõe multa contra quem não usa a cadeirinha, ele é contra lei. Ou melhor, contra qualquer lei que incida sobre as liberdades de pessoas como ele.

E tendo em vista que motorista é uma categoria fundamental na identidade de pessoas como ele, quer manter o Estado longe de seus para-choques. 

É #meucarrominhasregras e dane-se quem estiver pela frente. Trata-se de uma visão tão doente que, entre a liberdade do motorista e a vida de uma criança, fecha com o motorista. 

Hobbes, Locke e Rousseau criaram algumas das bases sobre as quais foi construído o Estado de direito. A ideia fundamental é que se cada um não topar abrir mão de um pouco da sua liberdade, submetendo-se às leis, vivemos numa guerra de todos contra todos, na qual os mais fracos são massacrados pelos mais fortes. 

Não é uma ideia de esquerda, pelo contrário, é uma ideia essencial para o desenvolvimento da burguesia e do capitalismo. Locke, aliás, era especialmente preocupado com o respeito à propriedade privada.


No Leviatã, Hobbes tornou célebre a frase do latino Plauto, “O homem é o lobo do homem”, e todo o livro é uma construção para evitar que assim o seja. Pois a missão do governo Bolsonaro é inversa: garantir o direito dos lobos serem lobos. Abaixo os direitos humanos! Viva os direitos lupinos!

​Vamos armar todo mundo, vamos sentar o dedo em vagabundo, vamos aprovar qualquer agrotóxico, vamos criar a lei Neymar da Penha, vamos fazer uma Cancún em Angra, vamos acabar com as leis de trânsito, vamos fazer o que a gente quiser, a caneta é minha, a arma é minha, o carro é meu, o filho e a mulher também, chega de mimimi, Brasil acima de tudo, Deus acima de todos. (por Antonio Prata)

quinta-feira, 16 de maio de 2019

O governo Bolsonaro já derreteu. Só falta, tapando o nariz, empurrar a gosma nauseabunda para o ralo

Quinta, 16 de maio de 2019
Do Blog Náufrago da Utopia
Por Celso Lungaretti


Foi bonita a festa, moçada, fiquei contente! 

Era exatamente do que precisávamos, esse tsunami de jovens despertando para a política (o pesadelo do Bolsonaro na véspera!), tomando a Paulista e tantas outras avenidas e praças pelo Brasil inteiro com sua contagiante alegria, com seu entusiasmo ardente, a darem um chega-pra-lá numa extrema-direita bestial e ignara: "Vocês são um passado que tenta voltar mas jamais conseguirá, nós somos o futuro que ninguém vai impedir de chegar!". 


O ogro Bolsonaro, o Olavo sem cabeça, os príncipes-herdeiros das trevas e os ministros-zumbis são um halloween querendo se prolongar meses adentro, uma sessão maldita de sexta-feira à meia-noite cujo the end alguém esqueceu de projetar.

Nesta 4ª feira, contudo, fez-se a luz. E, para quem consegue ler o que está escrito na parede em letras garrafais, ficou a certeza de que os horrores deste início de ano já têm dia e hora marcados para acabar. 

E não vai demorar muito, não! O governo Bolsonaro já derreteu. Só falta algum abnegado da limpeza pública chegar com o rodo e, tapando o nariz,  empurrar a gosma nauseabunda para o ralo. 

Não esquecendo da água sanitária e do aromatizador, para nos poupar do fedor insuportável. 

quarta-feira, 24 de abril de 2019

Em meio a delírios de um anormal, festival de trapalhadas, erros táticos e estratégicos, o governo derrete

Quarta, 24 de abril de 2019
Do Blog Náufrago da Utopia
Por Celso Lungaretti


Durante a campanha eleitoral, colocávamos em dúvida a capacitação de Jair Bolsonaro para o exercício da presidência da República; em menos de quatro meses, ficou indiscutivelmente comprovado que ela inexiste mesmo e a inadequação é maior ainda do que se supunha. 

Mas, havia o temor de que a nova ultradireita ao seu redor tivesse algum discernimento do que queria e de como agir para concretizar seus planos nefastos.

O que estamos vendo, pelo contrário, é um festival de trapalhadas e de erros grosseiros na escolha de estratégia e táticas.

segunda-feira, 22 de abril de 2019

Desde que um direitista das cavernas assumiu a Presidência, o governo virou uma Casa da Mãe Joana

Segunda-feira, 22 de abril de 2019
Do Blogue Náufrago da Utopia
Por Marcos Augusto Gonçalves

GUERRA DE BOLSONARO CONTRA MOURÃO E DE
OLAVO CONTRA MILITARES DIVIDE GOVERNO

O investimento incessante do governo Bolsonaro em desinteligência, provocação e cizânia não se volta apenas contra os inimigos externos –a esquerda e os defensores de direitos civis e princípios civilizatórios, vistos como feiticeiros macabros do marxismo cultural e do globalismo.

A luta é travada também dentro de casa, sem cerimônia, com a característica rudeza da direita das cavernas que está no poder.

É o que se vê nas disputas acaloradas entre os chamados olavistas, em referência aos seguidores do ideólogo Olavo de Carvalho, e o grupo de generais que integra a administração, a começar pelo vice Hamilton Mourão.

"os milicos nas últimas décadas só fizeram cagada"

O confronto vem de longe e é atiçado pelos filhos de Bolsonaro os fiéis seguidores do santarrão da Virgínia. 

Steve Bannon, o estrategista alt-right demitido por Trump, mas paparicado pela família presidencial, já sugeriu que o vice renunciasse. E os arranca-rabos entre Olavo e generais tornaram-se rotineiros.

domingo, 10 de março de 2019

Orvalho de Cavalo e Bananas

Domingo, 10 de março de 2019
Do Blog Náufrago da Utopia

ORVALHO DE CAVALO E BANANAS

Jair Bolsonaro tratou de lombadas e da importação de bananas do Equador em seu primeiro pronunciamento ao vivo. São assuntos da paróquia mental do presidente, mas pelo menos não houve outra crise urinária, como no Carnaval.

No último ano, o Brasil comprou US$ 108 milhões em produtos equatorianos, 0,06% do total das nossas importações. Cerca de 61% foram gastos em chumbo, preparados de peixe, chocolate e cacau. Bananas nem são discriminadas na lista.

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Mito?! Ele não passa de mitômano: mente sem parar porque é incapaz de distinguir seus delírios da realidade

Terça, 25 de setembro de 2018
Do Blogue Náufrago da Utopia
Por Celso Lungaretti


A primeira entrevista dada por Jair Bolsonaro após o atentado que sofreu é simplesmente constrangedora. Não fala coisa com coisa nem mostra a mínima capacidade de distinguir seus delírios da realidade objetiva. Reparem:

"Acredito que ele [Adélio Bispo de Oliveira] não agiu sozinho. Ele não é tão inteligente assim, não. A tendência natural de um ato como aquele é ele ser linchado. Então ele foi para cumprir a missão quase na certeza de que não seria. Não seria como? Sabendo que teria gente ao lado dele".

É a lógica de um louco aplicada a outro louco. Se o sujeito não regula bem e só pensa em tornar-se um herói de folhetim barato, lá pensaria ele no risco de ser linchado? Existe alguma alguma evidência, por mínima que seja, de ele ter recebido ajuda? Se houvesse cúmplices, não tratariam é de dar-lhe fuga? E por aí vai. 

O que Bolsonaro parece querer é apenas insuflar um clima golpista, talvez já antevendo que se passar do 1º turno, será esmagado no 2º. As suspeitas infundadas sobre fraude eleitoral foram o primeiro passo, este é o segundo. Quantas outras esquisitices ainda virão por aí (risíveis para pessoas equilibradas, mas um prato cheio para os obcecados por teorias da conspiração)?


A falta de articulação mental é chocante neste outro trecho da entrevista, no qual, inclusive, ele começa a dizer que Adélio Bispo foi à Câmara Federal como parte da montagem de um álibi, mas depois se lembra que isto não passou de mais um boato desmentido, aí volta de novo para o delírio anterior, como se esquecesse de algo tão logo acaba de o afirmar:

"...Não quero que inventem um responsável. Longe disso. Tal partido… não. Mas dá para apurar o caso. Tem uma passagem dele [Adélio] na Câmara. Ou melhor, uma passagem falsa dele na Câmara, no dia 6 de setembro. E quando vai à Câmara, você se identifica, é fotografado. Então quem foi que…? Poderia ter um álibi aí. 

A polícia legislativa trabalha com muita lisura. A imprensa também tem que apurar. Você sabe que parte dela tenta acalmar o negócio. O que está em jogo é o poder. Eu chegando lá, nós quebraríamos o sistema. Não é na ignorância, não, é na lei".

O único sistema que um indivíduo desses parece capaz de quebrar é o da saúde mental... dele próprio.


Então, mantenho a dúvida que lancei há 15 dias, no post E se o comportamento bizarro do Bolsonaro for consequência de... insanidade mental?! (vide aqui):

"...tão bizarro seu comportamento — dois dias após quase sofrer morte violenta como possível consequência da violência que prega e exalta há décadas, se fazer fotografar dando tiros imaginários — que não haveria exagero nenhum em suspeitar de que ele possa estar sofrendo de insanidade mental, daí a chocante discrepância entre tal reação e a que qualquer pessoa normal teria".

"Que é que tem nessa cabeça? Saiba que ela pode explodir, irmão

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Herdamos a indolência dos índios e a malandragem dos africanos, diz o vice do Bolsonaro, afugentando eleitores

Segunda, 6 de agosto de 2018
Do Blog Náufrago da Utopia
Por Celso Lungaretti


Bem que eu escrevi: a união entre Jair Bolsonaro e o general Hamilton Mourão estava escrita nas estrelas!


Enquanto o primeiro ultradireitista diz que o trabalhador do campo não deve ter folga nos sábados, domingos e feriados (videaqui), o segundo qualifica índios de indolentes e africanos de malandros.

Ainda bem que a eleição é para presidente e a chapa marcha a passos largos para a derrota. Se fosse para o Itamaraty e esses dois entrassem, em pouco tempo o Brasil estaria em guerra com todos os países do mundo...

Eis o tiro que o general deu no pé ao participar pela primeira vez de um evento como candidato a vice-presidente da República:

"Temos uma certa herança da indolência, que vem da cultura indígena... 

E a malandragem, Edson Rosa [vereador negro que estava no encontro], nada contra, mas a malandragem é oriunda do africano.

Então, esse é o nosso caldinho cultural. Infelizmente gostamos de mártires, líderes populistas e dos macunaímas".

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Bolsonaristas lançam no fim de julho uma versão Dark do Foro de São Paulo

segunda-feira, 2 de julho de 2018
Do Blogue Náufrago da Utopia
Os convidados...

A direita está organizando um evento para servir de contraponto ao Foro de São Paulo. Assim, enquanto o tradicional encontro de legendas de esquerda vai ser realizado entre 15 e 17 de julho, em Cuba, a versão dark está marcada para o dia 28 de julho, em Foz do Iguaçu, PR.

O nome que melhor expressaria a intenção de criarem uma alternativa ao Foro de São Paulo seria, claro, Foro de Foz. Com uma vantagem adicional, qual seja sua pertinência com o que se pretende reunir: exatamente aquelas excreções que vão sendo despejadas nos rios e são por estes conduzidas à foz, desaguando em oceanos, mares, outros rios, lagos ou lagoas. 
...e o anfitrião.

No caso em pauta, só a última opção se aplica. Mas, ao contrário do que ocorre nas lagoas de tratamento dos esgotos, temo que a purificação seja impossível. 

Enfim, optaram pela denominação de Cúpula Conservadora das Américas, evitando uma piada pronta mas dando ensejo a outra: o que resultará dessa cópula, o monstro da lagoa negra?

Já confirmaram presença o ex-senador chileno Nicolás Díaz, o economista bolsonarista Paulo Guedes e o general Augusto Heleno Ribeiro Pereira, cotado para vice do presidenciável cuja candidatura se pretende alavancar com o evento (o general Heleno é aquele saudosista da ditadura militar que será eternamente lembrado por sua apologia do extermínio na frase "A Colômbia ficou 50 anos em guerra civil porque não fizeram o que fizemos no Araguaia"). A participação de Olavo de Carvalho será online.
Ausências lamentadas (o diabo não os liberou...)

A expectativa dos organizadores é que baixem umas 3 mil almas penadas para debaterem plataformas malignas nas áreas de economia, segurança, cultura e política. Alguém conhece um bom exorcista?

Segundo o deputado Delegado Fernando Francischini (PSL-PR), está prevista a elaboração de uma carta de princípios da direita (Guia do Retrocesso?): "A ideia é, com a eleição do Bolsonaro, formar um novo eixo político, econômico e cultural na região”.

Presumo que esse novo eixo terá muita afinidade com aquele da 2ª Guerra Mundial, constituído por Alemanha, Itália e Japão...

terça-feira, 12 de junho de 2018

Assim falava Bolsonaro: "A utilidade do pobre é votar. Título de eleitor na mão e diploma de burro no bolso"

Terça, 12 de junho de 2018
Do Blogue Náufrago da Utopia
Por Celso Lungaretti

Traçar paralelos entre personagens do presente e vilões do passado é complicado, geralmente há um tanto de exagero e de forçação de barra embutido no processo. 

Mas, para os que sustentam ser Jair Bolsonaro um novo Adolf Hitler, a Folha de S. Paulo forneceu excelente munição nesta 3ª feira (12), com a notícia Bolsonaro defendeu esterilização dos pobres para combater miséria e crime, de autoria de Ranier Bragon. 

Trata-se de uma compilação de opiniões e iniciativas do presidenciável brasileiro que certamente arrancariam aplausos entusiásticos do führer alemão.

São simplesmente odiosas. Evidenciam quão sinistro é o personagem que, na tentativa de se tornar palatável para os poderosos da economia, ora está moderando sua retórica tradicionalmente chocante. É sua fase lobo em pele de cordeiro. 

Que ninguém se iluda, pois não temos mecanismos de controle como os da democracia estadunidense, capazes de evitar parte substancial dos estragos que o energúmeno Donald Trump produziria se deixado à solta.
A realidade brasileira, contudo, é bem diferente. Bolsonaro presidente seria receita certa de turbulências do primeiro ao último dia do seu mandato, com enorme chance de o dito cujo terminar abruptamente como o de Jânio Quadros, outro populista obtuso e destrambelhado. Eis a notícia:
O presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) apresentou projetos e defendeu em discursos nas últimas décadas a esterilização dos pobres como meio de combater a criminalidade e a miséria.

No último dia 23, ele afirmou na marcha dos prefeitos a Brasília que estuda colocar no seu plano de governo uma proposta de planejamento familiar, mas não a detalhou.
"O pessoal pobre não controla a prole dele"

“Não estou autorizado a falar isso, que botei na mesa, mas eu gostaria que o Brasil tivesse um programa de planejamento familiar. Um homem e uma mulher com educação dificilmente vão querer ter um filho a mais para engordar um programa social.

”Nas dezenas de discursos que ele proferiu sobre o assunto, na Câmara, nos últimos 25 anos, defendeu a adoção pelo Estado de um rígido programa de controle de natalidade, com foco nos pobres. Segundo o pensamento que manifestou nesse período, seria o caminho para a redução da criminalidade e da miséria. 

No passado, Bolsonaro afirmou que programas como Bolsa Escola e Bolsa Família serviriam apenas para incentivar os pobres a ter mais filhos e, com isso, aumentar a fatia que recebem de benefícios.

“Só tem uma utilidade o pobre no nosso país: votar. Título de eleitor na mão e diploma de burro no bolso, para votar no governo que está aí. Só para isso e mais nada serve, então, essa nefasta política de bolsas do governo”, afirmou em novembro de 2013 no plenário da Câmara.
"Não adianta nem falar em educação"

Em 1992, seu terceiro ano como deputado, ele já falava sobre o tema. “Devemos adotar uma rígida política de controle da natalidade. Não podemos mais fazer discursos demagógicos, apenas cobrando recursos e meios do governo para atender a esses miseráveis que proliferam cada vez mais por toda esta nação.”

No ano seguinte, voltou à carga, também na Câmara: “Defendo a pena de morte e o rígido controle de natalidade, porque vejo a violência e a miséria cada vez mais se espalhando neste país. Quem não tem condições de ter filhos não deve tê-los. É o que defendo, e não estou preocupado com votos para o futuro”.

Bolsonaro afirmava em seus discursos não acreditar que a educação pudesse solucionar os problemas do país. “Não adianta nem falar em educação porque a maioria do povo não está preparada para receber educação e não vai se educar. Só o controle da natalidade pode nos salvar do caos”, disse em julho de 2008.

Segundo ele, a discussão sobre o auxílio governamental à população mais pobre entulharia o Congresso de projetos. “Já está mais do que na hora de discutirmos uma política que venha a conter essa explosão demográfica, caso contrário ficaremos apenas votando nesta Casa matérias do tipo Bolsa Família, empréstimos para pobres, vale-gás etc”, disse em 2003.

Em algumas das vezes que abordou o assunto, opinou que os pobres, por ignorância ou na expectativa de receber ajuda do governo, não controlam o número de filhos como os mais ricos.
Filho de ogro é ogrinho...

“Tem que dar meios para quem, lamentavelmente, é ignorante e não tem meios controlar a sua prole. Porque nós aqui controlamos a nossa. O pessoal pobre não controla [a dele]”, afirmou em 2013.

A lei 9.263/96, que trata do planejamento familiar, proíbe qualquer ação com o objetivo de controle demográfico ou a indução individual ou coletiva à prática de esterilização. Ela estabelece como diretrizes ações preventivas e educativas para o livre exercício do planejamento familiar. 

A esterilização cirúrgica voluntária —vasectomia ou laqueadura— é permitida apenas aos maiores de 25 anos ou, pelo menos, com dois filhos vivos, observados critérios como prazo mínimo de 60 dias entre a manifestação da vontade e a cirurgia, informação sobre a irreversibilidade do ato e não realização de laqueadura no período de parto.

Bolsonaro apresentou três projetos retirando praticamente todas essas restrições e reduzindo a idade mínima de esterilização para 21 anos. Dois foram arquivados e um está parado desde 2009.

Um de seus filhos, o vereador Carlos Bolsonaro, manifestou em rede social, em 2014, proposta de dar Bolsa Família só a quem se submetesse a vasectomia ou laqueadura.
Pobres como estes não merecem nascer? Ou são os canalhas da eugenia que não merecem estar vivos?