Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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sábado, 20 de fevereiro de 2016

Varoufakis: Política econômica da União Eropeia "é um fracasso abjeto"

Sábado, 20 de fevereiro de 2016
O antigo ministro das Finanças grego interveio no arranque do Fórum por um Plano B na Europa, que se realiza este fim de semana em Madrid.
Sessão de abertura do Fórum "Plano B para a Europa"
O Fórum por um Plano B na Europa junta ativistas da esquerda europeia que se opõem à Europa de austeridade e contestam abertamente as regras impostas por Bruxelas aos governos nacionais. "A história da Europa nos últimos seis ou sete anos é uma comédia de erros. Erram e depois não podem admitir o erro, o que leva ao falhanço [fracasso]. Quando falham isso leva a austeridade e depois a mais falhanço [fracasso]", disse Varoufakis na abertura do encontro.

Para o antigo ministro das Finanças grego, citado pela agência Lusa, o único plano de Bruxelas é "manter a estrutura de cartel da União Europeia”, qualquer que seja o resultado da receita econômica que prescreve aos países em dificuldades. "E depois falam em recuperação. Que recuperação em Espanha e em Portugal? Ou na Irlanda? A política econômica europeia é um falhanço [fracasso] abjecto!", exclamou Varoufakis, que apresentou recentemente o seu novo projeto político que rejeita a saída do euro e defende uma aproximação ao campo político da social-democracia. "Temos de nos aliar com os Verdes, com os Sociais-Democratas que viram o erro em que caíram. Nós, da Esquerda, percebemos que temos uma responsabilidade histórica para com os povos", propôs o antigo ministro.

Este Fórum para um Plano B vai juntar milhares de participantes em sessões temáticas e plenários que contam com forte participação de ativistas do Sul da Europa, entre os quais os portugueses Francisco Louçã (economista fundador do Bloco), Lídia Fernandes (Marcha Mundial das Mulheres), Mamadou Ba (SOS Racismo) e João Camargo (Precários Inflexíveis). Entre os oradores internacionais estão muitos deputados e eurodeputados do Podemos, Izquierda Unida, EQUO, mas também do Die Linke alemão, do Parti de Gauche e dos Verdes franceses, Partido da Esquerda sueco ou da L’Altra Europa italiana, para além de ex-deputados do Syriza como Zoé Konstantopoulou ou Costas Lapavitsas. Outras figuras das redes por uma globalização alternativa estão entre os oradores, como Susan George (ATTAC) e Eric Toussaint (CADTM), sindicalistas da CGT francesa e da ELA basca e ativistas das redes de apoio aos refugiados e contra a precariedade laboral.

Julian Assange, refugiado na embaixada do Equador em Londres, também participará no Fórum através do Skype.

Acompanhe aqui as transmissões em direto do Fórum

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terça-feira, 22 de setembro de 2015

Chomsky: A história não segue uma linha reta


Terça, 22 de setembro de 2015
Do site ESQUERDA.NET
Numa entrevista conduzida pelo jornalista italiano Tommaso Segantini, Noam Chomsky fala sobre Bernie Sanders, Jeremy Corbyn, e o potencial de cidadãos comuns para protagonizarem mudanças radicais.
Ao longo da sua ilustre carreira, uma das principais preocupações de Noam Chomsky tem sido questionar - e exortar-nos a questionar - os pressupostos e as normas que regem a nossa sociedade.
 Na sequência de uma palestra sobre poder, ideologia e política externa dos EUA, que teve lugar no fim-de-semana passado na New School, em Nova Iorque, o jornalista italiano freelancer Tommaso Segantini sentou-se com o octogenário para discutir alguns desses mesmos temas, incluindo a forma como eles se relacionam com processos de transformação social.
 Para os radicais, o progresso exige perfurar a bolha da inevitabilidade: a austeridade, por exemplo, "é uma decisão política assumida pelos seus autores para os seus próprios fins". Não é implementada, diz Chomsky, "devido a quaisquer leis econômicas". O capitalismo americano também beneficia do obscurecimento ideológico: apesar da sua associação aos livres mercados livres, o capitalismo está repleto de subsídios para alguns dos mais poderosos atores privados. Também é preciso estourar esta bolha.
 Além de discutir as perspectivas de uma transformação radical, Chomsky comenta a crise da zona euro, se o Syriza poderia ter evitado submeter-se aos credores da Grécia, bem como a importância de Jeremy Corbyn e Bernie Sanders.
 E permanece moderadamente optimista: "Ao longo do tempo há uma espécie de trajetória geral no sentido de uma sociedade mais justa, com retrocessos e revezes, como é óbvio".
 Numa entrevista há alguns anos atrás, disse que o movimento Occupy Wall Street tinha criado um sentimento raro de solidariedade nos EUA. A 17 de setembro celebrou-se o quarto aniversário do movimento OWS. Qual é a sua avaliação dos movimentos sociais, como o OWS, ao longo dos últimos vinte anos? Têm sido eficazes a promover a mudança? Como poderiam melhorar?
 Eles tiveram um impacto; não se fundiram em movimentos persistentes e contínuos. É uma sociedade muito atomizada. Há muito poucas organizações com atividade contínua que têm memória institucional, que sabem como passar para a próxima etapa e assim por diante.
 Esta realidade deve-se em parte à destruição do movimento operário, que costumava oferecer uma espécie de base fixa para muitas atividades; atualmente, praticamente as únicas instituições persistentes são as igrejas. Muitas coisas estão ligadas à igreja.

sábado, 30 de maio de 2015

David Harvey: “O Syriza e o Podemos abriram um espaço político”

Sábado, 30 de maio de 2015
Transcrito do ESQUERDA.NET
Para o geógrafo, os partidos tradicionais tornaram-se incapazes de enfrentar o capitalismo reconfigurado. Mas grupos como o Syriza e o Podemos multiplicam o alcance das “políticas do quotidiano” praticadas pela juventude anti-sistema. Myke Watson entrevista David Harvey, para a Verso Books .
29 de Maio, 2015
Conhecido pela abordagem não convencional que introduziu no debate sobre o Direito à Cidade e pela sua leitura heterodoxa da obra de Karl Marx, o geógrafo David Havey parece cada vez mais disposto a participar do esforço pela renovação do pensamento e lutas anticapitalistas. A partir de 2011, já examinara atentamente movimentos como a Primavera Árabe, os Indignados e o Occupy. Agora, aos 79 anos, segue com atenção formações políticas que, embora tendo o marxismo como fonte (não única…) de inspiração, diferem em muito dos partidos tradicionais de esquerda — nos programas, práticas e métodos de organização. Volta os olhos, em especial, para o Syriza grego e Podemos espanhol.
Na entrevista a seguir, Harvey fala brevemente — porém de forma incisiva — sobre estes novos movimentos-partidos. Vale a pena reter três pontos suscitados pelo geógrafo: a) Segundo ele, o cenário das lutas políticas e culturais é menos sombrio do que vezes parece. A esquerda histórica perdeu a capacidade de dialogar com os novos movimentos. No entanto, eles multiplicam-se, ao reunir um número crescente de pessoas que, no meio de um mundo desumanizado, “procuram uma forma de existência não-alienada e esperam trazer de volta algum sentido à própria vida”; b) Syriza e Podemos não se definem como anticapitalistas, mas isso é o que menos importa. Eles dão sentido e força à revolta de quem se sente desamparado pela redução dos direitos sociais. Ao fazê-lo desafiam o principal projeto do sistema: uma nova ronda de reconcentração de riquezas, expressa nas políticas de “austeridade” ou “ajuste fiscal”; c) Talvez o calcanhar-de-aquiles das políticas hoje hegemónicas esteja na Europa. Ao empurrarem a Grécia para fora do euro, a oligarquia financeira pode produzir uma tempestade de consequências imprevisíveis. Segue a entrevista (A.M.).
No seu último livro, afirma que Marx optou pelo humanismo revolucionário em vez do dogmatismo teleológico. Onde seria possível encontrar um espaço para a concretização deste humanismo revolucionário?

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

IMPRENSA SILENCIOSA: Jornais pouco veiculam manifestação em Madri

Terça, 3 de fevereiro de 2015
Por Cristiano de Sales em 03/02/2015 na edição 836 do Observatório da Imprensa
Impressiona a pouca ênfase que os jornais de maior circulação no Brasil, em suas versões online, deram à manifestação ocorrida no sábado (31/1) num dos principais endereços da capital espanhola. Na busca de maiores informações sobre o ocorrido, pode-se digitar no Google, em português, a expressão “manifestação em Madrid” e ver uma série de respostas nos direcionando a sítios lusitanos. O número de participantes foi calculado em 100 mil
Se quisermos ler em nossos “principais” jornais o que houve na Espanha, temos que vasculhar os frames, as diferentes seções, e rolar um bocado a barra lateral de navegação para encontrarmos notícias compiladas da mesma fonte dos tais periódicos lusitanos.
A manifestação, que teve como força propulsora as eleições na Grécia, com a vitória do Syriza, parece não interessar muito aos periódicos que tantos favores prestam às forças econômicas estrangeiras. Mesmas forças que sufocaram a Grécia nisso que eles chamam de salvamento da economia da zona do euro. O problema não são as verdades ou mentiras sobre essa questão de salvamento da economia europeia. O problema é sempre aceitar que questões humanistas (até onde sei, a liberdade é uma questão de humanidade) possam ser sacrificadas em prol de um salvamento econômico. E é contra isso que os europeus começam a sinalizar ao eleger um governo de oposição na Grécia e ao tomarem as ruas de Madrid. E é exatamente isso que os jornais do Brasil preferem não fazer virar debate.
Noticiar, como fizeram o Estado de S.Paulo e O Globo, reproduzindo agências de notícias, está bem longe de transformar um assunto em debate. Aliás, essa manifestação não ganha destaque nem mesmo entre as notícias internacionais desses jornais. Ela aparece como mais uma dentre as tantas tristes notícias dos conflitos pelo mundo. Mas espera aí! Essa é uma notícia diferente. Ela talvez seja o contraponto às notícias deprimentes de conflitos que estamos acostumados a ver com tanta frequência (mesmo que essa manifestação gere conflitos).
A falta de interesse
Claro, para que haja debate sobre um fenômeno como esse é necessário tempo de digestão das informações e amadurecimento das ideias, mas o primeiro passo não foi dado, as informações não apareceram com o destaque que mereciam para resultarem em interesse público.
Um ponto, entre tantos outros de desdobramento sócio histórico, que poderia começar a ser trabalhado na veiculação desses acontecimentos, é a demonstração, por exemplo, das diferentes motivações com que se vai às ruas na Europa, se comparado ao Brasil. Sem querer estabelecer uma comparação reducionista e infrutífera entre os dois continentes, vale destacar o tipo de pautas que têm levado os europeus às ruas. Elas são mais subjetivas, abstratas, conceituais. A de Madrid foi convocada contra a austeridade do governo. É contra uma prática bastante objetiva do governo? Sim, mas é também contra um conceito, uma postura, uma ideia, uma solução.
As manifestações no Brasil têm um perfil um pouco mais pontual: reivindica-se, aparentemente, contra aumento de tarifas de transporte, contra falta d’água, contra falta de moradia (todas elas absolutamente legítimas). Não significa que por serem assim sejam menos dignas, significa que o país tem outro perfil, o de exigir (a própria população faz isso) que as pautas sejam claras e objetivas, e não subjetivas, ou pouco definidas. E a população exige isso muito em função da forma como os noticiários veiculam as manifestações; muito em função de como a mídia “fomenta” esse debate protegendo os interesses de grupos muito parecidos com aqueles que estão agora na mira das manifestações europeias. Daí a falta de interesse em fomentar publicamente essa discussão que em muito ajudaria a nós, brasileiros, entendermos que nossas manifestações também não são apenas pontuais, por 50 centavos, elas são também conceituais. Tomamos as ruas porque cada vez menos interferimos nas decisões da res publica. Isso não aparece no jornal.
***
Cristiano de Sales é professor de Comunicação Social 
Fonte: Observatório da Imprensa
http://www.observatoriodaimprensa.com.br

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Marcha do Podemos clama: “É a hora da Mudança”

Domingo, 1º de fevereiro de 2015
A Marcha da Mudança terá juntado mais de cem mil pessoas em Madrid
 
A Marcha da Mudança terá juntado neste sábado em Madrid mais de cem mil pessoas, segundo os cálculos de publico.es.

Durante a manifestação as palavras de ordem mais gritadas foram “Sim podemos”, “É a hora da mudança” e “O povo unido jamais será vencido”.