Quinta, 29 de outubro de 2026
Hora de dar outro rumo ao BNDE
Como o banco que deveria financiar o desenvolvimento virou ponta de lança das privatizações. As lógicas desconcertantes do neoliberalismo: usar dinheiro público para se apropriar da infraestrutura do país. A urgência de novo projeto, em Lula 4
OutrasPalavras OUTRAS CIDADES
Por Rôney Rodrigues e Carina Serra
Publicado 29/10/2026
Carlos Vainer em entrevista a Carina Serra e Rôney Rodrigues
Um banco criado para ampliar a capacidade de investimento do Estado pode utilizar sua estrutura e seu conhecimento técnico para reduzir a presença do próprio Estado? No BNDES, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, essa pergunta não é retórica: ela define o futuro do Brasil.
Em 2025, o banco tinha R$ 962 bilhões em ativos, aprovou R$ 237,9 bilhões em novos financiamentos e registrou o maior lucro recorrente de sua história: R$ 15,2 bilhões. Mas é um dos principais operadores do tripé chamado “desestatização”: venda de empresas, concessões e Parcerias Público-Privadas (PPPs). Para o economista e sociólogo Carlos Vainer, a palavra correta é outra, “curta e reta”: privatização. “O BNDES está atuando como agente de promoção e financiamento dos processos de privatização das nossas cidades, tanto daqueles que decorrem de grandes projetos quanto da privatização de serviços públicos que, inclusive pela Constituição, são obrigação do Estado”.

