“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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domingo, 23 de agosto de 2026

A MÍDIA NO BRASIL OLHA PARA O UMBIGO E DOUTRINA AO INVÉS DE INFORMAR

Domingo, 23 de agosto de 2026

A MÍDIA NO BRASIL OLHA PARA O UMBIGO E DOUTRINA AO INVÉS DE INFORMAR


Pedro Augusto Pinho*

Há dois anos completei sessenta anos desde quando, pela primeira vez, entrei numa redação de jornal. Mas não construí uma carreira de jornalista. Formei-me em administração e desde estudante já atuava como um futuro administrador. No entanto, trabalhei em três jornais e uma estação de televisão no meu período de imprensa, fazendo amigos e desafetos. Ganhei um olhar crítico e ouso afirmar que a imprensa de hoje é a pior de quantas conheci.


O ponto de virada foi dado pela Baronesa Thatcher de Kesteven, Margaret Hilda Thatcher (13/10/1925-8/4/2013), enquanto Primeira-ministra do Reino Unido (4/5/1979-28/11/1990), pelo Partido Conservador (Tories).


O que fez a Senhora Baronesa? Simplesmente fez do dinheiro o único bem que dispensava passaporte e certificado de exportação/importação para transitar pelo mundo, as “desregulações”, para as quais trouxe o ator e propagandista estadunidense, então ocupando a presidência dos Estados Unidos da América (EUA), Ronald Wilson Reagan (6/2/1911-5/6/2004), 40º Presidente dos EUA (20/1/1981 a 1989), pelo Partido Republicano.


E sendo o dinheiro o objetivo maior que a Baronesa vendia, as mais importantes qualificações do ser humano ruíram. Recordando antes que se vejam definitivamente apagadas das mentes e dos registros históricos.

sábado, 10 de janeiro de 2015

A opção entre civilização e barbárie assume feição dramática para nós

Sábado, 10 de janeiro de 2015
Do Blog Náufrago da Utopia
Por Celso Lungaretti

  O martírio de Alexandre Ulianov  motivou...
Ao nascerem, tanto o marxismo quanto o anarquismo prometiam conduzir a humanidade a um estágio superior de civilização.
 
A proposta de ambos era a de um melhor aproveitamento do potencial produtivo existente, direcionando-o para a promoção da felicidade coletiva, ao invés de desperdiçá-lo em desigualdade e parasitismo.
 
A hipótese anarquista nunca foi testada: não houve país em que cidadãos livres organizassem, por tempo suficiente para extrairmos conclusões, a economia e a sociedade sem a tutela do estado.
 
A hipótese marxista não foi testada da forma como seus enunciadores previam: em países cujas forças produtivas estivessem plenamente desenvolvidas.
 
Nas duas nações ditas socialistas que realmente contam, a revolução teve de cumprir uma etapa anterior, qual seja a de acumulação primitiva do capital, já que se tratava de países ainda desprovidos da infra-estrutura básica de uma economia moderna.
 
Acabaram tendo de exigir esforços extremos dos trabalhadores; e, como eles não se dispunham livremente a isto, a URSS e a China, cedendo ao imperativo da sobrevivência, coagiram-nos a dar essa quota de sacrifício.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Marxismo e o Estado de Bourdieu: uma falha de origem?

Quarta, 19 de novembro de 2014
Por Marcello Barra - sociólogo

Um aspecto organizativo interessante do livro "Sobre o Estado", de Pierre Bourdieu (2014), é que é constituído de um conjunto de pequenos textos sobre diversos assuntos relacionados ao Estado. É isso que se pode dizer em um começo de leitura da recém-lançada obra do importante sociólogo francês.

Bourdieu faz uma importante crítica à visão marxista de Estado que, segundo ele, padeceria de funcionalismo, falta de descrição de 'como' é o Estado por dentro, nas engrenagens e maquinário estatais. É algo, ademais, bem latoursiano. Essa é historicamente a tecla de Bruno Latour, desde 'Vida de laboratório'.

Em alguma medida Bourdieu pode ter razão, principalmente em relação a Marx. Quando o barbudo produziu a obra dele, o Estado não tinha nem perto a importância que tem hoje. Mas também Bourdieu demonstra desconhecer a obra de marxistas que o sucederam. A obra de Lenin, que precisou estudar a anatomia do Estado czarista para lhe fazer frente e destruí-lo. Ignora ainda mais a obra de Trotsky, cuja parte fundamental é sobre a burocratização do Estado operário. Nada mais central para o Estado que a burocracia. Além disso, como responsável por áreas econômicas em princípios do Estado soviético, precisou se aprofundar sobre a operacionalização desse, bem como o desenvolvimento estatal.

Bourdieu recorre ao discurso moral de Durkheim, além do método durkheimesiano para complementar a teoria de Weber, consagrando esse. O fato é que renega Marx, pelo menos a princípio.

É preciso compreender o contexto de vida dos(as) pensadores(as). A hegemonia da esquerda francesa em vida de Bourdieu se deu com o PCF - Partido Comunista Francês, o que significou óbvios freios pelo stalinismo para o necessário combate de ideias. Se bem que minoritário, havia mesmo na França, Ernest Mandel, braço fundamental da IV Internacional e importante no cenário intelectual francês, inclusive referência junto a Foucault e vários outros filósofos e filósofas e pensadores(as) franceses(as), bem como de toda Europa.

O que poderia ser então uma lacuna de origem no marxismo - a ausência de uma teoria do Estado - não tem continuidade nos(as) seguidores(as) de Marx. Quanto às seguidoras e seguidores de Bourdieu, o que se pode falar da obra delas(es)? Tem a relevância que tem um Lenin, um Trotsky, ou mesmo Gramsci, Rosa Luxemburgo, Che Guevara? O marxismo mantém um site com vários formuladores e formuladoras no endereço http://marxists.org/.

Uma vantagem do texto de Bourdieu, ser curto, também significa ausência de uma maior formulação no tópico. Talvez isso tenha explicado também a demora da obra vir à luz. Mas as contradições não podem evidentemente ser imputadas a Bourdieu. Mas ao atual modelo de sociedade, que tentamos derrubar.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

David Harvey: “Cidades são para pessoas, não para o capital”

Quarta, 25 de dezembro de 2013
“Atualmente, quando um presidente diz ‘o país está indo muito bem’, ele quer dizer que o capital está indo bem, mas as pessoas estão indo mal.”

Por Camila Nobrega e Rogério Daflon / Canal Ibase
Com a usual camisa vermelha, o sorriso miúdo e uma calma que contrasta com sua densa teoria crítica, o geógrafo britânico marxista David Harvey se preparava para uma palestra que lotaria no sábado (23/11) o Teatro Rival, no Centro do Rio de Janeiro. Considerado um dos maiores pensadores da atualidade, ele recebeu o Canal Ibase uma hora antes do início de sua fala e não deixou pergunta alguma sem resposta. Harvey, que está no Brasil para o lançamento do livro “Os limites do capital” em português, pela Boitempo, desafia o coro dos contentes sem qualquer bravata. Age assim porque vê um mundo com cada vez menos gente satisfeita com os rumos do capitalismo. Sem palavras de ordem e dispensando clichês, o geógrafo diz que há uma atmosfera para se criar um grande movimento anticapitalista. Ele vislumbra uma convergência entre os protestos no Brasil, a revolta da Praça Tahrir (no Egito) e outras manifestações internacionais : “Atualmente, quando um presidente diz ‘o país está indo muito bem’, ele quer dizer que o capital está indo bem, mas as pessoas estão indo mal.” Nesta entrevista, Harvey explica o porquê de tanta insatisfação.

Canal Ibase: Com os Jogos Olímpicos e a Copa do Mundo, nunca foi tão caro morar no Rio de Janeiro. E isso está impactando a renda de todas as classes sociais na metrópole. Mas é claro que as classes mais pobres são as mais prejudicadas. Qual serão, na sua opinião, as consequências dessa segregação?

David Harvey: O interesse que o capital tem na construção da cidade é semelhante à lógica de uma empresa que visa ao lucro. Isso foi um aspecto importante no surgimento do capitalismo. E continua a ser. Após Segunda Guerra, por exemplo, os Estados Unidos construíram os subúrbios de uma maneira muito rentável. O que temos visto, nos últimos 30 anos, é a reocupação da maioria dos centros urbanos com megaprojetos. Muitos desses projetos associam a urbanização ao espetáculo. E fazem um retorno à descrição de Guy Debord sobre a sociedade do espetáculo.  Faz todo sentido na diretriz da realização dos megaeventos como as Olimpíadas e a Copa do Mundo. O capital precisa que o estado assegure essa dinâmica. Assim, pode usar esses eventos como instrumentos de investimentos e mais lucratividade. Invariavelmente, entre as consequências dos megaeventos estão as remoções de pessoas de algumas áreas. Eles dependem disso para serem realizados. E essa situação tem causado revolta. De um lado, o capital vai muito bem, mas as pessoas vão mal. Há alguma geração de empregos, em função dos megaprojetos e megaeventos, mas o que se vê é o desvio da verba pública para apoiar essas empreitadas. Ao redor do mundo, tem havido muitos protestos devido à retirada de pessoas de suas residências. As populações percebem que o dinheiro dos impostos está indo para esses fins, em detrimento da construção de escolas e hospitais. Este é um contexto que ilustra como o capital gosta de construir as cidades, à diferença do que é a cidade em que as pessoas podem viver bem. Há um abismo entre essas duas propostas. Essa é a grande briga, porque enquanto o capitalismo quer desempoderar pessoas, a fim de reproduzir a si próprio, elas querem verbas para outras coisas. O grande problema é que a tendência é a dominação do capital sobre o poder político nas cidades. O financiamento das campanhas políticas é um instrumento para que isso aconteça. Trata-se de controle sobre a representação política. Essa lógica tem ocorrido em vários lugares do mundo, não só na viabilização de megaeventos no Brasil. Trata-se de um processo padrão. Remete à Coréia do Sul, em Seul (Olimpíadas de 1988). E também à Grécia. Se pensarmos na Grécia hoje, um país que sediou as Olimpíadas (Atenas, em 2004), vemos que esses eventos não costumam trazer grandes benefícios econômicos. O país está numa profunda crise econômica. Há grandes estádios construídos mas, a longo prazo, essas edificações gigantes não trazem vantagens para o país.

Canal Ibase: Mas, e quanto à Barcelona, que aqui no Brasil é um dos exemplos mais disseminados como uma cidade que aproveitou muito bem um megaevento?

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Emir Sader. Que pena!

Quinta, 16 de maio de 2013
O sr. Emir Sader, sociólogo e pretenso marxista, vem a público, em parceria com outro intelectual argentino, lançar um livro em que louva os anos de governo petista e elege como inimigo principal, o neoliberalismo e não o capitalismo. É até compreensível que se tenha a política neoliberal como de natureza bem mais cruel no âmbito desse sistema sócio econômico. Mas ao invés de propor o anticapitalismo, como seria próprio de um verdadeiro marxista, ele se propõe tentar viabilizar uma política econômica, pretensamente capaz de produzir um capitalismo humanizado, palatável. Essa postura, comum a muitos intelectuais que se arvoram de marxistas, é totalmente repugnante. Isso porque, considerando que para implementar uma política de gerenciamento do capitalismo, objetivando torná-lo menos cruel, o PT e o PCdoB caíram, de corpo e alma, nos braços de amplos setores fisiológicos, estabelecendo com esses setores a mais íntima e promíscua aliança.
Não quis o velho PT, nenhum entendimento com o PMDB ideológico de Ulisses Guimarães, Franco Montoro, Mario Covas, Tancredo Neves... Porém estreitou laços efetivos com o PMDB corrompido de Jose Sarney, Renan Calheiros, Jader Barbalho, Romero Jucá. Isso para não falar da deslavada aliança com o sr. Paulo Maluf.
 
  Pretender criar uma dicotomia do tipo neoliberalismo versus nacional desenvolvimentismo, é uma armadilha, levando-se em conta os reais interesses históricos das classes trabalhadoras. Edir Sader, em parceria com Maluf, empenhou-se em levar a candidatura de Fernando Haddad à vitória em nome de derrotar a “tucanalha”. Mas será que estamos fadados a dualidade: “tucanalhas” versus “petralhas”? Essa questão deveria ser respondida pelo “marxista”, que se aventura em tornar público uma obra de bajulação que bem retrata o estado de indigência, de uma certa intelectualidade, da qual Emir Sader é partícipe. Cremos não haver esperança de reverter esse quadro de apodrecimento político e ideológico de certos setores da nossa “inteligência”. É lamentável.