
Em 2021, o Centro de Ensino Fundamental 8 de Sobradinho foi um dos finalistas da etapa nacional do Prêmio de Educação em Direitos Humanos Óscar Arnulfo Romero - Foto: Álvaro Henrique/SEEDF
Evento realizado em julho, tratou sobre o papel da família no processo educacional de crianças e adolescentes LGBTs
Valmir Araújo
Brasil de Fato | Brasília (DF) | 31 de Julho de 2023
O que era para ser uma roda de conversa com adultos sobre educação e questões LGBTQIA+, se tornou em mais uma demonstração de preconceito e intolerância.
Realizada no dia 19 de julho para pais dos alunos do Centro de Ensino Fundamental (CEF) 08 de Sobradinho II, região administrativa do Distrito Federal, o evento 'Diálogo: famílias que acolhem – a importância da família no processo educacional de crianças e adolescentes LGBTQIAPN+' foi alvo de ataques e constrangimento.
Coordenador da Casa Rosa, um espaço de acolhimento e assistência para pessoas LGBTQIA+, Pedro Matias foi o palestrante da atividade. “Eu fui levar um material informativo para conversar com as famílias. O evento foi à noite, no contraturno, com adultos. Esse já é um trabalho que a Casa Rosa já faz em muitas escolas aqui do DF”, explicou Matias.
Segundo ele, haviam pessoas “infiltradas” que não eram pais de alunos e foram até lá para “patrulhar” e tentaram interromper a atividade várias vezes, mas ainda assim o evento foi realizado.
Depois da atividade, o deputado distrital Pastor Daniel de Castro (PP) entrou em ação e enviou um ofício para a Secretaria de Educação do DF pedindo esclarecimentos sobre o evento, o que motivou a repercussão do vídeo em que uma pessoa tenta interromper o palestrante.
De acordo com Pedro Matias, depois disso a escola recebeu notificações de denúncias que foram feitas na Ouvidoria, questionando se a atividade poderia ter acontecido e o teor do conteúdo apresentado, além da própria manifestação do parlamentar informando que a atividade não poderia acontecer.
Com a repercussão do vídeo, Pedro Matias conta também que matérias sem contextualização foram divulgadas sobre o episódio e ele passou a ser alvo de discurso de ódio nas redes sociais.
“A partir daí gerou-se um imenso debate, ataques massivos. Minha imagem estava exposta, como representante da Casa Rosa e eu recebi inúmeras ameaças”, contou Matias, ressaltando que todas as atividades que ele realiza estão amparadas na legislação vigente.