Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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sexta-feira, 4 de maio de 2018

Cinismo assustador e cruel

Sexta, 4 de maio de 2018
Por
Pedro Augusto Pinho*

Para que não paire dúvidas, nem seja considerada “fake new”, transcrevo na íntegra a notícia.

“A Força Aérea dos EUA realizou mais de 20 testes de engenharia, desenvolvimento e voo da nova bomba nuclear guiada B61-12, informou um general da Força Aérea estadunidense em 1º de maio.

O serviço "já conduziu 26 testes de engenharia, desenvolvimento e testes de voo", disse o tenente-general Jack Weinstein ao portal Military.com, acrescentando que o programa "está indo extremamente bem". A nova versão da bomba é, segundo relatos, três vezes mais precisa do que suas antecessoras, de acordo com o portal.

Maquete de míssil nuclear Minuteman III usado para treinamento de equipes de manutenção de mísseis é visto na base da Força Aérea F. E. Warren, Wyo.

EUA violam tratado de não-proliferação ao ter armas nucleares na Europa, diz Moscou.

A 12ª versão da bomba B61, projetada originalmente em 1963, terá uma nova capacidade que não tinha nas versões anteriores: penetração subterrânea, podendo assim atacar centros de comando e controle fortificados.

A bomba tem um poder explosivo de 50 quilotoneladas de TNT, ou seja, aproximadamente quatro vezes mais poderosa do que a bomba que os EUA lançaram sobre a cidade japonesa de Nagasaki em agosto de 1945.

Segundo a última doutrina nuclear dos Estados Unidos, no momento os especialistas estão trabalhando em integrar a bomba de gravidade no caça furtivo F-35 Lightning II.

A doutrina nuclear também prevê modernização dos mísseis de cruzeiro e de componentes dos mísseis balísticos intercontinentais da tríade nuclear. Por enquanto, a tríade nuclear dos EUA é constituída por mísseis balísticos lançados de submarinos, bombardeiros estratégicos, que carregam tanto bombas de gravidade como mísseis de cruzeiro, bem como mísseis balísticos intercontinentais baseados em terra” (Sputinik Brasil, 13/05/2018).

Provavelmente, a grande maioria dos leitores desta notícia a atribuirá ao espírito belicista do Presidente Donald Trump ou a sua inconsequência política ou, apenas, à sua vontade todo este desassombro.

Esta personificação do mal, seja o espírito bélico de um presidente seja o comportamento corrupto de um senador ou alguma psicopatia de magistrado, é própria de nosso tempo. Ainda não está internalizada a compreensão da dominação por um sistema e não, como ocorrera no passado, por um país, uma ideologia, uma pessoa ou um partido dominador.

Entendo e não é fácil despersonificar um mal. A religião que cria o demônio, o corporifica para combatê-lo. Quando mais sutil, o coloca numa qualificação. Um sistema é muito abstrato para ser entendido e identificado.

Creio que reside aí a grande dificuldade que os opositores do sistema financeiro internacional, que denomino banca, encontram para tornar esta luta a de todos, exceto das quatro ou cinco dúzias de famílias que dele se aproveitam e das centenas ou milhares de servos que vivem em torno delas.

Mas verifique, caro leitor, que esta super bomba está em seu 26º teste, ou seja, não é obra de um presidente louco, mas de alguns antecessores. E estes estavam em partidos opostos.

Também as medidas que reduzem a riqueza nacional, o emprego para todas as pessoas, a precarização do trabalho, a ausência de políticas públicas, as ações assistenciais dos Estados transitam durante governos socialistas e liberais, conservadores e trabalhistas, republicanos e democratas, ou seja, dentro de um único e dominante sistema: o financeiro.

Um amigo leitor me escreveu dizendo que estou vendo a banca, em toda parte, como o único mal. Curioso é que estes críticos, ainda hoje, colocam o comunismo ou o socialismo ou o bolivarianismo, no fundo os usam como sinônimos, como a razão de nossos males e da própria humanidade. Não cabe discutir agora, em momento dramático para a própria vida, opções ideológicas. Temos diante de nós um fato.

A jornalista e escritora gaúcha Tania Faillace, usando expressão que não gosto, Nova Ordem Mundial (entendo ser uma designação midiática, publicitária da própria banca), vem apontando o projeto de extinção de bilhões de pessoas, as  desnecessárias para a vida confortável e tranquila das famílias detentoras dos bens, das rendas, as donas do sistema, as “bancárias”.

E que maravilha (sic) uma bomba “três vezes mais precisa do que suas antecessoras”!

Os golpistas de 2016, do judiciário, da mídia, do legislativo e, obviamente, do executivo, estão destruindo o Estado brasileiro e colaborando para a extinção da espécie. Atentem para seus votos nestas eleições de 2018.

*Pedro Augusto Pinho, avô, administrador aposentado

sábado, 24 de março de 2012

Revista publica foto inédita de Hiroshima bombardeada

Sábado, 24 de março de 2012
Da Revista IstoÉ

por Antonio Carlos Prado e Laura Daudén
A revista americana “Life” publicou na semana passada fotografias que permaneceram inéditas por 67 anos em seus arquivos. Mostram a condição de terra arrasada em que ficaram as cidades japonesas de Hiroshima (foto) e Nagasaki após o bombardeio atômico que sofreram dos EUA em agosto de 1945, ao final da Segunda Guerra Mundial. A revista revelou também a carta que à época o fotógrafo Bernard Hoffman enviou ao seu editor, Wilson Hicks: “A vontade de querer chorar deve-se a essa nova e terrível arma que é a bomba atômica. Nada tem a ver com a morte de japoneses.” Voltando-se no tempo, compreende-se a frieza de Hoffman. Os japoneses eram então para os americanos o que são hoje os terroristas do 11 de Setembro – objetos de ódio por terem traído os EUA bombardeando a base naval de Pearl Harbor. Ao final da guerra não bastava aos EUA ser belicamente fortes – era preciso parecer belicamente fortes. Fica claro assim que bombardear o Japão seguiu uma estratégia militar e política.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Brasil na contramão

Segunda, 30 de maio de 2011

O governo brasileiro espera ampliar o seu programa nuclear, construindo até o ano de 2030 mais seis novas usinas, que deverão responder por 5% da energia elétrica gerado pelo país. Angra 3, no Rio de Janeiro, já teve liberado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social —BNDES— mais 6 bilhões de reais.

Enquanto isso, a Alemanha deverá fechar todas as suas usinas nucleares até 2022, sendo que oito serão fechadas de imediato. Em 2021 mais seis serão fechadas. Todas as demais deixarão de funcionar um ano depois.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Irã retoma negociações sobre programa nuclear até novembro, diz porta-voz

Quarta, 13 de outubro de 2010
Da Agência Brasil
Renata Giraldi - Repórter

Brasília – Há quatro meses submetido às sanções impostas pela comunidade internacional, o Irã se dispõe a retomar as negociações sobre o programa nuclear desenvolvido no país entre o fim deste mês e a primeira semana de novembro. A informação foi confirmada pelo porta-voz do Ministério do Exterior iraniano, Ramin Mehmanparast, que não informou, no entanto, a data exata. As informações são da agência oficial de notícias do Irã, a Irna.

A retomada das negociações envolve as autoridades do Irã e o grupo denominado P 5+1, que é formado pelos Estados Unidos, a França, China, Inglaterra, Rússia e a Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea). O porta-voz afirmou que o Irã “está disposto a retormar as negociações”. De acordo com ele, a data depende de um acordo entre todos os envolvidos.

Segundo Mehmanparast, durante os debates da 65ª Assembleia Geral das Nações Unidas no mês passado, o governo iraniano manifestou disposição de retomar as conversas. “Mas o outro lado não estava preparado para isso”, disse ele na entrevista coletiva semanal.

Para o governo iraniano, é fundamental que as negociações considerem a chamada Declaração de Teerã, que se refere ao acordo para a troca de urânio, negociado pelo Brasil e a Turquia em maio. Por esse acordo, o Irã se dispõe a enviar urânio levemente enriquecido para a Turquia. Em troca, receberá o produto enriquecido a 20%.

Com isso, o Brasil e a Turquia esperam que os receios em torno do programa nuclear iraniano sejam atenuados. Para a comunidade internacional, o programa nuclear desenvolvido no Irã tem fins não pacíficos, incluindo a produção de armas atômicas. As autoridades do país negam essas suspeitas.

Incomodado com as suspeitas, o porta-voz criticou a autoridade da União Europeia, que disse desconhecer a retomada das negociações em torno do programa nuclear iraniano. Para Mehmanparast, a chefe de Política Externa da União Europeia, Catherine Aston, é desinformada. “Ela não sabe nada sobre a data das negociações”, disse.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Festa para Satanás II

Sexta, 29 de outubro de 2009
Por Ivan de Carvalho
O convite feito pelo governo brasileiro ao presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, para que venha em visita oficial ao Brasil no dia 23 de novembro, assunto do qual começamos a tratar ontem e a ele voltamos hoje, é, além de inoportuno é cúmplice e definitivamente inadequado. Ou, se quiserem usar linguagem corrente entre os teocratas iranianos, satânico.
    É inoportuno porque o governo do Irã resiste aos esforços internacionais para evitar que o Irã desenvolva totalmente, em suas conhecidas instalações nucleares, a tecnologia e tenha os equipamentos para o enriquecimento de urânio, matéria prima para a produção de armas atômicas.
A comunidade internacional propõe que o Irã receba o combustível pronto e que este, bem como o plutônio – subproduto do uso do urânio enriquecido nas usinas de produção de energia nuclear – sejam submetidos a rigoroso controle internacional, através da Agência Internacional de Energia Atômica, de modo que não seja desviado um “excesso” para a produção de armas nucleares.
Esta era a queda de braço que havia até há pouco entre a comunidade internacional e o Irã. Nos últimos dias, no entanto, o cenário mudou, tornou-se ostensivamente macabro. É que foi anunciada a descoberta de uma planta nuclear subterrânea secreta no Irã. Uma planta que os especialistas declaram pequena demais para a produção de energia elétrica, mas suficiente para produzir armas nucleares.
E sabe-se que um dos objetivos nacionais do atual governo do Irã é “varrer Israel do mapa”, como já disse o nosso convidado Ahmadinejad, que tanto empenho mostra o governo brasileiro em trazê-lo aqui. Aliás, governo que, por seus porta-vozes mais abalizados, inclusive o presidente Lula, já cuidou – nos últimos dias, apesar da planta nuclear ex-secreta – de fazer a defesa da política nuclear iraniana.
O empenho em trazer ao Brasil o presidente do Irã (reeleito em pleito suspeitíssimo, com acusações de fraude e protestos que abalaram o país durante algumas semanas) é espantoso. Uma primeira visita de Ahmadinejad estava marcada para pouco antes de sua reeleição, mas ele fez umas declarações segundo as quais o Holocausto – a morte de seis milhões de judeus pelo nazismo durante a Segunda Guerra Mundial – seria nada mais que uma jogada de propaganda e produziu tão desagradável reação que, juntamente com problemas em sua campanha eleitoral, levaram-no a adiar a visita, sem explicações (públicas).
Pois agora prepara o governo brasileiro nova festa para o sinistro personagem. E o faz depois da descoberta da planta nuclear ex-secreta que só serve para fazer armas nucleares. E depois que, reeleito (de verdade ou na roubada, pois não houve investigação séria), reafirmou sua teoria de que o Holocausto foi uma invenção, provocando reações duras de vários países democráticos, destacando-se a própria Alemanha (pátria arrependida do nazismo). Sua primeira-ministra, Angela Merkel, considerou Ahmadinejad “uma desgraça para o Irã”. Para o governo brasileiro, que a respeito não deu um piu, ele deve ser um herói.

Este artigo foi publicado originalmente na Tribuna da Bahia desta sexta-feira.
Ivan de Carvalho é jornalista baiano.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Festa para Satanás

Quarta, 28 de outubro
Por Ivan de Carvalho
 O governo brasileiro se prepara para receber alegremente, em 23 de novembro, a visita do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad. Estão em espírito de festa antecipada os governos iraniano e brasileiro e seus respectivos presidentes. O presidente Lula tem feito, solitariamente entre os chefes de governo e Estado responsáveis do mundo – talvez ele não se enquadre exatamente nesta categoria, afinal, pois é esta a impressão que tem dado ao adotar posições sobre determinados temas e casos – a defesa do programa nuclear do Irã. Os detentores do poder nesta ditadura teocrática juram que o programa tem fins pacíficos – a produção de energia elétrica.
    O que mais perplexidade causa é que essa defesa que faz o presidente Lula se tornou mais explícita, afirmativa e incisiva depois de anunciada a descoberta de uma planta atômica secreta, construída à socapa no interior de uma montanha, enquanto o mundo se preocupava com o programa nuclear iraniano ostensivo e sua entravada e entrevada fiscalização, julgando que era o único que existia lá.
    Se o programa ostensivo já é suspeito de ter o objetivo de produção de matéria prima para armas nucleares – o Irã resiste e inventa pretextos para impedir a fiscalização da produção dessa matéria prima (plutônio e urânio enriquecido) pelos técnicos da Agência Internacional de Energia Atômica –, isso dá uma idéia de quanto é reveladora a planta secreta, recentemente descoberta.
    E os especialistas no assunto não deixam margem a dúvida, salvo para aqueles que, por conveniência ideológica, política ou comercial não querem entender. Explicam esses especialistas que a planta nuclear ex-secreta é pequena demais para a produção de energia elétrica, mas suficiente para a produção de armas nucleares.
    Certamente com contida ironia, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Manouchehr Mottaki, compartilham da mesma visão sobre o uso da energia nuclear. Poderiam até compartilhar, se o Brasil não houvesse desistido do seu projeto nuclear secreto gestado nos tempos da ditadura e detonado os poços cavados para futuras experiências nucleares subterrâneas na Serra do Cachimbo. Mas saímos dessa aventura macabra desde a década de 80 e o Irã é, dos dois, o país que agora a empreende.
    De qualquer forma seria interessante indagar ao chanceler Celso Amorim ou ao assessor especial para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Top Top Garcia, se é verdadeira a identidade de visão do Irã e do Brasil sobre o uso da energia nuclear. Porque se algum desses dois disser que sim – e presumindo, só presumindo – que nenhum dos dois seja burro a ponto de não saber o que está dizendo, temos muito com o que nos preocupar. Afinal, seria uma grande surpresa uma mudança na política brasileira de renúncia total do uso da energia nuclear para fins bélicos.
    Além do programa nuclear de natureza bélica do Irã, há outros e fortíssimos motivos para a sociedade brasileira reagir e esse estabanado convite a Ahmadinejad. Disso tratamos depois.

Este artigo foi publicado originalmente na Tribuna da Bahia desta quarta-feira.
Ivan de Carvalho é jornalista baiano