Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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sexta-feira, 4 de maio de 2018

Cinismo assustador e cruel

Sexta, 4 de maio de 2018
Por
Pedro Augusto Pinho*

Para que não paire dúvidas, nem seja considerada “fake new”, transcrevo na íntegra a notícia.

“A Força Aérea dos EUA realizou mais de 20 testes de engenharia, desenvolvimento e voo da nova bomba nuclear guiada B61-12, informou um general da Força Aérea estadunidense em 1º de maio.

O serviço "já conduziu 26 testes de engenharia, desenvolvimento e testes de voo", disse o tenente-general Jack Weinstein ao portal Military.com, acrescentando que o programa "está indo extremamente bem". A nova versão da bomba é, segundo relatos, três vezes mais precisa do que suas antecessoras, de acordo com o portal.

Maquete de míssil nuclear Minuteman III usado para treinamento de equipes de manutenção de mísseis é visto na base da Força Aérea F. E. Warren, Wyo.

EUA violam tratado de não-proliferação ao ter armas nucleares na Europa, diz Moscou.

A 12ª versão da bomba B61, projetada originalmente em 1963, terá uma nova capacidade que não tinha nas versões anteriores: penetração subterrânea, podendo assim atacar centros de comando e controle fortificados.

A bomba tem um poder explosivo de 50 quilotoneladas de TNT, ou seja, aproximadamente quatro vezes mais poderosa do que a bomba que os EUA lançaram sobre a cidade japonesa de Nagasaki em agosto de 1945.

Segundo a última doutrina nuclear dos Estados Unidos, no momento os especialistas estão trabalhando em integrar a bomba de gravidade no caça furtivo F-35 Lightning II.

A doutrina nuclear também prevê modernização dos mísseis de cruzeiro e de componentes dos mísseis balísticos intercontinentais da tríade nuclear. Por enquanto, a tríade nuclear dos EUA é constituída por mísseis balísticos lançados de submarinos, bombardeiros estratégicos, que carregam tanto bombas de gravidade como mísseis de cruzeiro, bem como mísseis balísticos intercontinentais baseados em terra” (Sputinik Brasil, 13/05/2018).

Provavelmente, a grande maioria dos leitores desta notícia a atribuirá ao espírito belicista do Presidente Donald Trump ou a sua inconsequência política ou, apenas, à sua vontade todo este desassombro.

Esta personificação do mal, seja o espírito bélico de um presidente seja o comportamento corrupto de um senador ou alguma psicopatia de magistrado, é própria de nosso tempo. Ainda não está internalizada a compreensão da dominação por um sistema e não, como ocorrera no passado, por um país, uma ideologia, uma pessoa ou um partido dominador.

Entendo e não é fácil despersonificar um mal. A religião que cria o demônio, o corporifica para combatê-lo. Quando mais sutil, o coloca numa qualificação. Um sistema é muito abstrato para ser entendido e identificado.

Creio que reside aí a grande dificuldade que os opositores do sistema financeiro internacional, que denomino banca, encontram para tornar esta luta a de todos, exceto das quatro ou cinco dúzias de famílias que dele se aproveitam e das centenas ou milhares de servos que vivem em torno delas.

Mas verifique, caro leitor, que esta super bomba está em seu 26º teste, ou seja, não é obra de um presidente louco, mas de alguns antecessores. E estes estavam em partidos opostos.

Também as medidas que reduzem a riqueza nacional, o emprego para todas as pessoas, a precarização do trabalho, a ausência de políticas públicas, as ações assistenciais dos Estados transitam durante governos socialistas e liberais, conservadores e trabalhistas, republicanos e democratas, ou seja, dentro de um único e dominante sistema: o financeiro.

Um amigo leitor me escreveu dizendo que estou vendo a banca, em toda parte, como o único mal. Curioso é que estes críticos, ainda hoje, colocam o comunismo ou o socialismo ou o bolivarianismo, no fundo os usam como sinônimos, como a razão de nossos males e da própria humanidade. Não cabe discutir agora, em momento dramático para a própria vida, opções ideológicas. Temos diante de nós um fato.

A jornalista e escritora gaúcha Tania Faillace, usando expressão que não gosto, Nova Ordem Mundial (entendo ser uma designação midiática, publicitária da própria banca), vem apontando o projeto de extinção de bilhões de pessoas, as  desnecessárias para a vida confortável e tranquila das famílias detentoras dos bens, das rendas, as donas do sistema, as “bancárias”.

E que maravilha (sic) uma bomba “três vezes mais precisa do que suas antecessoras”!

Os golpistas de 2016, do judiciário, da mídia, do legislativo e, obviamente, do executivo, estão destruindo o Estado brasileiro e colaborando para a extinção da espécie. Atentem para seus votos nestas eleições de 2018.

*Pedro Augusto Pinho, avô, administrador aposentado

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

PROJETO DE NAÇÃO DOS RICOS: Implantar logo uma ditadura e entregar-se ao imperialismo

Segunda, 14 de agosto de 2017
Do Política Econômica do Petróleo



PROJETO DE NAÇÃO DOS RICOS:
Implantar logo uma ditadura e entregar-se ao imperialismo

Wladmir Coelho

Espantosa essa revelação do jornal Valor: 85 dos maiores empresários brasileiros revelam-se pouco participativos nas decisões políticas nacionais.

O nível do distanciamento entre os grandes empresários e a política, segundo o jornal, assume um grau horripilante considerando, por exemplo, a declaração do dirigente do grupo Suzano, revelando este a inexistência, no meio empresarial, de um projeto político para o Brasil.

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

O visitante

Setembro
7

O visitante

Nestes dias do ano 2000, cento e oitenta e nove países firmaram a Declaração do Milênio, e se comprometeram a resolver todos os dramas do mundo.
O único objetivo alcançado não aparecia na lista: Conseguiu-se multiplicar a quantidade de especialistas necessários para levar adiante tarefas tão difíceis.
Pelo que ouvir dizer em São Domingos, um desses especialistas estava percorrendo os arredores da cidade quando se deteve diante do galinheiro de dona Maria de las Mercedes Holmes, e perguntou a ela:
— Se eu disser exatamente quantas galinhas a senhora tem, a senhora me dá uma?
E ligou seu computador tablete com tela touch screen, ativou o GPS, conectou-se através de seu telefone celular 3G com sistema de fotos de satélite e pôs o contador de pixels para funcionar:
— A senhora tem cento e trinta e duas galinhas.
E pegou uma.
Dona Maria de las Mercedes não ficou calada:
— Se eu disser ao senhor qual é o seu trabalho, o senhor me devolve a galinha? Pois então digo: o senhor é um especialista internacional. Eu notei porque veio sem ser chamado por ninguém, entrou no galinheiro sem pedir licença, me contou uma coisa que eu já sabia e me cobrou por isso.

Eduardo Galeano, no livro “Os filhos dos dias”, 2ª ed., pág 287, L&PM Editores.

terça-feira, 12 de abril de 2016

Continuidade deletéria

Terça, 12 de abril de 2016
Adriano Benayon *
Adriano Benayon
Publiquei, este ano, artigo “O Golpe Permanente”, em que resumi como as lamentáveis estrutura e infraestrutura econômica e social do País são o resultado da continuidade, nos últimos 62 anos, de políticas determinadas por interesses vinculados às potências imperiais ou, no mínimo, capitulações diante de pressões dessas potências.

2. A continuidade, geralmente despercebida, tem prevalecido sob governos e regimes díspares, incluindo os militares e os eleitos pelo voto direto, e também os instalados através de eleições indiretas pelo Congresso “Nacional”.

3. Essa realidade prossegue sob a presente “ordem” constitucional, e perdurará, enquanto esta existir, como também sendo ela  substituída por mais um regime incapaz de conduzir o Brasil ao desenvolvimento econômico e social.

4. Tenho enfatizado que a corrupção mais profunda  é de natureza distinta da que costuma ser investigada pelas autoridades competentes e exposta ao público pelos meios de comunicação social.

5. Muitos brasileiros estão divididos entre, os que consideram que a preservação (?) do inexistente (mas oficialmente assim definido) regime democrático depende de rejeitar o pedido de impeachment contra a presidente da República, e os que julgam que esse regime somente sobreviverá se conseguirem defenestrar a primeira mandatária.

6. Não obstante a segunda “alternativa” afigurar-se a mais deletéria, o País terá agravados os seus desequilíbrios com qualquer desses desfechos.

7. No deprimente espetáculo oferecido por políticos e partidos, o PMDB apresentou mais um número digno de seu passado de conchavos espúrios e deslavado fisiologismo, afastando-se do Executivo petista, de que fez parte desde o primeiro mandato de Lula.

8. De fato, por todo esse tempo, caciques peemedebistas, Temer, Cunha e outros, - além das cornucópias reservadas ao Legislativo, como as emendas ao orçamento – desfrutaram de cargos e feudos na área do Executivo.

9. E já o haviam feito nos oito anos de FHC (PSDB), cumpliciando-se em todos os atos de frontal desprezo aos interesses nacionais. 

10. É manifesta a orfandade dos brasileiros no que dependa da representação política, cujas mazelas independem da dualidade esquerda (PT, PC doB ?) / direita (PSDB e aliados, agora reforçados pelo PSB, em traição às memórias de seus fundadores).

11. Se a “direita”, é confessadamente alinhada às posições defendidas pelo império angloamericano e em favor de sua oligarquia financeira, os governos encabeçados pelo PT nunca deixaram de se acomodar com esta.

12.  Isso vem desde antes da primeira posse de Lula, quando este fez acordo de “governabilidade”, no qual concordou em sufocar os movimentos que pleiteavam rever as grossas bandalheiras das privatizações, em que foi dilapidado o grosso do patrimônio público. 

13. Recorde-se que o surgimento de Lula e do PT foi patrocinado durante governo militar, sob a direção de Golbery, ligado à CIA, a fim de dividir a esquerda que, à época ainda contava com figuras nacionalistas de expressão: Leonel Brizola e Miguel Arraes.

14. A escalada de Lula foi fomentada, não só pela ala pró-EUA do governo militar, mas também pela grande mídia, tradicional sustentáculo dos interesses dos carteis transnacionais, desde antes da derrubada do presidente Vargas em 1954.

15.  O apoio externo ao sindicalista de resultados manifestou-se, de forma despercebida pelo público, por exemplo, em cenários ilusórios de perseguição contra Lula, para transformá-lo em suposta vítima do governo ditatorial, como o sobrevoo ameaçador de concentração de seguidores, por helicópteros das FFAA.

16. Outro episódio marcante foram as fraudes contra Brizola para que Lula obtivesse, por pequena margem, o segundo lugar no 1º turno da fatídica eleição de 1989, que elevou Collor à presidência, para, entre outras medidas devastadoras, fazer o Congresso aprovar, em 60 dias, pacote de leis tão volumoso, como nocivo ao País.

17. Entretanto, fazendo justiça a Lula, lembre-se que ele, no primeiro mandato, tomou algumas medidas favoráveis à economia e deteve temporariamente a destruição da Petrobrás, encetada por FHC, desde a Lei 9.478/1997 e a infiltração de agentes de interesses externos na ANP e na estatal.

18. Lula pôs em posições executivas da Petrobrás, técnicos, como Guilherme Estrella e Ildo Sauer, que dirigiram as descobertas das grandiosas reservas do pré-sal,  além de ter conseguido aprovar a Lei que instituiu regime especial para a exploração dessas reservas.

19. Mas a qualidade das administrações da Petrobrás não se manteve no segundo mandato e deteriorou-se sob Dilma, com Graça Foster e muito mais com Bendine.

20. As políticas deste são contraditórias e destrutivas, como comprova: 1) o balanço de 2015, em que foram enganosamente desvalorizados e subavaliados os ativos da empresa; 2) a açodada venda de parte substancial de ativos.

21. É desastrosa a atuação da presidente Dilma, em áreas cruciais como o petróleo e a eletricidade, em manteve o sistema de caos programado instituído por FHC, e acabou consumando a virtual falência da Eletrobrás.

22. Entretanto, constatar esses fracassos não leva a concluir que a devastação do patrimônio do País não será ainda mais incrementada, se o Executivo for assumido por qualquer dos opositores. 

23. No próximo artigo, avaliarei antecedentes históricos das mentirosas  “alternativas” existentes no cenário político

* Adriano Benayon é doutor em Economia, pela Universidade de Hamburgo, Alemanha; autor de Globalização versus Desenvolvimento.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

As 10 empresas que controlam 40 mil outras

Quarta, 6 de abril de 2016
Do Esquerda.Net
Um estudo recente sobre as redes formadas pelos acionistas comuns entre as 150 maiores empresas do mundo veio comprovar resultados de um trabalho anterior, que mostrou que 146 acionistas controlam 40% do valor total das empresas.
5 de Abril, 2016

Foto de Nick Ares/Flickr

A professora de Ciências Políticas e Sociologia da Universidade Complutense de Madrid, Reyes Herrero López, estudou as redes formadas pelos acionistas comuns entre as 150 maiores empresas do mundo. A lista dos 10 investidores mais importantes está representada na figura abaixo, feita com base da descrição do artigo de Reyes Herrero López feita por Narciso Pizarro no blog de economia El Salmon Contracorriente. Em primeiro lugar da lista está o fundo norte americano BlackRock, considerado o maior gestor de ativos do mundo.
 
Os 10 investidores mais importantes a
nível mundial, segundo o trabalho de Reyes
Herrero López.

Em cada lugar do ranking descrevemos o número total de empesas participada por cada uma, uma forma de visualização da importância dos maiores investidores. Além disso, vários destes grupos de investidores participam nas mesmas empresas, sendo, no fundo, acionistas uns dos outros.

Reyes Herrero López obteve resultados semelhantes com os de um estudo publicado em 2011 por Stefania Vitali, James B. Glattfelder e Stefano Battiston, apesar de ter usado metodologias e bases de dados originais diferentes. Estes autores publicaram na conceituada revista PLOS ONE um trabalho (disponível aqui) em que pesquisaram extensivamente a relação entre os proprietários das 43.060 maiores empresas multinacionais do mundo.

O primeiro estudo teve como fonte a base de dados OSIRIS e usou dados de 2012, o segundo recorreu à base de dados Orbis em 2007. No trabalho mais antigo, os investigadores, economistas e estatísticos, procuraram as interligações entre as multinacionais mundiais. E, tal como o estudo recente, revelaram que um pequeno grupo de atores económicos – sociedades financeiras ou grupos industriais – domina a grande maioria do capital de dezenas de milhares de empresas no mundo.

Vitali, Glattfelder e Battiston estudaram as cadeias de participação em capital de uma empresa noutra e encontraram 1.006.987 cadeias de relações de propriedade entre 600.508 atores económicos que incluem mais de 40.000 multinacionais e outros agentes que não estavam incluídos na lista inicial de empresas. Descobriram que 737 acionistas, 0,123% de todos os acionistas, controlam 80% do valor das empresas mundiais de as mais de 43.000 companhias multinacionais.

Além disso, 147 desses acionistas, 0,024% do número total de acionistas, controlam 40% do valor total destas empresas. Por fim, neste grupo de 147 multinacionais, 50 grandes detentores de capital formam aquilo a que os autores chamam uma “super entidade”. Nela encontram-se principalmente bancos: o britânico Barclays à cabeça, assim como as “stars” de Wall Street (JP Morgan, Merrill Lynch, Goldman Sachs, Morgan Stanley...). Mas também seguradoras e grupos bancários franceses: Axa, Natixis, Société générale, o grupo Banque populaire-Caisse d'épargne ou BNP-Paribas. Os principais clientes dos hedge funds e outras carteiras de investimentos geridos por estas instituições são por conseguinte, mecanicamente, os donos do mundo. Não só existe um alta concentração de controlo, como os acionistas estão extremamente conectados entre si.

Artigos relacionados: 

sábado, 5 de março de 2016

"TTIP quer baixar padrões e aumentar lucros de multinacionais"

Sábado, 5 de março de 2016
Declarações de John Hilary, diretor da ONG "War on Want", que luta contra o TTIP, ao esquerda.net. O texto lido em baixo, tal como o vídeo da entrevista.
John Hilary é o diretor da "War on Want", uma ONG britânica que está à frente da luta contra o TTIP, cronista e autor do livro of "The poverty of capitalism: economic meltdown and the struggle for what comes next" ["A pobreza do capitalismo: crise económica e a luta por o que vem depois"], de 2013. John Hilary foi entrevistado para o esquerda.net sobre o ponto atual da luta contra o TTIP e possíveis alternativas na conferência "Um Plano B para a Europa", em Madrid.
"Estamos muito felizes porque o movimento contra o TTIP e também contra o tratado entre o Canadá e a União Europeia, o CETA, tornou-se um movimento de massas, não só no Reino Unido, mas em toda a Europa. 
Em 28 estados membros da UE há milhões e milhões de cidadãos que fizeram ações contra o TTIP e contra o CETA e contra esta nova geração de acordos de comércio livre. O que é muito bom para nós é que todos os sindicatos no Reino Unido estão 100% contra o tratado.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Há como evitar o caos? (Republicado)

Terça, 3 de fevereiro de 2016
Republicação do artigo postado aqui no Gama Livre ontem (2/2) às 0h19.
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Adriano BenayonDelfim Netto concedeu entrevista a Claudia Safatle, do Valor. Foi czar da economia em governos militares. No de Geisel, embaixador em Paris, voltando com Figueiredo. 
2. Muito ligado a banqueiros, ingressou no governo pela mão do Bradesco. Favoreceu as transnacionais com enormes subsídios às exportações, que não evitaram o crescimento exponencial da dívida externa. Depois, deputado e conselheiro de presidentes na Nova República.    Ninguém mais representativo do establishment.
3. Disse haver poucas chances de impeachment da presidente da República e que esta deveria, com urgência, assumir protagonismo,  apresentando ao Congresso projetos de reforma constitucional e infraconstitucional.
4. Também, que o Congresso deve ser pressionado a aprová-los, sem o que o caos será inevitável e se materializará nos próximos anos.
5. Ele propõe quatro reformas:  Previdência Social, desvinculação dos gastos orçamentários, desindexação e  mercado de trabalho.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Que as Transnacionais Paguem o Justo. Reforma Tributária — Tem que ser com justiça fiscal

Terça, 2 de fevereiro de 2016
1
O Instituto Justiça Fiscal (IJF), o Instituto de Estudos Socioeconômicos (INESC), a Rede Brasileira de Integração dos Povos (REBRIP), a Internacional de Servidores Públicos (ISP) e a Auditoria Cidadã da Dívida (ACD), com o apoio da Red Latinoamericana sobre Deuda, Desarrollo y Derechos (LATINDADD), da Red de Justicia Fiscal de América Latina y el Caribe (RJFALC), da Associação Nacional dos Fiscais da Receita Federal do Brasil (ANFIP), das Delegacias Sindicais do Sindicato Nacional de Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (SINDIFISCO NACIONAL) de Salvador, do Rio de Janeiro, de Porto Alegre, do Ceará e do Espírito Santo, realizaram, nos dias 21 e 22 de janeiro, no Fórum Social Mundial Temático – 2016, oficinas para tratar do tema JUSTIÇA FISCAL PARA UM MUNDO MELHOR, e elaboraram, a partir dos debates realizados, o presente MANIFESTO.

REFORMA TRIBUTÁRIA – TEM QUE SER COM JUSTIÇA FISCAL
O tributo não é um fim em si mesmo, mas um meio para atender as demandas sociais. As grandes transformações sociais em andamento tanto demográficas e culturais quanto de estrutura produtiva têm produzido novas demandas que requerem uma reconfiguração e ampliação do fundo público especialmente aquele destinado à seguridade social, com garantia de suas fontes de financiamento.

Há como evitar o caos?

Terça, 2 de fevereiro de 2016
 Adriano Benayon
Delfim Netto concedeu entrevista a Claudia Safatle, do Valor. Foi czar da economia em governos militares. No de Geisel, embaixador em Paris, voltando com Figueiredo. 
2. Muito ligado a banqueiros, ingressou no governo pela mão do Bradesco. Favoreceu as transnacionais com enormes subsídios às exportações, que não evitaram o crescimento exponencial da dívida externa. Depois, deputado e conselheiro de presidentes na Nova República.    Ninguém mais representativo do establishment.
3. Disse haver poucas chances de impeachment da presidente da República e que esta deveria, com urgência, assumir protagonismo,  apresentando ao Congresso projetos de reforma constitucional e infraconstitucional.
4. Também, que o Congresso deve ser pressionado a aprová-los, sem o que o caos será inevitável e se materializará nos próximos anos.
5. Ele propõe quatro reformas:  Previdência Social, desvinculação dos gastos orçamentários, desindexação e  mercado de trabalho.
6. Ora, as duas primeiras foram objeto, por duas vezes, de reformas constitucionais, sob FHC e Lula, aprovadas em 1998 e 2003.   A reforma do mercado de trabalho significa que a legislação trabalhista não prevalecerá sobre a “negociação”.
7. A desindexação foi decretada pelo Plano Cruzado em 1986 e pelo Plano Real em 1994. Delfim não indicou se os títulos da dívida pública serão ou não isentados da desindexação. Quando do Real foi trágico: a taxa SELIC acumulou 53% em 1995.
8. Em suma, as propostas consistem em aumentar a dose de medidas em uso há muito tempo e até hoje, que nada solucionaram. Não obstante, muitos as aclamarão como solução, pois consideram  novidade tudo de que a TV não fala, desde há três meses.
9. Delfim não vê futuro nas propostas de Lula de reanimar a economia expandindo o crédito. Lembra: “Não há falta de crédito, Há falta de tomador. Não tem ninguém querendo crédito."
10. Claro, a renda das pessoas caiu, suas dívidas cresceram. Aliás, não há necessidade de keynesianismo para entender que só surge retomada de investimentos e criação de empregos, se se crê que haverá mercado para o que se pretende produzir.
11. Mas, e a verdadeira solução? Delfim não a pode apontar. Membro de escol da pseudoelite, ele julga impensável alijar-se da “comunidade financeira internacional”, abrir mão dos ganhos fabulosos das aplicações financeiras, e aprova a globalização do sistema de poder mundial, deixando a economia produtiva sob o comando dos carteis transnacionais.
12. Teorias sofisticadas, voltadas para conservar o império da oligarquia concentradora, como o keynesianismo, embora rotulado como progressista, são uma espécie de ópio de economistas, inclusive ditos de esquerda. 
13. Nessa linha, Delfim imagina vencer a crise, mudando as expectativas: “na economia as crenças são mais importantes do que os fatos.” Para ele, a eleição de Macri, na Argentina, fez o mundo crer que ela vai melhorar e já está melhor que o Brasil.
14. Claro que o império angloamericano vai tentar tornar isso verdade. Mas, mesmo que o consiga, a curto prazo, nas aparências, o resultado estrutural será afundar a Argentina no apartheid tecnológico.
15. Para Delfim, “o Brasil sofre de uma doença: não tem perspectiva.” Seu programa ganharia aplausos da grande mídia e dos muito endinheirados, os que têm meios para investir.
16. Se Dilma o  adotar – aderindo integralmente a esses – como já faz, por exemplo, elevando os juros da dívida pública – o sistema de poder financeiro e transnacional fará o Congresso aprová-lo.
17. Dilma acenaria a possibilidade de recuperar empregos perdidos durante a paralisia, advinda dos diversos fatores da crise.
18. Mas, em função principalmente da estrutura do modelo dependente, não há como repor as perdas e nem sequer estancar os fatores de prosseguimento delas, agravadas pela inflação e pela desvalorização cambial.
19. Só os bancos têm aumentado sempre os lucros. A renda total, em queda, concentra-se ainda mais, excluindo a perspectiva de ressurgimento da procura, ademais devido ao tripé: juros altos para o mentiroso combate à inflação, meta de superávit primário e câmbio flutuante.
20. Então: como vão surgir os investimentos e as expectativas keynesianas favoráveis aos investimentos?
21. Nem com injeção de recursos do Tesouro para o crédito público, como fez Lula, e Dilma até 2013, política injustamente acoimada de errada em si mesma, como causadora do “desequilíbrio fiscal”.
22. Essa política, a proposta por Delfim, e também as duas combinadas,  têm de dar errado, dadas estas realidades estruturais: 
1)    Financeirização, desnacionalização e concentração galopantes;
2)    Infraestrutura que prioriza a extração e o cultivo  predatórios de recursos naturais para exportar, e o faz de forma ineficiente e cara;
3)    Despesa pública descomunal, decorrente da  dívida interna   - indexada e objeto de taxas de juros e spreads absurdos -  a qual, para evitar déficit orçamentário muito alto, faz comprimir investimentos públicos;
4)    Déficits gigantes acumulados nas transações correntes com o exterior – que se aceleram quando a economia cresce -  conducentes ao crescimento da dívida externa e à elevação do passivo externo, proveniente principalmente dos investimentos diretos estrangeiros;
5)    Investimentos estrangeiros na dívida pública interna, cuja dimensão ameaça as reservas externas, em função do possível retorno ao exterior dessas aplicações, ao qual se juntariam saídas de capitais financeiros de residentes no País, eventualidade tanto  mais destrutiva, quanto a pseudoelite não quer recorrer aos controles de câmbio e capitais.
23. Esses fatores de corrosão da economia brasileira retroalimentam-se entre si, constituindo um processo cumulativo.
24. Diante disso e dos conselhos dos economistas do sistema, vem à mente grande parte da medicina ocidental, que atacando sintomas e não, causas, agrava as doenças, intoxicando, ainda mais, com drogas químicas, pacientes intoxicados por alimentação e modos de vida inadequados.    
* - Adriano Benayon é doutor em economia pela Universidade de Hamburgo, Alemanha,  autor do livro Globalização versus Desenvolvimento
(abenayon.df@gmail.com).      

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Jogo pesado no poder mundial

Terça, 12 de janeiro de 2016
Há enorme descompasso entre o modo de operar das grandes potências, especialmente o das hegemônicas, e a capacidade de entendê-lo, por parte dos cidadãos dessas potências e pelos das que estão à mercê delas.
Adriano Benayon
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2. Os centros de formação de opinião, inclusive universidades cuidam, em geral, de manter inquestionada a suposta boa-fé dos dirigentes das ditas potências, cumpridores das diretivas dos potentados da oligarquia financeira, em busca do poder absoluto.

3. Além disso, a ‘informação”, disponível na grande mídia, seleciona, ao gosto dos oiigarcas, as notícias a ser divulgadas, e distorce as que não consegue ocultar por completo.

4. Não bastassem as adulterações da realidade, o sistema de poder trabalha, há mais de século, na adaptação dos públicos-alvos para recebê-las e incorporá-las acriticamente. Para tanto, abusam da psicologia aplicada e dos recursos tecnológicos aplicados sobre os órgãos sensores.

5. Não se exclui que disso faça parte inculcar o hábito dos jogos e mensagens eletrônicos, incutido, pelo marketing, em crianças acima de dois anos (e até menos), fator de condicionamento tendente a tornar o ser humano (?) capaz de reações mentais ultra rápidas, mas pouco afeito aos raciocínios lógico e analítico.

6. Ademais, o envolvimento do indivíduo pelo universo virtual o isola do contato direto com outros, e ele só se comunica através dos aplicativos dos meios eletrônicos.

7. Já nos anos 1960, intelectuais franceses e de outros países assinalavam a despolitização da sociedade, então já inundada de marketing e de alienação. Atualmente é possível que mais gente se interesse por política, mas resta saber em que nível de compreensão.

8. O fato é que a concentração financeira e econômica continua a caminhar na direção do absurdo, inclusive nos principais países desenvolvidos, com a possível exceção da China, sem que as instituições ditas democráticas ofereçam chances às grandes maiorias marginalizadas de sair dessa situação.

9. Joseph Stiglitz, Nobel e ex-presidente do Banco Mundial, escrevera, em 2011, que os Estados Unidos se tornavam um país “dos 1%, pelos 1% e para os 1%”. Então, esses já recebiam quase 25% da renda nacional e controlavam 40% da riqueza total do país.  Essa concentração prossegue aumentando.

10. Conforme recente relatório do banco Crédit Suisse, essa tendência é a mesma no âmbito mundial, os do 1% mais ricos controlando 50% da riqueza total, algo inédito há um século.

11. Para uma ideia das transformações estruturais desfavoráveis ao emprego e à distribuição minimamente equilibrada da renda, dos anos 1950 aos tempos atuais, os lucros da indústria manufatureira caíram de 60% dos lucros totais para 20%, enquanto os do setor financeiro se elevaram de 10% para 30%.

12. O emprego na manufatura desceu de 30% para menos de 10%, e a finança permanece com 5% desde sempre. Ou seja: cada vez menos empregos qualificados na economia. O grosso está nos serviços de baixo componente tecnológico, e, nesse país símbolo da riqueza e do poder ocidentais, um sexto dos residentes passa fome.

13. Há indústrias que não sofrem recessão: a dos equipamentos e armas de guerra e as ligadas ao terrorismo de Estado, espionagem e ingerência em outros países.

14. Os EUA prosseguem intervindo militarmente em todos os continentes e promovendo agressões através de mercenários e terroristas, como na Síria, ultimamente.

15. A Rússia tem sido o único país que – embora prudentemente e só recentemente – se vem contrapondo com efetividade ao bullying mundial exercido pela potência hegemônica.

16. Por isso, a Rússia tem sido agredida diretamente e por satélites do império angloamericano (União Europeia, a Ucrânia e a Turquia), por sanções econômicas e atos de guerra, como a derrubada, pela última, de avião militar sobre o espaço aéreo fronteiriço com a Síria.

17. Além das ações bélicas, decisivas para conter os terroristas do Estado Islâmica, apoiados, por debaixo do pano, pelos EUA, Turquia, Arábia Saudita e outros, a Rússia tem exposto provas desse envolvimento.

18. No cenário das hostilidades, a Rússia acena com a exposição de fotos de satélite captadas quando da implosão das Torres Gêmeas de Nova York, em 2001.

19. De há muito, a Associação dos Arquitetos e Engenheiros pela Verdade e outras, cidadãos e cientistas e norte-americanos – enfrentando fortes censura e pressões oficiais – demonstram ter-se tratado de ato de terrorismo de Estado cometido para intensificar o Estado policial e “justificar” as devastadoras intervenções praticadas no Afeganistão, Iraque, Líbia e Síria.

20. Evidente e provado está que as estruturas de aços especiais daqueles prédios ruíram e pulverizaram-se, em poucos segundos, e isso só pode ocorrer com dezenas de toneladas de explosivos especiais introduzidos nessas estruturas. Terroristas da Al Qaeda (colaboradores dos serviços especiais angloamericanos), supostamente sequestrando aviões, fizeram parte da encenação.

21. Dado, porém, o acobertamento dos fatos, a iludir boa parte do público, a divulgação das fotos russas mostraria de forma contundente a real face do império e poderia ter consequências políticas no Ocidente.

22. Também no recente atentado em Paris, tudo aponta para mais uma operação de falsa bandeira, para “justificar” ataques aéreos franceses na Síria.

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Adriano Benayon é doutor em economia pela Universidade de Hamburgo e autor do livro Globalização versus Desenvolvimento.