Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)

sexta-feira, 3 de abril de 2026

As mentiras que colocam no nosso prato (e o que escondem)

 Sexta, 3 de abril de 2026

Do Idec

Caso não esteja visualizando corretamente esta mensagem, acesse este link



Vivemos cercados de informações sobre alimentação, mas nem tudo que circula por aí é verdade.

Muitas dessas ideias parecem inofensivas, mas confundem e dificultam escolhas mais saudáveis.

Hoje, vamos desmontar algumas das mentiras mais comuns sobre o que comemos.



As mentiras que colocam no nosso prato

Quando o assunto é alimentação, informação não falta. O problema é que, ao mesmo tempo em que existem orientações baseadas na ciência e no Guia Alimentar para a População Brasileira, também circulam narrativas que confundem, simplificam ou escondem problemas importantes do nosso sistema alimentar.

Muitas dessas ideias ajudam a deslocar a discussão para escolhas individuais, quando, na prática, estamos falando de um tema coletivo, que envolve políticas públicas, indústria, acesso e direito à alimentação adequada.

Nesta edição, reunimos algumas das mentiras mais comuns sobre comida e explicamos o que está por trás delas.

1. Ingrediente fantasma

O que te contam

Se o produto tem imagem, nome ou sabor de um alimento natural, é porque ele está ali de verdade.

O que a realidade mostra

Nem sempre. O chamado ingrediente fantasma acontece quando um produto sugere a presença de ingredientes saudáveis como frutas, leite, mel ou cacau, mas eles não estão presentes ou aparecem em quantidades muito pequenas.

Nesses casos, o sabor e o cheiro vêm de aromatizantes, substâncias usadas para imitar o gosto do ingrediente natural. Ou seja, não é a mesma coisa: trata-se de uma versão artificial do sabor, que substitui o alimento de verdade e não oferece os mesmos benefícios nutricionais, além de estar associada ao consumo de ultraprocessados.

Essa estratégia pode induzir ao erro e fazer com que a gente acredite estar consumindo algo mais natural do que realmente é.

Na prática: não basta confiar na frente da embalagem. A lista de ingredientes é o que revela o que realmente estamos consumindo e ajuda a identificar quando o “natural” é só aparência.

2. “Agrotóxicos são necessários e inofensivos”

O que te contam

Sem os agrotóxicos, muitas vezes chamados de “defensivos agrícolas” por setores do agronegócio e da indústria, não seria possível produzir alimentos.

O que a realidade mostra

Diversos estudos apontam riscos associados à exposição a agrotóxicos, especialmente para trabalhadores rurais, comunidades próximas e também para quem consome esses alimentos no dia a dia. Essas substâncias também podem ser entendidas como venenos e deixam resíduos nos alimentos, além de impactarem o ambiente e a saúde.

Além disso, já existem experiências agroecológicas que mostram que é possível produzir com menos impacto ambiental e sanitário.

Na prática: o debate não é só sobre produção, mas sobre saúde, meio ambiente e modelo de sistema alimentar.

3. “Comer bem é só questão de escolha”

O que te contam

“Pra comer bem, é só querer.”

O que a realidade mostra

A alimentação não depende só da vontade individual. Ela é influenciada por fatores como:

  • Preço dos alimentos
  • Acesso no território
  • Publicidade
  • Disponibilidade
  • Rotulagem
  • Políticas públicas

Ou seja, nossas escolhas são moldadas pelo ambiente alimentar em que vivemos.

Na prática: falar de alimentação saudável também é falar de desigualdade e de direito.

4. O mito do “zero açúcar”

O que te contam

Se é “zero açúcar”, então é saudável.

O que a realidade mostra

Muitos desses produtos:

  • Continuam sendo ultraprocessados, com a presença de inúmeros aditivos alimentares
  • Utilizam edulcorantes (adoçantes) no lugar do açúcar
  • Têm baixo valor nutricional

Trocar ou retirar um ingrediente não transforma automaticamente o produto em saudável.

Na prática: grau de processamento importa mais do que um único atributo no rótulo.

5. “Tirar ultraprocessados da escola não faz diferença”

O que te contam

As crianças vão consumir de qualquer forma, então não adianta regular.

O que a realidade mostra

O ambiente escolar tem papel fundamental na formação de hábitos alimentares. Estudos mostram que restringir ultraprocessados nas escolas contribui para reduzir o consumo desses produtos.

Além disso, a escola é um espaço estratégico para educação alimentar e nutricional e valorização da comida de verdade.

Na prática: políticas públicas fazem a diferença.

Pra fechar

A desinformação sobre alimentação não surge por acaso. Muitas dessas narrativas ajudam a proteger interesses econômicos ou a individualizar um problema que é coletivo.

Por isso, informação de qualidade, políticas públicas e participação social são essenciais para construir ambientes alimentares mais justos e saudáveis.

👉 Quer se aprofundar? A gente reuniu mais conteúdos sobre ultraprocessados aqui







POLÍTICA E ALIMENTAÇÃO
 Reajuste na alimentação escolar chega a 55%

O governo anunciou um aumento de até 55% nos repasses do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), ampliando o valor destinado à merenda em diferentes etapas de ensino. O reajuste é importante para fortalecer a oferta de refeições nas escolas, mas também reacende o debate sobre financiamento contínuo e garantia do direito à alimentação adequada. Governo Federal
CULTURA E ALIMENTAÇÃO
 O que está por trás do que comemos?

O Dia Mundial Sem Carne convida a olhar para além do prato e refletir sobre os impactos da produção de alimentos no meio ambiente, nos territórios e nas nossas escolhas. Documentários e produções culturais têm ajudado a ampliar esse debate, mostrando que alimentação também é política e que o que comemos está conectado a questões maiores, como clima, saúde e modos de produção. Xepa Ativismo
INFÂNCIA E ALIMENTAÇÃO
 Dados mostram desafios na alimentação escolar

Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar 2024 revela hábitos alimentares de estudantes brasileiros e aponta desafios no consumo de alimentos in natura e no acesso à alimentação adequada. Os dados ajudam a entender como ambiente, escola e políticas públicas influenciam o que chega ao prato de crianças e adolescentes. Agência de Notícias IBGE






Ana – Paraná

Comida de verdade e do cotidiano.


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Amarga na medida certa e cheia de personalidade

A chicória é uma verdura tradicional nas feiras brasileiras, conhecida pelo seu sabor levemente amargo e marcante. Presente em diferentes regiões, ela faz parte de preparações simples e nutritivas do dia a dia, especialmente em refogados e saladas. Esse amargor, inclusive, pode ser equilibrado com ingredientes ácidos, como limão ou vinagre, criando combinações cheias de sabor. Incorporar a chicória na rotina é uma forma de diversificar o prato e valorizar folhas menos óbvias, ampliando o repertório alimentar com ingredientes in natura.
Crocante, doce e versátil no dia a dia

A cenoura é um daqueles alimentos que atravessam gerações e continuam presentes na mesa brasileira. Com sabor levemente adocicado e textura crocante, ela pode ser consumida crua, cozida, ralada ou assada, se adaptando a diferentes preparações — de saladas a bolos. Além de prática, tem boa durabilidade e pode ser armazenada por mais tempo na geladeira, facilitando a rotina. Inserir a cenoura nas refeições é uma forma simples de trazer mais cor, sabor e alimentos in natura para o prato cotidiano.



Quente, intenso e cheio de identidade, o tacacá é uma preparação tradicional da região Norte que carrega saberes, cultura e ingredientes típicos da Amazônia, como tucupi, jambu e goma de mandioca. Mais do que uma receita, é uma expressão da biodiversidade e das culturas alimentares brasileiras. Valorizar preparações como essa é também reconhecer a importância dos territórios e dos alimentos in natura na construção de uma alimentação mais diversa e conectada com o que comemos.



Simples, rústica e cheia de sabor, a batata-doce ao murro é daquelas receitas que mostram como poucos ingredientes podem render uma preparação deliciosa. Cozida e depois assada com a casca, ela fica macia por dentro e dourada por fora, absorvendo bem os temperos e o azeite . É uma ótima opção para variar o acompanhamento do dia a dia, valorizando alimentos in natura e preparos caseiros sem depender de ultraprocessados.



Refrescante e diferente, esse suco combina a acidez da laranja com a suavidade da abóbora, criando uma bebida nutritiva e cheia de cor. É uma forma criativa de variar o consumo de frutas e legumes no dia a dia, aproveitando ingredientes da estação em preparações simples e acessíveis. Uma combinação que amplia o repertório na cozinha e mostra novas possibilidades para o uso desses alimentos.


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