Liderança Tupinambá analisa o panorama histórico da violência contra povos indígenas no sul da Bahia
Para a liderança, os interesses de empresários ligados ao cacau e turismo nas áreas em que se localizam as terras indígenas no sul da Bahia é um dos fatores para os conflitos na região - Alfredo Portugal/Bd
Brasil de Fato
07.maio.2025 às 19h16
Salvador (BA)
Lorena Andrade
O aumento da violência contra povos indígenas na Bahia, especialmente no sul e extremo-sul do estado, expressa a tensão que os povos originários têm vivido em todo o país diante dos ataques aos seus direitos, a exemplo da luta contra o marco temporal. Segundo a última edição do Relatório de Conflitos do Campo Brasil, lançada no dia 23 de abril pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), o ano de 2024 registrou o segundo maior número de conflitos da série histórica da CPT, com 2.185 casos registrados, perdendo apenas para 2023, que teve 2.250 registros.
Os povos indígenas compõem a categoria que mais sofreu com assassinatos – 5 de 13 casos no total. Um dos crimes mais emblemáticos foi a morte de Maria Fátima Muniz de Andrade, mais conhecida como Nega Pataxó. A liderança indígena foi assassinada em 21 de janeiro de 2024 no sul da Bahia num ataque orquestrado por fazendeiros ligados ao Movimento Invasão Zero que, segundo testemunhas, também teve apoio da polícia militar. À época, a Secretaria de Segurança Pública não esclareceu se houve participação da força policial no caso.
Para compreender um pouco do processo histórico dos conflitos nesse território e os desafios dos povos indígenas na luta por seus direitos, o Brasil de Fato Bahia conversou com Rosivaldo Ferreira da Silva, mais conhecido como Cacique Babau, liderança da Terra Indígena Tupinambá de Olivença, localizada no sul da Bahia. Na conversa, Cacique Babau resgatou elementos centrais da disputa por terras e aponta desafios estruturais para a demarcação dos territórios indígenas no país.
Brasil de Fato Bahia: Temos acompanhado a escalada da violência nos territórios indígenas na Bahia, sobretudo no sul e extremo sul do estado, mas sabemos que esses conflitos têm uma raiz muito mais profunda. Poderia nos trazer essa dimensão histórica e explicar por que esse território é tão marcante na resistência dos povos indígenas? A quem interessam as terras no sul e extremo sul da Bahia?

