Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
Mostrando postagens com marcador irã. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador irã. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Defesa nacional, um imperativo existencial

Segunda, 10 de agosto de 2026

Defesa nacional, um imperativo existencial 

Brasil, enfim, acorda para a necessidade de investir em Defesa. Ataque dos EUA à Venezuela foi alerta. Não precisamos deixar de ser país pacífico. Mas, como mostra o Irã, é possível resistir a uma guerra assimétrica – mesmo sem armas nucleares

Foto: Sérgio Lima/Poder360
Começo com uma citação. Nietzsche disse: A natureza não pune os maus, ela pune os fracos. E podemos acrescentar: A história também não pune os maus, pune os fracos. Não pune Netanyahu, pune Maduro. Não pune Israel, pune a Venezuela.

Antes de prosseguir, abro um rápido parêntese: parece que Nietzsche não disse isso, infelizmente. Mas poderia e deveria ter dito, a meu ver, pois a frase parece ilustrar bem, e com força, um aspecto central do seu pensamento. É impressionante, diga-se de passagem, como é grande o número de frases apócrifas interessantes. Poderia dar vários exemplos, mas isso tornaria a digressão longa demais.

segunda-feira, 15 de junho de 2026

A guerra e a paz, vistas de Teerã

Segunda, 15 de junho de 2026

A guerra e a paz, vistas de Teerã

Em meio a sinais de uma derrota estratégica dos EUA, fala um pesquisador iraniano. As raízes históricas da resistência persa. A provável sabotagem de Israel. O papel da China e da Rússia. O que muda no Oriente Médio, após o fiasco de Trump


Mohammad Marandi, em entrevista a Chris Hedges | Tradução: Antonio Martins

À medida que Washington e Teerã parecem se aproximar de um acordo preliminar para pôr fim à devastadora guerra contra o Irã, questões fundamentais permanecem sem resposta: o conflito realmente terminou ou a região está entrando em uma nova e mais perigosa fase de instabilidade?

Na entrevista a seguir, o jornalista Chris Hedges conversa com o analista político iraniano Mohammad Marandi, nascido nos EUA, formado na Universidade de Barminghan e ex-conselheiro para negociações nucleares de Teerã. Debatem o estado das negociações, a situação do Irã após meses de guerra, o futuro do Líbano e de Gaza, e as consequências geopolíticas mais amplas de um conflito que já remodelou o Oriente Médio e abalou a economia global.

sábado, 21 de março de 2026

GUERRA É GUERRA? PETRÓLEO, PODER, AMBIÇÃO? OU CABE NEGOCIAÇÃO?

Sábado, 21 de março de 2026

GUERRA É GUERRA? PETRÓLEO, PODER, AMBIÇÃO? OU CABE NEGOCIAÇÃO?


Pedro Augusto Pinho*


As guerras de hoje não são as de ontem, certamente não serão as de amanhã. Mas há motivos que, por incrível que pareçam, permanecem; demonstrando que os estágios civilizatórios em que se encontram os países são bem distintos.

No entanto, estes diferentes estágios civilizatórios estão muito mais voltados para as governanças internas do que para as relações internacionais.

É uma situação complexa, que ultrapassa as melhores análises dos comentaristas das mídias, o que acaba por levar a torcidas, como se fosse um jogo em disputa, muito diferente das reações à fria análise dos fatos.

A mais contundente demonstração está nos bolsonaristas desfilando com bandeiras de Israel. Será que algum, um só, um único dos participantes da passeata, saberia nos explicar a razão de portar a bandeira do Estado de Israel numa manifestação política partidária brasileira na Avenida Paulista, na capital do Estado de São Paulo?

O Estado de Israel é um estado belicoso. Desde sua criação, em 14 de maio de 1948, está em guerra contra os vizinhos. É claro que ele trouxe um desconforto ou desalento para os habitantes da Palestina, que certamente almejavam sua independência do Reino Unido, que lá exercia o governo como mandatário da Liga das Nações.

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Marco Rubio expõe o projeto de recolonização

Sábado, 21 de fevereiro de 2026

Marco Rubio expõe o projeto de recolonização

Sob aplauso das elites europeias, o secretário de Estado dos EUA abre o jogo em Munique. A descolonização foi perversa; para livrar-se da decadência, o Ocidente deve impor sua ordem à China e Sul Global; Gaza e Venezuela são caminho a seguir




Do OUTRASPALAVRAS
Por Crismar Lujano, no Diário Red | Tradução 
Antonio Martins 




MAIS:
O cinismo de Marco Rubio em Munique parece inacreditável, mas é real. Sua fala pode ser lida, na 
íntegra, no site do Departamento de Estado dos EUA.

Ao falar, em 13/2, à Conferência de Segurança de Munique, um dos principais fóruns geopolíticos mundiais, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, tirou o último véu já pouco disfarçada política externa MAGA para os próximos anos. Seu discurso foi recebido com uma ovação em pé por grande parte da elite europeia, aliviada por ouvir o chefe da diplomacia norte-americana reivindicar a aliança imperialista oldfashioned do colonialismo sem complexos e do poderio militar sem limites. Ela seria a base finalmente da tão esperada restauração geopolítica da hegemonia ocidental.



Rubio estruturou seu discurso, desde o início, no contexto dessa identidade compartilhada: “Fazemos parte de uma única civilização: a civilização ocidental”. Acrescentou que essa unidade se fundamenta em “séculos de história compartilhada, fé cristã, cultura, patrimônio, idioma, ancestralidade e nos sacrifícios que nossos antepassados fizeram juntos pela civilização comum que herdamos”. O mais espantoso não é evocar essa história compartilhada, mas perceber que ela foi apresentada como superior, homogênea e destinada a liderar. Trata-se de um apelo à “civilização ocidental” como fundamento político de uma hierarquia global.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Quantas crianças iranianas terão que morrer até que o mundo dê um basta?

Segunda, 8 de outubro de 2012
Por Paulo Nogueira
Lembremos que 500 mil crianças iraquianas morreram no boicote ao Iraque
 O boicote americano ao Irã vai fazer vítimas entre civis como estes que você pode ver acima

Gleen Greenwald é um excelente jornalista americano. Escrevia para o Huffington Post, e agora seu passe foi adquirido pelo Guardian, britânico.

É uma pena que nenhuma publicação brasileira ofereça aos leitores os textos de Greenwald, mas não uma surpresa: Greenwald não escreve as coisas que as grandes corporações de jornalismo do Brasil se acostumaram a veicular, num serviço que desinforma muito mais que informa e distorce o mundo muito mais que o faz mais compreensível.

Greenwald, hoje, fala das consequências que o boicote americano ao Irã vai trazendo à sociedade iraniana: mulheres, crianças, velhos, civis em geral. Começa a faltar comida, por exemplo.

Ele relembra o que aconteceu com o Iraque quando submetido ao mesmo tipo de coisa pelo governo de Bill Clinton: meio milhão de crianças iraquianas morreram.

Na ocasião, um jornalista perguntou à então Secretária de Estado, Madeleine Albright, sobre este abominável infanticídio em massa. Infamemente, ela respondeu que o objetivo americano de derrubar Saddam Hussein compensava esse custo – 500 000 crianças mortas.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Brasil, Irã e Paulo Coelho

Terça, 11 de janeiro de 2011
 Por Ivan de Carvalho
“Eu, sinceramente, espero que o governo brasileiro se pronuncie a respeito”, assinalou em seu blog o escritor Paulo Coelho. Ele recebeu um email enviado por seu editor no Irã, Arash Hejazi, informando sobre a decisão do Ministério da Cultura e Orientação Islâmica do Irã de proibir a publicação de qualquer de seus livros no país.
    Os livros do mundialmente mais lido escritor brasileiro – 300 milhões de exemplares em 150 países – têm sido vendidos no Irã desde 1998. Paulo Coelho disse em seu blog contar com o governo brasileiro para resolver o problema, afirma considerar “um mal-entendido”, o que, considerando-se o regime do Irã e os precedentes na área literária, quase certamente não é. As autoridades iranianas certamente avaliaram atentamente o assunto antes de comunicarem sua decisão.
    “Espero que o Itamaraty e a ministra da Cultura, Ana de Hollanda, não se omitam em relação a essa medida arbitrária, pois, caso contrário, estarão assinando embaixo", disse o escritor, que também observou, com ironia, que até as edições piratas de seus livros foram proibidas e ele não sabe como o governo iraniano vai “fiscalizar isso”.
   A hipótese de mal-entendido, levantada por Paulo Coelho, apenas tenta deixar a porta aberta para uma eventual mudança da posição iraniana, mas não é verossímel. Na visão cultural e doutrinária das autoridades islâmicas que detêm o poder no Irã, a proibição é absolutamente lógica. Afinal, o escritor é um mago e costuma por a magia, em sua acepção ampla, como tema de seus livros. E a autoridade islâmica iraniana não admite nada que possa diferir (eu não disse contrariar) de sua interpretação do Corão.
   Um ensaio de iniciativa do governo brasileiro em defesa da liberdade de publicação dos livros de Paulo Coelho no Irã já foi feito. A ministra da Cultura, Ana de Hollanda, informada do problema na manhã de ontem, disse que iria telefonar até o fim do dia ao ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota. A ministra declarou que “qualquer tipo de censura é abominável. Precisamos saber como o governo pode se manifestar”.
   Uma declaração muito lúcida, mostrando que ela entende que está inserida no contexto do caso, como ministra da Cultura, mas não é a autoridade adequada para dar uma posição oficial do país. Assim como um esperado protesto da Academia Brasileira de Letras, da qual Paulo Coelho é membro, também não resolveria a questão de um posicionamento oficial do Estado brasileiro. Este só pode acontecer por intermédio da presidente Dilma Rousseff ou de ação formal do Itamaraty, em nome do governo.
   Dilma Rousseff já qualificou de “bárbara” e “medieval” a pena de morte por apedrejamento, que o Irã ia aplicar contra uma mulher, Sakineh Ashtiani. O apedrejamento, que não é uma pena “medieval” (na qual tinham preferência a fogueira e outras formas de matar condenados), mas da Antiguidade, foi sustado em relação a Sakineh, por adultério, mas ela ainda pode ser enforcada, por suposta participação em  homicídio.
   Paulo Coelho, que diz já ter vendido mais de 6 milhões de livros no Irã, aceitou a sugestão de seu editor iraniano de disponibilizar seus livros na Internet para download. Em 2005, seu livro El Zahir já havia sido proibido no Irã, que também proibiu, há tempo, um livro de Dan Brown e outro de Gabriel Garcia Marques.
Dá quase para apostar que, com interferência ou não do governo brasileiro, Paulo Coelho está definitivamente fora do mercado iraniano, ressalvadas as edições piratas e a Internet.
- - - - - - - - - - - -
Este artigo foi publicado originalmente na Tribuna da Bahia desta terça.
Ivan de Carvalho é jornalista baiano.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Dilma e direitos humanos

Sexta, 10 de dezembro de 2010
 Por Ivan de Carvalho
    A presidente eleita Dilma Rousseff tem dado sinais de que sua política externa, no que se relaciona aos direitos humanos, pode apresentar um avanço se comparada à do governo Lula. Até o momento, o exemplo emblemático tem sido o caso da iraniana Sakineh Ashtiani. Mas não se deve apostar desde já que as palavras no intervalo entre a eleição e a posse no cargo de presidente se transformem em ações de governo em caráter permanente. São, por enquanto, apenas uma esperança.
    Vale registrar que Sakineh Ashtiani, de 43 anos, que havia sido condenada à morte por lapidação (apedrejamento) sob a acusação, que ela nega, de adultério, foi libertada pelo governo do Irã, assim como seu filho e seu advogado, segundo anunciaram organizações como a Comissão Internacional contra a Pena de Morte e a Lapidação e a ONG Solidariedade Irã, que também vinha acompanhando o caso.
    A primeira das organizações citadas assinalou que ainda existem no Irã, atualmente, 21 mulheres e cinco homens nas prisões do país, aguardando a execução da pena de morte por apedrejamento. Essa organização disse que a libertação de Ashtiani se deveu às pressões de líderes mundiais e outras personalidades, citando como relevantes a participação do presidente Lula e da presidente eleita Dilma Rousseff.
   Isso nos leva de volta à comparação da abordagem de Lula e de Dilma em relação ao caso específico de Ashtiani e do tema mais amplo dos direitos humanos no Irã. Foram abordagens bem diversas. Lula ofereceu ao governo iraniano acolhida para Ashtiani, caso ela estivesse “incomodando” lá no Irã, ao que o governo iraniano respondeu com uma contida, mas indisfarçável irritação.
   E o presidente então rapidamente tirou seu cavalinho da chuva, passando a evitar o assunto, salvo para dizer que seria “uma avacalhação” se o governo de um país (no caso, o Brasil) ficasse criticando as leis de outro país. Ao que parece, sejam quais forem essas leis, seriam incriticáveis. Depois, o Brasil adotou a vergonhosa posição da omissão, ao abster-se de votar, na Comissão de Direitos Humanos da ONU, uma resolução (aprovada) que educadamente recomendava ao governo iraniano o respeito aos direitos humanos.
   Já Dilma Rousseff, ainda não empossada, mas já eleita, foi direta ao declarar ser “um absurdo” o programado apedrejamento de Sakineh Ashtiani. Mais importante, discordou da abstenção brasileira na votação da resolução da ONU, assim deixando claro que na sua opinião o Brasil devia ter votado a favor e completou afirmando que ela será sempre contra qualquer punição “medieval”.
   Bem, a lapidação não é apenas medieval, é uma pena que vem da Antiguidade, invadindo, no mundo muçulmano, a Idade Média e, passando depois pela Idade Moderna até alcançar a Idade Contemporânea. Mas como a presidente usou a palavra “medieval”, podemos ter certeza que ela condenará também a pena de morte na fogueira, mesmo que aplicada a bruxos e bruxas. No entanto, presos políticos, como os há em Cuba e na China, não são, infelizmente, um fenômeno medieval.
   Mas que tratamento a política externa brasileira vai dar aos direitos humanos, em outros casos e outros países? Se postos em um prato da balança os sinais positivos notados até agora e no outro a orientação de política externa característica do PT e a decisão de manter o incrível assessor para Assuntos Internacionais Marco Aurélio Garcia, qualquer resposta parece precipitada. A dúvida é a atitude apropriada por enquanto.
- - - - - - - - - -
Este artigo foi publicado originalmente na "Tribuna da Bahia" desta sexta.
Ivan de Carvalho é jornalista baiano.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Brasil aceita apedrejamento

Segunda, 22 de novembro de 2010 
Por Ivan de Carvalho
    Aconteceu na semana passada, mas só agora tenho a chance de me referir ao assunto. E não é coisa sobre a qual me conceda a comodidade da omissão. O Comitê de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas aprovou, na última quinta-feira, uma resolução na qual manifesta grande preocupação com a prática da lapidação (apedrejamento), flagelação (chicotadas) e amputação como punição no Irã. A resolução foi aprovada com os votos de 80 países.
    No entanto, nada menos que 57 Estados representados na ONU tiveram a coragem, perdão, covardia de se omitirem, de se absterem de votar. E um deles foi a República Federativa do Brasil. Infelizmente, este é o nosso país, um dos que se acovardaram ou interessadamente se abstiveram ante a resolução que atingiu o governo celerado do Irã. É possível que o governo brasileiro haja se amedrontado quanto a contrariar a posição de alguns dos outros 56 países que se omitiram. Se não fizeram objeção quando a ocasião se apresentou, aceitaram.
   O medo é uma hipótese razoável, pois recentemente a presidente eleita Dilma Rousseff declarou ser o apedrejamento uma prática “bárbara”, não importando para tal qualificação (ou desqualificação) os usos e costumes iranianos. Seria “bárbara” mesmo com tais usos e costumes.
   A hipótese do medo também encontra respaldo na atitude do presidente Lula ante o caso (que foi igualmente o abordado nas declarações de Dilma Rousseff) da iraniana Sakineh Ashtiani e o que provocou a resolução da Comissão de Direitos Humanos da ONU. Lula ofereceu publicamente asilo a Ashtiani, “caso ela esteja sendo causa de incômodo para o Irã”. Mas o que incomodou o Irã para valer foi a oferta de asilo feita por Lula – que depressa se calou e tirou o cavalinho da chuva, possivelmente “aconselhado” pelo inverossímel assessor para Assuntos Internacionais Marco Aurélio Garcia, aquele do top, top, top. Quem fizer tudo ao contrário do que ele aconselhar, acerta.
   Sintetizando: o governo Lila votou contra inclinação pública inicial do presidente Lula e contra explícita, elogiável e enérgica opinião e afirmação da presidente eleita Dilma Rousseff.
   Então, pode ser que os joelhos não se hajam agüentado firmes. Mas também é possível levantar hipótese bem mais vergonhosa: eventuais (e por enquanto muito pouco relevantes) interesses comerciais teriam levado o Brasil a não manifestar grande preocupação (nem foi uma condenação formal, com esta denominação) com as pedras, os açoites e as amputações punitivas. Curioso, não tenho visto os movimentos brasileiros de defesa da mulher movendo-se nesse caso da condenação de Sakineh Ashtiani. Será que essa paralisia decorre de que a maioria desses movimentos está sob comando das chamadas “esquerdas” e estas simpatizam com a teocracia nada “esquerdista” do Irã? Esses movimentos expliquem isso, se quiserem.
   Do que não tenho dúvida é de que a omissão (abstenção) do governo brasileiro no Comitê de Direitos Humanos da ONU foi, moralmente, tão “bárbara” quanto o apedrejamento de Sakineh, condenado pela presidente eleita Dilma Rousseff. Que, cristã como se proclamou este ano, terá em alta conta o perdão dado a Maria Magdalena por Jesus, quando, há quase 2 mil anos, ia ser apedrejada sob a mesma acusação.
- - - - - - - - - - - - - - -
Este artigo foi publicado originalmente na Tribuna da Bahia desta segunda.
Ivan de Carvalho é jornalista baiano.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Covardia do governo brasileiro

Sexta, 19 de novembro de 2010
Foi aprovada ontem pelo Comitê de Direitos Humanos da ONU —Organização das Nações Unidas— resolução que manifesta grande preocupação com a prática de lapidação (apedrejamento), flagelação e amputação como punição no Irã. Dos 57 países que se omitiram, que se abstiveram de votar, que se acovadaram, o Brasil foi um deles.

domingo, 14 de novembro de 2010

Domingo, 14 de novembro de 2010
"Lula visitou Teerã, abraçou o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, deu um beijo no rosto e foi embora. Parece que se esqueceu das pessoas que morrem e são presas no Irã." (Da nobel da paz iraniana, Shirin Ebadi)

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Dilma e Sakineh

Quinta, 4 de outubro de 2010 
Por Ivan de Carvalho
    Só temos que reconhecer e até proclamar o acerto e principalmente a ênfase da declaração feita ontem pela presidente eleita Dilma Rousseff, quando respondeu em entrevista coletiva sobre o a execução da iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani, condenada à morte por lapidação (apedrejamento), sob acusação de adultério, que teria ocorrido quando ela já era viúva.
    A reação internacional à aplicação da pena de apedrejamento levou a teocracia iraniana, por intermédio de seu suposto “Poder Judiciário” – a serviço e submisso à tradição xiita, ramo islâmico que domina o país – a montar um caso jurídico mais complexo. Ao invés de morrer por apedrejamento por causa do adultério, Sakineh Ashtiani poderia ser executada por homicídio, caso em que a pena é de morte por enforcamento.
    Mas como assim? É simples. Como a coisa das pedras estava “pegando mal” para o regime iraniano em todo o mundo livre (perdão por usar esta antiga expressão do tempo da guerra fria) – ou no mundo democrático ou, se preferir o leitor, no mundo que se declara “civilizado”, o poder político iraniano tentou o pulo do gato.
    Sakineh Ashtiani poderá ser executada por enforcamento para pagar o assassinato do ex-marido, que teria sido morto numa ação conjunta dela e de um homem que viria a ser seu amante. Assim se evitaria o “barbarismo” do apedrejamento, que muitos Estados, principalmente do Ocidente, não conseguem aceitar, enquanto aceitam – quando não praticam – quase sem pestanejar o enforcamento, a cadeira elétrica, o fuzilamento, a injeção letal e a bala solitária na nuca – esta, uma especialidade chinesa.
    Como está no noticiário da mídia eletrônica desde ontem e nos jornais impressos de hoje, a presidente eleita Dilma Rousseff, embora declarando-se desprovida ainda de qualquer “status oficial” para se pronunciar sobre o assunto, afirmou que é “radicalmente contra o apedrejamento da iraniana”, e, dirigindo-se diretamente aos jornalistas, repisou: “Externo aqui perante vocês que eu acho uma coisa bárbara o apedrejamento da Sakineh. Mesmo considerando os usos e costumes de outros países, continua sendo bárbaro o apedrejamento da Sakineh”.
    O presidente Lula já havia, há uns meses, interferido neste assunto, ao oferecer o Brasil para receber Sakineh, “se ela está causando algum incômodo” no Irã. Mas ocorreu que o governo iraniano não só recusou a oferta como a criticou, muito aborrecido. O presidente Lula, na prática, tirou seu cavalinho da chuva. Isso faz da declaração de Dilma, realmente, uma surpresa. Uma grata surpresa.
   E vale assinalar que, no caso de Dilma, sua posição política e humanitária no geral mescla-se (e é aí reforçada, da mesma forma que tornada mais exigível) a sua condição de mulher em defesa de outra mulher prestes a ser apedrejada por um regime que se apoderou de um importante país.
    Talvez haja faltado na declaração da presidente eleita a observação de que a eventual mutação da forma de execução para enforcamento, sob a tardia acusação de outro crime, não elimina o barbarismo. Mas Dilma Rousseff terá, creio, oportunidade de fazer este acréscimo com a mesma ênfase de sua declaração de ontem.
- - - - - - - - - - -
Este artigo foi publicado originalmente na Tribuna da Bahia desta quinta.
Ivan de Carvalho é jornalista baiano.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Irã retoma negociações sobre programa nuclear até novembro, diz porta-voz

Quarta, 13 de outubro de 2010
Da Agência Brasil
Renata Giraldi - Repórter

Brasília – Há quatro meses submetido às sanções impostas pela comunidade internacional, o Irã se dispõe a retomar as negociações sobre o programa nuclear desenvolvido no país entre o fim deste mês e a primeira semana de novembro. A informação foi confirmada pelo porta-voz do Ministério do Exterior iraniano, Ramin Mehmanparast, que não informou, no entanto, a data exata. As informações são da agência oficial de notícias do Irã, a Irna.

A retomada das negociações envolve as autoridades do Irã e o grupo denominado P 5+1, que é formado pelos Estados Unidos, a França, China, Inglaterra, Rússia e a Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea). O porta-voz afirmou que o Irã “está disposto a retormar as negociações”. De acordo com ele, a data depende de um acordo entre todos os envolvidos.

Segundo Mehmanparast, durante os debates da 65ª Assembleia Geral das Nações Unidas no mês passado, o governo iraniano manifestou disposição de retomar as conversas. “Mas o outro lado não estava preparado para isso”, disse ele na entrevista coletiva semanal.

Para o governo iraniano, é fundamental que as negociações considerem a chamada Declaração de Teerã, que se refere ao acordo para a troca de urânio, negociado pelo Brasil e a Turquia em maio. Por esse acordo, o Irã se dispõe a enviar urânio levemente enriquecido para a Turquia. Em troca, receberá o produto enriquecido a 20%.

Com isso, o Brasil e a Turquia esperam que os receios em torno do programa nuclear iraniano sejam atenuados. Para a comunidade internacional, o programa nuclear desenvolvido no Irã tem fins não pacíficos, incluindo a produção de armas atômicas. As autoridades do país negam essas suspeitas.

Incomodado com as suspeitas, o porta-voz criticou a autoridade da União Europeia, que disse desconhecer a retomada das negociações em torno do programa nuclear iraniano. Para Mehmanparast, a chefe de Política Externa da União Europeia, Catherine Aston, é desinformada. “Ela não sabe nada sobre a data das negociações”, disse.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Irã suspende sentença de morte por apedrejamento de viúva condenada por adultério

Quarta, 8 de setembro de 2010
Da Agência Brasil
Renata Giraldi e Paula Laboissere - Repórteres

Brasília – O Irã anunciou hoje (8) a revisão da sentença de morte por apedrejamento da viúva  Sakineh Mohammadi Ashtiani, de 43 anos, por asssassinato e adultério. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irã, Ramin Mehmanparast, disse que a sentença foi temporariamente suspensa para efeitos de revisão. A hipótese de pena de morte não está afastada e o apedrejamento pode ser substituído por enforcamento.

As informações são da rede estatal de televisão do Irã, PressTV.  “A sentença de condenação da Sra. Ashtiani por adultério foi interrompida e [seu] caso está sendo revisto. Mas a condenação por cumplicidade no assassinato está em andamento”, afirmou o porta-voz.

Como ontem (7), Mehmanparast condenou os que associam a pena imputada a Sakineh à violação de direitos humanos. “A defesa de uma pessoa condenada por assassinato não deve ser transformada em uma questão de direitos humanos”, disse Mehmanparast. Segundo ele, se for concedido tratamento relativo à violação de direitos humanos a casos como o da viúva, acusados de homicídio em vários países devem ser tratados de forma diferenciada também.

A condenação de Sakineh à morte por apedrejamento foi alvo de reações e críticas no mundo inteiro. Houve campanhas de presidentes da República e de organizações não governamentais. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva saiu em defesa da viúva e ofereceu o Brasil como destino para ela morar. A oferta de Lula foi recusada pelo governo do Irã.

Pela Justiça do país, a viúva é acusada de participação na morte do marido e de manter relações sexuais com dois homens. A acusação é rebatida por Sakineh e a família dela, mas as autoridades iranianas afirmam que eles mentem. Hoje, o porta-voz reiterou que o mundo deve “pensar no sentimento da família da vítima”, no caso o marido de Sakineh.

Em 29 de agosto, o escritório dos Direitos Humanos do Poder Judiciário iraniano informou, em comunicado, que a sentença de morte de Sakineh estava encerrada. Mas ainda havia um ação pendente no Departamento de Direitos Humanos. Recentemente, houve informações de que a viúva foi condenada, em outra ação, a receber 99 chibatadas por ter tido uma fotografia, em que aparece sem o véu islâmico,  publicada no jornal inglês The Times.

domingo, 5 de setembro de 2010

Viúva iraniana condenada à morte deve levar 99 chibatadas

Domingo, 5 de setembro de 2010
Da Agência Brasil
Renata Giraldi - Repórter

Brasília – Condenada à morte por apedrejamento no Irã, sob a acusação de adultério, a viúva Sakineh Mohammadi Ashtiani, de 42 anos, deve ser submetida a 99 chibatadas, informou Sajad Ghaderzadeh, filho dela. O jovem disse que a nova sentença é uma condenação porque uma foto de Sakineh foi publicada no jornal inglês The Times em que ela aparece sem véu. A foto foi publicada no dia 28 de agosto, mas, em seguida, o jornal informou que não se tratava de Sakineh.

As informações são da agência BBC Brasil. Sajad Ghaderzadeh soube da nova sentença de 99 chibatadas por intermédio de pessoas que recentemente deixaram a prisão de Tabriz, onde está sua mãe. Em carta aberta, Ghaderzadeh classificou a sentença de "desculpa para aumentar o abuso" contra sua mãe. Segundo ele, a família recorrerá também dessa sentença.

O jornal britânico informou que obteve a foto da mulher sem véu por intermédio do advogado de Sakineh, Mohammad Mostafei, que fugiu do Irã para a Noruega. O advogado afirmou que recebeu  a imagem do filho de Sakineh. No entanto, Ghaderzadeh nega ter repassado a foto ao advogado.

Em julho, Sakineh foi condenada à morte por apedrejamento. Houve protestos da comunidade internacional e a sentença foi temporariamente suspensa. Mas, no Irã, há informações de que ela pode ser morta por enforcamento a qualquer momento.

O assunto envolveu inclusive o presidente Luiz Inácio Lula da Silva que, em mais de uma ocasião, apelou para que a sentença não fosse cumprida e sugeriu que Sakineh fosse enviada para o Brasil. O governo iraniano negou ter recebido a oferta formal da diplomacia brasileira sobre o envio da viúva ao Brasil. O assunto causou um mal-estar entre os dois países. 

A viúva é acusada de ter matado marido e depois de manter relações sexuais com dois homens. Ela e os parentes negam as acusações. Porém, para o governo iraniano e a Justiça do país, ela é culpada e a pena, conforme a sharia (conjuntos de normas e leis islâmicas) deve ser cumprida.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Advogado de iraniana condenada à morte por apedrejamento pede asilo político na Noruega

Segunda, 9 de agosto de 2010
Da Agência Brasil

O advogado iraniano Mohammad Mostafaei, que defende a mulher condenada à morte sob acusação de ter cometido adultério, pediu asilo político ontem (8) ao governo da Noruega. A mulher e o irmão dela foram presos no Irã, mas já estão em liberdade. Mostafaei disse que deixou Teerã na semana passada temendo também ser preso. Ele contou ter fugido para a Turquia usando carro, cavalo e depois a pé.

As informações são da agência BBC Brasil. Mostafei chegou a Oslo, na Noruega, ontem. Ele é o advogado da iraniana Sakineh Moahammadi Ashtiani, de 43 anos, viúva, condenada no Irã por adultério. A pena aplicada foi a morte por apedrejamento.

O caso provocou revolta internacional, e a sentença foi suspensa e passará por revisão. Na semana passada, o Brasil ofereceu asilo político à Sakineh, mas teve sua oferta rejeitada pelo governo iraniano.

No fim de semana, durante viagem a Bogotá, na Colômbia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, voltou a defender Ashtiani. O presidente reiterou a oferta de asilo político à mulher, mas evitou criticar o regime do Irã. "Essas coisas são muito delicadas porque você tem sempre que levar em conta a legislação de cada país, a soberania de cada país", disse Lula.

Em seguida, o presidente ressaltou que como cristão não poderia imaginar alguém ser morto apedrejado por traição. “Eu não consigo imaginar, por isso que eu fiz o pedido. Se tivesse condições de mandá-la para o Brasil, nós receberíamos de braços abertos."

O ministro das Relações Exteriores da Noruega, Jonas Gahr Stoere, divulgou um comunicado ontem em que afirmava "estar muito feliz que o advogado de direitos humanos Mohammad Mostafaie esteja seguro na Noruega". Na nota, o ministro lamenta que "a pressão sobre advogados de defesa corajosos como Mostafaei seja tão grande, obrigando-o a fugir" e pede que o Irã respeite os direitos humanos.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Gabeira diz que Lula é "mestre em pôr a culpa na vítima"

Segunda, 2 de agosto de 2010
Deu no Terra
João Pequeno -  Rio de Janeiro

Um dia após se dizer "satisfeito" por saber que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmara que aceitaria abrigar a iraniana Sakineh Ashtiani, condenada à morte por apedrejamento, o candidato do PV ao governo do Rio de Janeiro, Fernando Gabeira, voltou à atacá-lo, acusando Lula de ser "mestre em pôr a culpa na vítima".
Gabeira referiu-se ao discurso em que Lula fala que a aceitaria no Brasil "se esta mulher está causando incômodo", além de destacar sua "amizade e o carinho (...) pelo presidente do Irã", durante comício com a candidata petista à Presidência, Dilma Rousseff, neste sábado (31), em Curitiba.
"Ela não está causando incômodo, está condenada à morte. Por adultério, que lá é crime, e de uma forma extremamente cruel. Enterram até o peito, para que não haja chance de defesa e, em seguida, apedrejam (...). Ele (Lula) é mestre me botar a culpa na vítima, assim como fez em Cuba, quando comparou um preso político a um criminoso comum e disse que ele se matou. Não tem coragem de assumir a posição histórica de diplomacia brasileira, de respeito aos direitos humanos", disparou Gabeira, acompanhado por um sinal de positivo do presidente regional do PV do Rio, Alfredo Sirkis
Leia mais

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Chomsky: os Estados Unidos e a ameaça iraniana

Segunda, 5 de julho de 2010
A capacidade de dissuasão do Irã é vista por Washington como um exercício ilegítimo de soberania que interfere nos desígnios globais dos Estados Unidos. Ameaça, especialmente, o controle dos EUA sobre os recursos energéticos do Oriente Médio, uma alta prioridade dos estrategistas desde a Segunda Guerra Mundial, recursos que rendem frutos como o “controle do mundo”. Além disso, o Irã também estaria buscando expandir sua influência, o que provocaria a desestabilização da região. A invasão e ocupação militar do Irã seriam a estabilização. O artigo é de Noam Chomsky.
Leia o artigo de Chomsky em cartamaior.com.br

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Brasil esquece seu exemplo

Sexta, 21 de maior de 2010 
Por Ivan de Carvalho
    O presidente Lula e a diplomacia brasileira fizeram uma festa em Teerã, por conta de um acordo de troca, em território turco, de uma parte (metade ou pouco mais) do urânio levemente enriquecido que o Irã diz ter por urânio enriquecido a 20 por cento.
    Tentou-se passar a impressão festiva de que o acordo resolvia a crítica pendência que envolve, além da teocracia iraniana, a Organização das Nações Unidas, com sua Agência Internacional de Energia Atômica, e muitos dos mais importantes países membros da ONU, convencidos ou séria e fundadamente desconfiados de que o objetivo essencial do Irã não é a utilização de energia nuclear para fins pacíficos, como alega, mas a produção de armas nucleares.
    Esta convicção ou fundada desconfiança resulta de evidências e fatos óbvios ou comprovados. O Irã é signatário do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares. Como tal, está comprometido a permitir a fiscalização da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) em suas instalações nucleares, sem reservas ou restrições. No entanto, o Irã expulsou os agentes da AIEA há algum tempo e nega-se a permitir que a agência da ONU volte a fazer inspeções no país.
    Se o impedimento da fiscalização é um dos três elementos do tripé que justifica a desconfiança e põe a ditadura iraniana sob suspeita quase geral (sempre há alguns tolos), outro desses elementos é que o acordo tão festejado, celebrado entre o Irã, o Brasil e a Turquia, não veda, não sugere, não estimula, não evita que o Irã continue enriquecendo urânio a níveis expressivos, percorrendo assim o caminho tecnológico para chegar à bomba nuclear e acumulando, fora das vistas da AIEA, matéria prima para fabricar esse tipo de arma.
    O terceiro elemento do tripé do mal também já está comprovado. É representado pelas instalações nucleares que o Irã construiu secretamente e mantinha secretas até que a inteligência ocidental as descobriu. Foi e continua sendo um vexame para o Irã sustentar suas afirmações de boa fé quanto à exclusividade dos fins pacíficos que diz pretender dar ao seu desenvolvimento nuclear, já que buscou manter instalações nucleares secretas.
    Convém lembrar que o Brasil, signatário do mesmo Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares, quis um dia produzir a bomba, numa espécie de despirocada rivalidade com a Argentina (durante o regime militar cá e lá) e passou a desenvolver um programa nuclear secreto, com instalações secretas, inclusive uns misteriosos poços (para experiências subterrâneas com artefatos nucleares) na Serra do Cachimbo.
Pois tendo feito isto antes, o Brasil não devia estar querendo fazer o Irã parecer “tão bonzinho”. E dando ao regime de lá (o governo democrático brasileiro parece ter alguma tara, alguma admiração secreta, por governos ditatoriais, violadores dos direitos humanos e coisas assim, a exemplo do iraniano, do cubano, do sudanês, entre outros) mais tempo para adiantar seu plano bélico nuclear.
- - - - - -
Este artigo foi publicado originalmente na Tribuna da Bahia desta sexta.
Ivan de Carvalho é jornalista baiano.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Uma posição irresponsável

Quinta, 11 de fevereiro de 2010
PorIvan de Carvalho
O governo do Irã avisou aos jornalistas que trabalham para os meios de comunicação estrangeiros que eles não poderão cobrir, hoje, os desfiles – que serão sete – pelo 31º aniversário da Revolução Islâmica, que derrubou o regime do xá Reza Palevi e colocou no poder o clero islâmico xiita chefiado pelo ayatollah Ruhollah Khomeini, sucedido até aqui pelo ayatollah Ali Khamenei. Nos últimos meses, esses jornalistas foram proibidos de cobrir manifestações oposicionistas, mas é a primeira vez que são excluídos de comemorações do aniversário da Revolução Islâmica de 1979.
    É que há uma grande expectativa de que a oposição – considerada pelos chefes dominantes do clero xiita “inimiga de Allah” – realize manifestações de protesto contra a reeleição (considerada fraudulenta pela oposição) do presidente Mahmoud Ahmadinejad.
    Os jornalistas ou meios de comunicação estrangeiros estão autorizados a cobrir apenas o discurso que o presidente Ahmadinejad (aquele que nega, declarando ser mito e mentira, a matança de seis milhões de judeus pelo nazismo durante a Segunda Guerra Mundial) fará na manhã de hoje na praça de Azadi. Azadi significa liberdade e a escolha do local para o discurso parece mais uma ironia do que qualquer outra coisa.
    O governo prevê a presença de centenas de milhares de pessoas nos sete desfiles. Ocorre que a oposição convocou o povo para protestar, nesses desfiles oficiais, contra o regime e a eleição por ela não aceita de Ahmadinejad. Explicando: a oposição está proibida de fazer manifestações de rua.  Nas últimas que fez, no dia 27 de dezembro, nas grandes cidades do Irã, em comemoração à luta religiosa de Ashura, foram reprimidas pelas forças de segurança. Houve oito mortos, centenas de feridos e mais de mil presos. Daí que agora a oposição resolveu usar as manifestações oficiais para misturar-se a elas e protestar, na esperança de embaraçar a repressão e se fazer ouvir.
    Enquanto isso, o governo brasileiro, um dos primeiros em todo o mundo a reconhecer a duvidosa vitória eleitoral de Ahmadinejad e um dos poucos a receber a visita oficial do suposto presidente reeleito, divulga sua posição contrária a novas sanções contra o Irã pelo anúncio do governo iraniano de que vai enriquecer urânio a 20%, um passo importante na direção da construção de armas nucleares.
O governo brasileiro sugere que a proposta de novas sanções não seria aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU e, sendo, seria ineficaz, pois não conduz ao diálogo. Ora, as sanções visam a forçar o Irã ao diálogo, evitando a perigosa alternativa, de desdobramentos imprevisíveis – um ataque militar “preventivo” ocidental ou israelense às instalações nucleares iranianas. A galera da “esquerda” do PT e outras galeras “esquerdistas” adjacentes devem estar exultantes. Como o governo Lula quer.
Aparentemente, apenas. Porque que ele quer é entusiasmar a “esquerda” no ano eleitoral, mesmo à custa de ajudar no avanço do programa atômico militar do Irã.

Este artigo foi publicado originalmente na Tribuna da Bahia desta quinta.
Ivan de Carvalho é jornalista baiano.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Cristovam quer que Lula interceda junto ao presidente do Irã em favor de cientista preso

Sexta, 27 de novembro de 2009
Da Agência Senado
O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) comunicou ao Plenário, nesta quinta-feira (26), ter transmitido ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por meio do Ministério das Relações Exteriores, pedido que recebeu solicitando sua intervenção junto ao presidente do Irã, Mahmoud Ahmadimejad, no sentido de evitar a condenação à morte do cientista de iraniano-americano Kian Taibackhsh.
O cientista cumpre pena no Irã, onde foi condenado a 15 anos de prisão sob a acusação de ter participado das manifestações que ocorreram após as últimas eleições naquele país. Agora, informou o senador, o cientista está sendo acusado de espionagem, o que significa que poderá ser condenado à morte.
Cristovam pediu ao presidente Lula que dê um telefone ao presidente do Irã, usando a autoridade que adquiriu ao recebê-lo no Brasil e lembrando a maneira como ele foi recebido pelas autoridades brasileiras e faça um apelo pela vida do cientista.
O senador acrescentou que, se fosse o presidente Lula, pediria também a Mahmoud Ahmadimejad o fim da pena de morte no Irã.