Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
Mostrando postagens com marcador banca. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador banca. Mostrar todas as postagens

sábado, 9 de setembro de 2023

Auditoria Cidadã da Dívida: “Juros altos não controlam a inflação brasileira. País é paraíso dos rentistas”

Sábado, 9 de setembro de 2023

Bolsa banqueiro não tem teto: Cada ponto percentual de na Selic, gasto extra de R$ 42,9 bilhões anuais

Da AEPET —Associação dos Engenheiros da Petrobrás

Em audiência Pública da comissão de finanças e tributação da Câmara dos Deputados, no último dia 30/08, em Brasília, foram debatidas as absurdas taxas de juros no Brasil.

A coordenadora nacional da Auditoria Cidadã da Dívida Pública, Maria Lucia Fattorelli, frisou que juros altos não controlam a inflação brasileira. “A inflação brasileira é decorrente dos preços administrados, combustíveis e alimentos. Não é de demanda. Além disso, a inflação está dentro da meta”, afirmou.

Como consequência, os bancos seguem batendo recordes de lucros e o país voltando ao mapa da fome, com 70 milhões em insegurança alimentar. “Cada ponto percentual de aumento na taxa básica de juros –Selic, significa gasto extra de R$ 42,9 bilhões anuais. E os bancos ainda recebem remuneração diária da sobra de caixa”.

Assista a íntegra do depoimento aqui no AEPET TV

domingo, 23 de outubro de 2022

A SOBERANIA E AS FINANÇAS GLOBAIS

Domingo, 23 de outubro de 2026

A SOBERANIA E AS FINANÇAS GLOBAIS   


Pedro Augusto Pinho*


Ainda é pouco estudada a capacidade soberana dos países, no mundo globalizado por finanças apátridas. 


Dificilmente, no caso brasileiro, não é imputado aos Estados Unidos da América (EUA), de imensa influência na vida nacional desde o início do século passado, o que, efetivamente, eles são tão vítimas quanto nós. Porém, há na elite estadunidense quem perceba e procure contornar ou vencer esta oposição.  


No Brasil, nossas elites, descritas no artigo anterior, “Militares, Religiões, Elites Brasileiras e o Desenvolvimento Nacional” (AEPET, 20/10/2022), se acomodam e se submetem, com perdas de toda ordem. 


Iniciemos por entender quem forma as finanças apátridas.  


Até bem recentemente, as finanças tinham origem e interesses nacionais: da Inglaterra, no século XIX, dos EUA, em parte do século XX, mas atualmente elas se misturam em paraísos fiscais, são apátridas. 


Com esta formação, não há porque mencionar um país, mas a formação do capital destas finanças apátridas.

 

O que denominamos capitais tradicionais são aqueles cuja origem é fundiária, a propriedade de terras onde as pessoas pagavam para viver e trabalhar. O processo de evolução capitalista exigiu que propriedade e produção se desvinculassem, e mais adiante que capital financeiro, territorial e produtivo formassem três grupos de interesses distintos e muitas vezes conflitantes. 


Grande parte das pessoas, inclusive de nossas elites, estagnou sua compreensão econômica nesse momento histórico. 


Hoje tudo e todos se concentram no capital financeiro. Ele é o proprietário das terras, dos sistemas produtivos, da circulação de bens e da comunicação que impõe os comportamentos e as percepções das pessoas. 


Que semelhança guarda o capital tradicional com o capital atual, que denominamos marginal? Muito pouca, praticamente, se observarmos pela ótica do poder, nenhuma. 


Vamos então começar sua exegese pelas consequências, que ficam mais fáceis, por ocorrerem diante de nós, de serem percebidas. E talvez fique também mais evidente que não há qualquer benefício que se possa esperar, individualmente e nacionalmente, deste capital apátrida. 


Pergunte-se, caro leitor, por que o Ministro Paulo Guedes, o Posto Ipiranga, o que tem todas as respostas para a imensidão da ignorância do presidente que lhe serve, confessou espontaneamente ter seu dinheiro em paraíso fiscal? Estaria, num assomo de sinceridade, confessando a evasão fiscal? Teria cometido um deslize, um ato falho? 


Ousamos pensar que não. Ele, como fiel e bom servidor dos capitais apátridas e marginais, estava dando um exemplo a ser seguido pelos capitalistas que, ainda, insistem em aplicar no Brasil. E isso faz sentido quando se revela a situação atual destes capitais. 


Um pouco da história financeira recente. Quando as finanças reconquistam o poder? Como está sua situação em 2022? 


Alguns colocam em 30 de maio de 1919, quando, em reunião no Hotel Majestic, em Paris, são criados o Royal Institute of International Affairs, de Londres, e o Council on Foreign Relations (CFR), nos EUA.  Outros na ação sobre o psicossocial do ocidente, com o Woodstock Music & Art Fair, festival de música, realizado entre os dias 15 e 18 de agosto de 1969, no estado de Nova Iorque (EUA), com drogas e sexo, envolvendo 400 mil pessoas. Ainda quem veja na luta contra industrialização, com o embargo e choque do preço do petróleo, em outubro de 1973. 


Podemos, no entanto, definir a data insofismável da nova Tábua de Moisés, levada ao mundo em novembro de 1989, por economistas de instituições financeiras situadas em Washington D.C., como o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial (WB) e o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, baseadas em texto do economista John Williamson, do International Institute for Economy (IIE), hoje denominado Peterson Institute for International Economics (PIIE), um think tank estadunidense, criado em 1981, sediado em Washington (DC). Este decálogo será denominado “Consenso de Washington”.

 

Sendo os EUA a principal economia do ocidente, é razoável que se tome a dívida pública daquele país como referência para as finanças ocidentais. Em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) estadunidense, desde 1990 até 2000, suportado pelas sete crises que o Consenso de Washington desencadeou pelo mundo, a dívida manteve-se no entorno dos 60%. Em 2008 ela inicia um processo de aumento (73%) – 2009, 86%; 2010, 95%; 2011, 99%; 2012, 103% (Fonte: InfoMoney, 18/11/2016) – que arrasta as finanças apátridas e gera a situação de pânico que estas vivem atualmente. 


O FMI acompanha a dívida mundial. De acordo com seus relatórios (Global Debt Database) após a vitória das finanças, houve nos primeiros dez anos leve elevação da dívida, não chegando a 25 pontos percentuais. Este período de 1990 a 2000, os capitais marginais estavam estudando a colocação de seus ativos monetários no sistema bancário aberto com as desregulações dos anos 1980. 


Foram apenas quatro trilhões de dólares estadunidenses (USD) que as drogas, os contrabandos de pessoas e órgãos humanos, a prostituição internacional, e o tráfico de armas colocaram na formalidade. Viram que, não apenas, não seriam perseguidos como elevariam suas taxas de lucro.

 

Por outro lado, o sistema financeiro, com esta maior liquidez, passou a emitir maior volume de papéis de dívida, sem qualquer preocupação com o lastro, ciente do crescimento dos depósitos dos capitais marginais. E isso verdadeiramente ocorreu até a crise de insolvência, provocada para transferir dos bancos públicos para os gestores de ativos privados, a maior parcela possível de valores monetários. Chamou-se “crise do subprime”, começou nos EUA e se espalhou por todo Atlântico Norte, com reflexos no resto do mundo. Durou de 2008 a 2010. 


Desta crise surgiram duas consequências: o papel relevante das finanças marginais no sistema financeiro e a liberação de captação dos recursos sem preocupação do lastro, principalmente pela ação do crime na elevação das aplicações. 


Tudo isso foi possível pelo papel preponderante dos paraísos fiscais como destino das economias mundiais. Já não se investia em produção, inteiramente tomada pelos gestores de ativos onde o Estado ia se afastando, nem em propriedades territoriais, pela baixa liquidez, num sistema em que esta era fundamental – as drogas, lícitas e ilícitas, a os investimentos em vírus propagadores de mortes. 


Pode parecer cruel e exagerado, mas a concentração de renda e riqueza é intrínseca ao sistema capitalista e desmesurada quando se trata do capital financeiro. Este não pode conviver com a demanda crescente por produção que o aumento populacional obriga. O grande inimigo das finanças é a demografia, como atestam as projeções das Nações Unidas (ONU) para 2100. 


Hoje, 2022, o volume de títulos sem lastro sustentando aplicações financeiras em fundos de investimentos, em dívidas e derivativos, de acordo com os organismos oficiais e “think tanks” varia, em USD, de 300 trilhões (FMI) a dois quatriliões (Instituto Schiller, Alemanha).

 

Há, portanto, uma imensa bolha a explodir carregando as finanças públicas e privadas. E que aumenta pela voracidade e irracionalidade dos aplicadores. O ministro Posto Ipiranga estava, como o presidente do Banco Central, que também cometeu o mesmo sincericídio, incentivando os incautos a colocarem seus recursos reais na fantasia de um título sem lastro, que abundam nos paraísos fiscais. 


As perspectivas são sombrias. O desemprego, a fome, a miséria levam à alienação, à fuga da realidade com consumo de drogas sempre mais potentes, psicotrópicas, ao desprezo pelo próprio corpo e dos que lhe cercam, “pintando um clima”, como não se envergonhou de afirmar o presidente das 687 mil mortes (20/10/2022) por covid-19, diante de jovens imaturas, menores de idade. 


Neste imenso tsunami financeiro não haverá distinção das origens, porém os traficantes de drogas, de pessoas, de vantagens ilícitas, sempre terão mais liquidez para enfrentar, acostumados às variações da especulação e das disputas de poder. 


O Monitor Mercantil (3ª feira, 18/10/2022) noticiando a abertura da 90ª Assembleia Geral da Interpol, em Nova Délhi (Índia), reproduz as palavras do secretário-geral da entidade, afirmando que o custo global do crime cibernético deve chegar a USD 10,5 trilhões e o abuso infantil online é significativamente subnotificado, demonstrando o peso dos capitais marginais na economia globalizada. 


Com o rompimento da bolha, perderá o País, e com ele os que usufruem de condições muito peculiares, por corrupção ou outras apropriações indevidas de recursos públicos e mesmo privados (subornos), pois a necessidade das finanças apátridas e marginais não distingue quem quer que seja, nem onde esteja, elas se apropriarão de todos recursos pois é a manutenção de seu próprio poder que o tsunami coloca em perigo. 


Perderão os de sempre: os desvalidos de toda sorte, vivem cada dia buscando a sobrevivência, e os trabalhadores, com modestíssimas poupanças para uma doença, uma falta de trabalho, um acidente. 


A única saída para o Brasil é se livrar dos neoliberais no poder, trazer os nacionalistas, os que não fazem da bandeira nacional uma fantasia eleitoral, mas um símbolo a ser respeitado, que não usam o nome de Deus em vão nem em falsos milagres neopentecostais. 


Enfim que se promova a reconquista da independência com soberania, que o País gozava há cinco décadas. 

 

*Pedro Augusto Pinho, administrador aposentado, atual presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás – AEPET.

quinta-feira, 29 de setembro de 2022

Juro do cartão é o mais alto desde 2017; Até quando aceitaremos as taxas absurdas cobrada pelos bancos?

Quinta, 29 de setembro de 2022


Juro do cartão é o mais alto desde 2017
29 de setembro, 2022

Da Auditoria Cidadã da Dívida

A capa do caderno de economia do Correio Braziliense desta quinta-feira (29) retrata bem a importância de nossa Campanha pelo Limite dos Juros no Brasil. A notícia em destaque mostra que os juros do cartão de crédito são os maiores desde 2017, com taxas do rotativo chegando a 389,4% ao ano e cheque especial com custo médio de 128,6%. O texto aponta que as altas refletem a elevação da taxa básica de juros (Selic) promovida pelo Banco Central (BC) e que o número de famílias endividadas no país bate recorde. (Leia a matéria completa no Correio)

Do que mais precisamos para movimentar a sociedade em apoio ao limite dos juros? Está claro que a política monetária praticada pelo BC é prejudicial à sociedade e só serve ao setor financeiro. Com essa política o BC aprofunda a crise que enfrentamos desde 2015/16, quando o PIB encolheu 7%. Em vez de ampliar o acesso ao crédito para viabilizar a retomada da economia, os juros estão altíssimos e os bancos não cumprem seu papel nessa recuperação, já que estão lucrando como nunca com o pagamento de remuneração diária pelo BC e demais ganhos com títulos públicos, devido à alta da Selic.

Precisamos e podemos mudar esse cenário! O PLP 104/22, criado pela Auditoria Cidadã da Dívida em parceria com diversas entidades da sociedade civil, é um projeto de lei que já está tramitando na Câmara dos Deputados e visa estabelecer um teto máximo de 12% de juros ao ano, além de acabar com os mecanismos que fazem com que bancos não emprestem dinheiro para a sociedade. Faça a sua parte e pressione os parlamentares pela aprovação!

Acesse https://auditoriacidada.org.br/pressione-a-cft-pelo-limite-dos-juros e com apenas 1 clique envie a mensagem que preparamos.

Saiba mais sobre a campanha em

#limitedosjurosjá #temquevirarlei

quinta-feira, 15 de setembro de 2022

Adote um banqueirinho!

  Setembro

15

Adote um banqueirinho!

No ano de 2008, a Bolsa de Nova York foi a pique.
Dias histéricos, dias históricos: os banqueiros, que são os mais perigosos  assaltantes de bancos, haviam despojado suas empresas, embora jamais tenham sido filmados pelas câmaras de vigilância e nenhum alarme tenha disparado.  E não houve maneira de evitar a derrocada geral. O mundo inteiro desmoronou, e até a Lua teve medo de perder o emprego e se ver forçada a procurar outro céu.

Os magos de Wall Street, especialistas em vender castelos no ar, roubaram milhões de casas e de empregos, mas um único banqueiro foi preso. E quando imploraram aos berros uma ajudinha pelo amor de Deus, receberam, pelo mérito de seu labor, a maior recompensa jamais concedida na história humana.

    Essa dinheirama teria bastado para alimentar todos os famintos do mundo, com sobremesa e tudo, daqui até a eternidade. Ninguém pensou nisso

Eduardo Galeano, no livro Os filhos dos dias (Um calendário histórico sobre a humanidade), 2ª Edição, L&PM Editores, 2012, página 295)

segunda-feira, 4 de julho de 2022

As intermitências do progresso ou governo Bolsonaro vende o Brasil

Segunda, 4 de julho de 2022


As intermitências do progresso ou governo Bolsonaro vende o Brasil

*Pedro Augusto Pinho 04.07.2022

Em amplo salão climatizado, luxuoso, três pessoas estão reunidas. Confortavelmente sentadas em acolhedoras poltronas, servidas por quinze empregados, BlackRock, Vanguard e Street State discutem a situação mundial. Juntas elas representam muito mais do que o maior produto nacional bruto de qualquer país do planeta. Porém não são pessoas conhecidas; transitam pelas ruas, não como qualquer mortal, pois tem seguranças e serviçais sempre a acompanhá-las, mas incógnitas. Pessoa alguma sabe que ali estão os que mais roubam, corrompem e matam no mundo: são os principais mentores do Clube Bilderberg, comandam a rede de 85 paraísos fiscais espalhados por toda Terra, por onde transitam diariamente muitos trilhões de dólares estadunidenses, declaram guerras e decidem sobre a existência da vida humana. Se os olhássemos como os gregos antigos, diríamos que Bilderberg é o Olimpo e estes são os deuses. Mas deuses da pós-modernidade, não lançam raios fulminantes sobre os mortais, lançam dinheiro para corrompê-los, vírus para destruí-los, notícias para confundi-los.

Vanguard: O rombo já está insustentável. Até aquele grupelho do Instituto Schiller divulgou ser de dois quatrilhões de dólares. Precisamos tomar decisão urgente. Desta vez a crise pode nos prejudicar.

BlackRock: Não fique assustado. Será mais uma daquelas em que limpamos os cofres públicos, como a de 2008.

State Street: Mas, desta vez, eles já estão mais vazios e o montante é ainda maior. Penso como Vanguard, que precisamos agir com mais rigor e mais rápido.

BlackRock: E o que vocês propõem?

Alguns minutos de silêncio. Vanguard pede uma bebida ao serviçal mais próximo. Nenhum quer se arriscar a propor algo impossível. O covid não foi tão mortal quanto parecia, embora tenha rendido bom dinheiro para as farmacêuticas e os sistemas de saúde que eles controlam. Precisam ser criativos. Passam-se longos segundos.

State Street: Vamos comprar um país rico.

Entreolham-se.

BlackRock: Os Estados Unidos já são nossos ... E estão falidos ...

State Street: Tem que ser um país rico, mas com elite sem interesse nacional, que controle um governo imbecil, que use o comunismo como ameaça.

Risos discretos, pois estão preocupados com a proposta de State Street.

Vanguard: Explique melhor. O que tem em mente, State Street?

segunda-feira, 27 de junho de 2022

O problema do “Risco-Brasil” está nos quase R$ 400 bilhões de aumento nos gastos com os juros

Segunda, 27 de junho de 2022






Notícia desta segunda-feira (27) do jornal Valor Econômico mostra que houve aumento no risco-país, medidor que calcula se o Brasil é ou não confiável aos olhos do mercado financeiro para honrar com o pagamento de suas dívidas. A matéria destaca que “a desconfiança do mercado tem aumentado com medidas estudadas pelo governo para conter os preços dos combustíveis, trazendo a incerteza sobre o rumo das contas públicas de volta à superfície”. (Leia mais em http://glo.bo/3bxR4jJ)

O mercado está imputando um risco ao país e colocando nessa conta questões como a redução de tributos, – que mal saíram e ainda nem provocaram impacto – e o aumento de benefícios como o Auxílio Brasil, com seu valor ridiculamente baixo, mas não cita que o nosso real problema está no aumento dos juros de forma abusiva e mentirosa pelo Banco Central (BC), já que é justamente o mercado financeiro quem mais lucra com os juros altos!

O BC tem mentido para a sociedade dizendo ser necessário elevar os juros para conter uma inflação que na verdade tem sido provocada pela alta dos combustíveis (devido ao insano PPI da Petrobras) e também pela alta do preço de alimentos por erros de política agrícola e agrária!

Cada 1% de aumento da SELIC tem um custo de R$ 34,9 bilhões por ano nos juros da dívida. Se o Banco Central já subiu o juro de 2% para 13,25% ao ano, esse gasto extra já é de quase R$ 400 bilhões. É aí que está o problema! O BC precisa ser investigado! #CPIdoBancoCentralJá

sábado, 9 de abril de 2022

A boa saúde

 Abril

9
A boa saúde

No anos de 2011, pela segunda vez a população da Islândia disse não às ordens do Fundo Monetário Internacional.

O FMI e a União Europeia tinham decidido que os trezentos e vinte mil habitantes da Islândia deveriam assumir a bancarrota dos banqueiros e pagar suas dívidas internacionais na base de doze  mil euros por cabeça.

Essa socialização pelo avesso foi rejeitada em dois plebiscitos:

— Essa dívida não é nossa. Por que vamos pagar?

Num mundo enlouquecido pela crise financeira, a pequena ilha perdida nas águas do norte nos deu, todos nós, uma saudável lição de bom-senso.

Eduardo Galeano, no livro Os filhos dos dias. 2ªEdição, 2012, página 123. L&PM Editores.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

O MEDO DE SER SOBERANO

Terça, 8 de fevereiro de 2022

Por Pedro Augusto Pinho*
Os séculos de escravidão legal e de um modo de escravidão não tão oficial assim que percorrem toda história do Brasil, após a chegada dos europeus, também fizeram mal aos escravistas. Claro que não na mesma intensa crueldade e desrespeito ao humano que causou aos escravos. Mas, como assinalam diversos estudiosos do comportamento humano, individual e social, atingindo os senhores e os comerciantes de escravos.

O que é denominado neoliberalismo, para sociedade brasileira hodierna, absorve esta identidade escravista da elite dirigente, melhor diria das elites e seus representantes, na forma da irresponsabilidade em assumir suas obrigações com o País e com a Sociedade.

A recente entrevista com o ministro da Economia, Paulo Guedes, sintetizada em duas páginas do caderno Economia & Negócios (B6 e B7) de O Estado de S. Paulo (08/02/2022), é bem um exemplo deste mal escravista que acompanha o poder local brasileiro.

Poder local, obviamente, porque a covardia destas famílias, destas pessoas que governam o País, não permite que o Brasil tenha sua afirmação Soberana. Como temos escrito em numerosos artigos, sempre fomos um Estado Colonial, com a exceção do Governo Provisório - 1930-1933, do Estado Novo - 1934-1945 e episódicos e pontuais momentos históricos com João Goulart e Ernesto Geisel.

O efetivo governo do Brasil está nos gestores de ativos, no sistema financeiro internacional, que compra, corrompe, suborna e chantageia aqueles que tenham alguma capacidade decisória no Brasil. E o fazem para que este riquíssimo País fique a eterna colônia, provedora de seus enriquecimentos, do empobrecimento do povo brasileiro, e, o que é o toque de maldade, ignorante do que aqui acontece.

Neste mesmo exemplar citado do Estadão está a notícia do avanço da analfabetização das crianças brasileiras na manchete: “Número de crianças de 6 a 7 anos sem saber ler cresce 66%”.

Nada disso está ocorrendo por acaso. Apenas o projeto não é brasileiro, pois temos a elite covarde, ignorante, escravista.

É o projeto para o Brasil das finanças internacionais, ou seja, o decálogo do “Consenso de Washington” aplicado a nosso País.

Acompanhemos algumas passagens da entrevista.

“Acho profundamente desonesto ignorar o impacto da pandemia - uma crise sanitária de proporções nunca vistas antes (sic), em que 600 mil pessoas perderam vidas e empresas foram destruídas - na agenda econômica”.

Além do tosco vernáculo, o ministro se coloca na posição de ignorante ou de desonesto, que atribui a seus eventuais críticos; porém, como está na expressão popular, Freud explica.

Cada vez se torna mais forte a convicção, entre os profissionais da área de saúde, da geração do vírus causador da pandemia em laboratório. Entre as muitas evidências está a multiplicidade de combinações a cada nova “leva infecciosa”.

Há mais de cinco anos, em artigos e conversas com a jornalista e grande escritora gaúcha Tania Faillace, já analisávamos a “necessidade” da redução populacional como objetivo das finanças internacionais. Ela estimava que dos cerca de sete bilhões, para conter a pressão demográfica à concentração de renda, a humanidade estaria reduzida a menos de dois bilhões de habitantes. Ora, só a guerra não seria capaz desta “façanha”; era evidente a produção de vírus com elevada capacidade de causar mortes. E, como já era amplamente conhecido, todas grandes empresas farmacêuticas, que não fossem estatais, tinham seu controle acionário pelos gestores de ativos.

Não é compatível com um pós-graduado pela Universidade de Chicago ignorar que a avassaladora concentração de renda, tanto ou tão perto do vírus, fechou empresas (destruindo, entendemos, não é o termo adequado), provocou mortes por fome e desnutrição e aumentou substancialmente a miséria, exigindo mais do que o reforço repressivo para não surgir uma revolta popular.

“Mesmo que o Brasil tenha constatado a corrupção no sistema político, orgânica, sistêmica, e uma estagnação econômica de três, quatro décadas, mesmo com o mensalão, o petróleo, é surpreendente que a elite brasileira ainda não tenha compreendido a necessidade de fazer essa transição incompleta, a transformação estrutural do Estado”.

Nesta resposta, Guedes ou nos toma por imbecis, o que em se tratando da citada “elite brasileira” nem a ele parece surpreender, ou toda adjetivação, em nova manifestação com precário uso do idioma, é apenas isso mesmo, adjetivos sem substantivos.

Afinal não se pode imaginar que um emissário do sistema financeiro vá criticar exatamente o sistema financeiro. Vejamos as datas. Trinta ou quarenta anos, ou seja, desde a “redemocratização”, da “Nova República”. Seriam os dirigentes militares mais honestos? Não pensamos assim, eram tão suscetíveis de suborno quanto os civis, e, apenas protegidos pela censura, poucos e por demais evidentes casos chegaram ao conhecimento dos cidadãos.

É que as finanças assumem o Brasil exatamente com as desregulações dos anos 1980 e o Consenso de Washington (1989), como já expusemos. Logo não é por acaso, mais pelo domínio das finanças que a corrupção se espalha nestes 40 anos pelo País. E a elite, também cínica, com uma das mãos recebe o suborno e com a outra aponta para os defensores dos mais necessitados, para os acusar de "populistas", palavra de diversos significados políticos.

Ocorre igualmente uma contradição, que o doutor em economia deveria ter estudado. Os objetivos da medrosa elite brasileira em alguns momentos colidem com seus gestores. E o Estado é um deles. Nesta estrutura atual de Estado, além de resguardar vantagens, propinas, salários e pensões, a elite tem também o instrumento formal, legal, de repressão, de opressão, de escravização. Logo, a ausência do Estado, sua inoperância, sua condição de mínimo, colide com o interesse da elite. Ora, doutor!?

Apenas uma observação para concluir. O déficit fiscal, instrumento de avanço das finanças no Estado é cuidadosamente ampliado pelos gestores locais e representantes das finanças. Ou não seria transformado em lei o assalto que o sistema bancário aplica cotidianamente nas contas dos depositantes - Lei 14.185/21, de 14 de julho de 2021, ano II da pandemia.

*Pedro Augusto Pinho, administrador aposentado.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

Um imenso risco para o Estado nacional brasileiro

Quarta, 1º de dezembro de 2021


Escrito por Pedro Pinho
Espelho meu, espelho meu, há presidente mais nefasto do que eu? Existe sim, Trump boy, é o Sergio Moro, o Biden boy.

Como todos já sabemos, e com abundância de detalhes, o mundo ocidental, desde 1989, é dirigido pelas finanças, onde os capitais marginais (das drogas, dos contrabandos, da corrupção, da prostituição e outros atos contrários à humanidade) têm expressiva participação.

Também, os melhores informados sabem que a “crise” de 2008/2010 não acabou. A quantidade de papéis, derivativos, que circula pelo mundo é oito ou mais vezes superior ao produto bruto mundial (em 2020, PBM=US$ 85 trilhões). Isto significa que todos os ativos reais não cobrem o que se especula em bolsas de valores e de mercadorias; a soma dos ativos financeiros com os derivativos deve estar próxima a 13 PBM’s. Logo esta nova crise somente espera decisão dos bancos de receberem, e em que volume, nova injeção de recursos dos tesouros nacionais ou de recursos ainda sob o controle do estado, com nova onda de privatizações.

Por conseguinte, sob mais uma farsa, outro argumento fraudulento, o Brasil fará, forçado pelos capitais apátridas residentes nos paraísos fiscais, outro programa de transferências de tributos e privatizações para o sistema financeiro.

E a imprensa venal que adotou a candidatura Moro, imposta pelas finanças e com o aval dos seus executores dos Estados Unidos da América (EUA), já inicia o preparo psicológico da população para a entrega a estes capitais do que restar do petróleo brasileiro e da tecnologia que só a Petrobrás dispõe, dos sistemas de produção, transmissão e distribuição de energia elétrica, hídrica e nuclear, coordenado e operado pela Eletrobrás, e de aquíferos e outros recursos hídricos que vão ficando a cada dia mais valiosos e deles dependente toda a população do planeta.

Mas sem esta clareza. Certamente o primeiro passo será culpar os pobres, os que nada têm, por romperem o Teto de Gastos. Não ria, caro leitor.

Você está, desde agora, sendo preparado para ter esta compreensão: não são as fraudes bilionárias praticadas pelas finanças, como os depósitos voluntários das instituições financeiras mediante polpudas remunerações, mas os ridículos 200 reais por alguns meses, para minimizar a fome, que estarão obrigando a venda das empresas estatais promotoras do desenvolvimento brasileiro ou da sua integração, como os Correios.

Veja-se a manchete do caderno “mercado”, da Folha de S.Paulo, segunda-feira, 29 de novembro de 2021: “Próximo presidente enfrentará maior risco desde o Plano Real”, com subtítulo “Embora candidatos defendam arrumar contas públicas, dificuldade política e social pode levar a grave crise”.

Façamos breve análise deste conteúdo. Os Estados Nacionais tem duas fontes de receitas: os tributos e os resultados dos empreendimentos onde o Estado participa como investidor direto, ou seja, possui ações. No caso do BNDES, o Estado receberia parte do lucro da instituição, que é uma empresa pública, e de capital fechado, no caso da Petrobrás, uma empresa de capitais públicos e privados, a parcela do lucro distribuída aos acionistas, pois o Estado também o é.

Mas o Estado, diferentemente dos particulares — daí uma das incomensuráveis sandices dos Carlos Alberto Sardenberg (1947, São Paulo (SP)), Miriam Leitão (1953, Caratinga (MG)), e outros “comentaristas” (sic) que dizem que administrar um País é como administrar uma casa — o Estado, repito, pode emitir dinheiro. Para que se tenha uma ideia do que isto pode significar, os EUA são o país com a maior dívida do mundo. A eles se seguem, por ordem de endividamento, o Reino Unido, a França, a Alemanha e os Países Baixos. Ou seja, todas as nações mais poderosas do mundo acumulam dívidas para continuarem sendo as nações mais ricas e poderosas. Enquanto a dívida per capita brasileira, em 2017, era US$ 3.200, a da Suíça era US$213.100, da Noruega US$ 117.000 e de Luxemburgo US$ 6.968.000, todas no mesmo ano (CEIC Data e FMI).

Só aqui, neste país onde as elites nos cobrem de farsas e fraudes, a começar pelas da comunicação, pela pedagogia colonial, é que se admite um Teto de Gastos. Verifique se de Alexandre Hamilton a Janet Yellen, atual e primeira mulher a ocupar a Secretaria do Tesouro estadunidense, algum se preocupou com tetos de gastos. Se houvesse este colonizado secretário, os EUA continuariam pertencendo ao Reino Unido. 

Lá foi o Estado, financiando, construindo, subvencionando, sustentando empreendimentos com impostos, e operando empresas que erigiram a poderosa nação e uma classe industrial que avançou pelo mundo, criando mercado, transferindo operações e colonizando setores econômicos. E com lisura? Nenhuma, ou estes empresários não seriam denominados robber barons (barões ladrões) por controlar recursos nacionais; acumular altos níveis de influência no governo; pagar salários extremamente baixos; esmagar a concorrência através da aquisição de rivais, criar monopólios para aumentar os preços e arquitetar esquemas para vender ações a preços inflacionados para investidores desavisados até acabar por destruir a empresa para a qual o estoque de ações foi emitido, causando o empobrecimento de investidores e enriquecimentos dos barões.

E o boletim Focus, aquela publicação de cerca de 100 empregados do sistema financeiro (bancos, corretoras, administradoras) que “busca influenciar” as decisões governamentais para seu máximo ganho, já aumenta a inflação do próximo ano (2022) de 4,55%, há trinta dias, para os atuais 5%. Promovendo o arrocho nas despesas com a população (saúde, educação, transporte, habitação) e ampliando aquelas com o sistema financeiro (juros e amortização da dívida) e justificando também elevação das taxas de juros. 

Estão abertas as condições para as transferências dos recursos do tesouro nacional e a privatização do país, no que colaborarão a corrupção (afinal é o mestre nela que dirige o País) e a desburocratização (que nem mesmo os parlamentares e magistrados sabem corretamente o que é).

Mas é preciso garantir a urna eletrônica sem impressão de voto; uma vitória da CIA, da Secretaria de Justiça dos EUA, da antiga ABIN, hoje, GSI, do general Heleno, que encontrou alguma oposição nas Forças Armadas (FA).

Então se cria o núcleo militar do Moro. Já temos o general homem de partido, Carlos Alberto Santos Cruz, filiado ao Podemos (We can), já pensando no lugar do colega de farda Hamilton Martins Mourão.

Mas entre militares de pijama e fardados já se juntaram: Ítalo Fortes Avena, Paulo Chagas, Santa Rosa, Lauro Pires da Silva, Marco Aurélio Costa Vieira, Otávio Rego Barros, Guilherme Theophilo, o coronel Walter Felix Cardoso e o capitão de mar e guerra Álvaro José Teles Pacheco. Uma pergunta está no ar: são estes entreguistas os filhos de Caxias? Nenhum destes entendeu a importância da Petrobrás, da Eletrobrás, da Itaipu Binacional, da Nuclebrás, dos Correios, da Embraer, da empresa nacional de informática: hardware e software, da navegação nacional de cabotagem (oh! Comandantes)? E nem estamos incluindo a indispensável participação do Estado para a saúde (CEME, do Presidente Médici), para educação (Projeto Rondon, do Presidente Costa e Silva), para habitação (BNH, do Presidente Castelo Branco), para a assistência e previdência social e para cultura (Ministério da Previdência e Assistência Social e Funarte, do Presidente Geisel). O que será do Brasil entregue a tais dirigentes sem qualquer interesse na Pátria onde nasceram?


Pedro Augusto Pinho, administrador aposentado.

quarta-feira, 11 de agosto de 2021

Do monopólio do povo brasileiro para o monopólio do capital financeiro

Quarta, 11 de agosto de 2021

Do
            monopólio do povo brasileiro para o monopólio do capital
            financeiro

Em 30 de junho de 2021, o economista aposentado e membro da Diretoria da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET), Claudio da Costa Oliveira escreveu “A Shell poderá até vir a ocupar o espaço da Petrobrás no Brasil”, no AEPET Direto. Transcrevemos um trecho do artigo:

“No Brasil, ao que tudo indica, a Banca elegeu a Shell, no biombo da Raízen, para ocupar espaço a ser tomado da Petrobrás. Entre seus acionistas a Shell conta com destacados membros da Banca, como Franklin Templeton, J.P.Morgan, Fidelity Investments e Boston Capital. A Shell deve ter se mostrado à Banca como a mais promissora em rapidez e volume de dividendos, na exploração do butim brasileiro. Este trabalho vem sendo desenvolvido há vários anos”.


Certíssimo estava e está Claudio Oliveira. Com dados de 06/08/2021, listamos os dez maiores acionistas da Royal Dutch Shell, empresa fundada em Londres, em 1907, que chega ao Brasil em 1913, e tem, atualmente, sua sede em Haia (Países Baixos, antiga Holanda):

1. Fischer Asset Management;

2. Hotchkis & Wiley Capital Management;

3. Fidelity Management & Research Company;

4. Franklin Advisers;

5. Wellington Management;

6. Arrowstreet Capital;

7. Capital Research & Management;

8. Pzena Investment Management;

9. Northern Trust Investment; e

10. Millennium Management.


Porém, se algum acionista já não mais ocupa a posição de dez antes, é pela incrível mobilidade com que atuam, nas bolsas de valores e fora delas, em todo mundo, este capitais apátridas, com endereço nos paraísos fiscais.


A citada Raízen teve lançada suas ações na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e assim foi noticiada, pelo InfoMoney, em 05/08/2021:

“A ação da Raízen (RAIZ4), joint venture entre Shell e Cosan (CSAN3), teve uma estreia volátil na Bolsa brasileira nesta quinta-feira (5). Na máxima do dia, o ativo RAIZ4 chegou a subir 2,70%, a R$ 7,60, mas o papel virou para perdas, também acompanhando o noticiário doméstico mais negativo, e fechou em baixa de 2,16%, a R$ 7,24. A companhia precificou sua oferta inicial de ações a R$ 7,40 por papel na última terça-feira, que movimentou R$ 6,9 bilhões, no maior IPO do ano na Bolsa brasileira”.


Certamente a atilado leitor deve estar cogitando: será boa aplicação comprar este papel pelos R$ 7,24? Diríamos, e as posições da Shell são um exemplo, que o risco é alto, melhor ainda, altíssimo.


Não mais está o Boston Capital na posição dos dez grandes na Shell. Porque alguma troca possibilitou um ganho maior do que os lucros que a Shell auferiria para seus investidores. Amanhã surge um negócio nas Filipinas ou em Angola que compense para Shell se desfazer por R$ 6,00 das ações da Raízen e este nosso leitor amargará o prejuízo que, no entanto, para Shell promoverá lucro ainda maior do que o monopólio brasileiro permitiria.


Este doloroso e realista exemplo é o que nos espera com a alienação de empresas e recursos naturais brasileiros para fundos de capitais apátridas, protegidos pelo anonimato e dos tributos, nos quase cem paraísos fiscais existentes no planeta, dos quais cerca de um terço com estreitas ligações com as finanças inglesas.


Algumas mudanças ocorridas neste século ainda não foram percebidas, principalmente pelos que ainda estão combatendo o comunismo, no espírito pré-1970, da guerra fria.


De início devemos distinguir quem eram os capitais que promoveram as crises do petróleo, as campanhas “ecológicas” contra a industrialização e dominaram o sistema financeiro com as desregulações dos anos 1980, começando pelo Reino Unido de Margaret Thatcher e pelos Estados Unidos da América (EUA) de Ronald Reagan.


Denominávamos banca, o sistema financeiro internacional, com aqueles “capitais tradicionais” que foram acumulados por dezenas ou centenas de anos, pela escravidão, espoliação de colônias, especulações financeiras e imobiliárias, utilizando os sistemas fundiários, mercantis e financeiros, e até mesmo com as indústrias. Sendo exemplos, os judeus venezianos, que se denominaram família Warburg germano-estadunidense, os anglo-escoceses Stuart (hoje Windsor), os Orange, dos Países Baixos, os judeus Rothschild, os holandeses-estadunidenses Vanderbilt, os franco-huguenotes estadunidenses Du Pont, os estadunidenses Rockefeller, os anglo-estadunidenses Astor, os sauditas Saud. E, igualmente, famílias mais recentes, como as estadunidenses Koch, Walton, Bush e Morgan, a italiana Agnelli, a sueca Wallenberg, os Brenninkmeijer dos Países Baixos, entre outros bilionários, sempre em dólares estadunidenses (USD).


Com as desregulações, invadiram o sistema financeiro internacional, a partir dos anos 1990, os “capitais marginais”, quais sejam, os que têm origem no tráfico de drogas, no comércio de pessoas e órgãos humanos, no contrabando de armas e produtos cuja venda é proibida ou dificultada, na prostituição e outras atividades ilegais. Na verdade, estas atividades se transformam em legais, como a venda de armas e munições, quando os capitais marginais passam a participar dos governos. Por isso preferimos a denominação “marginal”, que está à “margem da sociedade”, do que ilícito, que um governo de milicianos e traficantes pode legalizar.


No século XXI a “Banca” foi renomeada “Gestores de Ativos”, que não foi apenas nova expressão, mas a mudança de ações e estratégias.  Para “banca” o lucro máximo e monopolista já era objetivo importante, para os “gestores de ativos” a transformação da sociedade é fundamental. Não basta conquistar as finanças e a economia, é necessário alterar e controlar os Estados Nacionais e as mentes, as percepções e idealizações das pessoas.


Com participação crescente no volume de transações, os “capitais marginais” passaram a influenciar as diretrizes e estratégias do sistema. E tendo hábito de agir nas sombras, apagar seu rastro era quase intuitivo. Daí a multiplicidade de paraísos fiscais que aparecem a partir do final dos anos 1980, mesma época do Consenso de Washington e da Constituição Brasileira.


E a “questão nacional”, que fora um divisor político, desaparece da disputa, dos princípios partidários, dos discursos eleitorais. Sem a questão nacional, um paraíso fiscal passa a caber em quatro estados dos EUA, entra nas salas das melhores famílias, com a decência que não existe para os capitais das corrupções, da prostituição, de crimes de diversas naturezas.


Para crise de 2008-2010, registrada como "crise dos subprimes" estadunidenses, temos a compreensão que foi o primeiro embate que ultrapassou as fronteiras do sistema financeiro internacional, e expôs as divergências entre “tradicionais” e “marginais”. Mas não se tratava de divergência de fins, nem mesmo, acreditamos, dos meios; era a disputa sobre quem mandará, a luta pelo poder.


Os capitais tradicionais trabalharam sempre com a dívida, com imobilizações. Têm, por conseguinte, menor liquidez que os marginais, que só se aceitam pagamento à vista. Quem irá comprar droga às prestações ou armas para desconto de duplicatas em 30 ou 60 dias? Este dinheiro “cash” está permitindo grande protagonismo dos “marginais” e sua condução na estratégia de prioridades e dos ganhos.


Este domínio também pode ser avaliado pela mudança de valores, pela apatia social, pela cumplicidade com ilícitos como as votações no Brasil, os benefícios das famílias militares e as do poder judiciário sem correspondência no restante inerme da população.


Então se tem o desfocar da ação. Comunista, assim como corrupto, pelas décadas de combate pela banca e pelo capitalismo industrial ganharam instintiva rejeição da população. Ora, a corrupção é mostrada a cada dia na ação dos “gestores de ativos”. Recentemente o Congresso foi subornado para aprovar a “remuneração de todos os depósitos que durmam de um dia para outro nas instituições financeiras”. E não é só isto, que já constitui o escândalo dos bancos auferirem receitas públicas com o seu dinheiro. Quem paga este remuneração é seu imposto, pois sai do Tesouro Federal, e sob a forma de dívida, isto é, em títulos emitidos pelo Governo.


Veja, caro leitor: seu dinheiro que está depositado em conta bancária, rende um “overnight” para o banco, e irá constituir dívida para o País, consequentemente para você, aumentando o endividamento do Brasil, que justifica o aumento da taxa de juros, que você pagará também. E isto é lícito! Claro que o velhaco e sagaz capital marginal é bem capaz deste projeto; com aplauso dos “capitais tradicionais”, é óbvio. E o que você fez? Nem mesmo soube que foi um senador do Partido dos Trabalhadores (PT) o escolhido pelo capital para apresentar esta proposta.


O que pretendem então? Que você considere todos iguais, que descreia na política e não se revolte quando um roedor arrivista apunhale o probo e nacionalista Roberto Requião, fechando-lhe as portas do partido por ele fundado no governo militar, o Movimento Democrático Brasileiro (MDB).


E, para convencê-lo que o errado é certo, e vice-versa, além do domínio das mídias, do convencional jornal impresso às “lives” virtuais, os capitais tradicionais e marginais têm amplo domínio das instituições internacionais de seus interesses: Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Mundial (WB), Organização Mundial do Comércio (OMC), Organização Internacional do Trabalho (OIT) e Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Fórum Econômico Mundial entre outras.


Portanto, caro leitor, preste um pouco mais de atenção e confira seu bolso. O inimigo do povo é este capital apátrida, com endereço nos paraísos fiscais, que teve como representante no Brasil, entre outros: Gustavo Franco, Armínio Fraga, Henrique Meirelles, Antonio Palocci, Joaquim Levy e Paulo Guedes.


Pedro Augusto Pinho, administrador aposentado

Transcrito do Pravda.ru, em português

domingo, 8 de agosto de 2021

O NOVO DESPOTISMO

Domingo, 8 de agosto de 2021

Felipe Quintas*

Os liberais, ao privatizarem praticamente todas as empresas e serviços públicos, como já é realidade no Brasil, fazem com que o Estado se torne justamente "o mais frio dos monstros" que eles o acusavam de sê-lo: nada mais do que um cobrador implacável de impostos da classe média, cada vez mais aviltada, e um regulador absolutista de costumes e práticas cotidianas.

O Estado, então, torna-se mínimo ou nulo para planejar e regular os setores vitais do país de acordo com o interesse nacional, entregando-os, por meio de privatizações diretas e indiretas, à ambição desenfreada de corporações especulativas privadas.

Em vez da prometida "abertura da concorrência", na verdade as privatizações a fecham, pois, sendo uma das funções de uma indústria ou serviço estatal concorrer com o cartel privado e servir de parâmetro geral de preço e qualidade, empurrando para baixo os preços do setor privado e forçando a melhoria da qualidade dele, no momento em que se entrega o serviço estatal para esse cartel privado, ele fica livre para determinar o preço que quiser e nas condições que quiser, criando um monopólio de fato às custas da sociedade. A privatização da siderurgia, da telefonia, da eletricidade e da petroquímica atesta isso, e não será diferente no caso dos Correios.

sábado, 24 de julho de 2021

Malditos sejam os pecadores

Malditos sejam os pecadores


No idioma aramaico, que Jesus e seus apóstolos falavam, uma mesma palavra significa dívida e pecado.

Dois milênios depois, os pobres do mundo sabem que a dívida é um pecado que não tem expiação. Quanto mais você paga, mais você deve; e no Inferno está a sua espera o castigo dos credores.

Eduardo Galeano, no livro “Os filhos dos   dias”. L&PM Editores, 2ª edição, pág. 236