Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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quarta-feira, 17 de junho de 2015

Lava-Jato: PF abre inquérito contra o ex-deputado Cândido Vaccarezza

Quarta, 17 de junho de 2015
Investigação foi aberta para apurar suspeita de que ex-líder do governo e do PT na Câmara recebeu R$ 400 mil em propina por contrato fechado pela empresa Sargent Marine com a Petrobras. Petista nega ligação com esquema da Lava Jato

sexta-feira, 4 de março de 2011

Do carnaval e das bebidas


Sexta, 4 de março de 2011
 Por Ivan de Carvalho
 Então governador, Antonio Carlos Magalhães editou decreto instituindo cinco dias de carnaval oficial na Bahia, estabelecendo o maior dos feriadões do país, de sexta a terça-feira. Hoje é o primeiro dia. E como durante o carnaval muito pouca gente se interessa por política, o melhor é evitar o assunto.

    Interessa-se por este assunto apenas um razoável número de políticos. Alguns deles, poucos, supondo que os cargos que exercem, do tipo governador, prefeito, entre outros menos vistosos, praticamente lhes impõe comparecer a camarotes oficiais e até a outros, de famosos. Aí se divertem, alguns, outros não, bebem alguns, outros (raros) não, e cumprem o inalienável dever de acenar para a multidão alucinada pelo som dos trios elétricos.

    A outra categoria dos políticos que comparecem aos camarotes não vai lá para ser vista pelos foliões. Poucos os reconhecem, para sorte e sossego deles, e a maioria nem os conhece, mas para gerar comentários, pequenas notícias na mídia e afrescalhadas especulações do tipo “fulano ficou um tempão no camarote do governador”, ou “cicrano estava de braços e abraços com o prefeito” ou “ele está bombando, o ministro beltrano ficou mais de três horas no camarote dele”. Bem, deixa prá lá. Isso já está virando comentário sobre política e não é a intenção.

    A intenção é falar sobre bebidas, assunto de interesse evidente no primeiro dia do nosso carnaval oficial por decreto. Não tem muito a ver com carnaval o Bolsa Família, mas a cachaça tem, segundo revelação do líder do governo na Câmara dos Deputados, Cândido Vaccareza, do PT paulista. A propósito do reajuste do valor do Bolsa Família, disse na terça-feira que o reajuste é positivo mesmo se o dinheiro for usado para comprar cachaça, pois isto será uma forma de “ajudar a economia”.

    Que borracho! Não sei se mais o ministro ou o beneficiário do Bolsa Família que gastar o benefício no malefício da cachaça. Dá ressaca, enjôo, náuseas, bafo de onça, dor de cabeça, úlcera gástrica, cirrose, pancreatite, problemas cardíacos, mata neurônios, multiplica por 30 o risco de câncer na boca e garganta se o borracho for também fumante, além de outros males que, se tentasse citar todos, não caberiam neste espaço. E com isso acarreta altos custos à economia, com ausências ao trabalho e desembolsos do SUS e da Previdência Social.

    Assim, o dinheiro do Bolsa Família, se gasto em cachaça, não “ajuda a economia”. Pode ajudar os plantadores de cana-de-açucar, os donos de alambiques, os comerciantes de bebidas alcoólicas, mas prejudicará a economia em seu conjunto e os que tentarem ajudá-la da maneira ensinada por Vaccareza. Eu até sugiro à presidente Dilma Rousseff que troque imediatamente de líder do governo na Câmara. Dizer besteira não é a única maneira de bajular.

    Quanto ao pessoal que prefere cerveja ou os inocentes refrigerantes, uma pesquisa feita por especialistas americanos e britânicos com 2.500 pessoas e publicada na revista Hypertension afirma que beber mais de 335 ml por dia de bebidas com gás (cerveja e refrigerantes são gaseificados) ou sucos de fruta contendo açúcar é o suficiente para desequilibrar a pressão arterial. As razões ainda são incertas, mas os pesquisadores acreditam que o excesso de açúcar no sangue prejudica o tônus dos vasos sanguíneos e desequilibra os níveis de sal no organismo. A hipertensão é o principal dos fatores de risco para acidentes cardio-vasculares e para acidentes vasculares cerebrais.

    Portanto, e ainda que só por cinco dias (ou seis, ou sete), cuidado com o copo.
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Este artigo foi publicado originalmente na Tribuna da Bahia desta sexta.
Ivan de Carvalho é jornalista baiano.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Andou bebendo o quê?

Quarta, 2 de março de 2011
E não é que o Cândido Vaccareza (PT-SP), líder do governo Dilma na Câmara dos Deputados, declarou ser uma boa o dinheiro do Bolsa Família ser gasto em cachaça? Considerou um fato desse “positivo”, e que “ajudaria a economia”. Não é bem o que mostram as pesquisas sobre os malefícios da bebida sobre a força de trabalho, e também nos custos do Estado com saúde.

Parece até que não é o beneficiado com o Bolsa Família que anda bebendo.

Veja a seguir um exemplo, segundo Vacarezza, de dinamização da economia.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Acordão

Terça, 15 de fevereiro de 2011
“Quem não estiver com o governo vai ter de se explicar. Não tem conversa aberta e não vamos mudar o que já havia sido acordado com as centrais sindicais, que era reajustar o salário para R$ 545.”

Essa declaração de Cândido Veccarezza, líder do governo na Câmara, sobre a posição tomada pelo governo Dilma frente à votação do salário mínimo, permite deduzir que as direções das centrais sindicais estão fazendo apenas mais um jogo de cena? Não há dúvidas de que a maioria delas são instituições pelegas. Reclamam da boca pra fora.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Movimento “Volta Delúbio”

Terça, 18 de janeiro de 2011
Gratidão ou reconhecimento à eficácia? Quais desses motivos é a razão da criação dentro do PT do movimento “Volta Delúbio”?  Até o deputado Cândido Vaccareza (SP), que é líder do governo Dilma na Câmara dos Deputados, vem defendendo o retorno ao partido daquele que foi um dos acusados de integrar a “sofisticada organização criminosa” para roubar dinheiro do povo.

Qualquer hora dessas até Marcos Valério vai se sentir no direito de voltar a intermediar operações junto ao governo federal.

Dilma que se cuide. Lula conseguiu jogar tudo para debaixo do tapete, balançou, mas depois se firmou. Ela pode ter dificuldades.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Projeto de líder do governo é redigido por lobby

Domingo, 26 de dezembro de 2010
Do Brasil de Fato
Projeto de Cândido Vaccarezza (PT-SP), que libera uso das sementes “terminator”, é de coautoria de advogada da Monsanto

Renata Camargo - Congresso em Foco


Um projeto do líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), sobre sementes transgênicas foi redigido com auxílio de uma advogada da empresa Monsanto. A proposta libera o uso da polêmica tecnologia “terminator” no Brasil e tem como coautora a advogada Patrícia Fukuma, conhecida por defender causas de empresas com patentes de organismos geneticamente modificados (OGMs) e assessorar juridicamente a indústria de alimentos. Entidades ambientais e da agricultura familiar ouvidas pelo Congresso em Foco entendem que Vaccarezza fez lobby para a indústria de alimentos e multinacionais de transgênicos. O petista nega a acusação.

A proposta revoga, da Lei de Biossegurança (Lei 11.105/2005), o artigo que proíbe a utilização, comercialização e outros usos das tecnologias genéticas de restrição do uso (Gurts, na sigla em inglês) no Brasil. Essa tecnologia é responsável por produzir plantas geneticamente modificadas com estruturas reprodutivas estéreis. A partir dessa tecnologia, são criadas sementes que só podem ser germinadas uma vez, pois as sementes originadas dessas plantas não têm capacidade de se reproduzir. Leia a íntegra da proposta

Uma das Gurts é conhecida como terminator. Por ser considerada uma ameaça à diversidade de cultivos e à soberania alimentar, desde 1998, a ONU, pela Convenção da Biodiversidade, recomenda aos países que não façam testes nem comercializem sementes com tecnologias genéticas de esterilização. Na convenção de 2006, o governo brasileiro decidiu manter moratória a essa tecnologia, compromisso que permanece atualmente.

“Pelo risco que representa, no âmbito da Conversão sobre Biodiversidade Biológica, existe uma moratória internacional para que nenhum país plante essas sementes nem faça estufa em plantio experimental, muito menos, em plantio comercial. Esse projeto de lei pega o artigo da Lei de Biossegurança, que reforça a moratória na legislação nacional, e altera a redação justamente para permitir essa tecnologia”, explica o engenheiro agrônomo Gabriel Fernandes, da ONG Agricultura familiar e agroecologia (Aspta).

Interesses
Na avaliação das entidades, a coautoria da advogada da Monsanto comprova os interesses da indústria de alimentos e de multinacional que detém patentes de transgenias na aprovação do projeto de Vaccarezza. A coautoria da advogada ao projeto do líder do governo é comprovada no arquivo da proposta que consta no site da Câmara. Na página do projeto, o arquivo em PDF do PL 5575/2009 tem como autora Patrícia Fukuma. O nome da advogada aparece nas propriedades do documento. Em arquivos de matérias legislativas, a Câmara não costuma identificar o autor do documento.

O líder do governo na Câmara nega que o projeto tenha sido elaborado com a participação da advogada da Monsanto. Questionado pelo site sobre a coautoria de Patrícia Fukuma, Vaccarezza afirmou inicialmente não saber quem é Patrícia e depois disse que não se recorda de ter tido nenhum contato com ela, mas que “pode até ser que a conheça”. “É possível que ela tenha tido conversa comigo. Mas não tem nenhuma relação”, afirmou o líder do governo.

Vaccarezza nega ter atendido lobby. “Essa acusação é uma acusação irresponsável. Primeiro, eles nem me conhecem. Segundo, porque eu não defendo interesses de grandes empresas”, afirmou. “Isso não merece crédito.”

A assessoria jurídica da Vaccarezza afirmou que o nome que aparece nas propriedades do documento do projeto pode ser de um técnico da Casa, responsável por inserir arquivos no sistema. Segundo a assessoria, eventualmente, o nome de técnicos pode constar para o público. No caso, a advogada Patrícia Fukuma não é funcionária da Câmara.

Contradições

A advogada Patrícia Fukuma confirma a participação na elaboração do projeto do líder do governo. Ao Congresso em Foco, a assessora jurídica da Monsanto afirmou que fez “uma revisão do projeto”. Patrícia conta que, na época, foi procurada pela assessora Maria Thereza Pedroso, assessora técnica da Liderança do PT na Câmara, que lhe pediu para “dar uma olhada no projeto”. “Na verdade, eu não sou autora do projeto. Eu, na verdade, dei alguns pitacos”, disse.

Atualmente pesquisadora da Embrapa, a ex-assessora Maria Tereza nega ter procurado a advogada da Monsanto para apresentar o projeto. Ao site, a pesquisadora afirmou desconhecer quem é Patrícia Fukuma. “Eu nem sei quem é Patrícia... O deputado Paulo Piau propôs um substitutivo ao projeto do Vaccarezza. Só se ela que escreveu o substitutivo. Eu não sei quem é ela”, afirmou.

Especialista em Relações de Consumo pela Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Patrícia Fukuma é uma das referências no Brasil na área da biotecnologia. A advogada é conselheira do Conselho de Informação sobre Biotecnologia (CIB), que além da Monsanto, tem como associados multinacionais como a Basf, Bayer, Cargill, Dupont e Arborgen. A advogada também tem em seu currículo os dez anos de experiência como gerente do departamento jurídico da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA).

Preocupação

A aprovação do projeto é vista com grande preocupação por parte do Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea). Em março deste ano, o conselho encaminhou à Presidência da República um pedido de intervenção para que o projeto fosse arquivado. No documento, o presidente do Consea, Renato Maluf, afirma que a tecnologia terminator representa “graves ameaças” para a agricultura familiar e populações tradicionais, sendo ameaça também à “soberania e segurança alimentar e nutricional”.

“Considerando que a liberação da tecnologia genética de restrição de uso (Gurts), conhecida como terminator, e considerando que o governo brasileiro posicionou-se favoravelmente pela manutenção da moratória internacional à tecnologia terminator, em 2006, o Consea recomenda ao Presidente da República que interceda pelo arquivamento do projeto de lei”, diz Maluf.

Em resposta ao Consea, segundo a assessoria do conselho, a Presidência da República afirmou que o governo brasileiro reafirma sua posição como signatário da moratória àquelas sementes transgênicas. Em relação ao arquivamento do projeto, no entanto, não houve manifestação do Palácio do Planalto e a proposta segue tramitando no Congresso.

O projeto está na Comissão de Meio Ambiente da Câmara, pronto para ser votado. Neste ano, a proposta entrou na pauta de votações por três vezes, mas não chegou a ser apreciada. De acordo com o trâmite legislativo, o projeto de Vaccarezza precisa passar ainda pela Comissão de Ciência e Tecnologia e pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
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