Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
Mostrando postagens com marcador grécia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador grécia. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 22 de novembro de 2016

PLS 204: Zoe Kostantopoulou vem ao Brasil falar sobre o esquema financeiro que quebrou a economia grega

Terça, 22 de novembro de 2016
Da Auditoria Cidadã da Dívida
Diante da possibilidade de aprovação do Projeto de Lei do Senado (PLS) 204/2016, que visa legalizar um esquema de geração de grandes somas de dívida pública, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal irá realizar audiência pública, na próxima quinta-feira (24) para debater o assunto.
Por ter um formato idêntico ao aplicado na Europa a partir de 2010, que literalmente quebrou a Grécia e respondeu pelo aprofundamento da financeirização e crise econômica no continente, o debate terá a participação da ex-presidente do parlamento grego, Zoe Kostantopoulou que irá relatar a experiência grega.
O PLS 204, de autoria do então senador José Serra, esse projeto, ocultado sob a propaganda de antecipação de receitas por meio da securitização de créditos de dívida ativa e outros, na verdade é mais um mecanismo que destina recursos públicos para o sistema financeiro. O esquema utiliza empresas não dependentes criadas para esse fim.(entenda mais: https://goo.gl/lvvJPe)
Zoe foi presidente do parlamento grego e foi dela a iniciativa de criar uma comissão para realizar uma auditoria da dívida do país, para a qual foi convidada a coordenadora nacional da Auditoria Cidadã da Dívida, Maria Lucia Fattorelli.
Serviço:
Audiência Pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE)

Data: 24 de novembro
Local: CAE Senado Federal
Horário: 9 horas
Participem!

Ex-presidente do parlamento grego, Zoe Kostantoupoulou

============
No próximo dia 24 (quinta-feira) será na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), no Senado.

Já no dia seguinte, na sexta-feira (25/11), o evento será na UNB. Veja abaixo a programação.

Clique na imagem para torná-la mais nítida.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

As confissões do FMI

Sexta, 12 de agosto de 2016
Do Esquerda.Net
O mais recente relatório do gabinete independente de avaliação do FMI (sobre a intervenção na Grécia, em Portugal e na Irlanda) apresenta um diagnóstico surpreendente sobre a incapacidade técnica do organismo mais responsável do sistema de pagamentos internacionais. Por Alejandro Nadal.
12 de Agosto, 2016
O relatório do OIE ignora que o objetivo central da intervenção da troika não era salvar a economia grega ou a portuguesa, mas resgatar os bancos dos países credores do núcleo da zona euro - Foto Paulete Matos
O relatório do OIE ignora que o objetivo central da intervenção da troika não era salvar a economia grega ou a portuguesa, mas resgatar os bancos dos países credores do núcleo da zona euro - Foto Paulete Matos

O Fundo Monetário Internacional procurou manter sempre a reputação de que as suas intervenções são baseadas em análises técnicas da melhor qualidade. Também pretendem manter uma política de transparência que proporciona maior legitimidade às suas ações. Por isso mantêm um Gabinete Independente de Avaliação (OIE), que leva a cabo análises sobre diversos aspetos da sua atividade. O OIE responde diretamente ao conselho de diretores executivos e o seu mandato está acima do da diretora-geral, Christine Lagarde.

sábado, 23 de abril de 2016

Grécia: Zoe Konstantopoulou lança novo partido para “libertar a Grécia do memorando”

Sábado, 23 de abril de 2016
Do Esquerda.Net
A ex-presidente do parlamento está de regresso à primeira linha do combate político e esta semana lançou o seu novo partido político, Viagem para a Liberdade.
22 de Abril, 2016

No discurso de apresentação do novo partido, Zoe Konstantopoulou explicou o que significam as seis velas do barco escolhido como símbolo: Democracia, Justiça, Transparência, Direitos, Redução da Dívida e Pagamento da Dívida Alemã da II Guerra.

O inimigo declarado da nova organização é o “regime opressivo” do memorando dos credores, que completa 6 anos no próximo dia 6 de maio e que o novo partido pretende derrubar. Para isso, Zoe aposta nas diferenças face ao Syriza e promete continuar a dizer o que pensa e a fazer o que diz. “A identidade política não é determinada pelo que se diz, mas pelo que se faz”, prosseguiu a líder do novo partido, voltando a acusar o Syriza de ter violado o mandato eleitoral quando aprovou o terceiro memorando no parlamento.

Zoe foi uma das deputadas que se opôs ao memorando assinado em Bruxelas e manteve um braço de ferro com o governo até se candidatar pelo partido Unidade Popular, que juntou os dissidentes do Syriza nas eleições de setembro, mas ficou aquém dos votos necessários para obter representação parlamentar. O ex-ministro Lafazanis, líder da Unidade Popular, já desejou felicidades ao novo partido, com o qual espera vir a unir forças no futuro. A sessão de apresentação contou com centenas de participantes.

A acompanhar Zoe neste novo desafio estará a ex-deputada do Syriza – e antes disso, dos Gregos Independentes – Rachel Makri. A sessão de apresentação contou com a participação do convidado internacional Eric Coquerel, do Parti de Gauche francês, que elogiou no seu discurso a coragem e coerência da ex-presidente do parlamento grego e o seu papel no lançamento da “cimeira do Plano B” promovida em Paris pelo partido de Jean-Luc Mélenchon.

quarta-feira, 13 de abril de 2016

O capitalismo engolirá a democracia, se não nos manifestarmos – Yanis Varoufakis

Quarta, 13 de abril de 2016
Da Auditoria Cidadã da Dívida
Nesta palestra, o ex-Ministro de Finanças da Grécia, Yanis Varoufakis, questiona as bases da sociedade ocidental que estipulou por patrimônio a relação direta entre capitalismo e democracia. “Acreditamos erradamente que o capitalismo gera inevitavelmente a democracia. Mas não gera”, diz.

Como contrapartida, o político que teve que lidar diretamente com a crise grega, apresenta um novo cenário econômico capaz de permitir que uma verdadeira democracia possa existir.
Bom apetite.

sábado, 2 de abril de 2016

Wikileaks divulga conversas do FMI para impor mais austeridade à Grécia

Sábado, 2 de abril de 2016
Do Esquerda.Net
A Wikileaks divulgou neste sábado a transcrição de conversas telefónicas entre responsáveis do FMI, onde preveem um “desastre” grego, buscam novas formas de impor mais austeridade à Grécia e de pressionar a UE, ameaçando com a saída do FMI da troika.
Poul Thomsen, 2011 - Foto de Mário Cruz/Lusa
 
A conversa telefônica é de 19 de março passado e entre Poul Thomsen, diretor de assuntos para a Europa do Fundo Monetário Internacional (FMI) e a chefe da missão da instituição na Grécia, Delia Velculescu.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Zoé Konstantopoulou: “A Comissão para a Verdade sobre a Dívida Grega sofre uma perseguição política por parte dos novos paladinos dos Memorandos”

Quinta, 7 de janeiro de 2016
publicado originalmente em:
A ex-presidente do Parlamento helénico, Zoé Konstantopoulou, e dois dos membros da Comissão para a Verdade sobre a Dívida Grega – Georges Kassimatis, professor honorário de direito constitucional, e Leonidas Vatikiotis, economista e jornalista – apresentaram, em 22 de Dezembro de 2015, numa conferência de imprensa realizada na sede da Ordem dos Advogados, em Atenas, o trabalho efectuado desde 20/09/2015 pela Comissão, a sua actividade internacional e o plano de acção seguinte.
 
A ex-presidente do Parlamento helénico, Zoé Konstantopoulou, e dois dos membros da Comissão para a Verdade sobre a Dívida Grega – Georges Kassimatis, professor honorário de direito constitucional, e Leonidas Vatikiotis, economista e jornalista – apresentaram, em 22 de Dezembro de 2015, numa conferência de imprensa realizada na sede da Ordem dos Advogados, em Atenas, o trabalho efectuado desde 20/09/2015 pela Comissão, a sua actividade internacional e o plano de acção seguinte.

Zoé Konstantopoulou referiu os ataques a que foi sujeita recentemente a Comissão para a Verdade por parte do actual Governo. Chamou a atenção para o facto de o relatório preliminar da Comissão ter desaparecido do sítio web do Parlamento, para a forma como foi anunciado o fim do trabalho da Comissão – fazendo lembrar um autêntico “golpe de Estado” – e ainda para a entrada ilegal nas instalações da Comissão, bem como no seu próprio gabinete, por ordem do actual presidente do Parlamento, N. Voutsis. Acrescentou que tinha mesmo apresentado uma queixa judicial sobre esses acontecimentos.

“A Comissão para a Verdade sobre a Dívida Grega sofre uma caça às bruxas política vinda dos novos adeptos dos Memorandos”, sublinhou Zoé Konstantopoulou, acrescentando que o regime, novamente fiel aos memorandos, adopta métodos autoritários e pratica actos intimidatórios sem precedentes. Zoé Konstantopoulou recordou também os comentários irónicos que o primeiro-ministro lançou recentemente da tribuna do Parlamento, quanto ao carácter odioso e ilegítimo da dívida.

A ex-presidente do Parlamento referiu a actividade internacional e a apresentação de relatórios da Comissão em conferências internacionais e junto de instituições académicas. Entre outros acontecimentos, Zoé Konstantopoulou participou em conferências internacionais em Bruxelas, Barcelona, Londres e Paris e foi a principal oradora em eventos organizados pelas universidades de Colúmbia (Nova Iorque) e na London School of Economics (Londres). Durante esses encontros foram distribuídos os relatórios da Comissão. Zoé Konstantopoulou informou ainda que iniciativas semelhantes e pedidos de auditoria da dívida pública estão já em andamento em países como a Argentina, Espanha, Tunísia, França e Reino Unido.

Por fim, deu nota do encontro da Comissão com o perito independente das Nações Unidas sobre dívida e direitos humanos, o qual deu uma conferência de imprensa em 8/12/2015 para sublinhar a importância da criação da Comissão para a Verdade sobre a Dívida Pública Grega, a importância dos seus trabalhos, a necessidade de prosseguir a auditoria da dívida, a necessidade absoluta de um alívio da dívida para proteger os direitos dos cidadãos.


Quanto ao futuro da Comissão para a Verdade sobre a Dívida, Zoé Konstantopoulou anunciou que já tinha sido arranjado um local de acolhimento das reuniões da Comissão, vítima de autêntica “perseguição política”, uma vez que Yannis Mavros – filho de Georgios Mavros – pôs à disposição o escritório do pai, onde a Comissão, a título gratuito, poderá sediar-se e trabalhar. Finalmente, anunciou que a Comissão está prestes a adquirir nova forma jurídica, a fim de prosseguir o seu trabalho sem ser afectada pela guerra persecutória a que está sujeita por parte do regime agora afecto aos Memorandos.

—————————————————————————————————————————–
Traduzido do grego para francês por Eleni Panoussi e Marie-Laure Veilhan; do francês para português por Rui Viana Pereira.

Revisão Maria da Liberdade.

http://www.zoikonstantopoulou.gr/interviews/press-releases/item/zwh-kwnstantopoylou-h-epitroph-alhtheias-dhmosiou-xreous-diwketai-politika-apo-tous-neomnhmoniakoys

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Sofia Sakorafa, Zoe Konstantopoulou e Eric Toussaint. Carta aberta

-->
Quarta, 2 de dezembro de 2015
Da Auditoria Cidadã da Dívida

http://www.auditoriacidada.org.br/wp-content/uploads/2015/12/Sofia-Sakorafa-Zoe-Konstantopoulou-e-Eric-Toussaint..jpg
Sofia Sakorafa, Zoe Konstantopoulou e Eric Toussaint.
Tradução Livre.
Publicamos a a carta aberta da Eurodeputada Sofía Sakorafa, dirigida ao novo presidente do Parlamento Helênico, Nikos Voutsis, que anunciou o fim dos trabalhos da Comissão da Verdade sobre a Dívida Grega. Desde 2011, a já então deputada Sofía Sakorafa estava envolvida no comitê da Auditoria Cidadã da Dívida Grega. Em março de 2015, passou a fazer parte da Comissão da Verdade sobre a Dívida Grega, criada pela então presidenta do parlamento Helênico, e também assumiu as relações da Comissão com o Parlamento Europeu e outros parlamentos. Por trás da capitulação do Governo Syriza-Anel, presidido por Alexis Tsipras, Sofía Sakarova abandonou o Syriza  e, desde setembro de 2015, é uma Eurodeputada independente
“Sr. Presidente,

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Chomsky: A história não segue uma linha reta


Terça, 22 de setembro de 2015
Do site ESQUERDA.NET
Numa entrevista conduzida pelo jornalista italiano Tommaso Segantini, Noam Chomsky fala sobre Bernie Sanders, Jeremy Corbyn, e o potencial de cidadãos comuns para protagonizarem mudanças radicais.
Ao longo da sua ilustre carreira, uma das principais preocupações de Noam Chomsky tem sido questionar - e exortar-nos a questionar - os pressupostos e as normas que regem a nossa sociedade.
 Na sequência de uma palestra sobre poder, ideologia e política externa dos EUA, que teve lugar no fim-de-semana passado na New School, em Nova Iorque, o jornalista italiano freelancer Tommaso Segantini sentou-se com o octogenário para discutir alguns desses mesmos temas, incluindo a forma como eles se relacionam com processos de transformação social.
 Para os radicais, o progresso exige perfurar a bolha da inevitabilidade: a austeridade, por exemplo, "é uma decisão política assumida pelos seus autores para os seus próprios fins". Não é implementada, diz Chomsky, "devido a quaisquer leis econômicas". O capitalismo americano também beneficia do obscurecimento ideológico: apesar da sua associação aos livres mercados livres, o capitalismo está repleto de subsídios para alguns dos mais poderosos atores privados. Também é preciso estourar esta bolha.
 Além de discutir as perspectivas de uma transformação radical, Chomsky comenta a crise da zona euro, se o Syriza poderia ter evitado submeter-se aos credores da Grécia, bem como a importância de Jeremy Corbyn e Bernie Sanders.
 E permanece moderadamente optimista: "Ao longo do tempo há uma espécie de trajetória geral no sentido de uma sociedade mais justa, com retrocessos e revezes, como é óbvio".
 Numa entrevista há alguns anos atrás, disse que o movimento Occupy Wall Street tinha criado um sentimento raro de solidariedade nos EUA. A 17 de setembro celebrou-se o quarto aniversário do movimento OWS. Qual é a sua avaliação dos movimentos sociais, como o OWS, ao longo dos últimos vinte anos? Têm sido eficazes a promover a mudança? Como poderiam melhorar?
 Eles tiveram um impacto; não se fundiram em movimentos persistentes e contínuos. É uma sociedade muito atomizada. Há muito poucas organizações com atividade contínua que têm memória institucional, que sabem como passar para a próxima etapa e assim por diante.
 Esta realidade deve-se em parte à destruição do movimento operário, que costumava oferecer uma espécie de base fixa para muitas atividades; atualmente, praticamente as únicas instituições persistentes são as igrejas. Muitas coisas estão ligadas à igreja.

domingo, 20 de setembro de 2015

Syriza vence eleições na Grécia

Domingo, 20 de setembro de 2015
Do ESQUERDA.NET
O Syriza vence as eleições na Grécia e deverá constituir novo governo com o partido Gregos Independentes, uma vez que os dois partidos, em conjunto, terão maioria absoluta. Na comemoração da vitória, Tsipras afirmou: “Hoje na Europa, a Grécia e o povo grego são sinónimos de luta pela dignidade”. Marisa Matias afirma que a vitória do Syriza "evitou o pior cenário possível que era pôr no poder as forças partidárias da troika".
Alexis Tsipras e Panos Kammenos, líder dos Gregos Independentes, na comemoração da vitória

O Syriza venceu as eleições na Grécia, elegendo 145 deputados (menos quatro do que em janeiro passado).
O partido Gregos Independentes elegeu 10 deputados (menos três que em 25 de janeiro).
Syriza e Gregos Independentes poderão voltar a constituir coligação e governo, uma vez que os dois partidos juntos terão maioria absoluta. Os dois partidos elegem 155 deputados, sendo a maioria absoluta 151 deputados.

Syriza vai repetir coligação e governar com maioria absoluta na Grécia

Domingo, 20 de setembro de 2015
Da Agência Lusa // Agência Brasil
O líder do partido de esquerda Syriza, Alexis Tsipras, vai repetir a coligação com os nacionalistas Gregos Independentes, caso se confirmem os resultados eleitorais, informou hoje (20) a televisão pública grega ERT.

Com 40% dos votos contados, o Syriza obteve 35,5% e 145 lugares no parlamento. Os Gregos Independentes, do ex-ministro da Defesa Panos Kamenos, conseguiram 3,72% e dez assentos. Juntos, os dois partidos terão 155 dos 300 lugares do parlamento grego, quatro mais do que a maioria absoluta.

De acordo com fontes dos nacionalistas, citadas pelo diário To Vima, os dois líderes partidários deverão fazer ainda esta noite uma declaração conjunta. Kamenos, que todas as sondagens excluíam do parlamento, chegou sorridente à sede partidária, mas até agora não prestou declarações aos jornalistas.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Stiglitz, Prêmio Nobel da Economia, diz que “A União Europeia está a destruir o seu futuro”

-->
Quarta, 2 de setembro de 2015
Do site esquerda.net
Em entrevista ao Le Monde, o Prêmio Nobel da Economia defendeu que “a obsessão com a austeridade e a fobia da dívida” têm como objetivo atacar o Estado Social. Para Joseph Stiglitz, as “desigualdades são o resultado de escolhas políticas e não uma fatalidade”.
2 de Setembro, 2015
Por ocasião da apresentação da edição francesa do livro The Great Divide, Joseph Stiglitz afirmou que uma das causas da “estagnação secular” é a “anemia na procura global”, causada, particularmente, pelas políticas de austeridade impostas na Europa.
Para o economista norte americano, o terceiro pacote de assistência à Grécia “é a garantia de que o país se vai afundar numa depressão longa e dolorosa”.
“A dívida é encarada como um travão ao crescimento, quando, pelo contrário, é o garante da prosperidade futura, quando utilizada para financiar investimentos essenciais”, advogou o Prêmio Nobel da Economia em entrevista ao Le Monde.
Segundo Stiglitz, “uma parte da direita do Velho Continente alimenta esta histeria em torno da dívida, por forma a atingir o Estado Social. O seu objetivo é simples: reduzir o escopo dos Estados”.
“É muito preocupante. Alimentando essa visão de mundo, a obsessão com a austeridade e a fobia da dívida, a UE está a destruir o seu futuro”, alerta.
“Desigualdades são o resultado de escolhas políticas e não uma fatalidade”
O economista norte americano defendeu que as desigualdades, que, segundo alega, estão na origem da crise do subprime de 2007, “são incompatíveis com o crescimento saudável”.
“As desigualdades são o resultado de escolhas políticas e não uma fatalidade”, referiu o Nobel da Economia.
Defendendo que os países industrializados, e em concreto os EUA, devem investir em inovação, infraestruturas e educação, Stiglitz assinalou que “o endividamento para construir o futuro não é um travão ao crescimento”, sendo que “não fazê-lo é que é um presente envenenado para as gerações futuras”.
O economista lembrou ainda que, “nos EUA, as taxas de juro reais são negativas, e as mesmas são muito baixas na Europa”. “O momento nunca foi tão propício ao investimento”, frisou.
Sobre a suposta “recuperação dos EUA”, Joseph Stiglitz apontou que não passa de “uma miragem”, sendo unicamente sustentada pela queda do dólar e a bolha do mercado de ações.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Lafazanis: Unidade Popular irá representar o voto OXI (não) na Gŕecia

Terça, 25 de agosto de 2015
Do site ESQUERDA.NET
Ex-ministro da Energia e líder do recém-criado partido Unidade Popular pretende levar às eleições a vontade popular expressa no referendo de 5 de julho contra a austeridade, contra o novo Memorando e a sujeição nacional pela troika.
25 de Agosto, 2015
Lafazanis: Dar expressão ao OXI. Foto de Left.gr (Δολοφονία του Παύλου Φύσσα -Παναγιώτης Λαφαζάνης) [CC BY 3.0 (http://creativecommons.org/licenses/by/3.0)], via Wikimedia Commons
Lafazanis: Dar expressão ao OXI. Foto de Left.gr 
(Δολοφονία του Παύλου Φύσσα -Παναγιώτης Λαφαζάνης) 
[CC BY 3.0 (http://creativecommons.org/licenses/by/3.0)],
via Wikimedia Commons

Panagiotis Lafazanis recebeu nesta segunda-feira do presidente da República o mandato de formar governo, como líder da Unidade Popular, o terceiro maior partido parlamentar, com 25 deputados. A formação do novo partido impediu que esse mandato fosse entregue à Aurora Dourada, de extrema-direita, que antes era o terceiro partido.
Lafazanis recebeu esse mandato de acordo com a Constituição e tem três dias para apresentar um governo ou assumir que não tem condições para o fazer. “Certamente que não temos ilusões de que possa ser formado por este Parlamento um governo com orientação antimemorando, que é o nosso objetivo”, disse Lafazanis. “Mas vamos usar este mandato para demonstrar que aquilo que o país e o povo grego precisam é de um novo Parlamento que se oponha ao Memorando”, esclareceu, ao receber o mandato, anunciando que além das reuniões protocolares com os outros partidos, a Unidade Popular reunir-se-á também com os movimentos sociais e sindicatos.
Cancelamento das privatizações
E foi nesta reunião, ocorrida esta terça-feira, que Lafazanis afirmou que o novo partido é a favor do cancelamento da onda de privatizações do terceiro memorando, “que preveem procedimentos escandalosos e preços de saldo” e convertem o país “numa colônia e num protetorado”.
Lafazanis criticou também em termos muito duros a data de 20 de setembro para as eleições, defendendo que o mais cedo que elas poderiam ser realizadas seria a 27 de setembro, defendendo a Unidade Popular a data de 27 de novembro, para que “o povo possa ter consciência das medidas de austeridade que ainda vão ser adotadas de acordo com o Memorando.

Artigo relacionado: 

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Grécia vai para eleições antecipadas após renúncia de Tsipras

Quinta, 20 de agosto de 2015
Do esquerda.net

Eleições deverão ocorrer no dia 20 de setembro. Plataforma de Esquerda do Syriza deverá formar um novo partido, a Unidade Popular. Presidente do Eurogrupo adverte que as eleições podem pôr em risco o programa do terceiro memorando.

21 de Agosto, 2015
Alexis Tsipras:  “o mandato que recebemos no dia 15 de janeiro expirou”
Alexis Tsipras: “o mandato que recebemos no dia 15 de janeiro expirou”
O primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, anunciou a renúncia ao cargo, abrindo caminho a eleições antecipadas, que provavelmente irão ocorrer no dia 20 de setembro. Num discurso na televisão, Tsipras disse que “o mandato que recebemos no dia 15 de janeiro expirou” e afirmou sentir “a profunda obrigação moral e política de me submeter ao vosso julgamento”, para que o voto dos eleitores “determine se vos representámos com coragem nas conversações com os credores, se este acordo é suficiente para emergirmos da crise”.
A decisão do primeiro-ministro já era esperada, devido à rebelião da ala esquerda do Syriza, com cerca de 1/3 da sua bancada parlamentar do Syriza a recusar-se a votar o 3º resgate, o que deixou a coligação governamental Syriza-Gregos Independentes sem a maioria parlamentar, dependendo do voto dos partidos de oposição para aprovar o 3º memorando com os credores.
Novo partido prestes a ser anunciado
Segundo algumas fontes, a Plataforma de Esquerda, liderada pelo ex-ministro Panagiotis Lafazanis, deverá muito em breve anunciar uma nova formação política que se chamará Unidade Popular e contará também com a participação da atual presidente do Parlamento, Zoe Konstantopoulou, e dirigentes do partido Antarsya, não se sabendo ainda qual será a opção do Movimento dos Cidadãos Ativos do ex-eurodeputado e herói nacional Manolis Glezos.
A Plataforma de Esquerda, liderada pelo ex-ministro Panagiotis Lafazanis, deverá muito em breve anunciar uma nova formação política que se chamará Unidade Popular 
O maior partido de oposição, a Nova Democracia, anunciou que iria usar os três dias que a Constituição lhe confere para tentar formar um governo minoritário. Como é previsível que não consiga, a tarefa ainda passaria para o 3º partido, a Aurora Dourada, a menos que a ala esquerda do Syriza cinda com todos os seus deputados, o que a tornaria a 3ª formação política (segundo o The Guardian, corriam boatos neste sentido) e levaria a que Lafazanis fosse também encarregado de formar governo.
Caso nenhum partido da oposição consiga formar Governo, um executivo interino ficará no poder até à votação, chefiado pela presidente do Supremo, Vasiliki Thanou, que é muito crítica do plano de austeridade.
Moody's diz que eleições põem em risco programa do 3º resgate
As eleições antecipadas provocaram a habitual reação temerosa das autoridades europeias e dos porta-vozes da finança 
As eleições antecipadas provocaram a habitual reação temerosa das autoridades europeias e dos porta-vozes da finança – os chamados “mercados”. O presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, apelou à Grécia para que não abandone o seu compromisso com o euro.
A agência de notação Moody's advertiu que Tsipras pôs em risco o programa do 3º resgate com a convocatória das eleições antecipadas. As eleições “podem aumentar as preocupações em torno da implementação do programa e, potencialmente, pôr em risco o pagamento de futuras tranches”, diz um comunicado da agência.

Artigos relacionados: 

terça-feira, 18 de agosto de 2015

O diktat da Alemanha

Terça, 18 de agosto de 2015

O diktat da Alemanha, por Ignacio Ramonet*

Ao apresentar às multidões um Tsipras com a corda ao pescoço e uma coroa de espinhos, Merkel, Hollande, Rajoy e os demais pretendiam demonstrar que não existe alternativa à via neoliberal. Criou-se na Europa o status de “novo protetorado” para os Estados que pediram um resgate. Editorial de agosto do Le Monde Diplomatique em espanhol.
17 de Agosto, 2015
Somente nos filmes de terror se podem ver cenas tão sádicas como a que vimos no dia 13 de julho, em Bruxelas, quando o primeiro-ministro grego Alexis Tsipras – ferido, derrotado, humilhado – teve que acatar em público, cabisbaixo, o diktat da chanceler alemã, Angela Merkel - Foto de Guido Bergmann/Bundesregierung
Somente nos filmes de terror se podem ver cenas tão sádicas como a que vimos no dia 13 de julho, em Bruxelas, quando o primeiro-ministro grego Alexis Tsipras – ferido, derrotado, humilhado – teve que acatar em público, cabisbaixo, o diktat da chanceler alemã, Angela Merkel, renunciando assim ao seu programa de libertação, pelo qual foi eleito, e o qual, precisamente, acabava de ser ratificado pelo seu povo, mediante referendo.
Exibido pelos vencedores como um troféu para as câmaras do mundo, o pobre Tsipras teve que engolir o seu orgulho e tragar também tantos sapos e cobras que o próprio semanário alemão Der Spiegel, compadecido, qualificou a lista de sacrifícios impostos ao povo grego como “um catálogo de horrores”…
Quando a humilhação do líder de um país alcança níveis tão assustadores, a imagem fica para a história, para servir de exemplo às gerações futuras, incitadas a não aceitar nunca mais um tratamento semelhante. Assim chegaram até aos nossos tempos expressões como “passar pelas forcas caudinas”1 ou o célebre “passeio da Canossa”2. O que ocorreu em 13 de julho foi tão enorme e tão absolutamente irreal que talvez esse dia também seja recordado, no futuro da Europa, como o dia do “diktat da Alemanha”.
Perdeu-se definitivamente o controle cidadão em relação a uma série de decisões que determinam a vida das pessoas no quadro da União Europeia (UE) e, sobretudo, no seio da Zona Euro

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Eric Toussaint: "A presidente do Parlamento Grego salvou a honra do Syriza"

Segunda, 17 de agosto de 2015
"A coisa mais séria descoberta pela Comissão da Verdade é clara: toda a dívida reclamada pelos credores da Troika é ilegítima, odiosa, ilegal e insustentável. Não é apenas uma parte dela; é a totalidade da dívida.
Nós estamos em uma situação em que os três partidos à direita que perderam o referendo são aqueles que, juntamente com os credores, estão ditando as leis que o Parlamento deve adotar."
= = = = = = = = = = =
Entrevista (em 01 de agosto) com Eric Toussaint*, por Fátima Fafatale
Tradução do inglês para o português por Giulia Pierro – original aqui.

“Agora o governo Tsipras tornou-se cúmplice dos credores, em violação dos direitos humanos”, diz Eric Toussaint, coordenador científico da Comissão da Verdade sobre a Dívida Grega, formada sob os auspícios do parlamento grego em abril de 2015. A própria Comissão da Verdade também enfrenta uma possível retirada de apoio. “Nós vamos continuar trabalhando enquanto [Zoe Konstantopoulou] continuar presidente e, mesmo se ela sair, vamos continuar por nossa conta”, diz ele. O cientista político belga propôs alternativas para a “capitulação”. Diagonal perguntou-lhe quais políticos gregos poderiam realizá-las. “Há uma maioria do Comité Central Syriza que se opõe ao acordo e é a favor da implementação de medidas radicais”, disse ele. Toussaint acredita que “uma saída do euro tornou-se uma perspectiva necessária.”
Qual é a sua avaliação da capitulação assinada por Tsipras?
É uma verdadeira capitulação com efeitos devastadores, porque agora o governo Tsipras tornou-se cúmplice dos credores, em violações de direitos humanos. De fevereiro de 2015 até agora não foi esse o caso, porque as leis aprovadas pelo parlamento grego buscavam restabelecer parcialmente esses direitos. É verdade, mesmo que insuficientemente, mas eram leis destinadas a restabelecer os direitos afetados por cinco anos de políticas ditadas pela Troika.
As consequências da capitulação certamente serão sentidas entre o povo grego a partir do outono. Mas desde já pode-se ver de forma muito clara que as leis apresentadas nas noites de 15, 16, 22 e 23 de julho e aprovadas pelo Parlamento foram propostas pelo governo, porém ditadas pelos credores. Elas afetam seriamente os direitos econômicos, sociais, civis e políticos dos cidadãos gregos, é por isso que eu menciono violações dos direitos humanos. Uma das leis aprovadas nas noites de 22 e 23 de julho permite aos bancos organizar a expulsão de famílias que atrasarem o pagamento de suas hipotecas. Na Espanha, você sabe o que isso significa. Essa lei não é tão nefasta quanto a atual lei espanhola, mas tem os propósitos semelhantes…

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Grécia: Novo memorando revê em baixa metas de austeridade

Quarta, 12 de agosto de 2015
O governo grego e os credores chegaram a acordo para o financiamento ao país nos próximos três anos. As metas orçamentais a atingir nos próximos anos baixaram e Atenas acredita que dão espaço para o crescimento da economia. Em dois telefonemas, Merkel ainda tentou travar o acordo.
12 de Agosto, 2015
O acordo prevê que possa regressar a negociação coletiva e as alterações às leis laborais serão feitas em consulta com a OIT.

Segundo a agência ANA-MPA, a chanceler alemã falou com Alexis Tsipras na segunda e na terça-feira, procurando convencer o primeiro-ministro grego da solução de um “acordo-ponte” que garantisse o pagamento das dívidas ao BCE nos próximos meses, prolongando as negociações para o terceiro memorando. Nos contatos que manteve também com Juncker e Hollande, Tsipras recusou sempre essa hipótese, exigindo que fosse cumprida a decisão da cimeira de 12 de julho para um terceiro programa de assistência ao país.
O acordo técnico anunciado na terça-feira terá agora de passar em vários parlamentos de países da zona euro. A começar pelo grego, onde deverá ser votado esta quinta-feira, para no dia seguinte ser discutido no Eurogrupo. A grande diferença em relação às anteriores propostas em cima da mesa é a revisão em baixa das metas de austeridade para os próximos anos na Grécia.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Alemanha lucrou mais de 100 mil milhões de euros com crise grega

Terça, 11 de agosto de 2015
Do site esquerda.net
Segundo o Instituto de Investigação Económica Halle, "mesmo que a Grécia não devolva nem um cêntimo” do dinheiro investido pela Alemanha nos planos de assistência financeira, “a bolsa pública alemã beneficiou financeiramente da crise".

Foto PPE/Flickr
A Alemanha "beneficiou claramente com a crise grega", em mais de 100 mil milhões de euros, refere o Instituto de Investigação Econômica Halle, membro da Associação Leibniz em comunicado.


“O orçamento equilibrado na Alemanha resulta em grande parte do pagamento de juros mais baixos devido à crise da dívida europeia”, lê-se no documento, no qual é sublinhado que a redução das taxas de ‘bund’ de cerca de 300 pontos base traduziu-se numa poupança de “mais de mil milhões de euros mais 100 (ou de 3% do produto interno bruto, PIB) durante o período de 2010 a 2015”.
“Uma parte significativa desta redução é diretamente imputável à crise grega”, esclarece o Instituto.
“Quando confrontados com uma crise, os investidores procuram investimentos seguros. Durante a crise da dívida na zona euro, a Alemanha beneficiou desproporcionalmente deste efeito: sempre que surgiam notícias más sobre a Grécia, as taxas de juro sobre as obrigações do governo alemão caíram, e cada vez que as notícias foram boas, estas subiram", explicam os investigadores.
“Ao discutir os custos para o contribuinte alemão de salvar a Grécia, estes benefícios não devem ser negligenciados, já que tendem a ser maiores do que as despesas, mesmo num cenário em que a Grécia não pague qualquer uma das suas dívidas”, destacam, lembrando que a Alemanha investiu cerca de 90 mil milhões de euros nos planos de assistência financeira, incluindo o que está agora a ser negociado.
“Mesmo que a Grécia não devolva nem um cêntimo, a bolsa pública alemã beneficiou financeiramente da crise", reforçam.

Artigos relacionados: