Quarta, 25 de março de 3030
Da Abrasco
O Vice-presidente da Abrasco e professor do Núcleo de Bioética e Ética Aplicada da UFRJ (NUBEA),Reinaldo Guimarães, concedeu entrevista ao Instituto Humanitas Unisinos (IHU) acerca de questões que envolvem a atuação do sistema de saúde do país em relação à epidemia da Covid-19. Apesar de os primeiros casos da doença terem sido diagnosticados na rede hospitalar privada, o abrasquiano ressalta que, com os casos de transmissão interna crescendo, o papel do SUS é fundamental. Pra o professor, uma das lições que a pandemia do Coronavírus deixa é de “que países que possuem sistemas universais públicos de saúde têm melhores condições de enfrentá-los do que aqueles que não têm”.
Clique aqui e acesse a publicação no original; e leia abaixo a entrevista na íntegra:
IHU On-Line – Como avalia as ações do governo brasileiro para tentar conter o avanço da Covid-19? Quais as potencialidades e as fragilidades das medidas que vêm sendo adotadas pelas autoridades na contenção e no tratamento da doença?
Reinaldo Guimarães – As nossas vantagens dizem respeito a estarmos sendo atingidos após as experiências da China, da Itália, dos Estados Unidos etc. Estamos aproveitando as lições aprendidas nesses países. De modo geral, as equipes profissionais de servidores no Ministério da Saúde e em várias Secretarias nos estados têm tido protagonismo na proposição de medidas, e seus chefes têm, de modo geral, acatado suas sugestões.
Nossa desvantagem é a política de arrocho financeiro-orçamentário instituída pelo governo federal, cuja mais perniciosa expressão é a Emenda Constitucional 95, que provoca a diminuição real dos gastos públicos. Na saúde, isso significou uma frustração financeira de cerca de R$ 20 bilhões desde o início da vigência dessa emenda.
IHU On-Line – Qual a centralidade do Sistema Único de Saúde – SUS nessas ações?
Reinaldo Guimarães – O SUS é o elemento central no enfrentamento da pandemia entre nós. O fato de os primeiros casos terem sido diagnosticados em hospitais privados decorre de os primeiros pacientes terem sido pessoas de posses que são clientes desses hospitais e que vieram de países europeus. Conforme a onda epidêmica vai se tornando comunitária, com a circulação do vírus de pessoa a pessoa dentro do país, o papel do SUS vai se tornando evidente e central.

