Domingo, 11 de setembro de 2022
ENTREVISTA COM MARIVALDO PEREIRA
Marivaldo Pereira foi o último Ministro da Justiça do governo da Presidenta Dilma Rousseff, do qual também foi Secretário Nacional de Justiça. Ele é auditor de carreira e advogado militante das causas sociais. De origem humilde, orgulha-se de ser filho de uma trabalhadora diarista e de que, trabalhando desde criança, sempre estudou em escolas públicas, inclusive até formar-se em Direito pela Universidade de São Paulo-USP. Tendo sido candidato a senador em 2018, quando obteve mais de 83 mil votos, atualmente é candidato a deputado distrital pelo PSOL, partido do qual foi presidente no DF.
No decorrer desta entrevista ao Gama Livre, concedida a Salin Siddartha, Marivaldo Pereira falou do trabalho que desenvolve, como advogado, na defesa dos direitos sociais, e apontou as deficiências existentes na prestação da assistência social, da saúde e da educação no DF, bem como o descaso com a regularização fundiária por parte do Governo do Distrito Federal. Para ele, o governador Ibaneis faz uma gestão elitista e desumana; e cita como exemplo que, ao contrário de seu governo investir na melhoria do transporte coletivo, o que ele fez foi aumentar a tarifa do transporte público, enquanto reduzia o valor do IPVA, incentivando o uso do transporte individual e aumentando a concentração de renda. Marivaldo Pereira desenvolve o raciocínio de que, se a esquerda ganhar o Governo do Distrito Federal, será possível mudar para melhor a forma de gerir o DF.
Marivaldo Pereira vê o governo de Jair Bolsonaro como um dos piores da nossa história, não havendo uma só frente, sequer, na qual tenha atuado, a não ser para destruir. Segundo Marivaldo Pereira, o governo de Michel Temer e o de Jair Bolsonaro deixaram de implementar uma política nacional de redução de homicídios que obrigasse um maior controle social sobre a atuação policial, projeto que estava para ser posto em prática quando ele era Ministro da Justiça, mas que tanto Temer quanto Bolsonaro descartaram. O entrevistado demarca que não há espaço, numa sociedade civilizada, para uma polícia que é treinada para matar e tem a caveira como símbolo, como é o caso da Polícia Militar.
Na entrevista, Marivaldo Pereira defende o combate ao racismo institucional como forma de enfrentar a cultura que estrutura o racismo no Brasil, ele também aborda a questão da mulher, situando o feminicismo como sento o maior problema do machismo na Capital da República, machismo que se torna mais grave quando se observa que a mulher não recebe o devido atendimento quando vai à delegacia de polícia denunciar a violência de que foi vítima.
Outro aspecto que ele destaca na entrevista é a importância da valorização do cerrado, recuperando a flora, as nascentes e explorando o meio ambiente desse bioma de forma sustentável.
A seguir, publicamos a entrevista na íntegra.
Salin Siddartha — Por que você é candidato a deputado distrital?
Marivaldo Pereira — O que levou a candidatar-me a deputado distrital é a experiência que eu venho tendo como advogado, percorrendo todo o Distrito Federal e tomando conhecimento de todo o sofrimento pelo qual grande parte da população vem passando. Hoje, a gente vive o caos completo em todas as áreas sociais, especialmente na área da assistência social e na área da saúde. As pessoas, hoje, têm que dormir na fila para conseguir ter atendimento no CRAS, e o pior é que elas dormem na fila à espera de uma senha e, no dia seguinte, são informadas de que não tem mais senha. As pessoas estão morrendo em busca de algo que é um direito à assistência social, uma direito a um programa social, e para ter um mínimo, que é ter o que comer. Então, a população está passando fome, diante da indiferença e da negligência do Governo do Distrito Federal.
Também na área da saúde, há um outro caos muito grande. Em todo o lugar que eu tenho percorrido, as pessoas estão sofrendo à espera de cirurgias que são urgentes e emergenciais – até pacientes de câncer não estão conseguindo agendamento para cirurgias, porque a Saúde está um caos. Ninguém dá resposta, ninguém agenda nada, as pessoas não sabem quando vão ser atendidas e estão sofrendo por isso. Exatamente por esse motivo é que eu decidi candidatar-me a deputado distrital.
Acredito que com a experiência que eu tenho como gestor público e com minha experiência jurídica, possa fazer um mandato extremamente combativo, atuar e interceder em defesa dessas pessoas que tanto sofrem aqui no Distrito Federal para conseguir algo que é direito, não é favor de ninguém. As pessoas têm direito a ser atendidas na Saúde, no CRAS, na Assistência Social, bem como ter uma educação de qualidade. Quero ser deputado distrital para fazer essa diferença.
Salin Siddartha — Por que você escolheu o PSOL para ser candidato?
Marivaldo Pereira — Escolhi o PSOL porque é um partido que representa uma esperança de renovação da esquerda aqui, no Distrito Federal, e tenho muito orgulho em fazer parte da construção do PSOL no DF. Cheguei ao partido em 2017, fui candidato ao Senado em 2018, quando tive mais de 83 mil votos. De lá para cá, militei bastante na construção do partido, tornei-me presidente do PSOL, cargo que ocupei e do qual eu me orgulho bastante, e estamos demostrando que é possível construir um novo caminho para a esquerda do Distrito Federal, que é possível construir uma nova forma de se fazer política, olhando para a população mais pobre e devolvendo a esperança para uma população tão sofrida e desacreditada com a política.

