Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)

sábado, 25 de fevereiro de 2023

Poder aquisitivo do brasiliense não acompanha inflação

Sábado, 25 de fevereiro de 2023

Segundo pesquisa do IBGE, o rendimento médio do trabalhador brasiliense no terceiro trimestre de 2022 foi de R$ 4.793,00. Um anos antes era de R$ 4.836,00, perda de 43 reais. Ainda assim, a renda média candanga é superior a brasileira (R$ 2.737) e a da Região Centro-Oeste (R$ 3.183). O Distrito Federal apresentou o maior rendimento entre as Unidades da Federação.

Mesmo com uma inflação apresentando alta, a renda média do brasiliense não tem apresentado crescimento. Entre o terceiro trimestre de 2022 e o de 2021, houve uma redução de 0,89% no salário médio. A variação negativa não é, contudo, estatisticamente significativa para os técnicos, mas na prática, a manutenção ou pequena redução do valor nominal significa a perda de poder aquisitivo. Isso pelo fato de no mesmo período a inflação ter registrado alta de cerca de 5%.

Segundo pesquisa do IBGE, o rendimento médio do trabalhador brasiliense no terceiro trimestre de 2022 foi de R$ 4.793,00. Um anos antes era de R$ 4.836,00, perda de 43 reais. Ainda assim, a renda média candanga é superior a brasileira (R$ 2.737) e a da Região Centro-Oeste (R$ 3.183). O Distrito Federal apresentou o maior rendimento entre as Unidades da Federação.

PERIFERIA NA TELA —Filme "Mato Seco em Chamas" estreia no Cine Brasília; confira a programação

Sábado, 25 de fevereiro de 2023

Cena de "Mato Seco em Chamas"; filme fica em cartaz até 1º de março — Reprodução

Longa produzido por Ardiley Queirós e Joana Pimenta retrata periferia do DF num híbrido de ficção e documentário

Redação
Brasil de Fato | Brasília (DF)

Após vencer festivais internacionais e nacionais, o filme "Mato Seco em Chamas", dirigido pelo cineasta brasiliense Ardiley Queirós e por Joana Pimenta, entrou em cartaz no Cine Brasília nesta quinta-feira (23) e fica em exibição até o dia 1º de março. Entre os dias 24 a 28 de fevereiro, as sessões de "Mato Seco em Chamas" serão exibidas ás 19h10. Na quarta-feira (1º), o filme será exibido às 18h10.

Híbrido de documentário e ficção, Mato Seco em Chamas narra a história de um grupo de mulheres que se apossa do petróleo que abunda no subsolo e passa a comandar toda uma rede de comércio ilegal do produto em uma favela do Distrito Federal, mais precisamente no Sol Nascente, a periferia da periferia da capital do país.

O filme conta com a participação de não-atores, pessoas da própria comunidade, cujas histórias reais se incorporam ao roteiro que nunca é previamente fechado. É uma metodologia já consagrada na filmografia de Adirley e em seus trabalhos com Joana.

PRIMEIRO PASSO —Pode ser diferente: MST aposta em soja sem transgênicos como alternativa ao agronegócio

Sábado, 25 de fevereiro de 2023

Acampada do MST caminha pelos 200 hectares de plantação de soja — Foto: Lucas Weber

Com presença de ministros do governo, acampamento no PR inicia neste sábado a colheita no Paraná

Lucas Weber
Centenário do Sul (PR) | Paraná | 25 de Fevereiro de 2023

Neste sábado (25) o acampamento Fidel Castro do MST (Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) realiza a Festa da Colheita para celebrar a primeira safra de soja não transgênica da região. Os 200 hectares de produção foram cultivados na zona rural do município de Centenário do Sul, no Norte do Paraná.

O evento contará com a presença de dois ministros do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Paulo Teixeira, do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, e Carlos Fávero, da Agricultura e Pecuária de Abastecimento.


A soja não transgênica é diferente do grão comumente cultivado por empresas do agronegócio, que é alterado geneticamente para ser mais resistente a agrotóxicos. Pior: a soja transgênica usa o Roundup, produto composto pelo glifosato, substância já criticada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) por possíveis efeitos cancerígenos ao ser humano.

Segundo Diego Moreira, membro da Direção Nacional de Produção do MST e liderança na região, o Movimento Sem-Terra está propondo um grande desafio, que é resignificar o valor da soja para toda a população brasileira

“Nós [do MST] entendemos a soja como alimento, e uma ferramenta para o combate à fome no mundo. A gente tá acostumado a tratar ela com preconceito, e com motivos para isso", diz ele.

"Mas, à medida em que aprofundamos o conhecimento da soja como alimento, não aderirmos à lógica monopolizada pelas grandes empresas. Temos certeza que trabalhadores e trabalhadoras vão entender a importância de plantar soja."

“É o que o povo tá pedindo, que o povo pede, menos agrotóxicos. A gente sabe que agrotóxico não é bom. Você vai comprar um produto, você prefere com glifosato ou sem?”, questiona Edivan Ghizoni agricultor familiar, assentado do MST na região e responsável por coordenar o plantio de soja não transgênica no acampamento.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023

Light: história se repete. Tragédia?

Sexta, 24 de fevereiro de 2023

Foto: Rovena Rosa /ABr

Estatizada em 1979, privatizada em 1996, companhia está em nova crise.
24 De Fevereiro De 2023

Faltando poucos anos para terminar a concessão, com sérios problemas na distribuição de energia, a Light avisa ao governo que não tem caixa suficiente para manter o fornecimento no Rio de Janeiro.

O ano poderia ser 2023 – a concessão vence daqui a 3 anos, e a empresa tem endividamento líquido de R$ 8,7 bilhões e dívida bruta de R$ 12,8 bilhões. Mas também serve para janeiro de 1979, quando as ações da Light de propriedade da canadense Brascan foram compradas pela ditadura, pelo valor de US$ 380 milhões (mais o imposto de US$ 56,4 milhões). O total, atualizado para dólar de hoje, é de aproximadamente US$ 1,8 bilhão; em reais; cerca de R$ 9,3 bilhões.

O negócio foi muito criticado. A alegação de que a concessão estava prestes a vencer era contestada por vagas afirmações de que a empresa pediria indenizações que dificultariam a estatização; analistas do mercado financeiro ouvidos à época pelo Jornal do Brasil se surpreenderam com o valor, muito acima do esperado.

O governo de João Figueiredo alegava que eram necessários investimentos que a companhia não estava em condições de realizar. Desde a década de 1950, os serviços da Light se deterioravam. Fez sucesso a marcha Vagalume, de Vitor Simon e Fernando Martins (1954), que dizia: “Rio de Janeiro / Cidade que nos seduz / De dia falta água / De noite falta luz”. Troque-se Rio por São Paulo e perde-se a rima, mas a crise era igual, pelo menos na eletricidade, controlada em áreas paulistas pelo mesmo grupo canadense.

Encerrava-se, assim, a primeira etapa da história privada da empresa, cujas atividades iniciaram-se em 17 de julho de 1899, com a Usina Hidrelétrica Parnaíba, no Rio Tietê, construída entre 1899 e 1901. Capitais canadenses criaram um império na área de eletricidade, gás, transportes. Segundo Duncan McDowall, o grupo Light permaneceu até a década de 1950 como a maior corporação privada da América do Sul; foi também o maior empregador privado do Brasil até a década de 1960.

A venda da Light, em 1979, representou o passo final da saída do grupo canadense da área de infraestrutura no Brasil, iniciada em 1956, com a criação da Brascan. Mas, não, a história não se encerrava aí. Menos de 20 anos, e muitos investimentos depois, em 21 de maio de 1996, a Light foi privatizada pelo governo de Fernando Henrique Cardoso pelo preço mínimo de R$ 2,2 bilhões (cerca de R$ 11 bilhões, em valores de hoje).

Após passar por muitos controladores e virar uma empresa com ações diluídas no mercado, a Light alega perdas com furtos de energia (“gatos”) em locais controlados por tráfico e milícia. Mas não são poucos os que criticam a empresa por não ter um plano para reduzir as perdas e, ao passar os custos para as contas, reduzir ainda mais o número de pagantes.

De privada a estatal a privada novamente, a Light segue um destino de altos e baixos. Agora, chama-se a Viúva para socorrer em um novo momento de baixa.

MEIO AMBIENTE —Distrito Federal ficará nove meses em estado de emergência ambiental

Sexta, 24 de fevereiro de 2923

Em setembro de 2022 o fogo consumiu mais de 3 mil hectares do Parque Nacional de Brasília - Divulgação/CBMDF

Decreto foi assinado pela governadora em exercício, Celina Leão

Redação
Brasil de Fato | Brasília (DF) | 24 de Fevereiro de 2023

O Distrito Federal ficará em estado de emergência ambiental entre os meses de março e novembro de 2023 devido às queimadas. Neste período o governo do DF poderá adotar as medidas necessárias para prevenir e minimizar as ocorrências e os efeitos dos incêndios florestais.

O decreto que define estado de emergência ambiental no DF foi assinado nesta quarta-feira (22), pela governadora em exercício, Celina Leão. O documento também determina que os órgãos que integram o Plano de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais do Distrito Federal (Ppcif) - executado pelo Sistema Distrital de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais.

O Plano de Prevenção e Combate aos Incêndios funciona como um sistema de parcerias institucionais que visam à proteção do Cerrado e a articulação entre os órgãos com o objetivo de otimizar os recursos humanos e materiais para execução do plano de prevenção. Segundo o governo, a ocorrência de incêndios florestais no DF está associada às condições climáticas do cerrado, caracterizada por um longo período de estiagem.

Uma lição de realismo

   Fevereiro

24

Uma lição de realismo

Em 1815, Napoleão Bonaparte fugiu de sua prisão na ilha de Elba e fez a viagem de reconquista do trono da França.
Marchava passo a passo, acompanhado por uma tropa crescente, enquanto o jornal Le Moniteur Universel, que havia sido seu órgão oficial, assegurava que os franceses estavam loucos de vontade de morrer defendendo o rei Luís XVIII, e chamava Napoleão de violador à mão armada do solo da pátria, estrangeiro fora da lei, usurpador, traidor, praga, chefe de bandoleiros, inimigo da França que ousa sujar o solo do qual foi expulso, e anunciava: Este será seu último ato de loucura.
No final o rei fugiu, ninguém morreu por ele, e Napoleão sentou-se no trono sem disparar um único tiro.
Então o mesmo jornal passou a informar que a feliz notícia da entrada de Napoleão na capital provocou uma explosão súbita e unânime, todo mundo se abraça, os vivas ao Imperador enchem o ar, em todo os olhos há lágrimas de alegria, todos celebram o regresso do herói da França e prometem à Sua Majestade o Imperador a mais profunda submissão.

Eduardo Galeano, no livro ‘Os filhos dos dias’.
L&PM Editores. 2ª ed., folha 72.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2023

Autoridades nacionais podem requisitar dados diretamente a provedores no exterior, decide STF

Quinta, 23 de fevereiro de 2023
Medida, prevista no Marco Civil da Internet, não afasta acordo de cooperação internacional entre Brasil e Estados Unidos.

Do STF
23/02/2023 atualizado às 20h09

                                          Foto Marcello Casal Jr./Agência Brasil

O Supremo Tribunal Federal (STF) julgou constitucional a possibilidade de autoridades nacionais solicitarem dados diretamente a provedores de internet estrangeiros com sede ou representação no Brasil sem, necessariamente, seguir o procedimento do acordo celebrado entre o Brasil e os Estados Unidos. Em decisão unânime, na sessão desta quinta-feira (23), o Plenário entendeu que a hipótese está prevista no Marco Civil da Internet.

Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 51, a Federação das Associações das Empresas de Tecnologia da Informação (Assespro Nacional) pedia a declaração de validade do Acordo de Assistência Judiciária em Matéria Penal (MLAT, na sigla em inglês), promulgado pelo Decreto Federal 3.810/2001, usado em investigações criminais e instruções penais em curso no Brasil sobre pessoas, bens e haveres situados nos Estados Unidos. O acordo bilateral trata da obtenção de conteúdo de comunicação privada sob controle de provedores de aplicativos de internet sediados fora do país.

TEATRO CCBB —Brasília recebe o musical “Molière” interpretada por Matheus Nachtergaele

Quinta, 23 de fevereiro de 2023

Espetáculo passeia entre a tragédia e a comédia e tem música ao vivo - Foto: Aloysio Araripe

“O riso é um catarse importantíssimo e curador”, destaca o ator, que fica em cartaz no CCBB até 12 de março

Cláudia Maciel
Brasil de Fato | Brasília (DF) | 23 de Fevereiro de 2023

O espetáculo musical Molière, que passeia entre a tragédia e a comédia, será apresentado em Brasília a partir desta quinta-feira (23) no Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB) até o dia 12 de março. O ator Matheus Nachtergaele dá vida ao personagem Molière, o dramaturgo que é o pai da comédia ocidental.

“Molière — Uma comédia musical” narra o conflito entre as maneiras de pensar o mundo a partir das máscaras, uma sorri de tudo e de todos e a outra mostra reverência e temor diante da dor e da morte. O embate épico entre as duas faces da vida tem como cenário a corte real de Luís XIV, na França.

Marcado por experiências cômicas na televisão, Matheus Nachtergaele aponta que esta é a primeira vez que experimenta o gênero em peça teatral. “Toda a minha obra teatral é trágica. Estava muito acostumado a fazer comédias para a televisão, principalmente. Mas nunca tinha sido um ator cômico para o palco. Nunca tinha estado ao vivo com as pessoas para fazê-las sorrir. Estou protagonizando um espetáculo cômico, e não só isso, representando o dramaturgo que é o pai da comédia ocidental. É um desafio”, ressalta o artista.

STF derruba lei de Roraima que proibia destruição de bens apreendidos em operações ambientais

Quinta, 23 de fevereiro de 2023
Para o Plenário, a norma estadual limita a eficácia da Lei de Crimes Ambientais.


Por unanimidade, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) julgou inconstitucional lei do Estado de Roraima que proibia os órgãos ambientais de fiscalização e a Polícia Militar de destruir ou inutilizar bens particulares apreendidos em operações ambientais no estado.

Do STF
Na sessão virtual encerrada em 17/2, o Tribunal julgou procedente o pedido formulado nas Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) 7200 e 7204, propostas, respectivamente, pela Rede Sustentabilidade e pela Procuradoria-Geral da República. A decisão confirmou liminar concedida pelo ministro Luís Roberto Barroso, relator das ações.

Invasão de competência

Em seu voto no mérito, o relator observou que a Lei estadual 1.701/2022 viola a competência privativa da União para legislar sobre direito penal e processual penal e para editar normas gerais de proteção ao meio ambiente. A seu ver, a lei de Roraima limita a eficácia da Lei de Crimes Ambientais (Lei Federal 9.605/1998), regulamentada pelo Decreto 6.514/2008, que autoriza a apreensão e a destruição de produtos e instrumentos de infrações ambientais. Com isso, esvazia um instrumento de fiscalização ambiental.

Perdas dos estados com ICMS: é preciso enfrentar a fonte do problema

Quinta, 23 de fevereiro de 2023
DA Auditoria Cidadã da Dívida

Recentemente, a Auditoria Cidadã da Dívida publicou post mostrando o prejuízo causado ao país pela adoção, pela Petrobras, do chamado “Preço de Paridade de Importação” (PPI) desde 2016, que vem provocando elevação insustentável nos preços dos combustíveis, pois utiliza o preço de importação, como se não produzíssemos uma gota de combustíveis no país! Além de já produzirmos aqui mesmo no Brasil quase todos os combustíveis que consumimos, os custos efetivos são muito mais baixos que os aplicados pela Petrobras. Com isso, toda a sociedade é penalizada pelo elevadíssimos custo de combustíveis e pela explosão da inflação, enquanto os escandalosos lucros da Petrobras são distribuídos a acionistas privados, inclusive estrangeiros, e a parte do lucro distribuída ao governo federal é destinada ao pagamento da dívida pública.

Sem querer enfrentar essa aberração e buscando uma redução no preço dos combustíveis às vésperas da eleição, o governo federal anterior e os parlamentares no Congresso Nacional aprovaram a Lei Complementar 194 (https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2022/08/05/lei-que-limita-icms-de-combustiveis-e-atualizada-apos-derrubada-de-vetos), interferindo na atribuição exclusiva dos estados de definir a tributação do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), de competência estadual.

Juros pagos pelo BC em Depósitos Voluntários aumentam mais de 5.000%

Quinta, 23 de fevereiro de 2023



Gastos não aparecem no último Balanço do Banco Central.
17 De Fevereiro De 2023

Os Depósitos Voluntários Remunerados, um instrumento de remuneração, pelo Banco Central (BC), da sobra de caixa dos bancos, estão aumentando em ritmo exponencial. A Auditoria Cidadã da Dívida (ACD) estimou, com base no estoque diário de tais depósitos, e aplicando-se a Taxa Selic (salientando que o cálculo pode estar subestimado), que os gastos com juros deste mecanismo aumentaram 5.154% ano passado, em comparação a 2021.

Os gastos com juros com os Depósitos Voluntários não aparecem no último Balanço do BC divulgado. Tal instrumento não possui limite de remuneração, pois durante a votação, no Senado Federal, do Projeto de Lei que criou o Depósito, foi rejeitada uma emenda que procurava limitar tal remuneração à Taxa Selic. A estimativa é de um montante de R$ 5 bilhões em 2022.

O valor ainda é modesto comparado aos R$ 133,2 bilhões em juros das chamadas Operações Compromissadas no ano passado (alta de 161%), mas deve ter forte crescimento com a ampliação no número de instituições financeiras que têm acesso ao Depósito Voluntário.

Autorizados há cerca de 7 meses, estavam disponíveis somente para as 12 instituições financeiras que atuam como dealers do BC. Em 7 de fevereiro, o acesso foi ampliado para cerca de 250 instituições.

Segundo a ACD, os Depósitos Voluntários Remunerados são uma alternativa para o BC remunerar a sobra de caixa dos bancos de forma totalmente independente do governo eleito, ou seja, sem necessitar utilizar títulos do Tesouro Nacional.

A Lei 14.185, de 2021, que autoriza o BC a receber os Depósitos Voluntários Remunerados teve origem no PL 3.877/2020, do senador Rogério Carvalho (PT-SE). A ACD lamenta que tenha sido um parlamentar do Partido dos Trabalhadores o autor do projeto, que foi apoiado por economistas ligados ao atual governo. “Agora, com o governo Lula lutando contra a política de juros altos do BC ‘independente’ e todos os seus malefícios, o tempo mostra quem tinha razão”, frisa a Auditoria Cidadã.

O livro dos prodígios

Fevereiro

23

O livro dos prodígios

Num dia destes, no ano de 1455, saiu à luz a Bíblia, o primeiro livro impresso na Europa com tipografia móvel.
Os chineses vinham imprimindo livros fazia dois séculos, mas foi Johannes Gutenberg que iniciou a difusão massiva do mais apaixonante romance da literatura universal.
Os romances contam mas não explicam, não têm por que explicar. A Bíblia não diz qual a dieta que Noé seguiu para chegar ao Dilúvio com seiscentos anos de idade, nem qual o método que a mulher de Abraão usou para ficar grávida aos noventa, nem esclarece se a burra de Balaã, que discutia com seu amo, sabia falar hebraico.

Eduardo Galeano, no livro ‘Os filhos dos dias’. L&PM Editores. 2ª ed., folha 71.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023

Grilagem ataca no Park Way em pleno Carnaval

Quarta, 22 de fevereiro de 2023


Do Blog Brasília, por Chico Sant'Anna
Numa primeira apuração, descobriu-se que muitos dos invasores já eram figurinhas carimbadas em outras ações de ocupação irregular do solo. Todos foram levados à delegacia de polícia, mas as tendas e barracos ficaram de pé, preocupando moradores, que temem uma volta dos oportunistas. Segundo um policial, a técnica é ocupara uma área nobre com pessoas ditas carentes e depois com base em interesse social regularizar o espaço e revende-lo a preço de ouro.

Texto atualizado às 15h50, de 22/02/2023

Por Chico Sant’Anna

A terça-feira gorda foi de vigília e apreensão para moradores da quadra 26 do Park Way. De uma hora para outra uma área verde de aproximadamente 20 mil metros quadrados foi invadida por um bloco que não era de Carnaval. Pelo menos, quinze famílias começaram a levantar barracas e cabanas com lona plástica. Eles se instalaram por de traz da densa vegetação, evitando serem observados por quem passasse na rua.

A mobilização dos moradores fez com que em pleno Carnaval a Polícia Militar entrasse na avenida, digo, na mata. Numa primeira apuração, descobriu-se que muitos dos invasores já eram figurinhas carimbadas em outras ações de ocupação irregular do solo. Os que já eram fichados foram levados à delegacia de polícia, mas as tendas e barracos ficaram de pé, preocupando moradores, que temem uma volta dos oportunistas. Segundo um policial, a técnica é ocupar uma área nobre com pessoas ditas carentes e depois com base em interesse social regularizar o espaço e revende-lo a preço de ouro.

Madrugada a dentro os invasores continuaram a erguer acampamento. Sons de marteladas emanavam do interior da mata. Um morador da quadra, que é policial, tentou dialogar com o grupo mas foi espancado. Ficou desacordado por alguns minutos no solo A agressão fez com que a Polícia Militar comparecesse ao local, levando mais quatro pessoas presas – sendo um menor.

Confira aqui o depoimento de morador que foi agredido por invasores


Aos policiais foi apresentado uma certidão, passada em cartório de Goiás, em que a área pública é cedida a um morador de Taguatinga por R$ 200 mil. O documento trata a área verde pública como sendo um lote de chácara, denominação inexistente no plano urbanístico do Park Way.





Ainda uma vez adeus, Petrobrás, Brasil

Quarta, 22 de fevereiro de 2023
Ainda uma vez adeus, Petrobrás, Brasil

Da AEPET — Assiciação dos Engenheiros da Petrobrás
Publicado em 22/02/2023 em A-Destaque
Escrito por Pedro Pinho
Do político, homem público, José Ribamar Ferreira de Araújo Costa, conhecido como José Sarney (1930) só tenho discordâncias. Jamais soube do uso de seu poder político que não se dirigisse ao interesse pessoal, familiar, para estreito círculo de eleitores e partidários. Creio que nenhuma gota de nacionalismo corria em seu sangue.

No entanto, vou também usar o título desta magnífica poesia de Gonçalves Dias, como ele o fez, na “Folha de S.Paulo”, em 23/09/2005, para queixa. Não do amor, que não se concretizou, no passado, nem dos colegas, “patres conscripti”, cujo interesse nacional, como a exclamação de Cícero, o orador romano, perdeu-se no tempo. Mas destes homens e mulheres de meu País, que jamais o quiseram soberano, poderoso entre as nações, e com sua imensa riqueza utilizada para o benefício de todo seu povo.

O primeiro passo para a autonomia é o conhecimento. Que conhecimento teriam do Brasil aquelas pessoas acampadas na frente dos quarteis, muitas para receberem um prato de comida ou um trocado para bebida? Que poderia esperar a turba que entrou depredando móveis, objetos de arte, a história do Brasil, nos prédios que representam, para o bem e para o mal, o poder visível no Brasil? E não sei qual pior, os destruidores, ou aqueles que se aproveitaram da ignorância para justificar a ausência das medidas mais imediatas, que apenas dependiam de ato de governo, para reverter a situação de dependência energética e da falta de emprego, que vive o autossuficiente em energia Brasil.

Um e outro dos escolhidos para participar do terceiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva ainda usa a palavra “desenvolvimento” como só existisse um, e para o povo brasileiro.

O que têm feito todos os governos desde o general João Baptista Figueiredo até hoje? Promover a desnacionalização do País, mesmo quando se aumenta a riqueza produzida, de modo que este desenvolvimento econômico seja apropriado por finanças apátridas, vá enriquecer estrangeiros.

Precisamos ir à raiz de nossos males, e o maior dele foram quatro séculos de escravidão legal, sucedidos pela informal. E por falta das medidas, preconizadas por José Bonifácio de Andrada e Silva, que não encontraram senão oposição raivosa no poder nacional, construído pela escravidão e pela sujeição aos interesses estrangeiros, fossem de Portugal, da Inglaterra, dos Estados Unidos da América (EUA) ou das finanças apátridas.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023

DESMONTE —Governo Bolsonaro desidratou investimentos para prevenção de desastres

Segunda, 20 de fevereiro de 2023
Foto: Divulgação/Defesa Civil de São Paulo
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Verba para evitar tragédias como a ocorrida no litoral de SP despencou de mais de R$ 3 bi em 2014 para R$ 1,1 bi em 2021

Nara Lacerda
Brasil de Fato | São Paulo (SP) | 20 de Fevereiro de 2023

Os anos de governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) representaram queda expressiva no financiamento de ações para prevenção e resposta a desastres naturais. Na gestão do direitista, o Brasil teve as menores previsões orçamentárias para a área desde 2010.

Dados da iniciativa Contas Abertas mostram que, entre 2013 e 2014, os valores destinados a ações dessa natureza ultrapassaram R$ 3 bilhões. Nos três anos seguintes esse montante caiu, mas seguiu em patamares próximos a R$ 2 bilhões até 2017.

Em 2018, último ano em que Michel Temmer (MDB) ocupou o Palácio do Planalto após o golpe contra a a ex-presidenta Dilma Rousseff (PT), a verba baixou para R$ 1,6 bilhões. O bolsonarismo seguiu a cartilha e desidratou ainda mais o setor.

No primeiro ano em que mandou no orçamento, Bolsonaro definiu que o investimento para prevenir grandes tragédias naturais e socorrer municípios em situação emergencial seria de R$ 1,2 bilhões de reais. Em 2020, o valor subiu um pouco e chegou a R$ 1,5 milhões. Ainda assim, ficou abaixo do que foi aplicado em gestões anteriores.

Já em 2021, o montante despencou para R$ 1,1 milhões, a pior previsão de investimento em mais de uma década.

A Diplomacia e o conflito entre o Saara Ocidental e o Marrocos

Segunda, 20 de fevereiro de 2023
No Brasil, a Associação de Solidariedade pela Autodeterminação do Saara Ocidental-ASAARAUI vem solicitando ao governo brasileiro o reconhecimento da República Árabe Saarauí Democrática-RASD.  Foto: Reprodução Wikipedia

Do Portal Contexto Exato
Por Salin Siddartha

Atualmente, o Saara Ocidental encontra-se invadido pelo exército marroquino, o que levou à divisão do seu território em duas partes: uma zona livre, de onde o governo saarauí organiza a vida de seu povo, e uma zona ocupada ilegalmente pelo Marrocos, onde a população que lá se encontra isolada e dominada luta pela sua liberdade. Assim, a República Árabe Saarauí Democrática-RASD, ao passo que se confronta belicamente, também sustenta um empenho diplomático pelo reconhecimento da causa desfraldada pela luta por sua libertação e autonomia, com quase cem países mantendo relações oficiais de diplomacia com o Saara Ocidental.

No Brasil, a Associação de Solidariedade pela Autodeterminação do Saara Ocidental-ASAARAUI vem solicitando ao governo brasileiro o reconhecimento da República Árabe Saarauí Democrática-RASD. Como parte de suas atividades, em reunião de agradecimento, a ASAARAUI despediu-se, no dia 12 de dezembro, do ex-Representante da República Árabe Saarauí Democrática-RASD no Brasil, Emboirek Ahmed; em seu lugar, assumiu Ahmed Mulay Ali Hamadi. Escritor de fama mundial e Diplomata, formado em Relações Internacionais pela Universidade Nacional do México-UNAM, Ahmed Mulay é membro da Academia Mexicana de Direito Internacional e foi Embaixador do Saara Ocidental no México até o ano passado, posto que exercia desde 2004, logo após de deixar o cargo de Delegado da Frente Polisário em Madri, que ocupou em 2002 e 2003.

A República Árabe Saarauí Democrática-RAS é uma nação independente que tem Constituição, parlamento, poder judiciário e presidência da República. É um Estado com uma sociedade organizada em franco funcionamento.

Saudades do Carnaval de Rua da Bahia

 Segunda, 20 de fevereiro de 2023

O Trio Tapajós dos velhos carnavais.

Lembrança dos meus carnavais de antigamente em Salvador. Quando poucas cordas havia nas ruas de Salvador, quando o povão pulava livremente atrás dos trios elétricos, quando estes caminhões de som não eram submetidos aos caprichos de blocos.

Saudades do Bloco Filhos da Pauta, o bloco dos funcionários do jornal Tribuna da Bahia, bloco que não tinha horário certo para sair e muito menos horário para terminar o "desfile". Bloco que teve alguns problemas para usar o nome. A Polícia Federal, por estarmos nos anos de chumbo, tentou convencer a direção do bloco a mudar de nome. Filhos da Pauta era lá nome para se usar em plena ditadura? O nome sugerido pelo delegado federal, crente que havia tido uma boa idéia, era "Os Tribunos" (de Tribuna da Bahia). Com esse nome não haveria bloco. Nenhum filho da pauta se considerava um tribuno. Era filho da pauta, e pronto.

Nos Filhos da Pauta, corda mesmo só na "concentração", pois nenhum dos filhos  queria pular segurando as cordas, e naquele tempo não havia essa história de "cordeiros" (pessoas que ganham uma miséria para segurar as cordas dos blocos de Salvador). E corda para quê?

Saudades do Carnaval em que, de mortalha —e não de abadá— se ia atrás dos trios de Dodô e Osmar, dos Novos Baianos, de trios que traziam Gal Costa, Betânia, Gilberto Gil, Caetano, Moraes Moreira, Paulinho Boca de Cantor, Pepeu Gomes, Baby Consuelo. De trios como o Tapajós, que completa  [já completou] agora mais de meio século de Carnaval.  Carnaval que não era espremido por cordas, nem por camarotes que atravancam as ruas, a festa, e que representam, infelizmente, a volta da elitização do carnaval. O carnaval de Salvador saiu dos salões e foi para as ruas. Agora, sai das ruas e volta para o salão, que, modernamente, são esses camarotes que enfeiam o carnaval da Bahia. Saudades da época que só não ia atrás do trio elétrico aquele que já havia morrido. Não era como hoje, que para se ir atrás do trio elétrico tem que se pagar uma fortuna para sair em algum bloco.

Chame Gente - Armandinho, Morais, Gil, Caetano, Margareth, Ivete, Daniela, Brown

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Gama Livre recomenda, para se saber um pouco mais o que foi o bloco Filhos da Pauta, que por sinal voltou a desfilar em 2018, como conta o jornalista Jolivaldo Freitas, ler:

domingo, 19 de fevereiro de 2023

Tributo a Moraes Moreira. Há três carnavais o artista deixou de 'Balançar o chão da Praça' e de gritar: 'Chame gente! Chame gente!`

Domingo, 19 de fevereiro de 2023

Esta postagem foi publicada originalmente em abril de 2021, com o título "Tributo a Moraes Moreira. Há um ano o artista deixou de 'Balançar o chão da Praça' e de gritar: 'Chame gente! Chame gente!'

Então vamos à postagem com a atualização do título para "Tributo a Moraes Moreira. Há três carnavais o artista deixou de 'Balançar o chão da Praça' e de gritar: 'Chame gente! Chame gente!`


Armandinho, Dodô e Osmar: Chão da Praça (com Moraes Moreira). 

https://youtu.be/bdfC_L6oEyQ       Postado no Youtube pelo Canal Leonardo Bernardes


E para balançar o Chão da Praça, Moraes Moreira chamava gente. Como? Cantando o "Chame Gente". Vídeo postado no Youtube pelo Canal Antonio Carlos Laranjeiras Sampaio. Participações de Armandinho, Morais Moreira, Gilberto Gil, André Macedo, Caetano, Margareth Menezes, Ricardo Chaves, Durval Lelys, Bel Marques, Ivete, Daniela Mercury, Carlinhos Brown, Luis Caldas e Lazzo.

A partida de Moraes Moreira

Por Taciano (Editor do Blog Gama Livre)

Aos 72 anos de idade, quando ainda dormia, na madrugada de 13 de abril de 2020, em sua casa no Rio de Janeiro, Moraes Moreira foi chamado para compor, cantar e tocar músicas no Céu.

Se já há um ano não pode mais balançar o chão da praça em Salvador com a sua voz e a sua guitarra, deve estar a balançar as nuvens do Céu, tendo como plateia e acompanhantes santos, anjos e arcanjos. Afinal, resistir ao seu ritmo, quem há? Ninguém, seja nós na Terra ou anjos nos Céus. 

Se os santos, anjos e arcanjos hoje não resistem as suas canções, se sacudindo lá em cima pra lá e pra cá —eu tenho certeza disso—, não era eu, um simples mortal, quando ainda garoto, adolescente ou já adulto, que conseguiria resistir. Impossível não acompanhá-lo no trio elétrico pelas avenidas, ruas, praças, ladeiras e becos da Cidade da Bahia (crédito para Jorge, o Amado, que assim se referia carinhosamente à querida e mágica Salvador). 

Imagine você se algum baiano teria forças, mesmo que quisesse, para resistir e não sair atrás do trio elétrico com Moraes Moreira, Baby Consuelo, Pepeu Gomes, Luiz Caldas e Paulinho Boca de Cantor. Como resistir aos Novos Baianos? Nunquinha! Era ajeitar a mortalha —que era a fantasia antes da invenção do abadá—, pegar um chapéu de palha para tentar se proteger do sol do verão da Bahia, e ir atrás do trio elétrico dos Novos Baianos. Afinal, só não vai atrás do trio elétrico quem já morreu. 

Sim, tenho saudades, muitas saudades, dos meus Carnavais nas ruas, avenidas, ladeiras, becos e praias da Bahia. Isso da quinta-feira anterior ao início do Carnaval, que era naquela época dos anos 70, 80 e 90, o dia da abertura oficial da folia de Momo. Na noite da quinta-feira o Rei Momo recebia as chaves da cidade, normalmente das mãos do prefeito, e aí...o pau quebrava no mesmo momento. Trios, charangas, blocos, o cacete a quatro, atendiam às ordens do Rei Momo. Alegria geral, Carnaval até a manhã da quarta-feira de cinzas. E eu? Dentro dessa zorra toda. De quinta à noite, sexta, sábado, domingo, segunda, terça, madrugada de quarta e na maioria das vezes até a manhã do dia de cinzas. 

Durante os dias de Carnaval ir em casa? Só para tirar uma soneca, avisar a mãe que estava vivo e bem, dar um mergulho no mar azul e verde da Bahia para recarregar as energias, 'traçar' uma feijoada ou um sarapatel, ou um gostoso cozido com pirão, feitos pela Dona Lygia —a minha mãe— e voltar pro furdunço. Voltar com a proteção de todos os santos e Orixás da Bahia e, também, da reza e mentalização positiva da Dona Lygia que ficava com o coração na mão, agoniado, pelo desaparecimento do seu filho caçula na multidão do Centro de Salvador. E tome balançar o chão da praça.

Salve Moraes Moreira! Salve o Carnaval da Bahia!

O dreno financeiro que paralisa o país: a farsa do déficit

Domingo, 19 de fevereiro de 2023
Da AEPET —Associação dos Engenheiros da Petrobrás. Artigo publicado originalmente no blog do autor*

Escrito por Ladislau Dowbor

82% do aumento da dívida resultam de juros acumulados

"Nosso sistema financeiro é gigante e disfuncional, pois não atua como criador de crédito e de financiamento do investimento e do consumo do setor privado; mas como corretor dos rentistas que vivem às custas do financiamento da dívida pública."Bresser Pereira e outros, 2021 [1]
O básico é o seguinte: quando rende mais o rentismo financeiro, ou seja, a aplicação em títulos e diversos "produtos" financeiros, do que abrir uma empresa e realizar um investimento produtivo, o dinheiro flui para onde rende mais: para ganhos improdutivos. Um exemplo: quando o governo eleva a taxa básica de juros (Selic) para 13,75%, este valor será pago pelo governo, aos detentores privados dos títulos da dívida pública, basicamente os 10% mais ricos da sociedade, usando os impostos que pagamos. Ou seja, esses impostos, em vez de financiarem educação, saúde ou infraestruturas, vão para os grandes grupos financeiros, que aqui chamamos de "mercados". O Estado não se endividou para construir escolas, por exemplo, ou no Bolsa Família: 82% do aumento da dívida pública resultam de juros acumulados. Sem nenhuma contribuição produtiva, esses grupos drenam anualmente, só nesta modalidade, cerca de 600 bilhões de reais, ou seja, o equivalente a cerca de 6% do PIB. Esses 6% do PIB podiam se transformar em investimentos produtivos, mas para que um dono de fortuna vai arriscar no mercado real, se pode ganhar 13,75% sem risco e sem esforço?

O endividamento público poderia se justificar se, por exemplo, financiasse um programa de apoio tecnológico à agricultura familiar: resultaria uma produtividade mais elevada, mais produto, cujo consumo por sua vez permitiria o retorno para os produtores, os empresários da cadeia alimentar, e o próprio Estado no imposto sobre o consumo e diversos pontos do ciclo produtivo dinamizado. No nosso caso, o fato de 82% do aumento da dívida resultar de juros acumulados, significa que estamos simplesmente alimentando especuladores financeiros. Segundo pesquisa de Carlos Luque (et al.) "Desde 1995 o governo pagou aos detentores da dívida pública o equivalente a 5-7% do PIB ao ano, muito mais do que o déficit das aposentadorias ou outros itens de gastos objeto de muita discussão no Congresso e na mídia." [2]

Um dreno improdutivo deste porte necessita de uma narrativa: se trataria de proteger a população da inflação. É uma farsa evidentemente, pois só numa economia sobreaquecida, que precisa ser esfriada, e, portanto, com inflação por excesso de demanda, elevar a taxa sobre a dívida pública seria eficiente. O último ano de crescimento significativo no Brasil foi em 2013, 3,0%. Numa economia estagnada, transferir mais recursos públicos para grupos financeiros que reaplicam para obter mais juros, em vez de financiar infraestruturas, por exemplo, o que dinamizaria a economia, constitui uma apropriação indébita de recursos públicos. [3] Em 2022 terão sido entre 600 e 700 bilhões drenados. Para termos uma ordem de grandeza do que este montante significa, lembremos da batalha parlamentar que foi, em dezembro de 2022, obter no Congresso a autorização de 145 bilhões, com a PEC da Transição, para enfrentar situações mais críticas da população. Esse montante representa aproximadamente 1,5% do PIB.

Outro dreno é a evasão fiscal. O SINPROFAZ estima que "de 1º de janeiro a 23 de novembro [2020], o Brasil perdeu R$ 562 bilhões devido a práticas ilícitas para evitar o pagamento de impostos. São recursos que, se tivessem entrado no caixa do Governo, poderiam ser revertidos em políticas públicas: em estradas, construções de escolas, ou como agora, na pandemia, com mais investimentos em saúde ou ajudando a população mais vulnerável com o auxílio emergencial." [4] São 7,6% do PIB da época. As pessoas comuns não têm como praticar a evasão, ou porque são assalariados, e têm desconto na folha, ou porque são consumidores: a massa da população gasta o essencial com compras e paga os impostos incorporados no preço. Já temos aqui, somando a dívida pública e evasão, por baixo, um dreno de 12% do PIB. Lembremos que o Bolsa Família antigo representava 0,5% do PIB.

Os juros praticados no Brasil, para pessoa física e pessoa jurídica, constituem um dreno mais amplo. Pesquisa apresentada em manchete do Estado de São Paulo, apontava que os juros tiravam um trilhão de reais da economia real, em 2016, o que representava na época 16% do PIB. [5] O relatório Estatísticas monetárias e de crédito do Banco Central, de janeiro de 2023, apresenta os dados do volume de crédito privado concedido a pessoas físicas e jurídicas, com um total de 5,3 trilhões, distribuídos em 1,4 trilhão para pessoa jurídica no crédito livre, pagando juros de 23,1% (seria 3 a 4% na Europa); 1,8 trilhão concedido a pessoas físicas, com juros de 55,8%; e 2,2 trilhões em crédito direcionado. "A taxa média de juros das contratações finalizou o ano de 2022 em 29,9% a.a." [6] Essa média sobre os 5,3 trilhões concedidos em 2022 daria um dreno da mesma ordem que o de 2016, cerca de 1,5 trilhão.

As pessoas em geral têm dificuldade em "materializar" na sua cabeça o que representa um trilhão e meio de reais. Mas dividido pela população, 215 milhões, é um custo de 7 mil reais para cada um de nós. Daria também para construir 15 milhões de casas populares. Esse volume de juros extraídos de famílias e de empresas reduz drasticamente o consumo privado e o investimento empresarial, atingindo também o emprego, e contribuindo para a desindustrialização do país. Alguma parte disso volta para a economia? Não temos esse dado para o Brasil, mas o cálculo equivalente nos Estados Unidos, do Roosevelt Institute, é de que são apenas 10%. Mariana Mazzucato, no caso da Grã-Bretanha, calcula 15%. De toda forma, trata-se de um gigantesco dreno improdutivo, que gera as fortunas impressionantes dos bilionários brasileiros que a Forbes apresenta, e também dos grandes gestores de ativos internacionais. [7]

Esse rentismo institucionalizado é hoje legal, já que uma emenda constitucional no início de 2003 retirou da constituição o artigo 192 que tipificava a usura como crime: "As taxas de juros reais, nelas incluídas comissões e quaisquer outras remunerações direta ou indiretamente referidas à concessão de crédito, não poderão ser superiores a doze por cento ao ano; a cobrança acima deste limite será conceituada como crime de usura, punido, em todas as suas modalidades, nos termos que a lei determinar." Lembrando que o princípio geral na Constituição reza que "o sistema financeiro nacional, [será] estruturado de forma a promover o desenvolvimento equilibrado do País e a servir aos interesses da coletividade." Não se trata de generosidade, pois o dinheiro que o banco nos empresta é nosso, e o dinheiro da dívida pública é dos nossos impostos. [8] As pessoas também não têm visão clara do que é usura, ou agiotagem. Na França, por exemplo, a proibição da usura está no código do consumidor, definida como cobrança de uma taxa de juros que ultrapasse em um terço a taxa média praticada pelas instituições financeiras no trimestre anterior. O exemplo é que um empréstimo entre 3 mil e 6 mil euros, em que a taxa de juros média no mercado é de 7,35% ao ano, não poderá ultrapassa 9,80%. Para um montante acima de 6 mil euros, em que a taxa média anual é de 3,70%, não poderá ultrapassar 4,93% ao ano. [9]

Importante referir que só no Brasil se usa apresentar as taxas de juros no setor privado como juros mensais. Isso foi herdado da fase da hiperinflação, em que chegamos a variações mensais tão elevadas que os juros também passaram a ser calculados ao mês. A hiperinflação foi derrubada em 1994, mas os bancos continuaram a apresentar a taxa de juros ao mês, o que a torna comparável ao que se cobra no resto do mundo, só que ao ano. Na Constituição, os 12% de juros reais se referiam obviamente a juros ao ano, e a taxa Selic, juros interbancários e sobre a dívida pública, também são calculados como anuais. Um exemplo prático: o Santander mandou para o meu celular essa oferta que transcrevo textualmente: "Santander: Ladislas, ótima notícia p/os momentos de sufoco! A taxa de juros do seu limite da conta caiu p/5.9% a.m., até 31/01/2023." Não pedi esta oferta, invadem o meu celular, imagino que chegou a milhões, e que muita gente no sufoco poderia achar que é realmente uma "ótima notícia" e se enforcar num empréstimo inicial que nunca vão conseguir saldar. Juros ao mês de 5,9% equivalem a praticamente 100% ao ano (98,95%). O banco trabalha com desinformação, pouca gente saberá calcular o juro composto anual.

Não à toa temos 79% das famílias no Brasil atoladas em dívidas, trabalhando para pagar juros, e frequentemente apenas alongando a dívida. [10] Cerca de um terço estão em bancarrota pessoal. Não há controle, o Banco Central é "autônomo", ou seja, controlado pelos grupos que deveria regular. A facilidade com a qual os grupos financeiros se apropriaram da instituição reguladora, tão importante para que os recursos financeiros sirvam à economia, e não o contrário, lembra muito a facilidade com a qual conseguiram tirar o artigo 192 da Constituição: não precisaram de constituinte, apenas se apoiaram nos interesses financeiros dos deputados e senadores. Lembrando que entre 1997 e 2015, as corporações foram autorizadas a financiar as campanhas eleitorais; apenas no final de 2015 o STF se deu conta de que o artigo primeiro da Constituição, "todo poder emana do povo" tinha sido violado, e a autorização foi revogada. Mas o mal já estava feito. Nos Estados Unidos, onde autorização semelhante foi adotada em 2010, e segue em vigor, os americanos comentam que "temos o melhor congresso que o dinheiro pode comprar". O Banco Central passa a ser um veículo de transferência de recursos públicos para as elites.

Outro dreno é representado pelas renúncias fiscais. Segundo informe da Câmara dos Deputados, "as renúncias de impostos concedidos pela União a parcelas da sociedade devem chegar a R$456 bilhões em 2023, ou 4,29% do Produto Interno Bruto (PIB). O total é um pouco superior ao que o governo gasta anualmente com o pagamento de pessoal." [11] Aqui também se trata de grupos que utilizam, como todos nós, recursos públicos (universidades públicas, ruas asfaltadas etc.) mas que não pagam impostos. Não é propriamente vazamento, é dinheiro que deixa de entrar. Com uma carga tributária da ordem de 34%, o problema nosso não é de falta de recursos, e sim de para onde são canalizados, e isso inclui o não pagamento do imposto devido.

Alguns drenos são mais escandalosos. Mas de forma geral, o que chamamos de elites, uma colusão de bilionários nacionais com as grandes corporações transnacionais, usam o Estado (que criticam) para que drene os próprios recursos do Estado, e facilite a apropriação improdutiva dos recursos das famílias e das empresas. Até aqui temos, como ordens de grandeza, e com variações na composição segundo os anos, 6 a 7% do PIB drenados pela dívida pública, cerca de 6% por evasão fiscal, cerca de 15% do PIB por juros extorsivos, mais de 4% por renúncias fiscais. Ou seja, por dreno do que entrou, e por não entrada do que é devido, o desequilíbrio é da ordem de 30% do PIB. Não à toa a economia está estagnada. Se o PIB não apresenta números ainda mais fracos, é porque lucros financeiros – rentismo sem contribuição produtiva – e exportações de bens primários aparecem como "produção", apesar de constituírem drenos igualmente.

Desde 1995, lucros e dividendos distribuídos, no Brasil, não pagam impostos. Ou seja, os 290 bilionários que aparecem na Forbes de 2022 são isentos de impostos, com a justificativa de que as empresas que possuem já os pagaram. Naturalmente, a capitalização da empresa e o enriquecimento dos seus acionistas, como pessoas físicas, são coisas diferentes, mas o resultado é que os muito ricos simplesmente são isentos. Eu, como professor universitário, pago 27,5%. Com a aprovação da isenção em 1995, não pagar impostos se tornou legal. No caso do imposto territorial, o ITR (Imposto Territorial Rural), está vigente a obrigação, mas o imposto simplesmente não é cobrado, resultado do peso político do agronegócio, tanto na sua dimensão moderna corporativa como na dos latifúndios tradicionais herdados do passado. Caberia aqui acrescentar a grilagem, totalmente ilegal, mas tolerada.

O mesmo peso político (nacional e internacional) permite que a produção destinada à exportação não pague impostos. Trata-se da Lei Kandir, de 1996, que isenta de tributos a produção de bens primários e semielaborados destinados à exportação. Ou seja, ao mesmo tempo que se procedia à privatização da Vale, por exemplo, colocando-a nas mãos de acionistas privados nacionais e internacionais, o dreno de minérios, que constituem uma riqueza natural do país, passa a gerar dividendos, mas não receitas para o Estado. Exportações primárias, nas suas diversas dimensões, passam a ter vantagem sobre a produção para o mercado interno, mas geram poucos empregos, muitos desastres ambientais, e maior dependência relativamente aos interesses dos gigantes mundiais de intermediação de commodities. A reprimarização geral da economia que vivemos nos últimos anos, bem como a desindustrialização do país, estão diretamente ligados a este marco institucional. [12]

O caso do petróleo é particularmente instrutivo. O Brasil controla o ciclo completo do petróleo: a tecnologia, a extração, o refino, a distribuição, a indústria petroquímica. Mas antes de tudo o petróleo está em território nacional, é uma riqueza da nação. Países que não têm petróleo são obrigados a pagar os preços internacionais. Mas o Brasil, que controla o ciclo completo, não tem nenhuma razão para se submeter às variações de preços internacionais, que resultam de escolhas políticas de um grupo restrito de corporações. A privatização, ao colocar o controle das empresas nas mãos de acionistas nacionais e internacionais, equivale a uma desnacionalização. Os lucros que anteriormente financiavam reinvestimento na empresa e políticas públicas financiadas pelos impostos correspondentes, se transformaram em grande parte em dividendos, eles mesmos isentos de impostos. Trata-se de uma apropriação de bens públicos, em nome da eficiência e da luta contra a corrupção. A população que agora paga o dobre pelo botijão de gás ou para encher o tanque do carro está alimentando acionistas, essencialmente grupos financeiros.

Seria um desafio importante calcular quanto se perde pelos impostos não pagos, somando a isenção de lucros e dividendos distribuídos, as perdas que resultam da lei Kandir, o ITR não aplicado, ou a elevação de preços de derivados do petróleo que elevam os custos de vida da população e os custos de produção das empresas – o custo da energia penetra inúmeros setores e multiplica elevações de preços – sem contribuição produtiva correspondente. Somando os drenos, pelos juros sobre a dívida pública, a evasão fiscal, a agiotagem bancária, as renúncias fiscais, a isenção de lucros e dividendos, a isenção de exportações primárias (lei Kandir), e o não-pagamento do ITR, e mesmo considerando que uma parte dos ganhos financeiros volta para a economia real, o fato é que o conjunto inviabiliza a economia do país. Hoje apenas funcionam o setor de exportação primária e o mercado financeiro.

Os chamados "mercados" e a direita em geral clama pelo equilíbrio fiscal, ou seja, limitar os 'gastos' com educação, saúde, infraestruturas e semelhantes, na realidade investimentos nas pessoas e na economia real, enquanto geram exatamente o déficit ao drenarem os recursos do setor público, das famílias e das empresas produtivas, em proveito de lucros sobre exportações primárias e intermediação financeira, que chamam de 'investimentos'. Afirmar que uma elite improdutiva desvia 25% da economia real, é hoje uma conta conservadora. Lembremos que a fase distributiva do país, de 2003 a 2013 (a ofensiva neoliberal já começou em 2014), assegurou empregos, alimentação e um crescimento médio de 3,8% ao ano, mesmo com a crise mundial de 2008). O desafio que temos pela frente, é o de reorientar os nossos recursos para a economia, real, maior consumo das famílias, maior investimento produtivo das empresas, e expansão das políticas sociais e infraestruturas por parte do setor público. Quem paga por isso? É só reduzir moderadamente o dreno dos improdutivos.

Não se trata aqui apenas dos lucros exorbitantes do 1% de improdutivos. O rentismo beneficia sem dúvida o 1% ou 0,1% que detém o grosso das aplicações financeiras (que chamam de "investimentos"), mas também gerou uma classe-média-alta e uma classe média-média que em outros tempos investiriam em empresas efetivamente produtivas, produzindo sapatos, manteiga ou bicicletas. Hoje, como rende mais fazer aplicações financeiras, com risco zero e pouco trabalho, o capital que um dia já foi produtivo migrou para o rentismo improdutivo. A desindustrialização do país está diretamente ligada ao redirecionamento das poupanças para aplicações financeiras em vez de investimentos produtivos. E com isso gerou-se uma forte camada social privilegiada que clama por juros altos e rendimentos financeiros os maiores possíveis, formando uma base política mais ampla que trava as reformas necessárias. Em outros tempos abririam uma empresa, gerariam produtos, empregos, lucros e impostos. Hoje são "investidores".

[1] Luís Carlos Bresser Pereira (et al.) - 2022 - Carta Aberta ao Presidente Lula | José Luis Oreiro (wordpress.com)

[2] Carlos Luque et al., Uso e abuso da taxa de juros, Valor, 11 de maio de 2022

[3] "Apropriação indébita" é o termo utilizado para este tipo de desvio. Em nível inferior seria "roubo", e em nível superior seria "contabilidade criativa", como no caso das Americanas. Apropriação indébita é em geral legal, simplesmente porque são os beneficiários que fazem as leis que a autorizam. Mas não tem contrapartida produtiva. Ver Apropriação indébita, Gar Alperovitz e Lew Daly, Ed. Senac, 2010, Gar Alperovitz And Lew Daly - Apropriação Indébita: Como Os Ricos Estão Tomando A Nossa Herança Comum - Editora Senac, São Paulo 2010, 242p. | Dowbor.org


[4] Ver também Felippe Clemente (et al.) Brazilian Evidence on Tax Evasion and Enforcement – Criminal Justice Review, 2021 – Sage Publications sonegacao-fiscal-o-povo-fortaleza-ce.pdf (sinprofaz.org.br)

[5] Crise de crédito tira R$1 tri da economia e piora recessão – OESP, 18 de dezembro de 2016. Ver análise em L. Dowbor, A Era do Capital Improdutivo, p. 211 - https://dowbor.org/2017/11/2017-06-l-dowbor-a-era-do-capital-improdutivo-outras-palavras-autonomia-literaria-sao-paulo-2017-316-p-html.html

[6] Estatísticas monetárias e de crédito – 27/01/2023 – Banco Central

[7] Mariana Mazazucato – The Value of Everything – 2018 – "O setor financeiro presentemente representa uma parte significativa e crescente do valor agregado e dos lucros da economia. Mas apenas 15% dos fundos gerados vão para empresas nas indústrias não-financeiras." (P. 136 da edição original em inglês.)

[8] Hermes Zaneti descreve com precisão como os bancos conseguiram tirar o artigo 192 da Constituição, no livro O Complô, a batalha dos bancos para derrubar o artigo 192º da Constituição, veja-se em particular as páginas 157 e seguintes

[9] Banque de France – Taux d'usure 2022 - https://www.banque-france.fr/statistiques/taux-dusure-2022t1

[10] Confederação Nacional do Comércio – CNC – 2022 -



[12] Sobre a reprimarização do país, ver a nota de Márcio Pochmann, O violento consenso das commodities, Outras Palavras, 30 de janeiro de 2023 - https://outraspalavras.net/crise-brasileira/pochmann-o-violento-consenso-das-commodities/