Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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terça-feira, 3 de junho de 2014

Black bloc desmente entrevista em que relaciona tática do grupo ao PCC

Terça, 3 de junho de 2014

Reprodução/Facebook
Matéria publicada no jornal O Estado de São Paulo tenta vincular tática de grupo anarquista à facção criminosa; em sua página do Facebook, black bloc diz para “não se deixar levar por declarações falaciosas”

José Francisco Neto
Da Redação
Uma entrevista com supostos membros da tática black bloc, feita pelo jornalista Lourival Sant’Anna, do jornal O Estado de São Paulo, veiculada no domingo (01), é uma farsa. Quem afirma são os próprios membros do grupo anarquista em sua página oficial no Facebook. O título da entrevista diz que “Black blocs prometem caos na Copa com ajuda do PCC”.  

“Não tem como o black bloc dar entrevista porque o black bloc é tática de manifestação, e não um grupo organizado. Não se deixe levar por declarações falaciosas do Estado de São Paulo e derivados”, afirmam.

Ainda, durante a entrevista, que tem cerca de 11 minutos, é possível observar que em nenhum momento os supostos black blocs citam algo relacionado à facção criminosa.

A reportagem do Brasil de Fato entrou em contato com o autor da entrevista, que se defendeu. “Como digo na minha matéria, falei com o núcleo de black blocs mais experientes, responsáveis pelas ações de maior repercussão. E eles não têm página no Facebook. Cuidado com quem se apresenta publicamente como black bloc. Isso contradiz a tática black bloc.”

Após a publicação, o ministro da justiça, José Eduardo Cardozo, disse em entrevista ao mesmo jornal que é “inadmissível a associação de esforços entre os black blocs e o PCC para transformar a Copa do Mundo em um caos”. E ainda complementou dizendo que “não toleramos abuso de qualquer natureza e as pessoas que praticarem atos ilícitos responderão nos termos da lei”.

O autor da entrevista sobre os black blocs, Lourival Sant’Anna,  já esteve envolvido em uma polêmica sobre a veracidade de suas matérias, como relembrou o jornalista Paulo Nogueira, em artigo publicado no Diário do Centro do Mundo. De acordo com ele, o empresário Nelson Tanure o acusou de forjar informações numa série de reportagens sobre negociações em torno da Varig.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

O “inquérito do Black Bloc”

Sexta, 28 de fevereiro de 2014

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

A estética e a ação Black Bloc

Segunda, 24 de fevereiro de 2014
"Eu queria ver esse povo que odeia máscaras falar isso na cara dos Zapatistas..."
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Black Bloc não é um grupo. Black Bloc é uma tática. Uma tática cujo cerne está na ação direta e numa estética particular. 

Sejamos diretos: Quem não se veste de preto NÃO é Black Bloc. Um manifestante de vermelho violento é... um manifestante de vermelho violento e não um Black Bloc. E explico o porque.

Black Bloc é, novamente, estética. O estar de preto faz parte da tática, faz parte da ideia anarquista de um coletivo agindo como um só braço, de indivíduos juntos agindo como um só. Rostos cobertos e todos de preto significa que não são indivíduos agindo contra a PM ou contra símbolos do capitalismo (como bancos), mas sim um corpo único, um coletivo agindo uniformemente.

Sem este elemento não há Black Bloc, há apenas a venha violência em manifestações e protestos. Um Black Bloc pode ser considerado um manifestante violento, mas o inverso não se aplica.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

O bloco dos Desobedientes

Domingo, 16 de fevereiro de 2014
"É por esse motivo que vincular a morte de Santiago aos black blocs não faz sentido, assim como não faz sentido tratar como uma violência da mesma natureza a destruição de vidraças de bancos e o ataque violento a seres humanos, parta ele de manifestantes ou da própria polícia."
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Na mira das discussões sobre a violência nos protestos, quão violentos são os black blocs?

Pablo Ortellado
Há relação entre a morte do cinegrafista da Band e os black blocs?
 
A trágica morte de Santiago Andrade está sendo mobilizada para que medidas mais duras sejam tomadas para reprimir as manifestações e o Black Bloc em particular. Mas haveria alguma relação entre a morte do cinegrafista e os black blocs? Os dois manifestantes que assumiram a autoria do disparo do rojão já declararam que não participam do Black Bloc. Não obstante, o Black Bloc está no centro do discurso contra a violência nas manifestações. Mas de que forma e em que medida esses manifestantes são violentos?

A destruição de propriedade praticada pelo Black Bloc nasceu nos EUA a partir de um debate sobre os limites táticos da desobediência civil não violenta. A desobediência civil não violenta tinha se estabelecido como paradigma dos movimentos sociais daquele país desde a vitória do movimento pelos direitos civis nos anos 1960. A tática consistia em desobedecer a uma lei injusta e não reagir à violência do Estado que tentava defendê-la. Assim, no movimento pelos direitos civis dos negros, as imagens divulgadas pela imprensa de manifestantes de uma causa justa sofrendo a repressão violenta do Estado geraram indignação da opinião pública, que pressionou pelo fim da segregação racial.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

A resposta do governo federal aos black blocks; na velocidade da luz (apagada)

Quarta, 5 de fevereiro de 2014
O governo federal deu dura resposta aos Black Blocks, com um tremendo blackout no Brasil.

Os Black Blocks
Imagem ABr

E o blackout do governo
Dê um clique na imagem acima para 'enxergar' melhor o blackout.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Enquanto falcatruas depredam o patrimônio público, PF caça black blocs

Terça, 12 de novembro de 2013
Jornal do Brasil
Não é por falta de escândalos que os órgãos responsáveis por investigações e punição no Brasil deixam de atuar. Irregularidades, denúncias, saque aos cofres públicos, negociatas entre governo e empreiteiras... Os exemplos são muitos e não param surgir, alimentados pela impunidade que reina no país.

Enquanto as falcatruas se sucedem, as autoridades parecem mais preocupadas em atacar outras frentes, reprimir outro tipo de ação, ação que se revolta exatamente contra os maus governantes que priorizam seus interesses.

Enquanto o desmando impera nas grandes esferas do poder e vandaliza o patrimônio público em proporções incalculáveis, a Polícia Federal concentra suas forças na investigação contra os black blocs, seus paus e pedras.

No Congresso, os supersalários, mesmo ilegais, parecem intocáveis. Parlamentares chegam a receber mais R$ 60 mil brutos, somando remunerações e aposentadorias, enquanto o teto constitucional é de R$ 28 mil. O que diz a Constituição e as leis pouco importa para os que embolsam além do permitido.
Mesmo proibido pela Constituição, parlamentares ganham supersalários
Mesmo proibido pela Constituição, parlamentares ganham supersalários
Em São Paulo, o escândalo dos fiscais que teriam fraudado Impostos sobre Serviços e até o IPTU pode chegar a casa dos R$ 500 milhões. Escutas, ameaças e muito dinheiro circulam na esfera do município, enquanto o ex e o atual prefeitos trocam acusações. 
"Havia degradação na prefeitura de São Paulo", afirma Fernando Haddad.

"Descalabro é primeiro ano do atual governo", rebate Gilberto Kassab.

No Rio de Janeiro, superfaturamento e denúncias envolvendo empreiteiras e o governo tomaram conta dos noticiários. A Delta e sua coleção de escândalos causou indignação à sociedade, detonando protestos até em frente à casa do governador Sérgio Cabral.

A Delta monopolizou as grandes obras com dinheiro público no Rio, passando pelo PAC e pelo Maracanã. A empreiteira de Fernando Cavendish protagonizou uma das maiores ascensões empresariais já vistas no país, até sua relação com o contraventor Carlinhos Cachoeira vir à tona.

O deputado federal Paulo Maluf é mais um personagem do mundo político que, apesar das denúncias e acusações, parece ressurgir das cinzas e se mantém no cenário, talvez até participando das próximas eleições. O capítulo mais recente foi sua condenação  por superfaturamento em obra do complexo viário Ayrton Senna, de 1990.

Soma-se a estes casos o de Ângelo Calmon de Sá - ex-dono do Banco Econômico - que, com mais de 30 processos criminais, muitos ainda sem decisão de sentença, continua em liberdade, mesmo após ter sido condenado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) a 13 anos de reclusão por gestão fraudulenta de instituição financeira. 

E há ainda o caso do Banco Cruzeiro do Sul. O escândalo mais recente dá conta de que credores pedem R$ 113 milhões ao Morgan Stanley, com notificação judicial, referente à venda de ações pelos ex-controladores Luís Octavio e Luiz Felippe Índio da Costa, justamente duas semanas antes da intervenção do Banco Central. Os dois são acusados de provocar a falência do banco e causar prejuízo de R$ 3,8 bilhões ao Sistema Financeiro. Ficaram conhecidos também pela contribuição a campanhas de políticos. O principal beneficiado teria sido José Serra, que se candidatou à presidência tendo o sobrinho e primo dos ex-controladores - o ex-deputado Índio da Costa - como vice. 

Enquanto isso, o BNDES abre generosamente seus cofres públicos para empréstimos de grande vulto. Somente para o empresário Eike Batista - que amarga prejuízo histórico e de proporções internacionais - as cifras chegam a R$ 1 bilhão, fora os para empreiteiras que, além de ganhar licitações para grande obras, ainda contam com a ajuda do dinheiro do governo.

Perto destes e tantos outros exemplos de depredação do patrimônio público e vandalismo contra os princípios da ética e da dignidade da sociedade, os black blocs mais parecem meninos indefesos e inofensivos.

Marcus Ianoni, professor do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal Fuminense (UFF), ressalta que a sociedade brasileira ainda precisa percorrer um longo caminho para que a igualdade de todos perante a lei se efetive plenamente. A desigualdade no tratamento a cidadãos é feita pelo Estado, reforça, com respaldo de setores da própria sociedade. 

"As ilegalidades dos 'vândalos' atentam contra o Estado de Direito assim como as ilegalidades de empresários e políticos. Não deveria haver dois pesos e duas medidas. Ilegalidade  é ilegalidade. O Estado e a opinião pública não devem fazer vista grossa ou dar desconto às ilegalidades de uns e ser rigoroso em relação à ilegalidade de outros. Fazer isso é oferecer tratamento privilegiado a alguns grupos, o que é um comportamento que reproduz hierarquias sociais de corte oligárquico. Precisamos acabar com os privilégios oligárquicos. A República Democrática deve aplicar a lei igualmente para todos. Um dos principais conteúdos da democracia é a igualdade", explica.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Um espectro ronda a esquerda palaciana: o Black Bloc

Quarta, 6 de novembro de 2013
Por Celso Lungaretti
Ao qualificar estridentemente os black blocs de "fascistas" (o que não são), estimulando enrijecimentos repressivos e penais, a presidente Dilma Rousseff  omite que eles estão ocupando um espaço aberto pela domesticação da esquerda tradicional, que hoje nem sequer pronuncia mais a palavra revolução -tão cooptada está pelo capitalismo e tamanha é sua obsessão em se mostrar inofensiva para os inimigos de outrora, visando manter e aumentar cada vez mais suas boquinhas na democracia burguesa.

Para quem aspira apenas a gerenciar o capitalismo pelo máximo possível de mandatos, os black blocs não passam de um empecilho, e como tal são tratados. Chama a polícia!

Para quem não abdicou dos ideais revolucionários em troca de um poder ilusório e subalterno, eles se constituem, isto sim, numa dura acusação: suas ações, algumas das quais desatinadas, são consequência de nossa incapacidade de engajar os jovens num combate mais consequente à desigualdade, injustiças e crimes que caracterizam a dominação burguesa. Nostra maxima culpa!