Sexta, 28 de outubro de 2022
Pedro Augusto Pinho*
A GRANDE MUDANÇA NO ORIENTE CHEGARÁ À COLÔNIA?
É possível construir no Brasil o Estado Nacional Trabalhista e Democrático, no lugar do atual Estado Colonial Neoliberal Elitista?
Sem dúvida. Mas é necessário, imprescindível, começarmos abandonando a pedagogia colonial, que nos encharca até os ossos, até a medula, e domina nossa razão e pensamento.
De início, precisamos entender que existe a humanidade, plural, diferenciada, com culturas únicas, que os colonizadores europeus jamais aceitaram. Quem são os colonizadores europeus? Basta ver os idiomas falados pelo mundo, nas Américas, na África, na Oceania: inglês, espanhol, francês, português, holandês, alemão, italiano. Nenhum idioma originário é idioma oficial em qualquer país americano. Isso é muito sério e grave para nossa construção nacional. As Américas constituem o maior genocídio já praticado na História, e o foi por Impérios europeus.
O Europeu sempre buscou sair de suas fronteiras para conquistar, escravizar, explorar outros povos. E o primeiro passo sempre foi destruir as culturas nacionais, para que a submissão ficasse não apenas mais fácil, como para dar a sensação de eterna, da qual não se pode desprender, desvencilhar.
Podemos, ainda que um tanto impropriamente, ver na expansão romana esta característica europeia pois da Regência (século V a.C.) até o fim do Império do Ocidente (V d.C.) o latim foi o formador de grande número de idiomas, que hoje se falam no mundo. Foram mil anos os da dominação romana, basicamente no entorno do Mar Mediterrâneo.
A expansão europeia surge na Idade Moderna, com o capitalismo, com a conquista do ultramar, a partir do século XVI e perdura até hoje.
Observe o caro leitor, que não se encontra além das fronteiras da República Popular da China (RPCh) onde se fale chinês ou mandarim. Além das fronteiras da Índia onde se fale hindi; além da Mongólia, onde se fale mongol, além da Indonésia, o indonésio. E, por favor, não me venha com ideologias suprematistas branca ou ocidental.
Vejamos a história e a geografia.
A China desenvolveu as ciências naturais, engenharia, medicina, tecnologia militar, matemática, geologia e astronomia muito antes de qualquer outra região do mundo. Não paira qualquer dúvida que as quatro invenções que mudaram o mundo foram criadas na China: a bússola, a gráfica, a fabricação de papel e a pólvora.
Também antropólogos identificam que, há cerca de 600 mil anos, o homem de Pequim usava e controlava o fogo. Enumerar a seda, a construção de canais, a invenção da escrita, do calendário, a forja de sino, tudo que ocorre 2.000 anos antes de Cristo demostra a capacidade científica, tecnologia e industrial dos chineses, que, no entanto, sempre se viram como agricultores, camponeses.
Até o século XIII, a China foi a maior potência tecnológica do mundo. Entretanto os han, que constituem a etnia de 92% dos chineses, jamais saíram de suas muralhas para conquistar quem quer que fosse, e onde fosse. Esta ideia de conquista é europeia.