Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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sábado, 30 de maio de 2015

David Harvey: “O Syriza e o Podemos abriram um espaço político”

Sábado, 30 de maio de 2015
Transcrito do ESQUERDA.NET
Para o geógrafo, os partidos tradicionais tornaram-se incapazes de enfrentar o capitalismo reconfigurado. Mas grupos como o Syriza e o Podemos multiplicam o alcance das “políticas do quotidiano” praticadas pela juventude anti-sistema. Myke Watson entrevista David Harvey, para a Verso Books .
29 de Maio, 2015
Conhecido pela abordagem não convencional que introduziu no debate sobre o Direito à Cidade e pela sua leitura heterodoxa da obra de Karl Marx, o geógrafo David Havey parece cada vez mais disposto a participar do esforço pela renovação do pensamento e lutas anticapitalistas. A partir de 2011, já examinara atentamente movimentos como a Primavera Árabe, os Indignados e o Occupy. Agora, aos 79 anos, segue com atenção formações políticas que, embora tendo o marxismo como fonte (não única…) de inspiração, diferem em muito dos partidos tradicionais de esquerda — nos programas, práticas e métodos de organização. Volta os olhos, em especial, para o Syriza grego e Podemos espanhol.
Na entrevista a seguir, Harvey fala brevemente — porém de forma incisiva — sobre estes novos movimentos-partidos. Vale a pena reter três pontos suscitados pelo geógrafo: a) Segundo ele, o cenário das lutas políticas e culturais é menos sombrio do que vezes parece. A esquerda histórica perdeu a capacidade de dialogar com os novos movimentos. No entanto, eles multiplicam-se, ao reunir um número crescente de pessoas que, no meio de um mundo desumanizado, “procuram uma forma de existência não-alienada e esperam trazer de volta algum sentido à própria vida”; b) Syriza e Podemos não se definem como anticapitalistas, mas isso é o que menos importa. Eles dão sentido e força à revolta de quem se sente desamparado pela redução dos direitos sociais. Ao fazê-lo desafiam o principal projeto do sistema: uma nova ronda de reconcentração de riquezas, expressa nas políticas de “austeridade” ou “ajuste fiscal”; c) Talvez o calcanhar-de-aquiles das políticas hoje hegemónicas esteja na Europa. Ao empurrarem a Grécia para fora do euro, a oligarquia financeira pode produzir uma tempestade de consequências imprevisíveis. Segue a entrevista (A.M.).
No seu último livro, afirma que Marx optou pelo humanismo revolucionário em vez do dogmatismo teleológico. Onde seria possível encontrar um espaço para a concretização deste humanismo revolucionário?

domingo, 22 de março de 2015

Aceitar o 'Austericídio' não é a única opção para o Brasil, Dilma. Deu pra entender ou preciso desenhar?

Domingo, 22 de março de 2015
Do Blog Náufrago da Utopia
Por Celso Lungaretti
Em sua coluna deste domingo, 22,  na Folha de S. Paulo, o veterano comentarista internacional Clóvis Rossi destaca que o Reino Unido acaba de anunciar um Orçamento que prevê elevação do Imposto de Renda para o 1% mais rico da população, de 25% para 27%; e também "o aumento de impostos aos bancos, com o que espera arrecadar o equivalente a R$ 25,7 bilhões". 

O secretário do Tesouro Patrick McLoughlin justificou: "Os bancos tiveram nossa ajuda durante a crise; agora devem apoiar o país enquanto se recupera".

Ou seja, governado desde 2010 pelo Partido Conservador, o Reino Unido faz o que o Brasil governado desde 2003 pelo PT não ousa fazer.
Daí Clóvis Rossi estar cobrando "que as autoridades brasileiras tentem, uma vez na vida, pensar também fora da caixa". 

Suas conclusões são irrespondíveis:
"Demandar mais de quem mais tem é uma regra de sentido comum, que não tem nada de ortodoxa ou heterodoxa.
É evidente que, para uma fatia da população, está sobrando dinheiro, a ponto de serem brasileiros os que mais fazem consultas sobre imóveis em Miami, conforme relatório da Associação de Imobiliárias da cidade.
Bancos também sabidamente pagam pouco imposto no Brasil, aproveitando-se de uma legislação tributária no mínimo tortuosa.
Que essas pessoas e esse setor deem uma contribuição mais suculenta para o saneamento das contas públicas seria apenas uma questão de justiça social.
...O caso do Reino Unido ilustra também que a mera austeridade (...) não é a panaceia universal.


O país adotou com thatcheriano entusiasmo o 'austerícidio' que é marca registrada das políticas europeias contemporâneas.
Até deu certo, mas levou seis anos para que o Reino Unido recuperasse o tamanho da economia que tinha no primeiro trimestre de 2008, às vésperas da grande crise".
Aliás, isto vem ao encontro do que eu afirmei no post de sábado, 21, rechaçando a afirmação da presidenta Dilma Rousseff, de que, "nós juntos, aprovando o ajuste, saímos disso no curto prazo".
A mistificação era tamanha que perdi a paciência: 
"E o diploma de otário, quando será entregue aos que engolirem esta patranha? O ajuste inevitavelmente nos imporá rigores acentuados durante 2015 inteiro, provavelmente em 2016 também e talvez nos anos seguintes. Isto lá é curto prazo?!".
A um comentarista que discordou de mim no Brasil 247, acrescentei:
"Isto é tratar os brasileiros como infantilizados. Nenhum economista que se preze avalizará tal afirmação, pelo menos em termos da ortodoxia neoliberal. Nos moldes do Joaquim Levy, o aperto de cinto ultrapassará 2015 e, muito provavelmente, 2016 também. Então, se a Dilma quer continuar nesse caminho, deveria ter, pelo menos, a sinceridade do Winston Churchill, que [na 2ª Guerra Mundial] não escondeu a gravidade da ameaça que os ingleses enfrentavam e só lhes ofereceu 'sangue, suor, sofrimento e lágrimas'".
No Reino Unido, a recuperação da economia demorou seis anos. Se a Dilma acredita que os brasileiros, iludidos pelo blablablá palaciano, aguentarão seis anos de vacas magras, está mais desnorteada ainda do que parece. 

Por aqui, não sobraria pedra sobre pedra.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Governo austríaco crítica Merkel e apoia plano de Tsipras

Segunda, 9 de fevereiro de 2015
De ESQUERDA.NET
Chanceler austríaco afirmou que o plano grego de lutar contra a corrupção e a fraude fiscal “tem mais lógica do que dizer que tem de ser cortar ou privatizar no meio de uma crise”. Werner Faymann esteve reunido esta segunda-feira com Alexis Tsipras em Viena. 
Alexis Tsipras, primeiro-ministro grego, e Werner Fayman, chanceler austríaco.

Em contra-ciclo com a maioria dos chefes de governo europeus, Werner Fayman criticou, numa entrevista publicada pelo diário Kurier este domingo, a sua homóloga alemã por “esperar para ver” e de “fazer tudo um pouco tarde”, o que na opinião do social-democrata austríaco está a prejudicar o combate aos problemas económicos europeus.

Apesar de a Áustria ter a segunda menor taxa de desemprego da União Europeia, 4,9 por cento, o chanceler entende que Angela Merkel está a desvalorizar os efeitos de médio prazo da perda de poder de compra, sendo por isso uma “política agressiva” de combate ao desemprego.

Em relação à Grécia, e, não sendo favorável a um perdão da dívida ao país, Fayman declarou o seu apoio nas “negociações em condições técnicas para que o país tenha mais margem de manobra para sair da crise”.

O chanceler austríaco sublinhou ainda que o plano de Alexis Tsipras de combate à corrupção e à fraude fiscal “tem mais lógica do que dizer que tem de se cortar ou privatizar no meio de uma crise”, numa clara crítica às orientações económicas de Bruxelas e Berlim.

Na conferência de imprensa, após a reunião que durou cerca de uma hora, Faymann afirmou que "a questão é encontrar uma solução entre o enquadramento acordado no passado e os esforços do novo Governo grego", acrescentando ainda que "um novo caminho tem de ser encontrado". "Temos de encontrar soluções mutuamente aceitáveis", ressalvou.

Por seu lado, Alexis Tsipras disse estar "muito satisfeito" com a reunião com o chanceler austríaco. "Tenho um novo amigo que nos pode ajudar a encontrar uma solução viável para o futuro comum europeu", afirmou. 

Artigos relacionados:

terça-feira, 3 de junho de 2014

OIT: medidas de austeridade na Europa levam 800 mil crianças à pobreza


Terça, 3 de junho de 2014
Da Agência Lusa 
Edição: Denise Griesinger
As medidas de austeridade adotadas pelos governos de países da Europa a partir de 2008, levaram, como um dos efeitos mais visíveis, 800 mil crianças para a pobreza. Os dados constam de um relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgado hoje (3). “Em 2012, 123 milhões de pessoas nos 27 Estados-Membros da União Europeia, ou 24% da população, estavam em risco de pobreza ou exclusão social e cerca de mais 800 mil crianças viviam na pobreza do que em 2008”, lê-se no Relatório sobre Proteção Social no Mudo 2014/2015, no capítulo Erosão do Modelo Social Europeu.