Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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quarta-feira, 6 de agosto de 2025

Varoufakis: Quem precisa de Marx em 2025?

Quarta, 6 de agosto de 2025

No século XIX, ele já havia descrito a alienação — um fenômeno que se agigantou e agora nos oprime como nunca. Talvez dissesse, diante do capital contemporâneo: “Corporações querem espoliar nossos cérebros, mas podemos retomar o controle”

OutrasPalavras                                Pós-Capitalismo
Publicado no OUTRASPALAVRAS em 01/08/2025


Por Yanis Varoufakis | Tradução: Antonio Martins

Uma jovem que conheci recentemente observou: o que a enlouquecia não era o mal absoluto, mas as pessoas ou instituições que, tendo capacidade de fazer o bem, agem, em vez disso, para prejudicar a humanidade. Seu comentário me fez pensar em Karl Marx, cuja crítica ao capitalismo era exatamente essa: não tanto por ser explorador, mas por nos desumanizar e alienar, apesar de ser uma força tão portadora de progresso.

Sistemas sociais anteriores podem ter sido mais opressivos ou exploradores que o capitalismo. No entanto, só sob a lógica do capital os seres humanos fomos tão completamente alienados do que produzimos e da natureza; tão separados de nosso trabalho; tão privados até mesmo de um mínimo de controle sobre o que pensamos e fazemos.


O capitalismo, especialmente após entrar em sua fase tecnofeudal, transformou-nos em versões de Caliban ou Shylock — mônadas num arquipélago de egos isolados, com qualidade de vida inversamente proporcional à abundância de bugigangas que nossas máquinas de novidades produzem.

Os jovens sentem isso. Mas a reação contra imigrantes e a política identitária os paralisam – para não falar na distorção algorítmica de suas vozes. É aqui que Marx reaparece com conselhos para superar essa paralisia — bons conselhos, soterrados pelas areias do tempo.

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Brasil jamais será fascista

Segunda, 7 de maio de 2018
Do Jornal do Brasil
OCTÁVIO COSTA

Na Universidade de Salamanca, em 12 outubro de 1936, o escritor Miguel de Unamuno teve seu discurso de paraninfo interrompido pelos gritos de um general de extrema-direita: “Viva la muerte!”, exclamou Millán-Astray, fidelíssimo representante da falange fascista de Franco. Seu grito era coerente com as práticas de sua gentalha. Na Espanha de Franco, como bem lembrou Manuel Bandeira, o poeta Federico Garcia Lorca foi preso em sua casa, em Granada, e fuzilado num barranco no meio da rua. Jovens estudantes eram mortos barbaramente num suplício medieval: o garrote vil. Aqui, na ditadura militar, o militante Eduardo Leite, o Bacuri, de 25 anos, foi torturado até a morte por 109 dias e teve as orelhas decepadas, os olhos vazados e os dentes arrancados.
Assim é o fascismo. Preto sempre foi sua cor favorita, na SS de Hitler, na falange de Franco e nos camisas negras de Mussolini. Fascistas não gostam de vermelho. É uma cor muita viva para a sensibilidade rasa. Também odeiam o conhecimento. Eles vivem na obscuridade e cultivam a ignorância. O iluminismo não serve aos seus propósitos. Gente razoavelmente informada não se deixa levar pelas palavras de ordem da extrema-direita. Por isso, mesmo, o marechal Goering, um dos chefes do nazismo, dizia com frequência: “Quando ouço falar de cultura, saco logo o meu revólver!”.

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Preconceitos impedem que Marx e Engels sejam engrandecidos

Quinta, 26 de abril de 2018
Da Tribuna da Internet


Antonio Rocha
Como a Vida é plural, existem várias “dialéticas”, que nasceram” com os filósofos pré-socráticos, na antiga Grécia, Heidegger chamava-os de “Pensadores Originários”. Sidarta Gautama, o Buda, no século VI antes de Cristo, também era um dialético, e o Zen-Budismo tem uma vertente bem dialética. Marx optou pela Dialética Materialista; eu, na parte que me toca, recomendo a Dialética Espiritualista.Resultado de imagem para karl marx
Marx vem sofrendo uma campanha implacável
A partir dos governos que se auto-intitularam comunistas em função dos partidos de mesmo nome, ou parecido, que estavam nos poderes, Marx e Engels acabaram levando as culpas pelos desmandos que tais sistemas cometeram.
SUPERCAMPANHA – O Mundo, e principalmente o Ocidente, orquestrou uma campanha poderosíssima contra os dois filósofos e pensadores, seguindo a máxima de Goebbles: “mintam, mintam que alguma coisa fica”… Conclusão: hoje acho muito difícil que Marx e Engels sejam considerados como pessoas que tentaram transformar para melhor o planeta.
Crimes bárbaros foram cometidos em nome de Jesus ao longo dos séculos, mas Cristo não tem culpa se seus intérpretes, seguidores e afins que instalaram o terror em épocas que a História registrou.
Repito: é uma tarefa hercúlea tentar mostrar ângulos positivos de Marx e Engels, visto que os preconceitos já estão cimentados. Contudo, o Muro de Berlim um belo dia foi demolido…

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Em boa hora, “The Economist” recupera e atualiza o pensamento de Karl Marx

Quinta, 29 de junho de 2017
Da Tribuna da Internet

Deu na Nueva Tribuna (Espanha)
Vicenç Navarro



Uma das colunas mais conhecidas da revista semanal “The Economist”, a Bagehot (que tem como responsável Adrian Wooldridge) publicou, na edição de 13 de maio, um artigo que seria impensável encontrar nas páginas de qualquer revista econômica de orientação igualmente liberal, na Espanha [ou no Brasil].
Sob o título “O momento marxista” e o subtítulo “Os trabalhistas têm razão: Karl Marx tem muito a ensinar aos políticos de hoje”, Bagehot analisa o debate entre o dirigente do Partido Trabalhista do Reino Unido, Jeremy Corbyn, e seu ministro sombra da Economia e Fazenda, o John McDonnell, por um lado, e os dirigentes do Partido Conservador e os jornais conservadores Daily Telegraph e Daily Mail, por outro.

sábado, 9 de julho de 2016

"Karl Marx é baile de favela"; professora da rede pública é afastada ao abordar Marx em sala de aula

Sábado, 9 de julho de 2016

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Do Brasil de Fato
Caso fomenta o debate sobre o projeto “Escola sem partido”, discutido nacionalmente no Legislativo

Curitiba (PR),



Parodia "Karl Marx é baile de favela", feita por estudantes do Colégio Estadual Profª Maria Gai Grendel, viralizou na internet e foi alvo de ataques de blogs e sites da direita. / Flickr Flávio Arns
Em menos de 24 horas, um vídeo publicado nas redes sociais por uma professora de sociologia da rede pública do Paraná obteve mais de 150 mil visualizações e virou alvo de ataques por blogs e sites da direita. Na gravação, alunos do primeiro ano do ensino médio, do Colégio Estadual Profª Maria Gai Grendel, do bairro Caximba, na região sul de Curitiba, cantam uma paródia com o funk “baile de favela”. O protagonista da nova letra, no entanto, é um teórico que tem causado polêmicas no Legislativo nacional, estadual e municipal: Karl Marx.

 “Os burgueses não moram na favela/ Estão nas empresas explorando a galera/ E os proletários, o salário é uma miséria/ Essa é a mais-valia, vamos acabar com ela”, dizem os versos da paródia “Karl Marx é baile de favela”, que resgata temas e análises abordadas em sala de aula.