Do Esquerda.Net
Nove
anos após o início da crise financeira, que continua a produzir efeitos
nocivos através de políticas de austeridade impostas às populações, é
tempo de recordar os compromissos assumidos nessa época pelos
banqueiros, financeiros, políticos e organismos reguladores. Estes
quatro atores, que falharam em toda a linha, prometiam à época a
moralização do sistema bancário, a separação entre bancos comerciais e
bancos de investimento, o fim dos bônus e remunerações exorbitantes e o
financiamento da economia real. Não acreditámos então nessas promessas e
confirma-se hoje que tínhamos razão. Em vez da moralização do sistema
bancário, deparamo-nos com uma longa lista de fraudes trazidas à luz do
dia por falências sucessivas, após a falência do Lehman Brothers a 15 de
setembro de 2008. Se ficarmos pela lista de resgates depois de 2012,
encontramos: Dexia na Bélgica e em França (2012, 3.º resgate), Bankia em Espanha (2012), Espírito Santo (2014) e Banif (2015) em Portugal, Laïki e Bank of Cyprus no Chipre (2013), Monte dei Paschi, Banca delle Marche, Banca Popolare dell’Etruria e del Lazio, Carife na Itália (2014-2015), NKBM na Eslovénia (2012), SNS Reaal na Holanda (2013), Hypo Alpe Adriana Áustria (2014-2015), para mencionar apenas alguns.
O mais grave é que os poderes públicos decidiram dar cobertura às
tropelias desses bancos, fazendo as populações pagar as consequências
dos actos abusivos dos dirigentes bancários e dos acionistas. No que
diz respeito às remunerações dos banqueiros, o estabelecimento de um
teto para a parte variável, conforme decisão do Parlamento europeu em
16/abril/2013, teve como consequência … um aumento da parte fixa das
remunerações e o recurso a uma cláusula de exceção prevista na lei.
Finalmente, quanto ao financiamento da economia real, as medidas
adotadas até hoje pelos bancos centrais, nomeadamente o Banco Central
Europeu (BCE), revelaram-se incapazes de despoletar a retoma da
economia.
Como nós pensamos, especialmente tendo em conta a experiência grega,
que os bancos são um fator essencial em qualquer projeto de mudança
social, propomos um conjunto de medidas imediatas a tomar para atingir
os seguintes objetivos: