Domingo, 23 de agosto de 2026
Atilio Borón: Fidel vence o tempo
Artigo postado originariamente do Portal Pátria Latina em 21 de agosto de 2026
Como eu poderia deixar de escrever algumas páginas sobre Fidel neste dia, o seu primeiro centenário! Ao sentar-me ao computador, determinado a cumprir o que sentia ser um dever que brotava das profundezas da minha consciência, não pude deixar de recordar o profundo desconforto que senti quando, em Cuba, soube da sua morte.
Mas houve dois momentos. Primeiro, perto da meia-noite de 25 de novembro de 2016, quando Raúl apareceu de repente na tela da televisão e eu o ouvi começar seu discurso dizendo: “Com profunda tristeza, compareço perante vocês para informar nosso povo”. Naquele instante, um lampejo reconfortante me ocorreu, e pensei que o Comandante havia sido transferido para uma unidade de terapia intensiva e que Raúl nos informaria sobre isso. Mas Fidel morrer? Impossível, jamais. Como ele poderia morrer, sendo Fidel a personificação viva da Nossa América e dos povos do mundo inteiro que lutam por sua dignidade, justiça e bem-estar? Sua morte seria equivalente a alguém anunciar que um tremendo cataclismo geológico havia devastado esta parte do mundo, agora submersa para sempre nas profundezas dos dois oceanos que a banham. Mas, em um segundo momento, veio a notícia devastadora da partida de Fidel.