Quinta, 2 de abril de 2026
DE OLHO NAS ELEIÇÕES
Trump demite procuradora-geral Pam Bondi após criticas por não protegê-lo no Caso Epstein
Ex-aliada é acusada de proporcionar vitórias a oponentes; caso pode ter implicações no pleito de novembro
Brasil de Fato — São Paulo (SP) — 2.abr.2026
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, demitiu, nesta quinta-feira (2), a procuradora-geral Pam Bondi, uma aliada fiel, após uma gestão controversa de temas como os arquivos do criminoso sexual Jeffrey Epstein e investigações políticas. O vice-procurador-geral Todd Blanche, ex-advogado pessoal de Trump, assumirá o cargo de procurador-geral interino, anunciou o mandatário em sua plataforma, Truth Social.
Trump havia manifestado meses antes sua frustração com o que considerava um compromisso insuficiente de Bondi em levar a julgamento vários inimigos políticos da época em que ele quase foi para a prisão por diversos casos, após seu primeiro mandato presidencial.
A procuradora-geral também sofreu críticas, tanto de apoiadores do mandatário quanto da oposição democrata, pela forma como conduziu o caso Epstein. A chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, disse que Bondi “errou completamente” na condução do caso.
Bondi tentou encerrar as investigações afirmando que ninguém mais seria acusado, além de ter vazado arquivos do caso para influenciadores conservadores. Essa postura provocou uma reação do Congresso, que aprovou de forma bipartidária a Lei de Transparência dos Arquivos Epstein.
A divulgação desses documentos acabou gerando alegações embaraçosas para membros da própria administração Trump, além de críticas de sobreviventes devido à censura inadequada de informações sensíveis.
Além do Caso Epstein, sob seu comando, o Departamento de Justiça falhou em avançar com processos contra oponentes políticos de Trump. Casos contra James Comey e Letitia James foram arquivados, e tentativas de investigar o Federal Reserve foram bloqueadas por juízes.
O mandato de Bondi foi marcado pela demissão de agentes do FBI ligados a processos contra Trump e por uma saída em massa de advogados de carreira, o que enfraqueceu a estrutura técnica do departamento.
O escândalo Epstein preocupa Trump pelo potencial tóxico em ano eleitoral. Em novembro, seu Partido Republicano se prepara para as eleições de meio de mandato que renovam o Congresso no próximo ano e, mesmo um pequeno obstáculo à sua aprovação pública – distração que impeça Trump de se concentrar em uma mensagem de campanha mais benéfica – pode ter consequências significativas nas urnas.
“Se 1%, 2% ou 3% da base do Trump se decepciona com ele e resolvem não votar nas eleições em 2026, pode ser determinante nos resultados”, disse o professor da Brown University James Green ao Brasil de Fato. Trump tem maioria de apenas sete parlamentares na Câmara dos Deputados federais e pesquisas indicam que a chance de perder a maioria é bem real.
Apesar disso, o presidente magnata foi cordial ao demitir a aliada nesta quinta.
“Pam Bondi é uma grande patriota americana e uma amiga leal”, afirmou o presidente republicano.
