Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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sexta-feira, 13 de maio de 2016

Dilma, Temer e o Espelho Mágico

Sexta, 13 de maio de 2016
Estressada, em 10 de maio último, véspera da votação da admissibilidade do processo de impeachment pelo Senado, a presidente Dilma resolveu consultar o seu espelho mágico para descobrir uma das razões do seu afastamento algumas horas depois. 

—Espelho, espelho meu, já houve ou haverá um ministério mais feio e pior do que o Meu? 

—Siiiiim! (respondeu o Espelho Mágico). E completou:

— Espera só mais um pouquinho pra conhecer o Ministério do Michel Temer! Pior jamais existirá neste século e nos próximos dez que virão!

sábado, 12 de dezembro de 2015

Luciana Genro: Contra o impeachment e sem medo de se misturar, mas com uma política independente

Sábado, 12 de dezembro de 2015
"Estive na tarde de hoje (11/12) em um ato em Porto Alegre, em frente ao busto de Leonel Brizola – o governador que deflagrou a Campanha da Legalidade – para dizer: 'Fora Cunha, não ao golpe!'"
“Estive na tarde de hoje (11/12) em um
ato em Porto Alegre, em frente ao
busto de Leonel Brizola – o governador
que deflagrou a Campanha da Legalidade
– para dizer: ‘Fora Cunha, não ao golpe!'”

Leia também: Contra Cunha e Temer, por eleições gerais em 2016

Por Luciana Genro

Estive na tarde de hoje (11/12) em um ato em Porto Alegre, em frente ao busto de Leonel Brizola – o governador que deflagrou a Campanha da Legalidade – para dizer:”Fora Cunha, não ao golpe!”. O PSOL é contra o impeachment e contra o golpismo de Eduardo Cunha. Golpismo que ganhou a companhia de Michel Temer, que tem dado todos os sinais de que trabalha para assumir a Presidência da República.

Mas eu também tenho dito que esta posição não é suficiente. É uma posição cômoda, que simplesmente declara um voto, mas que assiste o país avançar para um golpe consumado por um Congresso corrupto. Para barrar este golpe é preciso que o povo tome as ruas. Mas, justificadamente, o povo não quer defender o governo, que aplica um duro ajuste nas costas dos trabalhadores e da classe média. Esta ausência do povo nas ruas não pode, porém, fazer com que o PSOL aceite que este Congresso decida o futuro do país.

Na tentativa de lutar para evitar que o Congresso corrupto deponha uma presidente eleita pelo voto direto – eleita, porém desacreditada, pois governa com um programa oposto ao que defendeu nas eleições –, apresentei a ideia de que o próprio governo proponha a realização de eleições gerais antecipadas em 2016. Se o governo assumisse esta política seria muito mais provável a derrota do impeachment, pois os que estão legitimamente indignados com a corrupção, a carestia e o desemprego, mas também não querem que Cunha e Temer sejam vitoriosos no seu golpismo, veriam uma perspectiva de mudança no horizonte e não a mera continuidade do governo por mais três anos.

Neste caso o governo não cairia por um impeachment golpista e o PT poderia apresentar sua intenção de continuar governando, as distintas oposições se apresentariam, inclusive o PSOL, e se abriria um debate no país sobre quais as saídas para esta crise. Este debate foi interditado no segundo turno, pois Dilma insistiu que não havia crise e disse que quem iria aplicar um ajuste contra o povo seria Aécio Neves.

Esta proposta gerou muitos debates e críticas. Consegui ler muitas delas e quero dizer que respeito profundamente a divergência educada e politizada de ideias e de propostas para a saída da crise. Só que enquanto uma alternativa não for organizada pela esquerda, o Congresso Nacional ganhará cada vez mais peso de decisão, embora seja cada vez mais ilegítimo, corrupto e reacionário.

Tenho convicção de que se não apostarmos no empoderamento popular será o Congresso a tomar as decisões e elas não serão boas para o povo. É claro que o resultado de uma eleição geral poderia ser também a vitória da direita tradicional. Mas eles só ganhariam as eleições se não falarem o que de verdade farão. Só ganhariam mentindo ao povo, prometendo melhorias. Neste caso, então, o choque com o povo viria rápido e a reação seria muito maior. Do contrário, no quadro atual, esta mesma direita pode levar o poder sem eleições e sem que o povo tenha que fazer uma nova experiência democrática, ainda que seja nesta nossa democracia que tem muito de fachada.

Sigamos juntos e juntas nesta luta e neste debate!

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Vice-Presidência confirma teor de carta de Temer a Dilma; leia a íntegra

Terça, 8 de dezembro de 2015
Da Agência Brasil
A Vice-Presidência da República confirmou à Agência Brasil o teor de uma carta enviada ontem (7) pelo vice-presidente, Michel Temer, à presidenta Dilma Rousseff. A carta começa com uma expressão em latim: “As palavras voam, o escrito permanece".
A seguir, a íntegra do documento:
"São Paulo, 7 de Dezembro de 2015
Senhora Presidente,
"Verba volant, scripta manent". Por isso lhe escrevo. Muito a propósito do intenso noticiário destes últimos dias e de tudo que me chega aos ouvidos das conversas no Palácio. Esta é uma carta pessoal. É um desabafo que já deveria ter feito há muito tempo.
Desde logo lhe digo que não é preciso alardear publicamente a necessidade da minha lealdade. Tenho-a revelado ao longo destes cinco anos. Lealdade institucional pautada pelo art. 79 da Constituição Federal. Sei quais são as funções do Vice. À minha natural discrição conectei aquela derivada daquele dispositivo constitucional.
Entretanto, sempre tive ciência da absoluta desconfiança da senhora e do seu entorno em relação a mim e ao PMDB. Desconfiança incompatível com o que fizemos para manter o apoio pessoal e partidário ao seu governo. Basta ressaltar que na última convenção apenas 59,9% votaram pela aliança. E só o fizeram, ouso registrar, porque era eu o candidato à reeleição à Vice.
Tenho mantido a unidade do PMDB apoiando seu governo, usando o prestígio político que tenho, advindo da credibilidade e do respeito que granjeei no partido. Isso tudo não gerou confiança em mim, Gera desconfiança e menosprezo do governo.
Vamos aos fatos. Exemplifico alguns deles.

1. Passei os quatro primeiros anos de governo como vice decorativo. A Senhora sabe disso. Perdi todo protagonismo político que tivera no passado e que poderia ter sido usado pelo governo. Só era chamado para resolver as votações do PMDB e as crises políticas.

2. Jamais eu ou o PMDB fomos chamados para discutir formulações econômicas ou políticas do país; éramos meros acessórios, secundários, subsidiários.
3. A senhora, no segundo mandato, à última hora, não renovou o Ministério da Aviação Civil, onde o Moreira Franco fez belíssimo trabalho, elogiado durante a Copa do Mundo. Sabia que ele era uma indicação minha. Quis, portanto, desvalorizar-me. Cheguei a registrar este fato no dia seguinte, ao telefone.
4. No episódio Eliseu Padilha, mais recente, ele deixou o Ministério em razão de muitas "desfeitas", culminando com o que o governo fez a ele, Ministro, retirando, sem nenhum aviso prévio, nome com perfil técnico que ele, Ministro da área, indicara para a ANAC. Alardeou-se a) que fora retaliação a mim; b) que ele saiu porque faz parte de uma suposta "conspiração".
5. Quando a senhora fez um apelo para que eu assumisse a coordenação política, no momento em que o governo estava muito desprestigiado, atendi e fizemos, eu e o Padilha, aprovar o ajuste fiscal. Tema difícil porque dizia respeito aos trabalhadores e aos empresários. Não titubeamos. Estava em jogo o país. Quando se aprovou o ajuste, nada mais do que fazíamos tinha sequência no governo. Os acordos
assumidos no Parlamento não foram cumpridos. Realizamos mais de 60 reuniões de lideres e bancadas ao longo do tempo, solicitando apoio com a nossa credibilidade. Fomos obrigados a deixar aquela
coordenação.
6. De qualquer forma, sou Presidente do PMDB e a senhora resolveu ignorar-me, chamando o líder Picciani e seu pai para fazer um acordo sem nenhuma comunicação ao seu Vice e Presidente do Partido. Os dois ministros, sabe a senhora, foram nomeados por ele. E a senhora não teve a menor preocupação em eliminar do governo o Deputado Edinho Araújo, deputado de São Paulo e a mim ligado.
7. Democrata que sou, converso, sim, senhora Presidente, com a oposição. Sempre o fiz, pelos 24 anos que passei no Parlamento. Aliás, a primeira medida provisória do ajuste foi aprovada graças aos 8
votos do DEM, 6 do PSB e 3 do PV, recordando que foi aprovado por apenas 22 votos. Sou criticado por isso, numa visão equivocada do nosso sistema. E não foi sem razão que em duas oportunidades ressaltei que deveríamos reunificar o país. O Palácio resolveu difundir e criticar.
8. Recordo, ainda, que a senhora, na posse, manteve reunião de duas horas com o Vice-Presidente Joe Biden - com quem construí boa amizade - sem convidar-me, o que gerou em seus assessores a pergunta: o que é que houve que numa reunião com o Vice Presidente dos Estados Unidos, o do Brasil não se faz presente? Antes, no episódio da "espionagem" americana, quando as conversas começaram a ser retomadas, a senhora mandava o Ministro da Justiça, para conversar com o Vice-Presidente dos Estados Unidos. Tudo isso tem significado absoluta falta de confiança.
9. Mais recentemente, conversa nossa (das duas maiores autoridades do país) foi divulgada e de maneira inverídica, sem nenhuma conexão com o teor da conversa.
10. Até o programa "Uma Ponte para o Futuro", aplaudido pela sociedade, cujas propostas poderiam ser utilizadas para recuperar a economia e resgatar a confiança, foi tido como manobra desleal.
11. PMDB tem ciência de que o governo busca promover a sua divisão, o que já tentou no passado, sem sucesso. A senhora sabe que, como Presidente do PMDB, devo manter cauteloso silêncio com o objetivo de procurar o que sempre fiz: a unidade partidária.
Passados estes momentos críticos, tenho certeza de que o País terá tranquilidade para crescer e consolidar as conquistas sociais. Finalmente, sei que a senhora não tem confiança em mim e no PMDB hoje e não terá amanhã.
Lamento, mas esta é a minha convicção.
Respeitosamente, \ L TEMER
A Sua Excelência a Senhora
Doutora DILMA ROUSSEFF
DO. Presidente da República do Brasil
Palácio do Planalto
Brasília, D.F."