Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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terça-feira, 24 de setembro de 2024

HISTÓRIA DO ANIVERSÁRIO DO GAMA (1980-1989). A transição de uma festa popular local para uma grande festa regional

Terça, 24 de setembro de 2024

Juan Ricthelly Vieira da Silva

HISTÓRIA DO ANIVERSÁRIO DO GAMA (1980-1989)


A transição de uma festa popular local para uma grande festa regional





Por Juan Ricthelly

Algo visível até essa altura da nossa história é a participação da comunidade na organização da festa de aniversário do Gama, como se pode verificar no Correio Braziliense do dia 27 agosto de 1980:

Prosseguem os contatos entre a Administração Regional e as lideranças comunitárias, visando festejar o aniversário da cidade de acordo com os anseios da comunidade. Segundo o Administrador Walmir Campelo Bezerra. “por isso é que a própria comunidade está elaborando o calendário das festividades, que se iniciarão no dia 12 de outubro e se estenderão por uma semana, quando diversas obras públicas serão entregues pelo governador Lamaison à cidade, além de outros eventos comemorativos.”

Ao longo do texto é possível verificar com base em relatos de matérias jornalísticas da época, que embora houvesse um caráter privado na FAGAMA, representado pelos empresários, comerciantes e produtores rurais, ela havia adquirido um viés comunitário e popular, se misturando com as melhorias levadas pelo Governo aos moradores.

Aqui acho importante mencionar um personagem fundamental na história não só do aniversário da nossa cidade, mas da história geral do Gama, em razão do seu protagonismo como produtor cultural que ultrapassou às fronteiras do Gama, fazendo com que outras comunidades desejassem ter uma festa parecida com a nossa.

O mineiro de nascimento e gamense de coração Geraldinho Gonçalves merece um lugar de destaque na nossa história, em razão disso optei por tratar dele em um texto a parte que comecei a escrever, por hora vou me ater mais aos fatos históricos, que são públicos e registrados que às pessoas.

Os anos 80 seriam marcantes para o Brasil e para o Gama, mudanças importantes aconteceriam na política, na economia e na sociedade, que teriam impacto na nossa cidade e consequentemente na nossa festa de aniversário.


DÉCADA DE 80


VIII FAGAMA (1980)

O Gama iria completar 20 anos, como de costume a programação cultural havia sido elaborada numa parceria entre a comunidade e Administração Regional. Uma inovação era a central de rádio amador que manteria contato com outras rádios do Brasil, transmitindo os acontecimentos.

O stand da Associação Comercial e Industrial do Gama (ACIG) na FAGAMA homenagearia o Governador com uma exposição fotográfica sobre as principais indústrias e comércio da cidade.

Uma das atrações mais esperadas era a barraca da Administração Regional que sempre oferecia novidades que chamavam a atenção dos presentes, com uma frequência diária de aproximadamente 5 mil pessoas.

Naquela edição o stand teria dados informativos sobre a cidade e um painel luminoso com interruptores que respondiam perguntas como: a data para se apresentar ao exército, as datas de vacinação e os tipos a serem tomadas, totalizando 32 indagações e suas respectivas respostas.

Havia ainda uma fonte d’água luminosa e uma homenagem ao DETRAN com informações sobre as sinalizações e obrigações no trânsito e espaço para os estudantes do SENAI apresentarem suas confecções.

O Administrador não perdia a oportunidade ressaltar o caráter comunitário da FAGAMA, dizendo naquela ocasião:

“A FAGAMA tem a finalidade de integrar a comunidade durante uma semana numa praça pública, melhorando o relacionamento do dia a dia entre as famílias e amigos.”

As festividades teriam início na madrugada do dia 12 de outubro às 5h da manhã com uma ALVORADA FESTIVA, que consistia num cortejo com carro de som pelas ruas da cidade com fogos de artifício e falas anunciando o aniversário.

Às 7h da manhã teve a missa de inauguração da IGREJA NOSSA SENHORA APARECIDA celebrada pelo Arcebispo Dom Geraldo Espírito Santo D’Ávila no Setor Oeste.

Em seguida o Governador Aime Lamaison foi recepcionado por 10 mil crianças. E às 9h30 aconteceu um dos momentos mais esperados, a abertura da VIII Feira de Amostra do Gama – FAGAMA que costumava durar uma semana após as solenidades oficiais.

Houve o IV FESTIVAL DE CHOPP do Lions Club do Gama em sua sede que estava em construção.

As inaugurações de obras públicas naquele ano, que costumavam ocorrer como um presente do Governo à cidade, foram a segunda etapa da Rodoviária do Gama, o Parque de Serviços da Administração Regional no Setor de Indústrias, a Praça de Esportes e Recreação do Setor Sul na Quadra 5 que recebeu o nome do músico Waldir Azevedo e o Centro de Formação Profissional do SENAI.

Praça em homenagem ao cantor Waldir Azevedo foi construída na Quadra 5 do Setor Sul

Como atração esportiva havia a expectativa de um jogo amistoso entre Gama e Vasco que não se concretizou em razão da agenda do clube carioca. No lugar houve a disputa do Troféu Governador Aime Lamaison – GAMA 20 ANOS entre Gama e Anápolis

O Estádio Municipal do Gama já havia adquirido o apelido de “Bezerrão”, contou uma apresentação de aeromodelismo com show especial do campeão brasileiro Comandante Atílio que representaria o Brasil no torneio Sul-Americano no Chile e a participação de 20 representantes de São Paulo, Bauru, Goiânia, Anápolis e Brasília.

A noite foi aberta com um show artístico na FAGAMA que acontecia Praça da Administração Regional com destaque para os músicos João Só e Claudio Fontana, seguido da semifinal do II FESTIVAL DE MÚSICA POPULAR DO GAMA (FMPG) no auditório do Colégio do Gama (CG).



As festividades ocorreram ao longo da semana até o dia 19 de outubro contando com shows na FAGAMA, no Ginásio Coberto do Gama aconteceram o torneio de futebol de salão PERNA DE PAU e a Feira de Arte e Ciências com participação de estudantes da cidade.

Cabe mencionar o Recital de Violão regido pelo Professor de Música José Edson de Souza Lima no auditório Administração Regional, morador da cidade há 19 anos, o recital foi dividido em duas partes, a primeira sendo dedicada à Música Popular Brasileira com peças de Pixinguinha, Dilermando Reis, E. Souto, João Pernambuco e J. Canhoto. A segunda parte com música clássica e erudita de Sávio, N. Coste, A. Barros e outros.

terça-feira, 20 de setembro de 2022

🤔QUEM É JUAN RICTHELLY?

Terça, 20 de setembro dc 2022
https://www.instagram.com/tv/Cir9PLlr_wI/?igshid=NjQxMzA2Mjk%3D

🤔QUEM É JUAN RICTHELLY?

Tenho 31 anos, sou morador da VILA RORIZ no GAMA, cidade com a qual tenho uma relação de amor e afeto, pois aqui nasci, cresci e pude me formar como ser humano, rodeado de pessoas que em sua simplicidade me ensinaram valores e princípios que sempre levarei comigo por onde for.

Acredito na renovação não somente de pessoas, mas também de ideias como um caminho possível, pois pessoas novas na política com ideias velhas, são apenas essas mesmas ideias vestindo outros corpos, e isso não é renovação.

Federação: PSOL-REDE 

CNPJ: 47.392.054/0001-03

🌻JUAN RICTHELLY✊🏾

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Você sabe quem é o administrador da sua cidade? Pergunta Juan Ricthelly, gamense e candidato a deputado distrital

 Terça, 20 de setembro de 2022

🤔VOCÊ SABE QUEM É O ADMINISTRADOR DA SUA CIDADE?

Nós defendemos a participação popular no processo de escolha dos Administradores Regionais, pois acreditamos que a comunidade merece ser representada por um de seus, uma pessoa que vive aquela realidade e conhece os seus problemas.

Chega dessa dinâmica política onde as Administrações Regionais são moeda de troca entre o Governador e algum Deputado, comprando apoio na CLDF e transformando um órgão que deveria servir à comunidade em extensão de gabinetes parlamentares.

Quando um deputado vira o “dono” de uma Administração Regional, normalmente a aparelha com seus apoiadores em cargos comissionados, priorizando a execução de emendas do seu deputado e impedindo a execução de recursos de outros deputados que poderia melhorar a vida da comunidade.

Queremos o povo participando desse processo!

JUAN RICTHELLY

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Federação: PSOL-REDE

CNPJ: 47.392.054/0001-03 

#GamaDF #SantaMariaDF #NovoGamaGO #ValparaísoGO #Ecossocialismo #MeioAmbiente #Cultura #DistritoFederal

https://www.instagram.com/tv/CiuuFzpLy4y/?igshid=NjQxMzA2Mjk=

quinta-feira, 8 de setembro de 2022

🌳DIA DO CERRADO NA CACHOEIRA

Quinta, 8 de setembro de 2022


🌳DIA DO CERRADO NA CACHOEIRA

🗓️11 de Setembro (Domingo)

🕘9h

📍Quadra de Esportes da Vila Roriz, no Setor Oeste do Gama, DF.

O Cerrado é a maior região de savana da América do Sul e ocupa uma área de 2.060.000 km², totalizando 24% do território brasileiro, estando totalmente presente nos estados de Goiás, Distrito Federal e Tocantins, e parcialmente nos estados da Bahia, Ceará, Piauí, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo e Rondônia, também ocorrendo em área disjuntas nos estados do Amapá, Roraima e Amazonas, sendo uma área maior que o México, a África do Sul e a Colômbia, se o Cerrado fosse um país, seria o 13º maior do mundo em superfície.

Lamentavelmente já teve 50% da sua vegetação nativa devastada, em grande parte pelo agronegócio, e é um bioma inexistente no debate político nacional, não é mencionado nominalmente na Constituição Federal e tampouco pelas grandes candidaturas.

Dia 11 de Setembro é o dia do Cerrado, e gostaríamos de te convidar para um bate papo sobre a questão hídrica, ecoturismo, meio ambiente e ecossocialismo na Cachoeira da Loca no Gama, num dos nossos monumentos cerratenses mais lindos!

JUAN RICTHELLY
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#GamaDF #SantaMariaDF #NovoGamaGO #ValparaísoGO #Cerrado #MeioAmbiente #Ecossocialismo

quinta-feira, 30 de junho de 2022

FALTA DE INFRAESTRUTURA NÃO SE RESOLVE COM A CRIAÇÃO DE UMA REGIÃO ADMINISTRATIVA

Quinta, 30 de junho de 2022

Por Juan Ricthelly

FALTA DE INFRAESTRUTURA NÃO SE RESOLVE COM A CRIAÇÃO DE UMA RA

Audiência Pública sobre criação da Região Administrativa da Ponte Alta é marcada por demandas de infraestrutura no local

Por Juan Ricthelly

Em 2022 o Gama completa 62 anos, e fazer um exercício de reflexão histórica que nos leve às origens de nossa amada cidade é fundamental para que possamos analisar o debate em objeto nesse texto.

Para a nossa sorte, temos um material com fonte histórica segura sobre isso, e é o Correio Braziliense do dia 9 de Outubro de 1960, que pedimos licença para reproduzir o texto na íntegra, bem como algumas imagens:

domingo, 5 de junho de 2022

Dia Mundial do Meio Ambiente

Domingo, 5 de junho de 2022

Juan Ricthelly
Em 1972, durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, em Estocolmo, a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu o Dia Mundial do Meio Ambiente, que passou a ser comemorado todo dia 05 de junho. Essa data, que foi escolhida para coincidir com a data de realização dessa conferência, tem como objetivo principal chamar a atenção de todas as esferas da população para os problemas ambientais e para a importância da preservação dos recursos naturais, que até então eram considerados, por muitos, inesgotáveis.

O Distrito Federal está inserido geograficamente no bioma Cerrado, que já teve 50% de sua vegetação destruída e é o berço de três bacias hidrográficas (Tocantins/Araguaia, Paraná e São Francisco) importantes para o país e para o continente.

É necessário que criemos políticas públicas, e promovamos debates, no sentido de buscar harmonizar a convivência humana e suas necessidades básicas com o imperativo de preservar a Natureza e os seus limites biológicos.

O Ecossocialismo tem a compreensão de que o capitalismo é maior responsável pela destruição do meio ambiente, e que essa lógica pautada na ideia de crescimento econômico infinito num planeta com limites físicos é uma ameaça à vida em todos os seus aspectos.

Ecossocialismo ou extinção!

terça-feira, 1 de março de 2022

UM GAMENSE NA CÂMARA FEDERAL?

Terça, 1º de março de 2022


Líder comunitário do Gama se lança como pré-candidato à deputado federal
Da redação do Gama Cidadão 1 de março de março

2022 é ano eleitoral, onde a população terá a oportunidade de eleger seus deputados estaduais, distritais e federais, senadores, governadores e presidente da república. Embora a eleição seja somente em outubro, o debate político segue fervilhando, seja pelos temas que sempre surgem ou pelas pré-candidaturas que começam a se lançar.

E os perfis das candidaturas são bem diversos, indo de representantes de categorias profissionais, movimentos sociais, empresários, líderes religiosos e comunitários, dentro dos vários partidos que existem e seus espectros ideológicos.

Umas das novidades dessa eleição são as mudanças relativas às listas de candidatos dos partidos ou federações, agora a lista deve levar em consideração a quantidade de cadeiras em disputa somando-se mais um, de modo que, para a realidade do DF, as listas para deputados distritais deverão ter no máximo 25 candidaturas e para deputados federais 9 candidaturas.

E é nesse cenário que Juan Ricthelly, 31 anos, advogado, servidor público e líder comunitário gamense se lança como pré-candidato à deputado federal pelo PSOL, em entrevista ao Gama Cidadão tivemos a oportunidade de conversar sobre esse desafio, as lutas da cidade, a conjuntura local e as razões dessa escolha política.

Gama Cidadão: Você é uma liderança comunitária bastante identificada com o Gama e suas questões. Teria como falar um pouco dessa relação e como começou esse envolvimento com as questões da comunidade?

Juan Ricthelly: Eu nasci no Hospital Regional do Gama, estudei numa das primeiras turmas do CAIC Carlos Castello Branco, que hoje está passando por uma reconstrução, na Escola Classe 28 que é na Vila Roriz, na parte da cidade onde morei a maior parte da minha vida, no CEF 10, no CEM 02… Aqui eu construí a minha vida, tenho amigos do Jardim de Infância, amizades de 20 anos, pessoas que me viram nascer, crescer, constituir e uma família, costumo dizer que aqui é o meu lugar no mundo, já viajei por alguns países, quero viajar muito mais, mas o Gama é para onde sempre eu quero voltar depois de uma viagem longa, aqui é o meu lar, é o único lugar no mundo onde eu posso ter esse sentimento de pertencimento, onde faço parte de uma comunidade.

Então eu posso dizer tranquilamente que essa relação e envolvimento com o Gama fazem parte de mim e do que eu sou como ser humano, embora o meu envolvimento mais ativo com as questões políticas e comunitárias tenha começado bem depois.

GC: Teria como falar um pouco mais sobre esse ponto? Onde e como exatamente você começou a atuar como uma liderança comunitária?

JR: Acredita que o meu filho de 6 anos e meio que me fez essa pergunta esses dias?

Ele perguntou:

“Pai, como é que uma pessoa vira um líder comunitário?”

E aquela pergunta me gerou uma reflexão sobre isso e um monte de memórias vieram como consequência.

Mas de forma bem objetiva, comecei a atuar em 2014, ainda estava na faculdade estudando Direito, quando uma amiga que estudou comigo no ensino médio, me convidou para ajudar com uma iniciativa relacionada às mudanças e transtornos que foram causados pela implantação do BRT aqui no Gama, o início daquilo foi um caos e deixou muita gente irritada, então começamos a reunir pessoas e criamos o Gama em Movimento.

Pedimos uma reunião com a Administração Regional e solicitamos uma reunião entre a comunidade e os responsáveis por aquela mudança, na época o administrador era o Adauto. Fizeram uma ponte com o DFTRANS que na época era comandado pelo Jair Tedeschi, e marcamos uma reunião no auditório do CILG.

Nós fizemos um cartaz em A4, tiramos várias cópias e saímos pregando em todos os pontos de ônibus do Gama, no dia da reunião tinha umas 115 pessoas da comunidade, e foi onde ouvi falar pela primeira vez do Fórum Comunitário e de Entidades do Gama e do portal Gama Cidadão que estava cobrindo o evento.

Depois chamamos outra reunião, com o tempo a pauta foi perdendo força e aquele grupo do Gama em Movimento se desarticulou. Mas uma vitória concreta que tivemos foi a volta da linha de ônibus pra UnB na época, e criamos esse ambiente de diálogo entre a comunidade e o poder público.

Ainda tenho contato e amizade com praticamente todo mundo, mas posso dizer que foi aí que tudo começou.

GC: Quando o Gama em Movimento se desarticulou você perdeu aquele núcleo de atuação vinculado à pauta de mobilidade. Depois disso, pra onde você foi?

JR: Eu fiquei à deriva, já que eu não conhecia ninguém desse circuito de lideranças comunitárias, mas depois do Gama em Movimento fui convidado para fazer parte do Atitude no AR, um programa da Rádio Comunidade que funciona lá na Igreja de Nossa Senhora Aparecida.

Fomos entrevistados como Gama em Movimento, lá conheci o Adriano Couto que é meu amigo até hoje e trabalhamos juntos por algum tempo nesse programa de rádio, e isso me ajudou a conhecer pessoas.

Outro rumo que tomei foi em relação a pauta do meio ambiente, e comecei nisso de uma forma inusitada. Estava passando um dia pela feira e vi uns tratores preparando o terreno para a construção de um estacionamento, larguei o que estava fazendo, arranquei os piquetes e comecei a carregar pedras junto com um pessoal em situação de rua, formando no chão a frase “O PARQUE É NOSSO!”, com as pedras e cal para destacar.

Tirei umas fotos, escrevi um texto criticando mais aquela perda do Parque Ecológico do Gama e aquilo repercutiu, me fazendo chegar em lideranças comunitárias históricas que já atuavam naquela luta há décadas, como o presidente do Conselho Comunitário do Setor Norte do Gama, Alex Ribeiro, e a partir daí, acho que comecei a entrar no circuito de lideranças comunitárias.

Depois criei o Gama Verde, que é uma ONG não formalizada, voltada para o debate ambiental do Gama, onde mapeamos cachoeiras, trilhas e locais com potencial pró ecoturismo, oferecemos palestras em escolas para alunos, pais e professores, apoio técnico e informação para a comunidade em audiências públicas, ativismo judicial em defesa do meio ambiente, passeios eco turísticos comunitários, plantio de mudas, limpeza de leitos de rios, córregos e nascentes…

E com o tempo me aproximei do Fórum Comunitário e de Entidades do Gama e as coisas foram acontecendo.

GC: Você foi candidato a deputado distrital em 2018, fez uma campanha com um forte viés ecológico e com foco nas questões do Gama. Agora se lança como pré-candidato a deputado federal, quais as razões dessa escolha? E como você vai fazer para furar essa bolha?

JR: Ser candidato naquela ocasião foi uma experiência muito intensa, que me trouxe alguns aprendizados, doloridos até, mas também alguma maturidade política.

Fazer uma campanha eleitoral sem recursos, sem experiência, sem alguém experiente do lado para orientar e ajudar, só com a cara, a coragem, os sonhos e a vontade de mudar o mundo… É lindo na teoria, na prática a realidade é mais dura.

A minha equipe de campanha éramos eu e dois amigos de escola, um pai desempregado com quatro filhas que morava em Santo Antônio do Descoberto, uma mãe solo negra e desempregada da Santa Maria, sou muito grato à eles, chego a chorar quando penso nisso, nós fizemos o melhor que podíamos dentro das nossas limitações financeiras, físicas e políticas, e por mais que não tenhamos sido eleitos, acho que foi uma boa campanha.

Hoje a conjuntura do país e do mundo é outra, eu também sou outra pessoa, que aprendeu muitas coisas e seguramente tem tantas outras para aprender, e acredito que o momento nos exige ousadia e coragem, dentro disso, uma candidatura a federal me possibilita pautar questões que eu não conseguiria como distrital.

A última vez que o Gama elegeu um federal foi o Agnelo Queiroz em 1995, quando ele morava na cidade, trabalhava como médico no HRG e fazia parte da vida política local. O Gama é uma cidade importante para essa região sul do DF e do Entorno, parte considerável da população dos municípios recorre aos equipamentos e serviços públicos daqui, trabalha do lado de cá dessa fronteira imaginária, compartilha e sofrem de problemas semelhantes aos nossos, votam aqui no DF embora vivam lá, e acho que a construção de uma pré-candidatura que faça esse diálogo e essa conexão, tem o potencial de furar essa bolha, uma parte considerável do eleitorado do Distrito Federal não mora aqui. E eu quero dialogar com essas pessoas.

GC: Hoje a Administração Regional do Gama é controlada pelo Deputado Daniel Donizet e seu grupo político, você fez duras críticas ao deputado, a administração e sua gestão. Como você explica esse antagonismo com o deputado e seu projeto político pra cidade?

JR: Que pergunta! Mas vamos lá! Não sei nem por onde começar… (Risos)

Esse é um ponto com algumas questões que precisam ser abordadas e vamos começar primeiramente pela questão do respeito, acho que esse é um aspecto fundamental em qualquer âmbito da vida, principalmente quando estamos tratando de questões comunitárias, podemos não concordar em algumas coisas, mas o respeito é fundamental, ainda mais numa cidade como o Gama, onde todo mundo se conhece, a gente se esbarra na padaria, nos botecos, na feira, nas audiências públicas…

E a forma como o deputado chegou na cidade foi extremamente desrespeitosa, naquele episódio lamentável de puro destempero emocional, onde foi extremamente estúpido com a então administradora Juliana Navarro, que foi presidente da OAB Gama e Santa Maria.

E essa postura infelizmente reflete em como alguns de seus assessores atuam na cidade, é tanto que ninguém gosta deles, os caras conseguem unir a esquerda e à direita da cidade num ranço geral contra eles, por não respeitarem as pessoas e o trabalho delas como lideranças, são agressivos, se apropriam do trabalho alheio como se fosse deles, e isso é uma postura horrorosa. Basta ver o que estão fazendo agora com a Professora Maria Antônia, chega a ser criminoso.

Agora sobre o deputado em si, é uma pessoa que não tem vínculo de construção de trabalho junto à comunidade anterior à sua eleição, dos 9 mil votos que ele teve, só uns 400 vieram do Gama, não foi a nossa comunidade que o elegeu!

Mas aí, ele resolveu se autoproclamar o deputado da cidade, reivindicar a Administração Regional do Gama para si, e por um motivo bem simples. Ele se elegeu surfando na onda bolsonarista, era do PRP, foi pro PSL, depois pro PSDB e agora está no PL, o cara teve uma média de um partido por ano desde que se elegeu, é um sommelier de legenda partidária.

E como se elegeu surfando nessa onda, não tem base eleitoral sólida, então essa reivindicação da Administração Regional do Gama, essa tentativa artificial de colar a imagem dele como alguém da cidade, de se apropriar do trabalho e das lutas históricas da comunidade como uma conquista pessoal dele, faz parte dessa tentativa desesperada de ter essa base vinculada ao Gama e aos donos de gatos e cachorros.

E para além dessas questões ainda tem o elemento de cooptação de lideranças comunitárias legítimas, de meios de comunicação comunitários, como o Notícias do Gama que está nitidamente com ele, o grupo Nós que Amamos o Gama no Facebook, de instituições por meio de pessoas como a Coordenação Regional de Ensino do Gama.

Ele é um alienígena, não faz parte da comunidade, não é um deputado da cidade, ao contrário da Jacqueline Silva, que tem uma história com a Santa Maria por exemplo.

E por não ser alguém da cidade e da comunidade, ele não compreende algumas questões dessa comunidade, basta ver a postura dele em relação ao Posto 8 quando surgiu aquela ideia absurda de transformar o posto em estacionamento do Santa Lúcia, a ideia repercutiu mal na comunidade e ele teve que recuar.

Espero de coração que ele seja derrotado nesta eleição.

GC: Recentemente você fez uma publicação no Twitter, que republicou em suas outras redes sobre a condição da Professora Maria Antônia como legítima representante do Gama na CLDF, numa clara provocação ao deputado Daniel Donizet. No passado você teve alguns atritos com a Profª Maria Antônia, e agora faz essa sinalização de reconhecimento, como você explica isso?

JR: É um fato que tive as minhas diferenças com a Professora, em audiências públicas, reuniões e até cheguei a embargar uma obra pública na gestão dela como administradora regional do Gama, por meio de uma Ação Popular, mas eu nunca a desrespeitei como pessoa e sempre a reconheci como uma lideranças comunitária legítima em razão de todo o trabalho que ela desenvolveu na cidade ao longo de sua vida. É alguém que tem uma história com a nossa cidade, que podemos até discordar em um ponto ou outro, mas no fim acredito que ambos queremos o melhor para a nossa comunidade, e sim, ela pode dizer que é uma deputada do Gama, é verdade.

GC: Você fez uma menção ao Fórum Comunitário e de Entidades do Gama, que teve um protagonismo importante durante a questão do Posto 8 e vez ou outra surge como um ator social e político relevante nos debates da comunidade. Qual o papel do Fórum hoje na política da nossa cidade?

JR: O Fórum já tem mais de 10 anos de atuação, e é um espaço onde as principais lideranças comunitárias já passaram, pessoas de diversos seguimentos e até ideologias, e é na minha opinião um patrimônio da nossa comunidade.

Não tem um CNPJ, não tem um estatuto ou regimento, e ainda assim funciona aos trancos e barrancos há mais de uma década, não é um espaço formal e funciona com base em regras que foram estabelecidas lá atrás pelos fundadores, com pequenas variações.

Mas ainda assim, consegue articular a comunidade em torno de pautas comuns como saúde, meio ambiente, cultura… Se não fosse o Fórum, o Posto de Saúde 8, que hoje o autoproclamado deputado do Gama faz alarde como se fosse uma conquista dele, teria virado estacionamento do Hospital Santa Lúcia.

E aquele protagonismo do Fórum incomodou ele e os seus assessores, que naquela ocasião fizeram de tudo para sabotar o Fórum, e infelizmente foram bem-sucedidos nisso, no passado por exemplo, teve uma plenária em Janeiro, depois uma com a OAB Gama e Santa Maria sobre a ideia absurda de retirar a Vara de Trabalho do Gama e mudar pra Taguatinga, depois disso o Fórum parou, e nessa reunião de Janeiro de 2021, o deputado teve a audácia de aparecer na plenária do Fórum e dar mais uma demonstração de seu já conhecido destempero emocional.

Tem algum tempo que estou no Fórum, já estive na Mesa Mediadora por diversas vezes, e agora voltei, está um pouco difícil pegar ritmo, já que o Fórum ficou quase um ano parado, mas nós vamos conseguir, ainda mais num ano tão decisivo como esse.

O Fórum já organizou atos, protestos, debates e é um espaço com muito potencial, que já fez muito por nossa comunidade e ainda vai fazer muito mais. O papel do Fórum é o de unir as lideranças comunitárias, dialogar com os movimentos sociais, a mídia alternativa local que cumpre um papel importantíssimo e o Estado.

GC: Já temos vários candidatos da cidade em pré-campanha, ao que tudo indica teremos a Profª Maria Antônia de volta ao jogo, o deputado Daniel Donizet tentando colher politicamente o trabalho que tentou fazer por aqui… Como você acha que vai ser a eleição aqui no Gama?

JR: Para federal até agora eu não sei de ninguém daqui, só a minha pré-candidatura até o momento, na última tivemos o meu amigo Roberto Tim, a minha amiga de infância Géssyca Alves e uma multidão de distritais da comunidade como o meu amigo Ailton Miranda, o Alexandre Tota, o Professor Edgard, a Professora Maria Antônia, o Allan Freire e outros que não me recordo agora.

Agora para distrital já temos esses dois que você mencionou, o autoproclamado, também conhecido como coveiro de CPI e a Professora Maria Antônia, que acho que vai vir forte. Tem a minha amiga Professora Flávia que é uma ambientalista que eu respeito muito e vai fazer um debate interessante sobre educação e meio ambiente, o Allan que saiu recentemente do NOVO e deve ir para o União Brasil, já que ele está enfatizando tanto essa palavra nos pronunciamentos dele, o Ailton Miranda que sempre consegue fazer uma boa votação, não sei se o Tota vem, mas faz um trabalho muito bonito e teve muitos votos na última, e também não sei se a Thabata vem.

Na Santa Maria a Jaqueline Silva vai estar muito forte, embora tenha um rival poderoso que disputa a mesma base, que o Daniel Radar, um cara que eu admiro muito.

Fora esses, seguramente teremos os candidatos forasteiros com estrutura e grana, que conseguem fazer campanha por todo o DF e já possuem uma base sólida de apoiadores, normalmente esses são os que conseguem serem eleitos.

GC: E para o GDF qual cenário você enxerga?

JR: A eleição para o GDF é sempre uma incógnita, levando em consideração que depois do Roriz, ninguém mais conseguiu ser reeleito, toda eleição aparece um salvador que logo depois se converte em vilão.

O Arruda nos “salvou” do Roriz, o Agnelo nos “salvou” do Arruda, o Rollemberg nos “salvou” do Agnelo, o Ibaneis nos “salvou” do Rollemberg, e seguramente vai aparecer alguém com a proposta de nos “salvar” do Ibaneis, e precisamos até. (risos)

GC: E a nominata dos partidos e PSOL?

Objetivamente em relação às candidaturas, o PSOL possivelmente deve lançar a Keka Bagno, que foi a pessoa mais bem votada na última eleição pro Conselho Tutelar e é alguém muito inteligente, com uma história forte e bem articulada, o PT está entre a Professora Roseane e o Magela, o deputado Leandro Grass que estava na REDE, agora foi para o PV e estava se lançando como pré-candidato, não sei se vai manter, tem o IZALCI pelo PSDB que infelizmente teve uns votos e posicionamentos horrorosos, o Reguffe que na minha opinião foi um parlamentar insipiente e não tem nenhum carisma e o NOVO deve lançar algum anarcocapitalista que vai ter a destruição do Estado, das empresas públicas e do funcionalismo público como solução para os nossos problemas.

Vai ser uma campanha dura e acho que o Ibaneis não está reeleito, e espero que não seja mesmo.

GC: Para finalizar a nossa conversa que está ótima, gostaria de perguntar: Caso você venha a ser eleito como Deputado Federal pelo DF, quais serão as suas pautas prioritárias de atuação no Congresso Nacional?

JR: Para mim a questão ambiental é estruturante e perpassa tudo, pois sem o equilíbrio do meio ambiente, sem a capacidade de regeneração da natureza ser respeitada e os metabolismos do planeta sendo perturbados como têm sido, basta ver como o debate sobre a questão climática é algo urgente que está no centro dos debates mundiais, embora muito pouco esteja sendo feito, sem tudo isso que eu mencionei, não tem economia, não tem saúde, não tem qualidade de vida, primeiramente os mais pobres sofrem os efeitos desses desequilíbrios, mas é algo com potencial de impactar todos, a extinção da espécie humana está em curso e precisamos fazer algo para ontem.

Então em primeiro lugar eu coloco a questão ambiental, obviamente que no meu mandato não vou tratar apenas disso, os debates nacionais chegam num gabinete parlamentar e precisam ser tratados com seriedade, e para além disso, vou ser um aliado e estar sempre na linha de frente na luta pelos direitos das mulheres, dos LGBTs, dos povos originários, comunidades tradicionais e outras minorias, seguramente vou usar todos os meios ao meu alcance para apoiar e fortalecer a luta contra o racismo que é um problema estrutural da nossa sociedade, nos meus votos e intervenções vou defender as empresas públicas, o SUS que é um patrimônio coletivo nacional, as universidade públicas, os servidores e o serviço público em geral, a educação e o seu aperfeiçoamento respeitando e valorizando a importâncias dos professores.

Outra coisa que tenho bastante nítida, vou lutar pelos direitos dos trabalhadores e qualquer proposta de revisão ou revogação da Reforma da Previdência, Reforma Trabalhista e do Teto de Gastos que chegar, terá o meu apoio! Foi horrível o que fizeram com essas reformas, que alardearam como a solução para os nossos problemas, que ia gerar milhões de empregos, que até hoje não chegaram e nem vão, só serviram para desequilibrar as relações de trabalho no Brasil em proveito dos patrões e dificultar a vida da nossa população.

A integração real do DF com o Entorno também será um dos eixos mais importantes do meu mandato, precisamos acabar com esse empurra-empurra, onde o Estado de Goiás ignora e o Distrito Federal finge que não existe, e a população sofre no meio disso, precisamos discutir sobre integração no transporte, na educação, na saúde e em tudo o que for possível e necessário.

E embora a política externa seja tocada pelo Executivo, eu já adianto que sou simpático de uma política onde o Brasil se porte de forma soberana e autônoma, descolado dessa submissão aos EUA, e em diálogo e trabalho constante com a América Latina, a África, os BRICs e tudo o que represente uma alternativa à essa ordem mundial comandada pelos Estados Unidos e pela Europa.

Para finalizar, queria agradecer pela oportunidade dessa conversa e dizer que estou aberto ao diálogo com todo mundo que se sentir à vontade em debater. Obrigado!
Juan Ricthelly*

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

ADMINISTRAÇÃO REGIONAL DO GAMA E EMENDAS PARLAMENTARES

Sexta, 4 de julho de 2022
Sobre a Administração Regional do Gama, dados comparativos de 2016—2021 indicam um órgão público que prioriza execuções de um único deputado



Por Juan Ricthelly*

A divisão espacial do poder no Distrito Federal se dá por meio das Regiões Administrativas (RA’s), que atualmente são 33. Os agentes a frente das RA’s são os Administradores Regionais, formalmente indicados pelo Governador do Distrito Federal, sem qualquer participação popular no processo, de modo que é bastante comum, o morador de uma RA não fazer ideia que quem é o Administrador Regional.

Juridicamente falando, as RA’s são descentralizações político administrativas do Governo do Distrito Federal (GDF), sem autonomia financeira e administrativa, de modo que o Administrador Regional, não raras vezes cumpre um papel simbólico perante a população, como representante direto do GDF na cidade, sendo basicamente um zelador, com menos autonomia que um síndico de condomínio.

Ao menos no papel, as RA’s fazem parte da estrutura administrativa do Executivo, sendo a administração da coisa pública, função típica do Poder Executivo. Mas a realidade é outra!

A Lei Orgânica do DF, determina que a lei estabelecerá sobre a participação popular no processo de escolha dos Administradores Regionais, bem como a criação do Conselhos de Representantes Comunitários, com a função consultiva e fiscalizadora das Administrações Regionais.

Lamentavelmente, a Lei Orgânica vem sendo descumprida e a população segue afastada do processo de escolha dos administradores regionais, o que prevalece no momento, é um sistema sofisticado de barganha política, onde o Governador cede uma Administração Regional ou cargos avulsos na estrutura do GDF para um parlamentar em troca de apoio na CLDF, e o parlamentar se compromete com a defesa do governo e abre mão do seu papel fiscalizatório.

Nesse modelo de negociata política, o deputado ganha uma administração regional, com a possibilidade de indicar vários cargos comissionados para aparelhá-la, e uma via de escape exclusiva para a execução de emendas parlamentares.

As Emendas Parlamentares são uma forma dos deputados participarem do orçamento, sugerindo ao Executivo onde e como alocar recursos, podendo atender demandas da comunidade e dialogar com suas bases.

O fato de Emenda ser aprovada, não significa que ela será executada, pois uma série de motivos pode impedir isso, desde desistência do próprio deputado à falta de projeto para executar o recurso.

As Administrações Regionais também podem executar emendas, assim como outros órgãos do GDF, mas quando está aparelhada por um grupo ligado à um parlamentar que se considera dono da cidade, dificilmente emendas de outros serão executadas por lá, o que é péssimo para a população, pois se um único deputado tem o poder de indicar milhões em emendas, esses valores poderiam ser multiplicados levando em consideração todos os outros parlamentares.

Como não é segredo, a Administração Regional do Gama hoje se encontra sob a tutela do Deputado Daniel Donizet, que a reivindicou para si, após um episódio lamentável, onde desqualificou a então administradora Juliana Navarro, assumindo o seu posto por um mês. Desde então a Administração do Gama virou uma extensão de seu gabinete e somente um deputado além dele dentro dessa legislatura conseguiu executar emendas via Administração.

Segue abaixo uma breve análise comparativa com informações contidas no Portal da Transparência, que se inicia em 2016 e termina em 2021, passando por várias gestões de administradores e dois governos

2016

R$ 9.169.000,00 (Aprovado)

R$ 343.121,63 (Executado)

Emendas: 23

Executadas: 4

DEPUTADOS:

*Rodrigo Delmasso, Ricardo Vale, Rafael Prudente, Wasny de Roure, Chico Leite, Chico Vigilante, Robério Negreiros, Sandra Faraj, Renato Andrade, Júlio César, Lira, Telma Rufino, Celina Leão, Agaciel Maia (14).


2017

R$ 2.750.000,00 (Aprovado)

R$ 1.607.258,42 (Executado)

Emendas: 20

Executadas: 11

DEPUTADOS:

*Robério Negreiros, Júlio Cesar, Rafael Prudente, Renato Andrade, Liliane Roriz, Cristiano Araújo, Chico Leite, Wellington Luiz, Joe Valle, Wasny de Roure, Agaciel Maia, Chico Vigilante (12).


2018

R$ 4.330.000,00 (Aprovado)

R$ 135.343,25 (Executado)

Emendas: 16

Executadas: 2

DEPUTADOS:

*Wellington Luiz, Telma Rufino, Chico Vigilante, Joe Valle, Wasny de Roure, Júlio Cesar, Renato Andrade, Robério Negreiros, Agaciel Maia, Chico Leite (10)


2019

R$ 3.251.941,00 (Aprovado)

R$ 266.320,00 (Executado)

Emendas: 16

Executadas: 3

DEPUTADOS:

*Daniel Donizet, Ricardo Vale, Rafael Prudente, Robério Negreiros, Renato Andrade, Celina Leão (6)


2020

R$ 3.500.000,00 (Aprovado)

R$ 218.296,79 (Executado)

Emendas: 11

Executadas: 4

DEPUTADOS:

*Daniel Donizet, Robério Negreiros, Agaciel Maia (3)


2021

R$ 2.840.000,00 (Aprovado)

R$ 583.072,84 (Executado)

Emendas: 11

Executadas: 4

DEPUTADOS:

*Daniel Donizet, Rafael Prudente, Agaciel Maia, Jorge Vianna (4)


*Negrito: Indica os deputados que tiveram emendas executadas

Ao analisar brevemente esse conjunto de dados é possível verificar alguns detalhes que valem a pena serem discutidos.

O ano de 2016 foi o ano onde mais emendas parlamentares foram aprovadas, mais de 9 milhões, mas infelizmente somente R$ 343 mil foi executado, por outro lado, no ano seguinte se verificou o maior volume de recursos executados, totalizando R$ 1,6 milhão, com a participação de 10 deputados.

Outro fator interessante de se analisar é a quantidade de deputados indicando emendas para serem executadas via Administração Regional, e a quantidade de emendas indicadas, que caíram drasticamente a partir de 2019, que foi quando o grupo do Deputado Daniel Donizet tomou a administração de assalto.

Entre 2016 e 2018 foram 59 emendas (17 executadas) indicadas por um grupo de 14 deputados distritais, de 2019 até o presente momento, são 38 emendas (11 executadas), sendo que somente o Deputado Daniel Donizet, o Deputado Rafael Prudente e o ex-deputado Ricardo Vale conseguiram executar, com o detalhe de que a emenda do último foi tramitada no exercício anterior à 2019.

Diante de tais fatos, é possível concluir que uma Administração Regional com “dono” é um péssimo negócio para a cidade, tendo em vista que afasta outros deputados que poderiam contribuir com recursos e melhorias, que impactariam positivamente a vida da população.

Precisamos discutir a participação popular no processo de escolha dos Administradores Regionais, e exigir que a Lei Orgânica seja cumprida, com a formação do Conselho de Moradores eleitos pela comunidade.

*Fonte: Blog de Juan Ricthelly

segunda-feira, 11 de outubro de 2021

O adeus ao Bar do Napô no Gama, DF

Um dos bares mais tradicionais do Gama fecha as portas depois de 39 anos

Por Juan Ricthelly

Bares abrem e fecham todos os dias, alguns não duram nem o tempo de tomar um litrão, e quando você olha, já se foram. Outros, se convertem em verdadeiros templos da boemia, se agregando à cultura e à história de lugares e pessoas.

Em Ilhéus na Bahia, o Vesúvio tem uma estátua de Jorge Amado escrevendo um de seus maiores clássicos, Gabriela, Cravo e Canela. Em Havana, capital de Cuba, os bares La Floridita e La Bodeguita, são mundialmente conhecidos, graças à menção honrosa de Ernest Hemingway sobre seus daiquiris e mojitos. No Rio de Janeiro, o antigo Bar Veloso, e hoje Garota de Ipanema, foi palco de muitos encontros entre os deuses da Bossa Nova e da Música Popular Brasileira, onde muitas canções e poemas nasceram entre uma cerveja e outra.

O Gama não poderia ser diferente, com seus bares, botecos, boêmios, músicos, poetas e cachaceiros inveterados. Estou por aqui há trinta anos, bebendo há uma década e meia, legalmente desde os 18, e já passei por muitos bares e botecos desde então, Clube da Sinuca, Toca da Cevada, Bar do Bigode, Resenhas, Cantoria Blues e o Escambau, Bar do Magrão, Bar do Japão, JC, Santo Bar, Bar dos Cornos, Whiskitório, agora o Bar do Napô… e tantos outros que não me recordo o nome. 

E diante dessa curta experiência que possuo, posso dizer tranquilamente que cada bar é único! É como se tivessem uma personalidade própria, que ganha vida por meio do dono atrás do balcão, dos garçons caminhando de um lado pro outro, das músicas e músicos que tocam, das frituras e comidas de boteco expostas na estufa, que estão lá sabe-se lá desde quando, dos tira gostos, daquela garrafa de cerveja trincando e branca como “canela de pedreiro”, dos murmúrios e buchichos das conversas pelas mesas, das histórias que foram encenadas em algum momento, e principalmente pelas pessoas que escolhem esses cenários para serem palcos de alguns atos em suas vidas.

Nos bares e botecos há liberdade como em poucos lugares, o repertório é imenso! Você pode chorar por qualquer motivo, gargalhar até chorar, cantar desafinadamente aos berros, lamentar um chifre, desabafar com amigos e ouvir seus desabafos, arquitetar uma traição, contar e ouvir segredos, fofocar sobre a vida alheia, prestar atenção na conversa da outra mesa, trocar olhares indiscretos, falar palavrões, conversar sobre sexo, política, futebol e religião, lembrar do passado e sentir a nostalgia doer no peito, contar mentiras, misturar bebidas destiladas com fermentadas, usar roupa velha e havaianas, conhecer o amor da sua vida ou o daquela noite… Tudo isso e muito mais, entre gole ou outro de cerveja, ou várias doses de pinga!

Um bar que ficou aberto durante 39 anos, seguramente é um desses lugares! O Bar do Napô fechou suas portas no dia 8 de Outubro de 2021, coincidindo com o nascimento do Gama, 61 anos antes. Deixando um rastro de histórias, sentimentos e ressacas na vida da nossa amada cidade.

O Bar do Napô esteve em atividade desde 1983, no Setor Leste do Gama, no complexo de pequenos comércios ao redor do saudoso Cine Itapuã, o segundo cinema mais antigo do Distrito Federal. De frente para o que um dia foi a badalada Praça do Samdubas, da Amarelinha e do Coreto da Quadra 22, demolido por um tal Ricardão, sob o argumento higienista de impedir o agrupamento de pessoas em situação de rua e maconheiros.

Napoleão Passos de Medeiros (74 anos), natural da cidade de Caxias no Maranhão, carinhosamente conhecido como Napô, é o protagonista de um dos bares mais duradouros e tradicionais do Gama, tendo o respeito e admiração da comunidade, pelos serviços que prestou ao longo de 39 anos ininterruptos, sem tirar férias, criando três filhos, convertendo o seu estabelecimento num dos pioneiros da Pinga com Mel, que é uma marca registrada de seu bar, que proporcionou o nascimento de amizades, amores e casais, sem abrir mão da originalidade de outros tempos.

Seu Napô foi definido por alguns como uma lenda viva, que foi motoqueiro e teve participação importante na manutenção do Cine Itapuã como um espaço público, que um dia poderá voltar a servir nossa comunidade. Fez parte do grupo de 9 comerciantes daquele local, que juntos compraram o Cine Itapuã e o doaram ao poder público, para que ele não fosse adquirido pela Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), impedindo assim, que um templo histórico da cultura do Distrito Federal se convertesse num templo religioso. Só posso dizer, que me emocionei ao saber disso!

Ao conversar com algumas pessoas que estavam por lá, tentei captar um pouco da essência daquele lugar, que nunca havia frequentado, e não pude deixar de me lamentar por isso.

Waldir, um morador e líder comunitário do Gama que sempre aparece para registrar eventos e acontecimentos, numa demonstração de preocupação belíssima em preservar a memória histórica da cidade, me disse emocionado, enquanto saboreava um copo de pinga com mel “Frequento esse bar desde 1984 e ontem tive uma vontade imensa de chorar”, com olhar o distante como se estivesse assistindo a um filme em uma tela invisível, compartilhou algumas histórias e impressões que viveu naquele lugar.

Havia uma sensação de melancolia, gratidão e alegria no ar e no olhar das pessoas que estavam lá se despedindo naquela tarde. Oswaldo lembrou dos eventos gastronômicos, que aconteciam uma vez por mês, com um grupo de amigos frequentadores do bar, se reunindo para cozinhar bode, buchada e até mesmo carnes exóticas como jacaré. “Eu nasci no Gama, mas passei alguns anos fora, e quando voltei em 2008, comecei a frequentar aqui, reencontrei e fiz muitos amigos, vai deixar saudade!”

Enquanto Seu Napô saia para resolver algumas coisas, sua filha Ana Poliana, atendia a todos com simpatia e um sorriso no rosto: 

“O que você está rabiscando aí nesse caderno?” me perguntou. 

“Bem! Estou tomando algumas notas, pois quero escrever algo sobre esse lugar? Você se importaria em compartilhar um relato comigo?”

“Claro que não!”

Me contou que cresceu naquele bar, brincando entre as mesas e os clientes, tendo muitas recordações de infância, como a Festa do Cine Itapuã. Ao ser perguntada sobre o sucesso e o carinho do bar de seu pai, respondeu que: “É um bar simples! Mas o meu pai sempre presou por atender as pessoas bem, fazer quitutes deliciosos e manter impecável a higiene dos banheiros e do espaço como um todo”.

Me aproximei de uma mesa com várias pessoas sentadas, bebendo e conversando de forma descontraída, contando histórias e relembrando momentos. 

“Eu comecei a frequentar aqui através de um primo, tinha Pinga com Mel, e era caminho para o Festival de Música Popular do Gama (FMPG), acho que era 86/87, quando o Carlinhos Piauí venceu!” contou Lúcio.

Lindovaldo contou que conheceu a esposa no Bar do Napô em 1983, com quem está casado até hoje e com dois filhos já adultos, que também costumam frequentar o lugar, recordou ainda, de um evento onde um Legião Urbana não tão famoso como hoje, fez um show na Praça do Coreto, com direito à vaquinha da multidão para comprar discos e ajudar a banda que se consagraria como uma das maiores e mais importantes do rock nacional.

“Eu tomei a minha primeira pinga aqui!” compartilhou Gleydson, que seguiu um relato que quase me derrubou da cadeira sobre o saudoso Cine Itapuã. “Tinha exibição de pornô nas terças e de vez quando rolava até uns streapteases!”, está aí algo que não sabia! Lembrou ainda que o bar abria das 8h às 23h, e que não raras vezes, a juventude boêmia da cidade, emendava a noite esperando o bar abrir.

“A pinga era muito barata!” disseram várias pessoas, que apontavam esse como um dos muitos motivos do sucesso do Bar do Napô, visto que pessoas jovens e com um poder aquisitivo não tão elevado, conseguiam frequentar o bar, e beberem de forma acessível e a preços populares.

Pedi a minha garrafa de Pinga com Mel, para levar para casa, e poder degustar em outro momento um pouco do sabor daquele lugar e do que representou ao longo desses 39 anos.

Antes de me despedir do Bar do Napô, olhei um instante para a esquina do Complexo Cine Itapuã, e observei o Sarará, um dos points da juventude da nossa cidade no momento, onde até a calçada é disputa nos dias e noites de grande movimento, do outro lado da pista, o Divina Grill, um bar restaurante que está em alta como um dos mais badalados da cidade, e não pude deixar de me perguntar:

“Será que estarão abertos daqui 39 anos? Quantas histórias aconteceram e irão acontecer nesses lugares? Caso venham a fechar algum dia, haverá uma comoção como essa?”

Só o tempo dirá! O Bar do Napô se foi! Seu Napô está entre nós e irá usufruir de um descanso merecido depois de tantos anos de trabalho! As histórias, momentos, sentimentos e tudo o que aconteceu nesse lugar tão repleto de carinho e afeto, seguirão vivas na memória e nos corações de nossa comunidade, se convertendo num belo capítulo da nossa história coletiva como cidade.

Muito obrigado Seu Napô!

*Juan Ricthelly é advogado, ambientalista militante, coordenador do Gama Verde, filho e morador do Gama, compositor, músicocantor cervejeiro e, claro, boêmio. 

Fonte: DF em Foco