Domingo, 8 de julho de 2018
Bufão e desastrado, presidente é apenas um sintoma. Poder geopolítico de Washington declina, sistema político está em frangalhos e democratas investem em tola perseguição aos russos… Entrevista de Chomsky a C.J. Polychroniou, Truthout.

Noam Chomsky - Foto de Andrew Rusk/flickr
Nesta entrevista exclusiva à Truthout, o intelectual e linguista mundialmente renomado Noam Chomsky analisa alguns dos últimos acontecimentos nos EUA e suas consequências para a democracia e a ordem mundial.
Gostaria de começar perguntando qual é a sua leitura do que aconteceu no encontro entre Trump e Kim Jong-Un, em Singapura, e o modo como esse evento foi coberto pelos media dos EUA
Faz lembrar Sherlock Holmes e o cachorro que não latia. O importante foi o que não aconteceu. Ao contrário de seus antecessores, Trump não minou as perspetivas de avançar. Especificamente, não interrompeu o processo iniciado pelas duas Coreias em sua histórica Declaração de 27 de abril [Panmunjom], na qual elas “afirmaram o princípio de determinação do destino da nação coreana conforme seu próprio acordo” (repito: conforme seu próprio acordo), e pela primeira vez apresentaram um programa detalhado sobre como proceder. Trump tem um crédito por não minar esses esforços, e na verdade ele fez um movimento para facilitá-los ao cancelar as manobras militares EUA-Coreia do Sul, as quais, como disse ele com razão, são “muito provocadoras”. Nós com certeza não toleraríamos nada semelhante em nossas fronteiras – e em lugar algum do planeta – mesmo que eles não fossem feitos por uma superpotência que há não muito tempo tivesse devastado completamente o nosso país com os pretextos mais frágeis, depois da guerra já ter efetivamente terminado, orgulhando-se dos grandes crimes de guerra que cometeu, como o bombardeio de grandes barragens, quando não havia mais nada para bombardear.
Além do mérito de deixar as coisas prosseguirem, que não foi pequeno, nenhuma “habilidade diplomática” esteve envolvida no triunfo de Trump. A cobertura foi bastante instrutiva, em parte por causa dos esforços do Partido Democratas, para atacar Trump pela direita.
