“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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quarta-feira, 2 de maio de 2018

Cine Itapuã no Gama, um drama que parece não ter fim

Quarta, 2 de maio de 2018
Do Portal Gama Cidadão


Houve um tempo em que os filmes eram lançados primeiro no Cine Itapuã no Gama e só depois exibidos em salas do plano piloto. Considerado a Vanguarda do cinema de Brasília o espaço também era palco de solenidades palestras e Formaturas escolares.




Platéia vibra com Orquestra Sinfônica no Cine Itapuã do Gama. Foto: Administração Regional do Gama.

O cine Itapuã, localizado no Setor Leste do Gama foi a Segunda sala de cinema a entrar em operação no Distrito Federal. Ele foi inaugurado em 1963 e já foi considerado o segundo maior cinema de Brasília. Sendo durante décadas uma das melhores opções de lazer e entretenimento da região. A sala, com capacidade para 500 pessoas, era utilizada por exibidoras de filmes comerciais. O Cine Itapuã exibiu filmes durante décadas até ser fechado em 2005. Na década de 80, após possibilidade de ser vendido para uma igreja, um grupo de empresários locais comprou o local, que foi doado ao GDF. Em seguida foi delegado a Administração Regional da cidade. Porém o ato precisava ser oficializado, algo que só veio a ocorrer no fim do primeiro semestre de 2012. Isso depois de muita dedicação e esforço no processo de regulamentação da doação.
O motivo do seu fechamento foi o mesmo que o de tantas outras salas espalhadas pelo Distrito Federal e pelo Brasil. Com a popularização dos shopping centers e a concentração de grandes núcleos de exibição cinematográfica, as salas de cinemas de rua foram perdendo espaço. Poucas ainda sobrevivem em atividade. No caso de Brasília, o único sobrevivente é o Cine Brasília. Localizado na Asa Sul, em Brasília foi o primeiro cinema da Nova Capital.

quinta-feira, 30 de maio de 2024

É hoje, quinta-feira (30 de maio), à noite na Praça do Cine Itapuã a sessão do projeto Cinema no Olho da Rua. Participe!!!

 Quinta, 30 de maio de 2024

Cine Itapuã no Gama recebe sessão do Projeto Cinema no Olho da Rua


 Cine Itapuã no Gama recebe sessão do projeto Cinema no Olho da Rua. Foto: Mari Telles


À céu aberto, sessão de cinema gratuita alerta sobre a importância do espaço cultural


Mais que promover uma simples programação cultural acessível, o trabalho do coletivo Cinema no Olho da Rua procura ressaltar a importância da sétima arte e alertar sobre como espaços públicos de exibições permanecem fechados. Depois de duas sessões bem-sucedidas que ocorreram enquanto o Cine Brasília (106/107 Sul) permanecia inacessível devido às obras, agora é o Cine Itapuã que será relembrado no próximo dia 30 de maio, às 20h, com uma sessão de curtas-metragens com entrada franca.

“O Cinema no Olho da Rua está se transformando em um coletivo pra pensar, discutir e cobrar políticas de difusão do cinema nacional. A gente não tem pretensão de fazer tudo sozinho, queremos agregar quem está nessa caminhada há mais tempo e quem está chegando agora”, explica Alice Godoy Lopes, integrante do coletivo.

“A gente vai ocupar o lado de fora do Cine Itapuã, um cinema fechado há 19 anos que nenhum de nós teve a oportunidade de frequentar. Um cinema vazio é só um prédio. É a luz do projetor que transforma o ferro e o concreto em possibilidades. Olhar pro Cine Itapuã e conversar com a comunidade de cinema, nos levou a pensar em todas as possibilidades perdidas”, completa.

O segundo cinema mais antigo do DF, inaugurado após o tradicional Cine Brasília, foi fechado em 2005 e, desde então, está abandonado. A sala tem capacidade para 500 pessoas e recebia apresentações teatrais e shows. Fundado em 1963, o cinema era referência na cidade de quase 150 mil habitantes, e que não possui outro espaço cinematográfico.

No ano passado, a Secretaria de Cultura e Economia Criativa informou que os Bombeiros aprovaram o projeto de reforma do Cine Itapuã e a próxima etapa é a elaboração do projeto básico para o processo licitatório para o início das obras.

Programação

Para a sessão no Cine Itapuã, o coletivo Cinema no Olho da Rua fez uma curadoria que inclui a animação Barra Nova, de Diego Maia, que se passa na praia do Nordeste Brasileiro. O curta Ramal, dirigido por Higor Gomes, fala sobre um grupo de jovens que se diverte sobre suas motocicletas na Vila Marzagão, que fica na periferia da cidade de Sabará em Minas Gerais. Outro título que será exibido é o curta-metragem de São Paulo, Lugar de Ladson, de Rogério Borges. O filme fala sobre Ladson, um jovem com baixa visão, de Rio Claro, interior de SP, que tenta marcar um encontro amoroso durante a pandemia.

Dois outros filmes representam a capital na sessão. O documentário Só Quem Tem Raiz, de Josianne Diniz, se passa no Gama e fala sobre três personagens que compartilham inseguranças, alegrias e sonhos em uma realidade marcada pelo racismo, machismo e homofobia. Outro título local é o falso documentário Nada se Perde, de Renan Montenegro. O curta, feito com recursos do Fundo de Apoio à Cultura da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do DF, fala sobre o fictício Programa de Reaproveitamento Humano, uma solução inovadora, que transforma as almas de cidadãos falecidos do DF em materiais úteis para construir uma cidade melhor, como asfalto, lixeiras, muros e tinta branca.

A proposta curatorial da sessão no Cine Itapuã nasceu a partir da contemplação dos espaços vazios e do movimento de ocupação desses lugares. “O diálogo que se estabelece entre espaço ocupado e ocupante que é inerente a uma sessão na rua em frente a um cinema abandonado se reflete no diálogo que os filmes estabelecem entre si”, explica Alice.

Transporte

Para quem mora no Plano Piloto e região, e quer conferir a sessão, haverá um sistema de ônibus com saída às 19h, do estacionamento do Cine Brasília (106/107 Sul). Os interessados irão contribuir com uma passagem simbólica ao valor de R$ 10 (o trecho) ou R$ 15 (ida e volta). O transporte será feito com veículos de turismo para garantir o conforto dos passageiros cinéfilos. A reserva da passagem deve ser feita pelo link: https://forms.gle/WmpFE6rrkk15w5cx6.

Assista ao curta-documentário sobre a primeira sessão realizada pelo coletivo:

Serviço

Cinema no Olho da Rua
Data: Quinta-feira, 30 de maio, às 20h
Local: Cine Itapuã (Gama)
Transporte: saída do Cine Brasília, às 19h, com passagem R$ 10 (o trecho) ou R$ 15 (ida e volta). A reserva deve ser feita pelo link: https://forms.gle/WmpFE6rrkk15w5cx6.
Informações: @cinemanoolhodarua


Informou: Baú Comunicação Integrada 

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O Blog Gama Livre sugere a leitura de algumas postagens sobre o Centro Cultural Itapuã. Entenda mais sobre o espaço.

O Cine Itapuã e a democratização do cinema. Cine Itapuã já!!!

CINE HISTÓRICO? Centro Cultural Itapuã do Gama —Movimentos cobram e governo anuncia obras emergenciais no Cinema. Mas nada de começar

Distritais Luzia de Paula e Wasny apresentaram nesta quarta (21/11) emenda ao Projeto de LUOS (Lei de Usos e Ocupação do Solo) salvando o Centro Cultural Itapuã, no Gama, que por lei é Patrimônio Cultural Material do DF. A comunidade espera que os outros distritais aprovem a emenda

domingo, 11 de junho de 2023

CINE HISTÓRICO? Centro Cultural Itapuã do Gama —Movimentos cobram e governo anuncia obras emergenciais no Cinema. Mas nada de começar

Domingo, 11 de maio de 2023
Foto: Taciano / Arquivo Blog Gama Livre

Calma! Calma! Calma! Depois de uma porrada de promessas de governos anteriores e, também um monte de promessas do atual chefão do Buriti, o Centro Cultural Itapuã, o querido Cine Itapuã, no Gama, continua jogado ao abandono, ao descaso, a tudo de desprezo pelos governos do DF. Volta e meia recebe —o Cinema— a visita de enchedores de linguiça, e como são enchedores, melhor, enchedores de promessas. Vem secretário, vem os enviados deles, vem deputados e puxa-sacos mil, vem até governadores e sua corte. E nada de acontecer a reforma que o Cine Itapuã tanto precisa e a comunidade do Gama tanto merece. A reforma começará agora. Ops! Agora não. Daqui a pouco. Não, não, não começou há pouco. A reforma na realidade pipocou novamente. Sempre repetem que tá "faltando pequenos ajustes", "coisinha" boba para ter o início. E já se vão quase duas décadas de abandono, exatos 18 anos de abandono do nosso querido Cine Itapuã.

O que precisa esse pessoal todo, é tomar vergonha na cara e realizar de fato a reforma do Centro Cultural Itapuã.*

Agora, depois desse desabafo e relato sobre a via-crúcis do Cine Itapuã, leia uma matéria do Brasil de Fato sobre um outro Cine Histórico: 

CINE HISTÓRICO
Movimentos cobram e governo de Pernambuco anuncia obras emergenciais no Cinema São Luiz

Sala icônica do Recife está fechada há mais de um ano e artistas, parlamentares e coletivos pedem a reabertura

Afonso Bezerra
Brasil de Fato| Recife(PE) | 11 de Junho de 2023

Inaugurado em setembro de 1972, o Cinema São Luiz é uma das mais tradicionais salas de cinema de rua do Recife - Rebeca Martins

Artistas, parlamentares, coletivos de cultura e frequentadores se reuniram, neste sábado (10), no Recife, para promover um abraço simbólico no Cinema São Luiz. O objetivo da manifestação foi cobrar do governo do estado a reabertura do espaço. O ato contou com shows musicais, rodas de poesia, mostras fotográficas, projeções de filmes na fachada do prédio e intervenções políticas.

A sala, um dos equipamentos mais icônicos e históricos da cultura da cidade, está fechada há mais de um ano. O São Luiz é uma das últimas salas de cinema de rua na cidade e possui um valor afetivo para os recifenses.

"Foi um ato afetuoso, repleto de ternura e amor por um equipamento que oferece alimento para o coração e para a alma. Um protesto para chamar a atenção de que precisamos cuidar do que é nosso. O Cinema São Luiz é o coração cultural da cidade. Quantos de nós não temos maravilhosas lembranças nesse espaço? Cuidar, amar este espaço, significa reviver essas lembranças", contou a fonoaudióloga Nívea Penalva, uma das frequentadoras do cinema.

Diante da pressão dos coletivos e antes do ato, a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) anunciou que fechou contrato com a empresa que ficará responsável pela execução dos serviços no sistema de esgotamento do cinema. A obra terá um custo de R$ 106.308,53 e deve começar, segundo o governo do estado, na próxima semana.

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Cine Itapuã do Gama, por lei Patrimônio Cultural Material do DF, continua abandonado pelo governo de Brasília. Projeto de revitalização nunca passou de fita de ficção

Quinta, 12 de abril de 2018




Lei nº 5.616 de 2016, de iniciativa do distrital Wasny e Roure, e sancionada por Rodrigo Rollemberg em 26 de fevereiro do mesmo ano e publicada na página 02 do DODF de 29 de fevereiro de 2016, declara o Centro Cultural Itapuã 'Patrimônio Cultural e Material do Distrito Federal'.

Clique nas imagens abaixo para ampliá-las

Cópia em destaque do DODF


Se a fachada está assim, imagine você como se encontra a parte interna, principalmente o que um dia foi a sala de exibição. Ruína.


A cara dos governos de Brasília.


Não é cratera lunar, é a marquise do Cine Itapuã.


O grafiteiro terá representado nos 4 personagens deste mural a desgraça vivida já há um bom (bom ou péssimo?) tempo pelo Cine Itapuã? Personagem 1 — lágrimas de sangue pelo cinema; Personagem 2 — ouvidos tapados com as mãos para não escutar tantas promessas mentirosas, demagógicas, de governadores, deputados, administradores, o cacete a quatro; Personagem 3 — a boca vertendo sangue de tanta raiva dos políticos que tudo prometem e nada fazem pelo Cine Itapuã; e Personagem 4 — o rosto verde de decepção (ou seria de raiva?). 


Lágrimas de sangue pela desgraça a que foi condenado o velho, o querido, Cine Itapuã, o primeiro prédio de alvenaria construído na cidade.

Aqui jaz os restos do saudoso Cine Itapuã


A vida e a morte do Cine Itapuã:

Um filme de terror. Ou de tragédia

Cine Itapuã pode ser salvo

segunda-feira, 27 de maio de 2024

Cine Itapuã no Gama recebe sessão do projeto Cinema no Olho da Rua

Segunda, 27 de maio de 2024

À céu aberto, sessão de cinema gratuita alerta sobre a importância do espaço cultural


 Cine Itapuã no Gama recebe sessão do projeto Cinema no Olho da Rua. Foto: Mari Telles

Mais que promover uma simples programação cultural acessível, o trabalho do coletivo Cinema no Olho da Rua procura ressaltar a importância da sétima arte e alertar sobre como espaços públicos de exibições permanecem fechados. Depois de duas sessões bem-sucedidas que ocorreram enquanto o Cine Brasília (106/107 Sul) permanecia inacessível devido às obras, agora é o Cine Itapuã que será relembrado no próximo dia 30 de maio, às 20h, com uma sessão de curtas-metragens com entrada franca.

“O Cinema no Olho da Rua está se transformando em um coletivo pra pensar, discutir e cobrar políticas de difusão do cinema nacional. A gente não tem pretensão de fazer tudo sozinho, queremos agregar quem está nessa caminhada há mais tempo e quem está chegando agora”, explica Alice Godoy Lopes, integrante do coletivo.

“A gente vai ocupar o lado de fora do Cine Itapuã, um cinema fechado há 19 anos que nenhum de nós teve a oportunidade de frequentar. Um cinema vazio é só um prédio. É a luz do projetor que transforma o ferro e o concreto em possibilidades. Olhar pro Cine Itapuã e conversar com a comunidade de cinema, nos levou a pensar em todas as possibilidades perdidas”, completa.

O segundo cinema mais antigo do DF, inaugurado após o tradicional Cine Brasília, foi fechado em 2005 e, desde então, está abandonado. A sala tem capacidade para 500 pessoas e recebia apresentações teatrais e shows. Fundado em 1963, o cinema era referência na cidade de quase 150 mil habitantes, e que não possui outro espaço cinematográfico.

No ano passado, a Secretaria de Cultura e Economia Criativa informou que os Bombeiros aprovaram o projeto de reforma do Cine Itapuã e a próxima etapa é a elaboração do projeto básico para o processo licitatório para o início das obras.

Programação

Para a sessão no Cine Itapuã, o coletivo Cinema no Olho da Rua fez uma curadoria que inclui a animação Barra Nova, de Diego Maia, que se passa na praia do Nordeste Brasileiro. O curta Ramal, dirigido por Higor Gomes, fala sobre um grupo de jovens que se diverte sobre suas motocicletas na Vila Marzagão, que fica na periferia da cidade de Sabará em Minas Gerais. Outro título que será exibido é o curta-metragem de São Paulo, Lugar de Ladson, de Rogério Borges. O filme fala sobre Ladson, um jovem com baixa visão, de Rio Claro, interior de SP, que tenta marcar um encontro amoroso durante a pandemia.

Dois outros filmes representam a capital na sessão. O documentário Só Quem Tem Raiz, de Josianne Diniz, se passa no Gama e fala sobre três personagens que compartilham inseguranças, alegrias e sonhos em uma realidade marcada pelo racismo, machismo e homofobia. Outro título local é o falso documentário Nada se Perde, de Renan Montenegro. O curta, feito com recursos do Fundo de Apoio à Cultura da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do DF, fala sobre o fictício Programa de Reaproveitamento Humano, uma solução inovadora, que transforma as almas de cidadãos falecidos do DF em materiais úteis para construir uma cidade melhor, como asfalto, lixeiras, muros e tinta branca.

A proposta curatorial da sessão no Cine Itapuã nasceu a partir da contemplação dos espaços vazios e do movimento de ocupação desses lugares. “O diálogo que se estabelece entre espaço ocupado e ocupante que é inerente a uma sessão na rua em frente a um cinema abandonado se reflete no diálogo que os filmes estabelecem entre si”, explica Alice.

Transporte

Para quem mora no Plano Piloto e região, e quer conferir a sessão, haverá um sistema de ônibus com saída às 19h, do estacionamento do Cine Brasília (106/107 Sul). Os interessados irão contribuir com uma passagem simbólica ao valor de R$ 10 (o trecho) ou R$ 15 (ida e volta). O transporte será feito com veículos de turismo para garantir o conforto dos passageiros cinéfilos. A reserva da passagem deve ser feita pelo link: https://forms.gle/WmpFE6rrkk15w5cx6.

Assista ao curta-documentário sobre a primeira sessão realizada pelo coletivo:

Serviço

Cinema no Olho da Rua
Data: Quinta-feira, 30 de maio, às 20h
Local: Cine Itapuã (Gama)
Transporte: saída do Cine Brasília, às 19h, com passagem R$ 10 (o trecho) ou R$ 15 (ida e volta). A reserva deve ser feita pelo link: https://forms.gle/WmpFE6rrkk15w5cx6.
Informações: @cinemanoolhodarua


Informou: Baú Comunicação Integrada

terça-feira, 5 de novembro de 2019

O Cine Itapuã e a democratização do cinema. Cine Itapuã Já!!!

Terça, 5 de novembro de 2019
Foto de abril de 2018. Taciano, blog gamalivre.com.br

O CINE ITAPUÃ E A
DEMOCRATIZAÇÃO DO CINEMA

Por 
Juan Ricthelly
Esse final de semana foi a primeira etapa do ENEM, e o tema da redação foi: “Democratização do acesso ao cinema no Brasil”, temática que pode dialogar com a realidade de nossa amada cidade, que apesar de sua vocação para a cultura, segue carente de espaços para o florescimento das artes, tendo como uma das principais demandas da comunidade, a revitalização do saudoso Cine Itapuã.

O Gama quando idealizado pelo arquiteto Paulo Hungria, foi pensado como uma cidade moderna, setorizada, com abundância de áreas verdes, praças, espaços públicos, becos e vielas que facilitassem à locomoção de pedestres entres as quadras de formato hexagonal... Foi pensado para ser a cidade mais importante do DF, depois do Plano Piloto, estimando uma população de 100 mil habitantes logo de início, desse modo na proposta original da cidade, haviam dois cinemas, o Cine Amazonas no Setor Oeste e o Cine Itapuã no Setor Leste.

O primeiro é atualmente uma igreja evangélica, o segundo, o mausoléu do segundo espaço cultural mais antigo de Brasília, perdendo apenas para o Cine Brasília, foi fundado em 1963, tinha capacidade para 500 pessoas e foi palco para artistas renomados da Música Popular Brasileira, como Belchior, Oswaldo Montenegro e Paulinho Pedra Azul.

O Cine Itapuã é um templo à cultura em ruínas, que segue vivo na memória da população gamense, que conheceu a sétima arte por meio dele, fez amizades e amores por lá, viveu bons momentos e hoje sente nostalgia.

Por pouco não virou uma igreja evangélica, e isso graças à iniciativa heroica de um grupo de comerciantes, que comprou o espaço e doou à Administração Regional do Gama, desde então, o espaço foi definhando com o peso do tempo, até ser interditado em 2008.

Mas ainda tínhamos um cinema no Shopping do Gama, com duas salas é verdade, mas até isso se perdeu em meados dos anos 2000, obrigando os amantes do cinema a buscarem as telas do Plano Piloto e Taguatinga. 

Algum tempo depois, o Shopping Sul do Valparaíso, inaugurou um cinema, que reduziu a distância na busca por uma sala, e recentemente, o Santa Maria Shopping diminuiu mais ainda essa distância, com salas espaçosas e uma ótima estrutura.

A questão é que nós, seguimos órfãos de cinema em nossa cidade, uma cidade com quase 200 mil habitantes, não tem uma única sala de cinema, enquanto o Plano Piloto conta com 97 salas.

O Sistema Nacional de Informações e Indicadores Culturais (SNIIC), segundo dados de 2016, coloca o Distrito Federal em lugar de destaque, quando o assunto é cinema, indicando de forma equivocada que 100% da população do DF, mora numa cidade com cinema, como se muitas pessoas não tivessem que se descolar mais 30 km para ver um filme. O DF lidera ainda, na quantidade de salas para cada 100 mil habitantes, sendo 3, e 6 cadeiras para o mesmo indicador, mas nós que vivemos aqui, sabemos que a realidade está para além do demonstrado pelos números.

O Cine Itapuã, é uma demanda legítima de nossa comunidade, contribuiria para democratizar o acesso ao cinema, e estaria em sintonia com a vocação para o audiovisual de nossa cidade, não vamos esquecer que o Gama é a casa de cineastas respeitados e bastante ativos, como Walter Sarça, Rodrigo Brant, Tistá Filintro e o lendário Afonso Braza, cada um com seu estilo e temática favorita.

A cultura pulsa em cada esquina dessa cidade e clama por um templo à altura de sua grandeza! Cine Itapuã Já!

Juan Ricthelly

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Distritais Luzia de Paula e Wasny apresentaram nesta quarta (21/11) emenda ao Projeto de LUOS (Lei de Usos e Ocupação do Solo) salvando o Centro Cultural Itapuã, no Gama, que por lei é Patrimônio Cultural Material do DF. A comunidade espera que os outros distritais aprovem a emenda

Quinta, 22 de novembro de 2018
Arquivo: Blog Gama Livre



Orquestra Sinfônica de Brasília no Cine Itapuã. Bons tempos!


EMENDA (ADITIVA) Nº 42, DE 2018 — CAF
(Dos Deputados LUZIA DE PAULA e WASNY DE ROURE)
Ao Projeto de Lei Complementar nº 132, de 2017, que "Aprova a Lei de Uso e Ocupação do Solo do Distrito Federal — LUOS, nos termos dos arts. 316 e 318 da Lei Orgânica do Distrito Federal, e dá outras providências."


Acrescente-se  onde  couber  o  seguinte  artigo  ao  Projeto  de  Lei  Complementar no 132/2017:


Art.   (....)  Ficam  mantidos  os  parâmetross  de  ocupação do   solo  da  Região Administrativa do Gama  - RA II, previstos na Lei Complementar nº 728, de 18 de agosto de 2006,  referente ·ao imóvel localizado no Setor Leste, Praça  1,  Lote 1 (cinema), em obediência ao disposto na Lei 5.616, de 26 de fevereiro de 2016.


 Justificação


Inaugurado  em  28 de março de 1961,  o Cine ltapoã  do Gama, então de propriedade  da  Empresa Cinematográfica  Paulo Sá  Pinto,  representou  durante décadas a maior opcção  de lazer e entretenimento  para a sociedade gamense. 0 cinema funcionou sob o comando da mencionada empresa até 1986, ano em que foi adquirido pelo Governo do Distrito Federal, que, inclusive, criou uma linha de crédito no Banco de Brasilia S/A (BRB) assegurando que os lojistas instalados nas laterais do prédio pudessem comprar as lojas ali existentes e nelas continuar desenvolvendo suas atividades comerciais.
Deve ser  ressaltado que  naquele ano  de  1986  o  Cine ltapoã  esteve na eminência de ser vendido para as antigas Casas da Banha, mas, graças ao trabalho de mobilização da sociedade gamense coordenado pelo Cineclube Porta Aberta, o espaço  continuou  destinado  à arte, vindo em  1988  a  ser  reinaugurado sob  a administração do  referido cineclube, que,  por  sua  vez,  mudou  radicalmente a programação cinematográfica, pois 0 cinema, em franca decadência, só exibia aquela época filmes pornôs. A entidade passou a exibir no espaço filmes de arte, inclusive a programação do Festival de Brasilia do Cinema Brasileiro, do qual foi coprodutor no mesmo ano, qual seja de 1988. 
            
No Cineclube Porta Aberta  (Cine Itapoã) foram lançados inúmero filmes nacionais, como: Jorge, um Brasileiro; Terra para Rose, Feliz Ano Velho; A Marvada Carne; Os Sermões de Padre Vieira;  além de vários curtas e médias metragens; das obras do falecido bombeiro/cineasta, Afonso Brazza; e do polêmico filme Je Vous Salue Marie,de Jean-Luc Godard.
Vários casais, que hoje são avós, se conheceram no Cine Itapoã, ou seja, diversos amores tiveram início no "escurinho daquele cinema". Inúmeras crianças conheceram a sétima arte pela primeira vez no referido cinema, tanto nos tempos antigos como sob a administração do Cineclube Porta Aberta, o que faz provar o valor afetivo que aquele espaço cultural tem para o Gama e sua comunidade.
Quanto ao aspecto arquitetônico deve-se dizer que a tecnologia adotada na estrutura do cinema era revolucionaria para aqueles inícios dos anos 60. A empresa proprietária do Cine Itapoã não economizou na sua construção, mesmo porque o seu proprietário era urn homem refinado, culto, elegante, andava sempre bern trajado, falava várias línguas. Paulo Sá Pinto sempre foi líder da cinematografia nos tempos em que o cinema era o melhor negócio. E ele soube fazê-lo. Foi ele, diga-se nesta oportunidade,  o  primeiro  a  exibir  cinemascope no  Brasil,  lançando  "O Manto Sagrado" no Cine República (onde instalou a maior tela de cinema do mundo), em 22 de fevereiro de 1954, quando comemorava seus 42 anos e Sao Paulo sediava urn festival internacional de cinema dentro das comemorações de seu 4º centenário.
A citação contida no parágrafo anterior poderia ser considera desnecessária, mas não é, tendo  em  vista comprovar que  o Cine Itapoã  não foi edificado por nenhum aventureiro, mas sim por um dos mais respeitados empresários do ramo cinematográfico do Brasil, cujo grupo do qual era dono começou a ruir a partir de sua morte, em 1991, vítima de insuficiência respiratória, ocasionada por um câncer no pulmão.
O histórico cine Itapoã, que também sediou o Cineclube Porta Aberta, veio a se transformar  mais recentemente  no Centro Cultural Itapoã,  e, apesar de não contar mais com a efervescência de anos passados, ainda assim serve  a produção vários eventos artísticos/culturais, e por isso merece ser preservado e reformado para atender melhor a comunidade do Gama.
Com relação a preservação do espaço e da história do Cine Itapoã, foi apresentado nesta Casa Legislativa o Projeto de Lei nº 593/2015, de autoria do nobre Deputado Wasny de Roure, que após aprovado e sancionado foi convertido na Lei n0 5.616, de 26 de fevereiro de 2016, que "Declara o Centro Cultural Itapuã, na Região Administrativa do Gama — RA II, patrimônio cultural material do Distrito Federal", ou seja, não pode o GDF por meio do PLUOS propor a desconstrução da referida norma, a qual reputamos de grande relevância para a arte e a cultura no Distrito Federal, especialmente para a arte cinematográfica.
A exemplo do que propomos, citamos o que ocorreu com o Cine Drive-in de Brasilia, que teve a sua declaração de patrimônio cultural determinada pela Lei 6.055,  de  22  de  dezembro  de  2017,  que  teve  origem  no  Projeto  de  Lei  n° 1.608/2013, de autoria da Deputada Luzia de Paula. Há que se observar que a Lei Complementar n° 946, de 11 de setembro de 2018, que "Estabelece parâmetros de uso e ocupação para o Setor de Recreação Pública Norte — CRPN da Região Administrativa do Plano Piloto — RA I e dá outras providencias." cuidou de preservar o mencionado Drive-in, para tanto basta que se observe o seu art. 8°, que assim prescreve: “E vedada a altera ao Cine Drive-in de Brasflia, declarado patrimônio cultural do Distrito Federal por meio da Lei n° 6.055, de 22 de dezembro de 2017.".
Assim sendo, pugnamos pela aprovação da emenda em questão, a qual não tem outro fim que não seja o de preservar um espaço cultural para a comunidade do Gama e do Distrito Federal como um todo.

Sala das Comissões, em.............................

Deputada Luzia de Paula    Deputado Wasny de Roure
            Autora                                Autor















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