Na definição da cartilha Terreiros em Luta, racismo religioso é um conjunto de práticas violentas que expressam a discriminação e o ódio pelas religiões de matriz africana - Juliana Gonçalves/ Arquivo Brasil de Fato
Representante de entidade ecumênica alerta para apropriação de fé para disseminar racismo religioso nas eleições
Rádio Brasil de Fato
Lucas Weber —16 de Agosto de 2022
Lucas Weber —16 de Agosto de 2022
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As recentes falas da primeira-dama Michelle Bolsonaro e do deputado federal Marco Feliciano (PL-SP) colocaram o racismo religioso como um dos temas centrais das eleições deste ano e também do combate a fake news.
Os dois depoimentos propagaram mentiras sobre a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), acusando-o, por exemplo, de realizar perseguição religiosa contra evangélicos. A primeira-dama fez uma postagem na qual afirma que Lula “vendeu a alma” ao se encontrar com lideranças de religiões de matriz africana.
“Esse tipo de fala branca, racista, de elite e de um evangelismo de pregação radiofônico ou televisivo não vai estar dialogando com o povo”, defende o antropólogo Rafael Soares de Oliveira, secretário de planejamento da entidade Koinonia, entidade ecumênica fundada em 1994, composta por pessoas de diferentes tradições religiosas.
Em entrevista ao programa Bem Viver desta terça-feira (16), da Rádio Brasil de Fato, o especialista acredita que “[Marco] Feliciano e Michele [Bolsonaro] tentam falar em nome de uma totalidade evangélica que é mentira. A maioria evangélica é preta, é de base e se assusta. Eles estão perdendo muito terreno”.
“Essas pessoas [os evangélicos] são nossas aliadas, elas acreditam no amor, profundamente no amor”, conclui Rafael de Oliveira, que é Ogan de Oxossi do Ile Axé Iya Nasso Oka, terreiro da Casa Branca, em Salvador (BA), considerado o terreiro mais antigo do Brasil.

