Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
Mostrando postagens com marcador algorítimo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador algorítimo. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 6 de agosto de 2025

Varoufakis: Quem precisa de Marx em 2025?

Quarta, 6 de agosto de 2025

No século XIX, ele já havia descrito a alienação — um fenômeno que se agigantou e agora nos oprime como nunca. Talvez dissesse, diante do capital contemporâneo: “Corporações querem espoliar nossos cérebros, mas podemos retomar o controle”

OutrasPalavras                                Pós-Capitalismo
Publicado no OUTRASPALAVRAS em 01/08/2025


Por Yanis Varoufakis | Tradução: Antonio Martins

Uma jovem que conheci recentemente observou: o que a enlouquecia não era o mal absoluto, mas as pessoas ou instituições que, tendo capacidade de fazer o bem, agem, em vez disso, para prejudicar a humanidade. Seu comentário me fez pensar em Karl Marx, cuja crítica ao capitalismo era exatamente essa: não tanto por ser explorador, mas por nos desumanizar e alienar, apesar de ser uma força tão portadora de progresso.

Sistemas sociais anteriores podem ter sido mais opressivos ou exploradores que o capitalismo. No entanto, só sob a lógica do capital os seres humanos fomos tão completamente alienados do que produzimos e da natureza; tão separados de nosso trabalho; tão privados até mesmo de um mínimo de controle sobre o que pensamos e fazemos.


O capitalismo, especialmente após entrar em sua fase tecnofeudal, transformou-nos em versões de Caliban ou Shylock — mônadas num arquipélago de egos isolados, com qualidade de vida inversamente proporcional à abundância de bugigangas que nossas máquinas de novidades produzem.

Os jovens sentem isso. Mas a reação contra imigrantes e a política identitária os paralisam – para não falar na distorção algorítmica de suas vozes. É aqui que Marx reaparece com conselhos para superar essa paralisia — bons conselhos, soterrados pelas areias do tempo.