A MÍDIA NO BRASIL OLHA PARA O UMBIGO E DOUTRINA AO INVÉS DE INFORMAR
Há dois anos completei sessenta anos desde quando, pela primeira vez, entrei numa redação de jornal. Mas não construí uma carreira de jornalista. Formei-me em administração e desde estudante já atuava como um futuro administrador. No entanto, trabalhei em três jornais e uma estação de televisão no meu período de imprensa, fazendo amigos e desafetos. Ganhei um olhar crítico e ouso afirmar que a imprensa de hoje é a pior de quantas conheci.
O ponto de virada foi dado pela Baronesa Thatcher de Kesteven, Margaret Hilda Thatcher (13/10/1925-8/4/2013), enquanto Primeira-ministra do Reino Unido (4/5/1979-28/11/1990), pelo Partido Conservador (Tories).
O que fez a Senhora Baronesa? Simplesmente fez do dinheiro o único bem que dispensava passaporte e certificado de exportação/importação para transitar pelo mundo, as “desregulações”, para as quais trouxe o ator e propagandista estadunidense, então ocupando a presidência dos Estados Unidos da América (EUA), Ronald Wilson Reagan (6/2/1911-5/6/2004), 40º Presidente dos EUA (20/1/1981 a 1989), pelo Partido Republicano.
E sendo o dinheiro o objetivo maior que a Baronesa vendia, as mais importantes qualificações do ser humano ruíram. Recordando antes que se vejam definitivamente apagadas das mentes e dos registros históricos.
Em primeiro lugar colocamos a honestidade; seu interlocutor deve ter certeza de que só ouvirá de você a verdade e que pode confiar, pela sinceridade com que as escolheu e construiu, na qualidade das suas avaliações. Em seguida, você estará também aberto a entender e a ajudar o outro na dificuldade que enfrenta, terá empatia que dará conforto à adversidade do outro. E, por fim, mas não menos relevante, será o braço forte nos momentos mais difíceis, demonstrará resiliência confortadora.
Tudo isso a Baronesa colocou na lata de lixo. Basta ser rico e sem verificar como chegou a acumular tal riqueza.
Então, a partir de 1990, o mundo ocidental naufraga na corrupção, na deslealdade, no interesse meramente de acúmulo financeiro, para o qual não vê obstáculos à obtenção.
Se, no período do poder da industrialização, todos tinham um produto para vender, no domínio das finanças nem mesmo dinheiro era necessário; bastava a audácia, falta de escrúpulo e tome-lhe especulação. E a comunicação de massa passa então a ser instrumento de convencimento, de doutrinação, não mais de exposição dos fatos e das análises corretamente construídas.
O BRASIL SAI DOS GOVERNOS MILITARES E SE AFUNDA NA ILUSÃO NEOLIBERAL
Vamos esmiuçar o Brasil da “redemocratização”.
Primeiramente, como estar em nova situação se o presidente José Sarney, nascido José Ribamar Ferreira de Araújo Costa (24/4/1930), durante os governos militares brasileiros, foi eleito governador do Maranhão pela União Democrática Nacional (UDN), partido que combateu Getúlio Vargas e foi responsável pelo gesto extremo de seu suicídio, posteriormente se filiando à ARENA, partido surgido do golpe, estadunidense e militar de 1964. Em 1980, sai da ARENA, na farsa da “redemocratização” e, junto com outros ex-membros apoiadores do golpe, funda o governista Partido Democrático Social (PDS), do qual surgirá, em 1985, a Frente Liberal que o transformará em presidente da República.
Será este político que sempre lutou pelas soluções direitistas, conservadoras, antinacionais, quem faria do Brasil uma democracia no sentido compreendido pelos países ocidentais? Claro que não.
E seguem-se então farsas eleitorais obrigando que todos os candidatos sejam “orientados” pelas finanças apátridas e seus representantes nacionais, normalmente bancos ou empresas financeiras. A corrupção domina a política porque o povo não pode conhecer a verdade sem se revoltar. E revolta popular é um perigo a ser combatido sem olhar os meios e modos.
Em breve recordação, quem foram os cinco brasileiros que, pelo voto, dirigiram a nação após o José Ribamar.
Fernando Affonso Collor de Mello (1949), uma construção da empresa “O Globo” de comunicação. Absolutamente despreparado, mas de família de políticos, tanto do lado materno quanto paterno, foi apresentado como novidade, "caçador de marajá”. Pense bem, caro leitor, você quer um assassino ou um estadista governando o Brasil? E, desde1979, nomeado pelo último militar presidente, inicia sua carreira política, como prefeito de Maceió. Em 1983, eleito pelo PDS, partido de direita e entreguista, foi Deputado Federal, e, trocando pelo único partido de oposição aos governos militares (MDB, depois PMDB), elegeu-se Governador de Alagoas em 1987, de onde saiu para a Presidência em 1989.
Fernando Collor renunciou, mas o Congresso o afastou após a divulgação do escândalo de corrupção envolvendo-o com seu tesoureiro de campanha, Paulo César Farias. E quais foram suas medidas na presidência do Brasil? Forte ajuste econômico, que incluiu a abertura comercial, o início das privatizações de estatais e o confisco ou bloqueio de cadernetas de poupança e contas correntes.
O que salvou, naquele momento, o País foi que o vice-presidente, Itamar Augusto Cautiero Franco (1930-2011) não comungava dos mesmos propósitos antinacionais de Collor e, de algum modo, colocou o Brasil no rumo da produção.
Mas a continuidade foi trágica. Em 1995 é eleito, com apoio da mídia antinacional, Fernando Henrique Cardoso (1931), pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB).
Este cínico ex-professor nasceu no Rio de Janeiro, mas mudou-se com sua família para a cidade de São Paulo, onde se graduou em Sociologia, pela Universidade de São Paulo. Flertou com a esquerda, mas sempre foi um direitista e entreguista, como se constata nas ações de seu período de presidente do Brasil, e mesmo em seus livros, onde defende a dependência de países “sem condição de governança pelos seus homens públicos”, por forças estrangeiras.
O que é mais desolador neste velhaco é que contrariou sua ancestralidade militar e nacionalista. Seu pai, Leônidas Fernandes Cardoso, participou das revoltas tenentistas de 1922, 1924 e 1930, ajudou na criação do Centro de Estudos e Defesa do Petróleo e da Economia Nacional (CEDPEN), além de participar, ativamente, da Campanha do Petróleo é Nosso. Seu bisavô, Felicíssimo Cardoso (1835-1905), também militar, foi líder da corrente nacionalista do Exército. Veja a ironia do destino, com esta ancestralidade nacionalista, defensora do petróleo, Fernando Henrique Cardoso acaba com o monopólio estatal do petróleo no Brasil. Com a Emenda Constitucional nº 9/1995, alterou a Constituição para permitir a contratação de empresas privadas, a qual seguiu a Lei nº 9.478/1997 (conhecida como a Lei do Petróleo), que extinguiu o monopólio e criou a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Fernando Cardoso foi talvez o único professor de sociologia que, por critérios estadunidenses, acumulou um patrimônio de bilhões o que coloca em disputa neste 2026 seus eventuais herdeiros.
Luiz Inácio Lula da Silva (1945) é o único caso do operário brasileiro que chegou à Presidência, eleito, até 2022, por três vezes, sempre pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Mas sua formação, em busca do sustento diário, foi mais forte do que a visão crítica da sociedade patriarcal, excludente e misógina brasileira. Algumas manifestações anti-varguistas na sua origem política são demonstrações que não permitem colocá-lo no espectro esquerdista dos políticos brasileiros. Talvez a mais correta classificação política de Lula seja de um político conservador, sensibilizado com as condições de exclusão social e da dificuldade de sobrevivência de um trabalhador no capitalismo brasileiro, além de considerar natural a presença sempre nefasta, mas permanente, dos Estados Unidos da América (EUA) na formação política e intelectual do Brasil.
Dilma Vana Rousseff (1947), de família da classe média alta, interessou-se pelo socialismo durante a juventude e, logo após o Golpe de 1964, ingressou na luta armada de esquerda como membro do Comando de Libertação Nacional (COLINA) e, posteriormente, da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares). Em 2010, foi escolhida pelo PT para concorrer à eleição presidencial, derrotando José Serra (PSDB) no segundo turno e se tornando a primeira mulher a ser eleita à presidência do Brasil.
O fato de ser mulher, de ter participado da luta armada contra a ditadura, e se afastar dos EUA, foi mais do que suficiente para que a mídia orquestrasse sua queda. Em 12 de maio de 2016, com o acirramento da crise político-econômica vinda desde 2014 e grandes manifestações populares, consideradas as maiores já registradas no Brasil, foi afastada de seu cargo por até 180 dias devido à instauração de um processo de impeachment que lhe era movido, com base em pseudo irregularidades fiscais. Teve o mandato presidencial definitivamente cassado em 31 de agosto de 2016.
Um dos articuladores do golpe que tirou Dilma da presidência foi Michel Miguel Elias Temer Lulia (1940), seu vice-presidente, membro do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB).
Antes de concluir a síntese deste quinteto, que governou pelo voto o Brasil, é importante verificar as consequências nacionais brasileiras das medidas da Baronesa Thatcher de Kesteven.
Por pouco, a humanidade não escolheu o pensamento único para a dirigir, ou seja, a elevação da ignorância à condição de governabilidade. O ensino só piorou, no Brasil e no mundo, deste 1990. Foi a opção pela escravidão física e mental. Na campanha eleitoral de 2026, quer nos palanques quer em pé, fazendo número, é fácil verificar esta degradação do humano.
A doutora e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Ingrid Piera Andersen Sarti, em seu livro “Da outra margem do rio” (2006), escreve: “Avaliar a democracia (liberal) como contraponto ao autoritarismo (marxista) significa adotar o recurso ao método para desqualificar a utopia, ou seja, disputa-se a legitimidade dos meios para ocultar a incompatibilidade dos fins. Desse modo, ficam camufladas a apropriação liberal do conceito de democracia e as diferenças profundas que distinguem o seu emprego nas duas grandes visões do mundo moderno, o liberalismo e o marxismo”.
A professora Ingrid Sarti, tratando neste mesmo livro, da “Gênese do PT”, transcreve de seu “Projeto Político” como consta do Boletim Nacional nº 2, de 20/11/1983: “O PT se compromete a não ser um partido eleitoreiro, e sim, uma ferramenta para organização dos trabalhadores, a partir das lutas concretas, preocupado centralmente com o avanço de sua consciência política”, que o domínio monopolista da Rede Globo impede.
Prevalecendo a ignorância, fica fácil impor agressões físicas de toda ordem, seja por misoginia ou machismo, quer pela repulsa a desigualdade racial, pelas deficiências do outro, quer pelo prazer em causar males. Também a burocracia não é vista como necessidade de gerenciar uma organização, mas como obstrução ou, talvez, a condição de impor a corrupção.
Jair Messias Bolsonaro (1955), atualmente em prisão domiciliar humanitária, após sentença transitada e julgada, filiado ao Partido Liberal (PL), foi o 38º. presidente do Brasil, de 1º de janeiro de 2019 a 2023, tendo sido candidato pelo Partido Social Liberal (PSL) nas eleições de 2018. Anteriormente, foi deputado federal pelo Rio de Janeiro entre 1991 e 2018, eleito por diversos partidos.
Na vida pública desde 1989, quando se elegeu vereador pelo Município do Rio de Janeiro, Bolsonaro se destacou por discursos de ódio, contra homens e mulheres que não o acompanhassem nos ponto de vistas classificados com de extrema direita, populistas e antinacionais.
De acordo com a Wikipédia: “Seu governo se caracterizou por forte presença de ministros de formação militar, alinhamento internacional com a direita populista e por políticas antiambientais, anti-indigenistas e pró-armas. Em 2020, foi nomeado "pessoa do ano" pelo Organized Crime and Corruption Reporting Project por se cercar de figuras corruptas, minar o sistema de justiça e enriquecer grandes proprietários de terras na região amazônica. Foi também responsável por um amplo desmonte das políticas e órgãos da cultura, da ciência e da educação, além de promover repetidos ataques às instituições democráticas e fazer maciça divulgação de notícias falsas”, fake news. “Os principais legados econômicos do governo Bolsonaro são o aumento na desigualdade social, da pobreza e da inflação, queda do desemprego e da renda per capita e crescimento médio do PIB de cerca de 1,5% ao ano. A desigualdade social, a pobreza e a renda per capita atingiram os piores níveis desde 2012”.
Designou como sucessor deste legado de ignorância, retrocesso e violência seu filho primogênito, que se transformou em candidato do PL à presidência, em 2026.
O BRASIL DE 2026
Desde dezembro de 1640 e até a proclamação da República, o Brasil foi governado pelos “Bragança”. Após o interregno dos marechais alagoanos Manuel Deodoro da Fonseca (1827-1892) e Floriano Vieira Peixoto (1839-1895), o poder passou aos fazendeiros de São Paulo e de Minas Gerais, a denominada república do “café com leite”, quando surge, após diversos movimentos militares e intelectuais na década de 1920, o estadista Getúlio Dornelles Vargas (19/4/1882-24/8/1954).
Getúlio constrói então o Estado Nacional Trabalhista Brasileiro, que será destruído pelo golpe de 31/3/1964, nas figuras dos militares Humberto de Alencar Castelo Branco, Golbery do Couto e Silva, e dos civis Roberto de Oliveira Campos, Ranieri Mazzilli, Auro de Moura Andrade e das organizações: Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais (IPES) e Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD), além da Igreja Católica. Mas o golpe de 1964 é também golpeado pelos tenentes dos anos 1920: Artur da Costa e Silva, Emílio Garrastazu Médici e Ernesto Geisel que levam a Era Vargas até 15/3/1979.
As finanças internacionais, já imponderadas pela Baronesa Thatcher, aplicam o golpe da sucessão do Presidente Geisel, e, a partir de 1979, passam a dirigir o Brasil que nos leva à situação atual: um país que consegue recuperar seu crescimento econômico e a renda dos mais pobres, mas fica sem o comando de sua energia e o controle da sua moeda, além de permanentemente ameaçado pelo presidente dos EUA, que têm a seu serviço os donos das maiores plataformas de comunicação e redes de mídias virtuais: Elon Musk, Mark Zuckerberg, Jeff Bezos, Larry Ellison, Larry Page, Sergey Brin, Bill Gates e Michel Bloomberg. E o Brasil segue estes verdadeiros donos do pensamento apátrida no Ocidente a ponto de não repudiar a presença bolsonariana na política brasileira, nem integrar a Iniciativa do Cinturão e Rota (Belt and Road Initiative) BRI, na sigla em inglês.
Pedro Augusto Pinho, administrador aposentado, membro do Conselho Editorial do Pátria Latina.

