“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."
(Millôr Fernandes)
sábado, 9 de setembro de 2023
Auditoria Cidadã da Dívida: “Juros altos não controlam a inflação brasileira. País é paraíso dos rentistas”
domingo, 23 de outubro de 2022
A SOBERANIA E AS FINANÇAS GLOBAIS
Domingo, 23 de outubro de 2026
A SOBERANIA E AS FINANÇAS GLOBAIS
Ainda é pouco estudada a capacidade soberana dos países, no mundo globalizado por finanças apátridas.
Dificilmente, no caso brasileiro, não é imputado aos Estados Unidos da América (EUA), de imensa influência na vida nacional desde o início do século passado, o que, efetivamente, eles são tão vítimas quanto nós. Porém, há na elite estadunidense quem perceba e procure contornar ou vencer esta oposição.
No Brasil, nossas elites, descritas no artigo anterior, “Militares, Religiões, Elites Brasileiras e o Desenvolvimento Nacional” (AEPET, 20/10/2022), se acomodam e se submetem, com perdas de toda ordem.
Iniciemos por entender quem forma as finanças apátridas.
Até bem recentemente, as finanças tinham origem e interesses nacionais: da Inglaterra, no século XIX, dos EUA, em parte do século XX, mas atualmente elas se misturam em paraísos fiscais, são apátridas.
Com esta formação, não há porque mencionar um país, mas a formação do capital destas finanças apátridas.
O que denominamos capitais tradicionais são aqueles cuja origem é fundiária, a propriedade de terras onde as pessoas pagavam para viver e trabalhar. O processo de evolução capitalista exigiu que propriedade e produção se desvinculassem, e mais adiante que capital financeiro, territorial e produtivo formassem três grupos de interesses distintos e muitas vezes conflitantes.
Grande parte das pessoas, inclusive de nossas elites, estagnou sua compreensão econômica nesse momento histórico.
Hoje tudo e todos se concentram no capital financeiro. Ele é o proprietário das terras, dos sistemas produtivos, da circulação de bens e da comunicação que impõe os comportamentos e as percepções das pessoas.
Que semelhança guarda o capital tradicional com o capital atual, que denominamos marginal? Muito pouca, praticamente, se observarmos pela ótica do poder, nenhuma.
Vamos então começar sua exegese pelas consequências, que ficam mais fáceis, por ocorrerem diante de nós, de serem percebidas. E talvez fique também mais evidente que não há qualquer benefício que se possa esperar, individualmente e nacionalmente, deste capital apátrida.
Pergunte-se, caro leitor, por que o Ministro Paulo Guedes, o Posto Ipiranga, o que tem todas as respostas para a imensidão da ignorância do presidente que lhe serve, confessou espontaneamente ter seu dinheiro em paraíso fiscal? Estaria, num assomo de sinceridade, confessando a evasão fiscal? Teria cometido um deslize, um ato falho?
Ousamos pensar que não. Ele, como fiel e bom servidor dos capitais apátridas e marginais, estava dando um exemplo a ser seguido pelos capitalistas que, ainda, insistem em aplicar no Brasil. E isso faz sentido quando se revela a situação atual destes capitais.
Um pouco da história financeira recente. Quando as finanças reconquistam o poder? Como está sua situação em 2022?
Alguns colocam em 30 de maio de 1919, quando, em reunião no Hotel Majestic, em Paris, são criados o Royal Institute of International Affairs, de Londres, e o Council on Foreign Relations (CFR), nos EUA. Outros na ação sobre o psicossocial do ocidente, com o Woodstock Music & Art Fair, festival de música, realizado entre os dias 15 e 18 de agosto de 1969, no estado de Nova Iorque (EUA), com drogas e sexo, envolvendo 400 mil pessoas. Ainda quem veja na luta contra industrialização, com o embargo e choque do preço do petróleo, em outubro de 1973.
Podemos, no entanto, definir a data insofismável da nova Tábua de Moisés, levada ao mundo em novembro de 1989, por economistas de instituições financeiras situadas em Washington D.C., como o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial (WB) e o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, baseadas em texto do economista John Williamson, do International Institute for Economy (IIE), hoje denominado Peterson Institute for International Economics (PIIE), um think tank estadunidense, criado em 1981, sediado em Washington (DC). Este decálogo será denominado “Consenso de Washington”.
Sendo os EUA a principal economia do ocidente, é razoável que se tome a dívida pública daquele país como referência para as finanças ocidentais. Em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) estadunidense, desde 1990 até 2000, suportado pelas sete crises que o Consenso de Washington desencadeou pelo mundo, a dívida manteve-se no entorno dos 60%. Em 2008 ela inicia um processo de aumento (73%) – 2009, 86%; 2010, 95%; 2011, 99%; 2012, 103% (Fonte: InfoMoney, 18/11/2016) – que arrasta as finanças apátridas e gera a situação de pânico que estas vivem atualmente.
O FMI acompanha a dívida mundial. De acordo com seus relatórios (Global Debt Database) após a vitória das finanças, houve nos primeiros dez anos leve elevação da dívida, não chegando a 25 pontos percentuais. Este período de 1990 a 2000, os capitais marginais estavam estudando a colocação de seus ativos monetários no sistema bancário aberto com as desregulações dos anos 1980.
Foram apenas quatro trilhões de dólares estadunidenses (USD) que as drogas, os contrabandos de pessoas e órgãos humanos, a prostituição internacional, e o tráfico de armas colocaram na formalidade. Viram que, não apenas, não seriam perseguidos como elevariam suas taxas de lucro.
Por outro lado, o sistema financeiro, com esta maior liquidez, passou a emitir maior volume de papéis de dívida, sem qualquer preocupação com o lastro, ciente do crescimento dos depósitos dos capitais marginais. E isso verdadeiramente ocorreu até a crise de insolvência, provocada para transferir dos bancos públicos para os gestores de ativos privados, a maior parcela possível de valores monetários. Chamou-se “crise do subprime”, começou nos EUA e se espalhou por todo Atlântico Norte, com reflexos no resto do mundo. Durou de 2008 a 2010.
Desta crise surgiram duas consequências: o papel relevante das finanças marginais no sistema financeiro e a liberação de captação dos recursos sem preocupação do lastro, principalmente pela ação do crime na elevação das aplicações.
Tudo isso foi possível pelo papel preponderante dos paraísos fiscais como destino das economias mundiais. Já não se investia em produção, inteiramente tomada pelos gestores de ativos onde o Estado ia se afastando, nem em propriedades territoriais, pela baixa liquidez, num sistema em que esta era fundamental – as drogas, lícitas e ilícitas, a os investimentos em vírus propagadores de mortes.
Pode parecer cruel e exagerado, mas a concentração de renda e riqueza é intrínseca ao sistema capitalista e desmesurada quando se trata do capital financeiro. Este não pode conviver com a demanda crescente por produção que o aumento populacional obriga. O grande inimigo das finanças é a demografia, como atestam as projeções das Nações Unidas (ONU) para 2100.
Hoje, 2022, o volume de títulos sem lastro sustentando aplicações financeiras em fundos de investimentos, em dívidas e derivativos, de acordo com os organismos oficiais e “think tanks” varia, em USD, de 300 trilhões (FMI) a dois quatriliões (Instituto Schiller, Alemanha).
Há, portanto, uma imensa bolha a explodir carregando as finanças públicas e privadas. E que aumenta pela voracidade e irracionalidade dos aplicadores. O ministro Posto Ipiranga estava, como o presidente do Banco Central, que também cometeu o mesmo sincericídio, incentivando os incautos a colocarem seus recursos reais na fantasia de um título sem lastro, que abundam nos paraísos fiscais.
As perspectivas são sombrias. O desemprego, a fome, a miséria levam à alienação, à fuga da realidade com consumo de drogas sempre mais potentes, psicotrópicas, ao desprezo pelo próprio corpo e dos que lhe cercam, “pintando um clima”, como não se envergonhou de afirmar o presidente das 687 mil mortes (20/10/2022) por covid-19, diante de jovens imaturas, menores de idade.
Neste imenso tsunami financeiro não haverá distinção das origens, porém os traficantes de drogas, de pessoas, de vantagens ilícitas, sempre terão mais liquidez para enfrentar, acostumados às variações da especulação e das disputas de poder.
O Monitor Mercantil (3ª feira, 18/10/2022) noticiando a abertura da 90ª Assembleia Geral da Interpol, em Nova Délhi (Índia), reproduz as palavras do secretário-geral da entidade, afirmando que o custo global do crime cibernético deve chegar a USD 10,5 trilhões e o abuso infantil online é significativamente subnotificado, demonstrando o peso dos capitais marginais na economia globalizada.
Com o rompimento da bolha, perderá o País, e com ele os que usufruem de condições muito peculiares, por corrupção ou outras apropriações indevidas de recursos públicos e mesmo privados (subornos), pois a necessidade das finanças apátridas e marginais não distingue quem quer que seja, nem onde esteja, elas se apropriarão de todos recursos pois é a manutenção de seu próprio poder que o tsunami coloca em perigo.
Perderão os de sempre: os desvalidos de toda sorte, vivem cada dia buscando a sobrevivência, e os trabalhadores, com modestíssimas poupanças para uma doença, uma falta de trabalho, um acidente.
A única saída para o Brasil é se livrar dos neoliberais no poder, trazer os nacionalistas, os que não fazem da bandeira nacional uma fantasia eleitoral, mas um símbolo a ser respeitado, que não usam o nome de Deus em vão nem em falsos milagres neopentecostais.
Enfim que se promova a reconquista da independência com soberania, que o País gozava há cinco décadas.
*Pedro Augusto Pinho, administrador aposentado, atual presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás – AEPET.
quinta-feira, 29 de setembro de 2022
Juro do cartão é o mais alto desde 2017; Até quando aceitaremos as taxas absurdas cobrada pelos bancos?

quinta-feira, 15 de setembro de 2022
Adote um banqueirinho!
Setembro
segunda-feira, 4 de julho de 2022
As intermitências do progresso ou governo Bolsonaro vende o Brasil
segunda-feira, 27 de junho de 2022
O problema do “Risco-Brasil” está nos quase R$ 400 bilhões de aumento nos gastos com os juros
Notícia desta segunda-feira (27) do jornal Valor Econômico mostra que houve aumento no risco-país, medidor que calcula se o Brasil é ou não confiável aos olhos do mercado financeiro para honrar com o pagamento de suas dívidas. A matéria destaca que “a desconfiança do mercado tem aumentado com medidas estudadas pelo governo para conter os preços dos combustíveis, trazendo a incerteza sobre o rumo das contas públicas de volta à superfície”. (Leia mais em http://glo.bo/3bxR4jJ)
O mercado está imputando um risco ao país e colocando nessa conta questões como a redução de tributos, – que mal saíram e ainda nem provocaram impacto – e o aumento de benefícios como o Auxílio Brasil, com seu valor ridiculamente baixo, mas não cita que o nosso real problema está no aumento dos juros de forma abusiva e mentirosa pelo Banco Central (BC), já que é justamente o mercado financeiro quem mais lucra com os juros altos!
O BC tem mentido para a sociedade dizendo ser necessário elevar os juros para conter uma inflação que na verdade tem sido provocada pela alta dos combustíveis (devido ao insano PPI da Petrobras) e também pela alta do preço de alimentos por erros de política agrícola e agrária!
Cada 1% de aumento da SELIC tem um custo de R$ 34,9 bilhões por ano nos juros da dívida. Se o Banco Central já subiu o juro de 2% para 13,25% ao ano, esse gasto extra já é de quase R$ 400 bilhões. É aí que está o problema! O BC precisa ser investigado! #CPIdoBancoCentralJá
sábado, 9 de abril de 2022
A boa saúde
Abril
terça-feira, 8 de fevereiro de 2022
O MEDO DE SER SOBERANO
quarta-feira, 1 de dezembro de 2021
Um imenso risco para o Estado nacional brasileiro
quarta-feira, 11 de agosto de 2021
Do monopólio do povo brasileiro para o monopólio do capital financeiro
Quarta, 11 de agosto de 2021
Em 30 de junho de 2021, o economista aposentado e membro da Diretoria da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET), Claudio da Costa Oliveira escreveu “A Shell poderá até vir a ocupar o espaço da Petrobrás no Brasil”, no AEPET Direto. Transcrevemos um trecho do artigo:
“No Brasil, ao que tudo indica, a Banca elegeu a Shell, no biombo da Raízen, para ocupar espaço a ser tomado da Petrobrás. Entre seus acionistas a Shell conta com destacados membros da Banca, como Franklin Templeton, J.P.Morgan, Fidelity Investments e Boston Capital. A Shell deve ter se mostrado à Banca como a mais promissora em rapidez e volume de dividendos, na exploração do butim brasileiro. Este trabalho vem sendo desenvolvido há vários anos”.
Certíssimo estava e está Claudio Oliveira. Com dados de 06/08/2021, listamos os dez maiores acionistas da Royal Dutch Shell, empresa fundada em Londres, em 1907, que chega ao Brasil em 1913, e tem, atualmente, sua sede em Haia (Países Baixos, antiga Holanda):
1. Fischer Asset Management;
2. Hotchkis & Wiley Capital Management;
3. Fidelity Management & Research Company;
4. Franklin Advisers;
5. Wellington Management;
6. Arrowstreet Capital;
7. Capital Research & Management;
8. Pzena Investment Management;
9. Northern Trust Investment; e
10. Millennium Management.
Porém, se algum acionista já não mais ocupa a posição de dez antes, é pela incrível mobilidade com que atuam, nas bolsas de valores e fora delas, em todo mundo, este capitais apátridas, com endereço nos paraísos fiscais.
A citada Raízen teve lançada suas ações na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e assim foi noticiada, pelo InfoMoney, em 05/08/2021:
“A ação da Raízen (RAIZ4), joint venture entre Shell e Cosan (CSAN3), teve uma estreia volátil na Bolsa brasileira nesta quinta-feira (5). Na máxima do dia, o ativo RAIZ4 chegou a subir 2,70%, a R$ 7,60, mas o papel virou para perdas, também acompanhando o noticiário doméstico mais negativo, e fechou em baixa de 2,16%, a R$ 7,24. A companhia precificou sua oferta inicial de ações a R$ 7,40 por papel na última terça-feira, que movimentou R$ 6,9 bilhões, no maior IPO do ano na Bolsa brasileira”.
Certamente a atilado leitor deve estar cogitando: será boa aplicação comprar este papel pelos R$ 7,24? Diríamos, e as posições da Shell são um exemplo, que o risco é alto, melhor ainda, altíssimo.
Não mais está o Boston Capital na posição dos dez grandes na Shell. Porque alguma troca possibilitou um ganho maior do que os lucros que a Shell auferiria para seus investidores. Amanhã surge um negócio nas Filipinas ou em Angola que compense para Shell se desfazer por R$ 6,00 das ações da Raízen e este nosso leitor amargará o prejuízo que, no entanto, para Shell promoverá lucro ainda maior do que o monopólio brasileiro permitiria.
Este doloroso e realista exemplo é o que nos espera com a alienação de empresas e recursos naturais brasileiros para fundos de capitais apátridas, protegidos pelo anonimato e dos tributos, nos quase cem paraísos fiscais existentes no planeta, dos quais cerca de um terço com estreitas ligações com as finanças inglesas.
Algumas mudanças ocorridas neste século ainda não foram percebidas, principalmente pelos que ainda estão combatendo o comunismo, no espírito pré-1970, da guerra fria.
De início devemos distinguir quem eram os capitais que promoveram as crises do petróleo, as campanhas “ecológicas” contra a industrialização e dominaram o sistema financeiro com as desregulações dos anos 1980, começando pelo Reino Unido de Margaret Thatcher e pelos Estados Unidos da América (EUA) de Ronald Reagan.
Denominávamos banca, o sistema financeiro internacional, com aqueles “capitais tradicionais” que foram acumulados por dezenas ou centenas de anos, pela escravidão, espoliação de colônias, especulações financeiras e imobiliárias, utilizando os sistemas fundiários, mercantis e financeiros, e até mesmo com as indústrias. Sendo exemplos, os judeus venezianos, que se denominaram família Warburg germano-estadunidense, os anglo-escoceses Stuart (hoje Windsor), os Orange, dos Países Baixos, os judeus Rothschild, os holandeses-estadunidenses Vanderbilt, os franco-huguenotes estadunidenses Du Pont, os estadunidenses Rockefeller, os anglo-estadunidenses Astor, os sauditas Saud. E, igualmente, famílias mais recentes, como as estadunidenses Koch, Walton, Bush e Morgan, a italiana Agnelli, a sueca Wallenberg, os Brenninkmeijer dos Países Baixos, entre outros bilionários, sempre em dólares estadunidenses (USD).
Com as desregulações, invadiram o sistema financeiro internacional, a partir dos anos 1990, os “capitais marginais”, quais sejam, os que têm origem no tráfico de drogas, no comércio de pessoas e órgãos humanos, no contrabando de armas e produtos cuja venda é proibida ou dificultada, na prostituição e outras atividades ilegais. Na verdade, estas atividades se transformam em legais, como a venda de armas e munições, quando os capitais marginais passam a participar dos governos. Por isso preferimos a denominação “marginal”, que está à “margem da sociedade”, do que ilícito, que um governo de milicianos e traficantes pode legalizar.
No século XXI a “Banca” foi renomeada “Gestores de Ativos”, que não foi apenas nova expressão, mas a mudança de ações e estratégias. Para “banca” o lucro máximo e monopolista já era objetivo importante, para os “gestores de ativos” a transformação da sociedade é fundamental. Não basta conquistar as finanças e a economia, é necessário alterar e controlar os Estados Nacionais e as mentes, as percepções e idealizações das pessoas.
Com participação crescente no volume de transações, os “capitais marginais” passaram a influenciar as diretrizes e estratégias do sistema. E tendo hábito de agir nas sombras, apagar seu rastro era quase intuitivo. Daí a multiplicidade de paraísos fiscais que aparecem a partir do final dos anos 1980, mesma época do Consenso de Washington e da Constituição Brasileira.
E a “questão nacional”, que fora um divisor político, desaparece da disputa, dos princípios partidários, dos discursos eleitorais. Sem a questão nacional, um paraíso fiscal passa a caber em quatro estados dos EUA, entra nas salas das melhores famílias, com a decência que não existe para os capitais das corrupções, da prostituição, de crimes de diversas naturezas.
Para crise de 2008-2010, registrada como "crise dos subprimes" estadunidenses, temos a compreensão que foi o primeiro embate que ultrapassou as fronteiras do sistema financeiro internacional, e expôs as divergências entre “tradicionais” e “marginais”. Mas não se tratava de divergência de fins, nem mesmo, acreditamos, dos meios; era a disputa sobre quem mandará, a luta pelo poder.
Os capitais tradicionais trabalharam sempre com a dívida, com imobilizações. Têm, por conseguinte, menor liquidez que os marginais, que só se aceitam pagamento à vista. Quem irá comprar droga às prestações ou armas para desconto de duplicatas em 30 ou 60 dias? Este dinheiro “cash” está permitindo grande protagonismo dos “marginais” e sua condução na estratégia de prioridades e dos ganhos.
Este domínio também pode ser avaliado pela mudança de valores, pela apatia social, pela cumplicidade com ilícitos como as votações no Brasil, os benefícios das famílias militares e as do poder judiciário sem correspondência no restante inerme da população.
Então se tem o desfocar da ação. Comunista, assim como corrupto, pelas décadas de combate pela banca e pelo capitalismo industrial ganharam instintiva rejeição da população. Ora, a corrupção é mostrada a cada dia na ação dos “gestores de ativos”. Recentemente o Congresso foi subornado para aprovar a “remuneração de todos os depósitos que durmam de um dia para outro nas instituições financeiras”. E não é só isto, que já constitui o escândalo dos bancos auferirem receitas públicas com o seu dinheiro. Quem paga este remuneração é seu imposto, pois sai do Tesouro Federal, e sob a forma de dívida, isto é, em títulos emitidos pelo Governo.
Veja, caro leitor: seu dinheiro que está depositado em conta bancária, rende um “overnight” para o banco, e irá constituir dívida para o País, consequentemente para você, aumentando o endividamento do Brasil, que justifica o aumento da taxa de juros, que você pagará também. E isto é lícito! Claro que o velhaco e sagaz capital marginal é bem capaz deste projeto; com aplauso dos “capitais tradicionais”, é óbvio. E o que você fez? Nem mesmo soube que foi um senador do Partido dos Trabalhadores (PT) o escolhido pelo capital para apresentar esta proposta.
O que pretendem então? Que você considere todos iguais, que descreia na política e não se revolte quando um roedor arrivista apunhale o probo e nacionalista Roberto Requião, fechando-lhe as portas do partido por ele fundado no governo militar, o Movimento Democrático Brasileiro (MDB).
E, para convencê-lo que o errado é certo, e vice-versa, além do domínio das mídias, do convencional jornal impresso às “lives” virtuais, os capitais tradicionais e marginais têm amplo domínio das instituições internacionais de seus interesses: Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Mundial (WB), Organização Mundial do Comércio (OMC), Organização Internacional do Trabalho (OIT) e Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Fórum Econômico Mundial entre outras.
Portanto, caro leitor, preste um pouco mais de atenção e confira seu bolso. O inimigo do povo é este capital apátrida, com endereço nos paraísos fiscais, que teve como representante no Brasil, entre outros: Gustavo Franco, Armínio Fraga, Henrique Meirelles, Antonio Palocci, Joaquim Levy e Paulo Guedes.
Pedro Augusto Pinho, administrador aposentado
domingo, 8 de agosto de 2021
O NOVO DESPOTISMO
Domingo, 8 de agosto de 2021
Felipe Quintas*
Os liberais, ao privatizarem praticamente todas as empresas e serviços públicos, como já é realidade no Brasil, fazem com que o Estado se torne justamente "o mais frio dos monstros" que eles o acusavam de sê-lo: nada mais do que um cobrador implacável de impostos da classe média, cada vez mais aviltada, e um regulador absolutista de costumes e práticas cotidianas.
O Estado, então, torna-se mínimo ou nulo para planejar e regular os setores vitais do país de acordo com o interesse nacional, entregando-os, por meio de privatizações diretas e indiretas, à ambição desenfreada de corporações especulativas privadas.
Em vez da prometida "abertura da concorrência", na verdade as privatizações a fecham, pois, sendo uma das funções de uma indústria ou serviço estatal concorrer com o cartel privado e servir de parâmetro geral de preço e qualidade, empurrando para baixo os preços do setor privado e forçando a melhoria da qualidade dele, no momento em que se entrega o serviço estatal para esse cartel privado, ele fica livre para determinar o preço que quiser e nas condições que quiser, criando um monopólio de fato às custas da sociedade. A privatização da siderurgia, da telefonia, da eletricidade e da petroquímica atesta isso, e não será diferente no caso dos Correios.
sábado, 24 de julho de 2021
Malditos sejam os pecadores
Malditos sejam os pecadores


