Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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sexta-feira, 21 de abril de 2017

Carta a Brasília, minha irmã caçula

Sexta, 21 de abril de 2017
Do Blog Brasília, por Chico Sant'Anna

1.-Vista aérea PlanoPiloto Foto-Bento Viana
Vista aérea do Plano Piloto.
Foto de Bento Viana



Por Chico Sant’Anna*



 
Quando você nasceu, Brasília, eu já dava os primeiros passos, aqui mesmo, no Planalto Central. Crescemos juntos, como se você fosse minha irmã caçula.



Foto: Arquivo Público do DF


Quando o Lago Paranoá começou a encher, para te dar um clima mais ameno, eu estava aqui. Assisti a Gilda e a Pioneira, as primeiras lanchas da Capital, navegarem em suas águas. Fizemos muitas pescarias juntos, mas só dava Cará. Depois é que apareceram os tucunarés.

Brasília, 1963, quadra 42, hoje 713. Foto de Cláudio Sant'Anna
Brasília, 1963, quadra 42, hoje 713. Foto de Cláudio Sant’Anna


Para te compor, foram surgindo as quadras muitas com recursos dos institutos previdenciários. Tinha a do IAPB, IAPC, IAPETEC, IPASE, do Banco do Brasil, da Marinha, da Aeronáutica, da Câmara Federal, da Fundação da Casa Popular.

Leia a íntegra no Brasília, por Chico Sant'Anna

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Brasília, 56 anos, uma capital gradeada

Sexta, 22 de abril de 2016
Heloisa Cristaldo - Repórter da Agência Brasil
Brasília - Grades de proteção em frente ao Superior Tribunal de Justiça (José Cruz/Agência Brasil)
Grades de proteção em frente ao Supremo Trbunal Federal / José Cruz/Agência Brasil
O traço livre do arquiteto idealizou uma cidade igualmente fluída. Entretanto, ao completar 56 anos nesta quinta-feira (21), a capital federal tem se tornado cada vez mais fechada e distante de seu plano original. Para área central de Brasília, Lúcio Costa projetou uma área em que “os vazios são por ele preenchidos, sendo a cidade deliberadamente aberta aos 360 graus do horizonte que a circunda”.

Sem o efetivo controle das autoridades públicas, a cada dia a cidade cerca-se com grades, tapumes, cercas vivas e condomínios fechados, opondo-se ao objetivo de Lúcio Costa, de criar uma cidade parque. O local proporcionaria um conforto ambiental, aumentando a percepção da cidade no sítio, a partir de seu próprio espaço.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

José Candango

Segunda, 22 de abril de 2013

E agora, José?
A festa [na Esplanada] acabou,
a luz apagou [como sempre],
[a verba] sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, Você?
Você que é sem nome,
que [depende] dos outros,
Você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?
 

Está sem [hospital],
está sem [escola],
está sem [transporte],
já não pode [sair com segurança],
já não pode [estudar],
[respirar] já não pode,
a noite esfriou,
o [metrô prometido] não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?


[Acorda, José!]

Veja aqui o belo e forte poema de Carlos Drumond de Andrade.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Velório de aniversário

Terça, 17 de abril de 2012 
Por Ivan de Carvalho

Dia 21 – além de ser o dia das mortes de Tiradentes, Tancredo Neves e Luís Eduardo Magalhães – é também o aniversário de Brasília. Esta deveria ser a nota alegre a suavizar as três perdas humanas citadas. Mas não haverá nota alegre, apesar de cantorias programadas pelo governo do Distrito Federal, com Michel Teló à frente, cantando, supõe-se, “Ai se eu te pego”.

            Haverá, sim, constrangimento, pois na mesma praça do Museu Nacional em que haverá na noite de sábado o show musical, a partir das 10 horas da manhã vão se concentrar manifestantes convocados pelo Movimento Brasil Contra a Corrupção para empreender a 3ª Marcha Contra a Corrupção na Esplanada dos Ministérios. “Ai se eu te pego” bem poderá se transformar em uma excelente palavra de ordem da manifestação.

            O ambiente na capital federal é propício a esse hit da moda.

O STF se prepara para tentar julgar o processo do Mensalão. Mas várias coisas, manemolência do ministro revisor Ricardo Lewandowski, manobras políticas e argumentos jurídicos já rejeitados antes pelo Supremo – coisas que estão no noticiário – conspiram para evitar o julgamento ainda este ano (o que resultaria na prescrição de crimes imputados a numerosos réus) e para um eventual desdobramento do processo e o envio de muitos réus sem o foro privilegiado do STF a outra instância, o que retardaria os trâmites judiciais mais ainda.

Contribui para esse ambiente o arranca-rabo da CPI da Cachoeira. É que o PT, sob o decidido estímulo do ex-presidente Lula, entrou pressurosamente em campo para assegurar a criação da CPI mista de deputados e senadores, ávido para fornecer a Lula o instrumento de vingança contra o governador tucano de Goiás, Marconi Perillo. Este avisara Lula da existência do Mensalão e como o então presidente nada teria feito a respeito, Perillo o responsabilizou. A CPI também teria para muitos a grande vantagem de desviar a sociedade do foco no processo do Mensalão.

Acontece que a presidente Dilma Rousseff foi, segundo dá conta o noticiário, interrompida em sua laboriosa faxina ética pelo aviso de que, pela cachoeira da CPI, poderá escorregar espetacularmente o governo. Apesar da esmagadora maioria governista no Congresso Nacional, a CPI pode, sob forte pressão social, ficar fora de controle. E há muitos problemas, incluindo a Delta Construções S/A – considerada pela mídia como a empreiteira que mais atua no PAC. Até uma impressionante gravação, com a voz de seu dirigente maior explicando como é fácil corromper políticos, acaba de ter seu áudio divulgado.

A partir de coisas assim, a presidente Dilma conversou com o presidente Lula na sexta-feira e o tema teria sido abordado. No PT e no governo já se fala que o ex-presidente teria se precipitado. E nesse ponto é que entra o líder do partido no Senado, o baiano Walter Pinheiro, sugerindo que se o STF – ao qual novo pedido será feito – enviar ao Conselho de Ética do Senado documentos que demonstrem que a Polícia Federal já fez o que a CPI faria, a CPI pode ser posta no lixo: “Se mandarem os documentos, e avaliarmos que o que a CPI vai apurar é o que está apurado, aí podemos rediscutir a CPI. Mas confesso que é difícil segurar agora. Podem dizer que é golpe”.

O senador adverte muito apropriadamente. Podem dizer, sim. Porque é golpe mesmo. E dos mais vergonhosos.

Estando as coisas como estão, Brasília não vai fazer uma festa de aniversário, mas um velório de aniversário.
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Este artigo foi publicado originalmente na Tribuna da Bahia desta terça.
Ivan de Carvalho é jornalista baiano.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Tribunal de Contas do DF suspende pregão para montagem de estruturas da festa de aniversário de Brasília

Sexta, 30 de março de 2012
Do site do TCDF

Auditores encontraram falhas na pesquisa de preço e indícios de irregularidades, como sobrepreço, restrição da competitividade e possibilidade de subcontratação integral

O Plenário do Tribunal de Contas do Distrito Federal ratificou o despacho singular do relator do Processo nº 5755/2012, conselheiro Ronaldo Costa Couto, que suspendeu o Pregão Eletrônico nº 003/2012, da Secretaria de Estado de Cultura do DF, que tinha por objeto a contratação de empresa para prestar serviço de montagem de estruturas para a festa de comemoração dos 52 anos de Brasília. A licitação, com valor estimado em R$ 7.200.000, seria realizada às 14h dessa quinta-feira, 29 de março de 2012.
Ao analisar o edital, os auditores do TCDF encontraram falhas na pesquisa de custos e possível sobrepreço de R$ 810.531,17. No levantamento feito pelo corpo técnico, foram verificadas diferenças de até 93% em relação ao valor praticado pelo mercado.

O edital previa ainda a possibilidade subcontratação de 100% de alguns serviços, ferindo o art. 72 da Lei nº 8666/93 (conhecida como Lei das Licitações).
Além disso, havia uma cláusula que exigia o registro no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Distrito Federal para “serviços de fornecimento de mão de obra especializada em eventos culturais de grande porte” e “serviços de segurança, limpeza, carregadores”. Esse item poderia configurar restrição da competitividade e direcionamento. O relatório da área técnica do TCDF ressalta que “essas atividades de locação de mão de obra não contemplam os profissionais regidos pelo CREA/DF”.

A Corte determinou, portanto, que a Secretaria de Cultura  elabore nova pesquisa de preços para compatibilizá-los com os de mercado, estabeleça limites para a subcontratação e exclua do edital a exigência de registro e habilitação no CREA/DF para as empresas vencedoras dos lotes relacionados à mão de obra que não faz parte da categoria abrangida pelo referido Conselho.
 
Principais falhas do edital
- Insuficiência da pesquisa de preços
- Ausência de limites para a subcontratação
- Exigência indevida de registro no CREA/DF para serviços de fornecimento de mão de obra
  
Indícios de sobrepreço
- Tendas Pirâmide - montagem, manutenção e desmontagem (63%)
- Estrutura em octanorme (37%)
- Palco Principal (60%)
- Alambrados de grades de proteção tipo alambrado (42%)
- Equipamentos de sonorização de grande porte para o Palco Principal (93%)

terça-feira, 20 de abril de 2010